Microsoft Word Para alem da ego-historia


São Paulo, Unesp, v. 11, n. 1, p. 71-95, janeiro-junho, 2015



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São Paulo, Unesp, v. 11, n. 1, p. 71-95, janeiro-junho, 2015 

 

ISSN – 1808–1967

 

Particularmente  no  segundo,  Rosaldo  (1989)  questiona  em  que  medida  as 



concepções  de  verdade  e  de  objetividade  nos  atuais  estudos  da  cultura  não  se 

transformaram em justificativa para um monopólio (imperialista e/ou colonialista) do discurso 

eurocêntrico  sobre  culturas  não  europeias

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,  e,  para  tanto,  propõe  mudanças  necessárias 



nas  práticas  etnográficas  e  antropológicas,  entre  elas  a  valorização  da  autoanálise.  Seu 

trabalho  com  os  Ilongot  –  um  grupo  nativo  das  Filipinas  –  buscou  a  valorização  de  uma 

abordagem  historiográfica,  em  um  momento  no  qual  a  história  oral  e  a  etnohistória  ainda 

não  haviam  se  consolidado  como  área  de  pesquisas  delimitadas,  legitimadas  e  com 

publicações  próprias,  modelos  descritivos  e  analíticos  preferenciais,  incorporando  no 

trabalho duas dimensões inovadoras: a análise da temporalidade nativa e a narrativa de seu 

percurso de pesquisa, com acertos e erros. 

De  certa  forma,  a  maneira  como  o  processo  de  subjetivação  é  incorporado  pela 

crítica  literária  e  pela  antropologia  torna  mais  fácil  uma  construção  narrativa  do  tipo  de 

Roland  Barthes  ou  de  Renato  Rosaldo,  aproximando-se  a  todo  o  tempo  da  experiência 

pessoal como fonte de validação teórica.  

Por  sua  vez,  no  campo  historiográfico,  o  surgimento  do  livro  “Ensaios  de  Ego-

história”, organizado por Pierre Nora, com a participação de grandes historiadores franceses 

– Jacques Le Goff, Georges Duby, Michelle Perrot, René Remond, Maurice Agulhon, Raoul 

Girardet,  Pierre  Chaunu  e  o  próprio  organizador  –  marca  a  afirmação  de  uma  opção 

metodológica para a exploração de memórias individuais dos autores, na busca de cada um 

explicar  a  sua  própria  história  e  tentar  aplicar  a  si  próprio,  seguindo  procedimentos  que 

tantas vezes lançou sobre os outros. 

Na contracapa do livro explica-se: 

 

 



 

“Que  é  ego-história?  Não  se  trata  de  uma  autobiografia  pretensamente 

literária,  nem  de  uma  profissão  de  fé  abstracta,  nem  de  uma  tentativa  de 

psicanálise. O que está em causa é explicar a sua própria história como se 

fosse de outrem, tentar aplicar a si próprio, seguindo o estilo e os métodos 

que  cada  um  escolheu,  o  olhar  frio,  englobante  e  explicativo  que  tantas 

vezes se lançou sobre os outros. Em resumo, tornar clara, como historiador, 

a ligação existente entre a história que cada um fez e a história de que cada 

um é produto.” (NORA, 1989). 

 

 



 

Ao  longo  do  século  XX,  as  particularidades  da  Teoria  da  Literatura  permitem  a 

discussão  das  relações  entre  os  processos  de  subjetivação  e  a  obra  literária,  desde  da 

discussão  sobre  autoria  até  a  afirmação  crítica  da  dimensão  sociocultural  não  só  da  obra 

mas também de seu significado em diferentes contextos. 


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