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Historia do Trabalhoo velho o novo e o global
 

IV 

Apenas  nas  últimas  décadas  a  monadologia  eurocêntrica  tem  sido  questionada 

como  um  todo.  Por  um  lado,  caiu  por  terra  a  idéia  de  Sombart  de  que  apenas  povos 

pertencendo  à  mesma  “área  cultural”  poderiam  ser  significativamente  comparados.  Por 

outro lado, o Estado-nação foi crescentemente historicizado, e por isso, relativizado. Ambas 

tendências  subversivas  devem  ser  claramente  distinguidas,  mas,  em  maior  ou  menor 

medida, correm lado a lado. A aparência destas está relacionada a uma série de mudanças 

que ocorreram desde a Segunda Guerra Mundial ou que começaram até antes. São elas: 

-  A  descolonização  gerou  muitos  países  independentes,  especialmente  na  África  e 

Ásia,  que  começaram  a  investigar  suas  próprias  histórias;  nesse  sentido,  a  história 

do trabalho adquiriu não apenas um importante e crescente componente periférico 

(o número de mônadas), mas também tornou-se evidente que a história periférica 

obviamente  não  poderia  ser  escrita  sem  constantemente  referir-se  à  história 

metropolitana (ver, por exemplo, o trabalho de Walter Rodney). 

-  Comunidades  imaginadas  transcontinentais  se  desenvolveram,  tal  como  o  Pan-

Africanismo. 

- Na pesquisa sobre migrações históricas surgiu o insight que a perspectiva “nação-

etnia-encrave” interpretou erroneamente a realidade dos imigrantes, porque estes 

freqüentemente vivem transculturalmente. 

- As culturas fronteiriçasque foram “descobertas” não se encaixaram no esquema 

monodológico, creolização, etc. 

- O mesmo ocorreu para os ciclos transnacionais de protestos e greves.   

 

                                                                  



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  James Guillaume. L’Internationale, 4 Bände, Paris, 1905-10; Julius Braunthal. Geschichte der Internationale, 3 



Bände,  Hannover  1961-1971.  Sobre  o  “Inter-Nationalism”  no  movimento  trabalhista  ver,  por  exemplo,  Kevin 

Callahan.  “‘Performing  Inter-Nationalism’  in  Stuttgart  in  1907:  French  and  German  Socialist  Nationalism  and 

the  Political  Culture  of  an  International  Socialist  Congress”.  International  Review  of  Social  History,  45  (2000), 

51-87. 



 

Revista Mundos do Trabalho, vol.1, n. 1, janeiro-junho de 2009. 

 

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HISTÓRIA DO TRABALHO: O VELHO, O NOVO E O GLOBAL 

Todos esses desenvolvimentos, além do contato muito intenso entre historiadores 

de diferentes países e continentes, levaram a uma situação em que as premissas da história 

do trabalho tradicional são agora claramente visíveis e se tornaram, portanto, um tema para 

debate. Estamos agora diante de uma situação transitória interessante, na qual a disciplina 

se  encontra  comprometida  com  a  reinvenção  de  si  mesma.  A  Nova  História  do  Trabalho 

começa a dar lugar à História Global do Trabalho.

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A  que  se  refere  o  termo  “História  Global  do  Trabalho”?  Todos,  é  claro,  podem 

associá-la aos significados que gostam, mas eu, pessoalmente, entendo o seguinte:

 

-  Em  termos  de  status  metodológico,  sugeriria  que  uma  “área  de  interesse”  é 



envolvida, ao invés de uma teoria à qual todos devem aderir. Sabemos e devemos 

aceitar  o  fato  de  que  nossas  concepções  de  pesquisa  e  nossas  perspectivas 

interpretativas  diferem.  Esse  pluralismo  não  é  apenas  inevitável,  como  é  também 

igualmente  intelectualmente  estimulante  –  contanto  que  estejamos  preparados 

para,  a  qualquer  momento,  entrar  em  uma  discussão  séria  sobre  nossas  visões 

divergentes.  Independentemente  de  nossos  diferentes  pontos  de  partida,  no 

entanto, devemos nos esforçar por trabalhar produtivamente nos mesmos campos 

de pesquisa. 

-  No  que  diz  respeito  a  temas,  a  História  Global  do  Trabalho  focaliza  o  estudo 

transnacional  e  mesmo  transcontinental  das  relações  de  trabalho  e  nos 

movimentos  sociais  de  trabalhadores  no  sentido  mais  amplo  da  palavra.  Por 

“transnacional”, quero dizer, situar, no contexto mais amplo de todos os processos 

históricos, não importa quão “pequenos” em comparação com processos em outras 

partes, o estudo de processos de interação ou a combinação de ambos. 

- O estudo das relações de trabalho engloba trabalho que é tanto livre quanto não-

livre,  remunerado  e  não-remunerado.  Os  movimentos  sociais  dos  trabalhadores 

                                                                  

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  Marcel van der Linden. “Global Labor History and `the Modern World System´: Thoughts at the Twenty-Fifth 



Anniversary  of  the  Fernand  Braudel  Center”.  International  Review  of  Social  History,  46  (2001),  p.  423-459; 

Idem., “The `Globalization’ of Labor and Working Class History and its Consequences”. International Labor and 



Working Class History, 65 (Spring 2004), p. 136-156. 


 

Revista Mundos do Trabalho, vol.1, n. 1, janeiro-junho de 2009. 

ARTIGOS 

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consistem tanto de organizações formais quanto de atividades informais. O estudo 

tanto das relações de trabalho quanto dos movimentos sociais requer que seja dada 

igual atenção ao “outro lado” (empregadores, autoridades públicas). 

-  O  estudo  das  relações  de  trabalho  diz  respeito  não  só  ao  trabalhador  individual, 

mas também à sua família. Relações de gênero desempenham um papel importante 

dentro  da  família  e  em  relações  de  trabalho  envolvendo  membros  familiares 

individuais. 

-  Em  relação  ao  período  estudado,  penso  que  na  História  Global  do  Trabalho,  a 

princípio, não há limites em relação à perspectiva temporal, no entanto, diria que, 

na  prática,  a  ênfase  está  no  estudo  das  relações  de  trabalho  e  dos  movimentos 

sociais  trabalhistas  que  se  desenvolveram  ao  longo  do  crescimento  do  mercado 

global  desde  o  século  XIV.  Entretanto,  onde  quer  que  indicado,  para  fins  de 

comparação, estudos que recuem ainda mais no tempo não devem ser de maneira 

alguma excluídos. 

 

Esse  é,  afinal,  um  projeto  extremamente  ambicioso  que  apenas  começou.  Muitos 



dos  objetivos  deste  novo  enfoque  permanecem  obscuros  ou  necessitam  de  maiores 

elucidações.   




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