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Historia do Trabalhoo velho o novo e o global
York Times, de 1870 em diante. Informações sobre ano, tipo de ação, país, cidade e indústria 

foram registradas para cada menção de perturbação relacionados ao trabalho ocorridas em 

qualquer  parte  do  mundo.  De  início,  todos  os  dados  numéricos  recolhidos  dessa  forma 

referentes  ao  período  de  1870-1895  foram  utilizados  em  análises  posteriores.  Os  mais 

importantes  resultados  foram  publicados  no  livro  de  Beverly  Silver,  Forças  de  Trabalho 

(2003).  Outros  acadêmicos  têm  seguido  esta  iniciativa.  Há  poucos  meses  atrás,  uma 

conferência  em  Amsterdã  posteriormente  desenvolveu  estatísticas  sobre  greves  para  um 

grande número de países. 

Tais  projetos  exigem  que  desenvolvamos  técnicas  capazes  de  tornar  comparáveis 

dados  de  diferentes  contextos históricos  e  geográficos.  Um  exemplo é  o chamado  projeto-

HISCO, que tem por objetivo a criação de um sistema de informação ocupacional que é, ao 

mesmo tempo, internacional e histórico e simultaneamente ligado a classificações existentes 

usadas  para  as  condições  atuais.  O  sistema  de  informação  tornará  disponível  na  Internet 

uma  classificação  internacional  e  histórica  de  ocupações  (HISCO),  combinada  com 

informações sobre tarefas e deveres em contextos históricos,  assim como imagens sobre a 

história  do  trabalho.

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  Atualmente  o  projeto  HISCO  é  baseado  na  codificação  das  1.000 



ocupações  mais  freqüentes  entre  homens  e  mulheres  em  dados  disponíveis  de  oito  países 

diferentes  (Canadá  e  mais  sete  países  europeus),  cobrindo  o  período  de  1670-1970,  mas 

principalmente do século XIX em diante. A codificação de novos dados é agora realizada na 

Colômbia,  Nova  Zelândia,  Rússia  e  Estados  Unidos  e  planejada  para  a  Índia,  Portugal  e 

Espanha. 

Um segundo estágio no qual podemos ser ativos é obviamente na pesquisa histórica 

real,  que  revela  as  interações  entre  diferentes  regiões  do  mundo  e,  por  isso,  é  capaz  de 

responder  questões  que  até  então  não  poderiam  nem  ao  menos  ser  feitas.  O  número  de 

                                                                  

23

   é um grupo de dados deste projeto.   



24 




 

Revista Mundos do Trabalho, vol.1, n. 1, janeiro-junho de 2009. 

ARTIGOS 

25 


questões  de  pesquisa  que  podem  ser  feitas  dentro  dessa  nova  abordagem  é  ilimitado.  Em 

outra  ocasião,  publiquei  uma  lista  de  idéias  sobre  esse  assunto.

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  Aqui,  quero  limitar-me 



não  a  apenas  um  exemplo,  que  chamo  de  “cadeias  globais  de  trabalho”.  Esse  conceito  dá 

continuidade  a  uma  velha  idéia  da  teoria  econômica  que,  em  essência,  pode  remeter  a 

Adam  Smith.  Frank  Taussig,  economista  conservador  de  Harvard  sintetizou  esta  idéia  nos 

anos 1920 dessa forma:

 

Comumente,  referimo-nos  a  um  alfaiate  como  aquele  que  faz  roupas,  um  carpinteiro 



como aquele que faz mesas, um sapateiro como aquele que faz botas. Tal frase, como 

muitas desse tipo, é elíptica e leva facilmente a mal-entendidos. O trabalho do alfaiate 

apenas  dá  o  toque  final  ao  trabalho  previamente  realizado  por  uma  longa  cadeia  de 

pessoas  –  o  pastor  que  cuidou  do  rebanho,  o  tosquiador  de  lã,  aqueles  que 

transportaram a lã por terra e por mar, o penteador de lã tecelão etc.sem mencionar 

aqueles que fizeram as ferramentas e maquinaria destes trabalhadores. Similarmente, o 

carpinteiro é o último de uma sucessão de pessoas que trabalharam para um mesmo fim 

–  o  lenhador  nos  bosques,  o  cortador  de  madeira  no  moinho,  o  maquinista  e  o 

engenheiro na ferrovia e assim por diante. Muitos trabalhadores, distribuídos em longas 

series, se combinam a fim de produzir mesmo as mais simples mercadorias.

26

 

 



Quando Taussig escreveu isso, ele pensava dentro da perspectiva do estado-nação, 

dos Estados Unidos, para ser preciso. Mas, nesse meio tempo, todos sabemos que as cadeias 

de  trabalho  abarcam  todo  o  planeta.  Tome-se,  por  exemplo,  o  jeans  que  muitos  de  nós 

usamos. O algodão para o denim é cultivado por pequenos fazendeiros no Benim, oeste da 

África. O algodão para os bolsos é cultivado no Paquistão. O índigo sintético é feito em uma 

fábrica  de  produtos  químicos  em  Frankfurt,  Alemanha.  Os  rebites  e  botões  contêm  zinco 

extraído por mineiros australianos. A linha é um poliéster manufaturado a partir de produtos 

de petróleo por trabalhadores da indústria química no Japão. Todas as partes são montadas 

na Tunísia. O produto final é vendido na Europa. Nossos jeans são, portanto, o resultado de 

uma combinação global de processos de trabalho.

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Uma  questão  relevante,  especialmente  importante  do  ponto-de-vista  do 



internacionalismo sindical, seria como esses diferentes processos de trabalho se relacionam 

uns  com  os  outros.  Poder-se-ia,  por  exemplo,  levantar  a  hipótese  de  que  quanto  mais 

                                                                  

25 


Marcel  van  der  Linden.  “  ‘The  `Globalization’  of  Labor  and  Working-Class  History  and  Its  Consequences”. 


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