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III  Nesse sentido, apesar de seu feito inovador



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Historia do Trabalhoo velho o novo e o global
III 

Nesse sentido, apesar de seu feito inovador, A Formação da Classe Operária Inglesa 

nos mostra que houve importantes continuidades em relação à Velha História do Trabalho. 

                                                                  

Peter  Linebaugh  and  Marcus  Rediker.  The  Many-Headed  Hydra:  The  Hidden  History  of  the  Revolutionary 



Atlantic.  Boston:  Beacon  Press,  2000,  p.  274.  Tradução  brasileira,  A  Hidra  de  Muitas  Cabeças:  marinheiros, 

escravos, plebeus e a história oculta do Atlântico revolucionário. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. 

O conhecimento de Thompson sobre a Índia é evidente em sua palestra “História e Antropologia”, em 1976 



reimpressa  em:  E.P.  Thompson.  Making  History.  Writings  on  History  and  Culture.  New  York:  The  New  Press, 

1994, p. 200-225. No Brasil publicada como “Folclore, Antropologia e História Social”. In: As peculiaridades dos 



ingleses e outros artigos. Campinas, Ed. Unicamp, 2001. Sobre um plano de fundo da família de Thompson, ver 

Bryan  D.  Palmer,  E.  P.  Thompson:  Objections  and  Oppositions.  London  and  New  York:  Verso,  1994,  p.  11-51. 

Edição brasileira E. P. Thompson: objeções e oposições. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. Tom Nairn considera o 

trabalho  de  Thompson  como  um  exemplo  da  “variedade  da  cultura  popular  nacionalista  de  esquerda” 

britânica. Tom Nairn.  The Break-Up of Britain. Crisis and Neo-Nationalism. Second, Expanded Edition. London 

and New York: Verso, 1977, p. 303-4. 




 

Revista Mundos do Trabalho, vol.1, n. 1, janeiro-junho de 2009. 

ARTIGOS 

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O  campo  de  estudos  emergente  de  história  do  trabalho  na  Europa  do  século  XIX  e,  pouco 

depois,  na  América  do  Norte,  foi  caracterizado,  de  início,  por  uma  combinação  de 

“nacionalismo metodológico” – a invenção deste conceito é, até onde sei, devida a Anthony 

D. Smith – e eurocentrismo; uma combinação que apenas recentemente tornou-se um tema 

para debate. O nacionalismo metodológico funde sociedade e Estado e, conseqüentemente, 

considera  os  diferentes estados  nacionais  como espécies de  “mônadas  leibnizianas”  para  a 

pesquisa histórica. O eurocentrismo é a ordenação mental do mundo do ponto de vista da 

região  do  Atlântico  norte:  sob  este  ponto  de  vista,  o  período  “moderno”  tem  início  na 

Europa  e  na  América  do  Norte  e  se  estende,  aos  poucos,  para  o  restante  do  mundo;  a 

temporalidade  desta  “região  central”  determina  a  periodização  dos  desenvolvimentos  do 

restante  do  mundo.  Historiadores  reconstruíram  a  história  das  classes  trabalhadoras  e  dos 

movimentos 

operários 

na 


França, 

Grã-Bretanha, 

Estados 

Unidos 


etc. 

como 


desenvolvimentos  separados.  À  medida  que  passaram  a  prestar  atenção  às  classes  e 

movimentos sociais na América Latina, África ou Ásia, estes foram interpretados de acordo 

com as perspectivas do Atlântico Norte. 

Isso  não  significa  afirmar  que  os historiadores  do  trabalho  não  olharam para  além 

das  fronteiras  nacionais.  É  claro  que  o  fizeram  e,  já  anteriormente,  mas  a  abordagem, 

entretanto,  permaneceu  monadológica:  o  mundo  europeu  “civilizado”  foi  visto  como  um 

conjunto de povos que se desenvolveram mais ou menos na mesma direção, ainda que cada 

qual em um ritmo diferente. Uma nação foi vista como mais avançada que a outra, e é por 

isso  que  as  nações  mais  atrasadas  poderiam  ver  o  futuro,  em  maior  ou  menor  medida, 

refletido  nas  nações  mais  avançadas.  Inicialmente,  esse  pensamento  era  interpretado  de 

maneira  simplista,  e  movimentos  trabalhistas  de  outros  países  foram  estudados,  por 

exemplo,  para  descobrir  estratégias  políticas  para  a  política  cotidiana  de  um  determinado 

país.  Essa  abordagem  pode  ser  observada,  por  exemplo,  nos  escritos  de  Lorenz  Stein,  um 

pioneiro alemão na história social do movimento trabalhista trans-nacional. Em seu estudo 

de  1842  sobre  correntes  socialistas  e  comunistas  no  proletariado  francês,  ele  considerou, 

inicialmente, que a história se desenvolve por meio de diferentes nações. Nesse sentido, ele 

se posicionou firmemente sobre o terreno do pensamento monadológico. Stein assumiu que 

cada “movimento profundo” em determinada nação, cedo ou tarde, repetiria a si próprio em 

outra  nação.  Por  esta  razão,  um  estudo  sobre  desenvolvimentos  na  França  pareceu  uma 

tarefa  urgente  para  ele;  um  movimento  radical  aparecendo  em  um  país  vizinho  ameaçaria 




 

Revista Mundos do Trabalho, vol.1, n. 1, janeiro-junho de 2009. 

 

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HISTÓRIA DO TRABALHO: O VELHO, O NOVO E O GLOBAL 

igualmente  a  Alemanha  em  algum  momento,  e  questionou  retoricamente:  “Podemos 

esperar  passivamente  e  observar  como  [o  movimento]  cresce  entre  nós  e  permanece  sem 

rumo, porque não é compreendido?”.

6

 

Essa atitude algo instrumentalista levou a um forte interesse, aparentemente, para 

os  “povos  altamente  desenvolvidos”.  Logo,  entretanto,  tornou-se  evidente  como  era  difícil 

extrair receitas políticas úteis de outra parte. Quando Werner Sombart reconstruiu a história 

do proletariado italiano, meio século após Stein, ele concluiu que tais estudos comparativos 

dificilmente  ofereciam  alguma  diretriz  política  útil  para  a  política  doméstica  cotidiana. 

Embora  Sombart  acreditasse  que  as  nações  poderiam  aprender  a  partir  dos  exemplos  das 

outras,  ele  argumentou  em  favor  de  uma  abordagem  mais  fundamental,  que  focasse 

centralmente  em  questões  puramente  teóricas  (“de  onde”?”,  “para  onde”?).  Uma 

abordagem  modificada  como  esta  significou  uma  expansão  expressiva  do  terreno  para 

pesquisa,  porque  agora  um  estudo  dos  países  mais  avançados  não  era  mais  suficiente, 

havendo  a  necessidade  de  mergulhar  nos  países  menos  desenvolvidos,  “contanto  que 

pertencessem  às  mesmas  áreas  culturais.  [Kulturkreise]”.  Afinal:  “se  regularidades  no 

desenvolvimento social podem ser identificadas de todo, estas devem ocorrer também nos 

mais atrasados; é aí que deve ser confirmado o acerto da hipótese formulada com base em 

experiências anteriores em outros países.”

7

 

Dessa  forma,  Sombart  representou  a  elevação  da  história  do  trabalho 



monadológico  ao  status  científico.  Gradativamente,  no  entanto,  as  mônadas  ganharam 

espaço. O próprio Sombart era consciente da “influência da exemplaridade dos países mais 

avançados nos locais que os seguiram.”

8

  Ao longo do século XX, foi dada maior atenção para 



as  influências  recíprocas  entre  diferentes  povos,  ainda  que  esses  povos  separadamente 

tenham permanecido como unidades fundamentais de análise. De James Guillaume a Julius 

Braunthal,  organizações  internacionais  do  movimento  trabalhista  foram,  por  exemplo, 

interpretadas  como  elos  colaborativos  entre  trabalhadores  que  representavam  diferentes 

países,  entre  patriotas  com  diferentes  países  de  origem  –  uma  interpretação  que  também 

                                                                  

L. Stein.  Der Socialismus und Communismus des heutigen Frankreichs. Ein Beitrag zur Zeitgeschichte, Leipzig 



1842, S. iv, ix. 

7

  Werner  Sombart.  “Studien  zur  Entwicklungsgeschichte  des  italienischen  Proletariats”,  Archiv  für  soziale 



Gesetzgebung und Statistik, 6 (1893), S. 177-258, hier 178. 

Ibid. 




 

Revista Mundos do Trabalho, vol.1, n. 1, janeiro-junho de 2009. 

ARTIGOS 

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permaneceu  viva  no  movimento.

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  E,  nos  estudos  sobre  a  migração  internacional  de 



trabalho, os imigrantes eram vistos como pessoas ou que preservavam a cultura de seu país 

de origem ou que assimilavam a cultura do país para o qual haviam emigrado. 




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