Microsoft Word revista finalizada samuel



Baixar 207.96 Kb.
Pdf preview
Página8/11
Encontro12.01.2022
Tamanho207.96 Kb.
#20999
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11
Historia do Trabalhoo velho o novo e o global
of  Underdeveloped  Societies.  Bombay:  Thacker  &  Co,  1971,  vol.  I,  p.  95-114,  at  101.  Nisbet  notou  que  o 

eurocentrismo (naquela época, ainda chamado de etnocentrismo é simbolizado de acordo com uma metáfora 

biológica, a qual afirma que o crescimento e desenvolvimento das sociedades se parece um pouco com o das 

plantas,  originando-se  das  sementes  e,  posteriormente  desenvolvendo-se  em  organismos  maduros.  Esta 

metáfora  do  crescimento  é  baseada  em  pelo  menos  mais  cinco  pressupostos:  “Isso  significou,  em  primeiro 

lugar, que mudanças são normalmente contínuas. Isto é, cada condição identificável de algo, seja uma árvore, 

um homem ou uma cultura, é para ser entendido como algo que se originou desta mesma coisa. Em segundo 

lugar,  grandes  mudanças  devem  ser  compreendidas  como  sendo  cumulativas,  assim  como  conseqüência  de 

pequenas mudanças. Terceiro, a mudança social é caracterizada por diferenciação. Assim como a semente ou 

germe fertilizado é marcado por diferenciação e variação de função e forma em sua história, o mesmo ocorre 

para  a  cultura  humana  ou  instituição  marcada  por  este  tipo  de  manifestação  ao  longo  do  tempo.  Quarto,  a 

mudança em termos de desenvolvimento é encarada como resultado, na maioria dos casos, de uma espécie de 

propriedade  uniforme  ou  grupo  de  propriedades.  Da  doutrina  da  uniformidade  veio  a  crença  de  que  conflito 

social,  cooperação,  localização  geográfica,  raça  ou  outras  causas  alegadas  espalhadas  entre  as  páginas  da 

história  social  são  a  principal  causa  de  todo  desenvolvimento.  Quinto,  é  evidente  que  uma  espécie  de 

teleologia  está  presente  em  todas  essas  teorias  de  desenvolvimento  social.  Há  sempre  um  ‘fim’  em  vista.  O 

‘fim’ é sempre concebido em termos essencialmente ocidentais”. Ibid., p. 100. 



 

Revista Mundos do Trabalho, vol.1, n. 1, janeiro-junho de 2009. 

 

22 


HISTÓRIA DO TRABALHO: O VELHO, O NOVO E O GLOBAL 

crenças  empíricas”.

18

  Atacar  as  duas  primeiras  variantes  (negligência  e  preconceito)  é 



relativamente  simples,  mas  a  terceira  variante  representa  um  obstáculo  maior.  Lucien 

Fèbvre  já  havia  formulado  isso  meio  século  atrás:  “qualquer  categoria  intelectual  que 

possamos forjar nas oficinas da mente é capaz de se impor com a mesma força e a mesma 

tirania – e se agarra ainda mais obstinadamente à sua existência do que as máquinas feitas 

m nossas fábricas”.

19

 



Todos os conceitos centrais da História do Trabalho tradicional são principalmente 

baseados em experiências da região do Atlântico Norte e, portanto, devem ser criticamente 

reconsiderados. Isto se aplica, para começar, ao próprio conceito de “trabalho” (“labor”).

20

 

Nas  mais  importantes  línguas  ocidentais  (inglês,  francês,  espanhol,  italiano  etc.),  uma 

distinção é freqüentemente feita entre “labor” e “work”, na qual “labor” refere-se a um tipo 

de  esforço  manual  ou  um  tipo  de  trabalho  pesado  (como  em  “labor”  feminino),  enquanto 

work” refere-se a um processo mais criativo. Este significado binário – ao qual uma filósofa 

como Hannah Arendt conferiu conseqüências analíticas de longo alcance

21

  − simplesmente 



não existe em muitas outras línguas e, algumas vezes, não há mesmo uma palavra específica 

para  “labor”,  porque  estas  concepções  são  abstraídas  das  características  específicas  de 

processos separados de trabalho (labor). Devemos, portanto, investigar cuidadosamente até 

que  ponto  os  conceitos  de  “labor”  e  “work”  são  transculturalmente  utilizáveis,  ou,  ao 

menos,  deveríamos  definir  seu  conteúdo  muito  mais  precisamente  do  que  o  que  estamos 

acostumados a fazer. Onde “labor” começa e onde termina? Como exatamente traçamos a 

fronteira  entre  “labor”  e  “work”,  ou  é  esta  fronteira  menos  óbvia  do  que  comumente  se 

considera? 

A concepção de “classe trabalhadora” é também digna de um estudo crítico. Parece 

que  este  termo  foi  inventado  no  século  XIX  para  identificar  um  grupo  dos  chamados 

trabalhadores “respeitáveis”, em oposição a escravos e outros trabalhadores sem liberdade, 

os  auto-empregados  (pequena-burguesia)  e  pobres  excluídos,  o  lumpemproletariado.  Por 

diversas razões, as quais não posso discutir agora, esta interpretação não é apropriada para 

                                                                  

18 

James Blaut. The Colonizer’s Model of the World. New York: The Guilford Press, 1993, p. 9. 



19

  Lucien Febvre. “How Jules Michelet Invented the Renaissance” (1950). In: Peter Burke (ed.). A New Kind of 




Baixar 207.96 Kb.

Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal