Microsoft Word Para alem da ego-historia


São Paulo, Unesp, v. 11, n.1, p. 71-95, janeiro-junho, 2015



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São Paulo, Unesp, v. 11, n.1, p. 71-95, janeiro-junho, 2015 

 

ISSN – 1808–1967

 

double  dimension  of  institutional  and  bureaucratic  discourse  and  personal  memoirs  and 



narrative,  so  that  it  is  possible  to  identify  a  discursive  ethos  ranging  from  the  objectified 

cartesian  approach  or  the  subjective  hermeneutic  perspective,  like  a  rich  and  polysemous 

source. 

Keywords: Aacademic memories. Self-writing. Autobiography. Intellectual history. 

 

 

Entre contrastes e contratos narrativos: um inventário de diferenças 

 

 

“Meu ambiente é o que se instaura de repente 



Onde quer que chegue, só por eu chegar 

Como pessoa soberana nesse mundo 

Eu vou fundo na existência 

E para nossa convivência 

Você também tem que saber se inventar...” 

(Caetano Veloso, Diamante Verdadeiro

 

 

O biografismo inclui manifestações narrativas que envolvem a seleção, descrição e 



análise  de  uma  trajetória  individual  com  base  em  diversos  enfoques  e  metodologias  que 

permitem  sua  incorporação  por  meio  do  romance  histórico,  das  narrativas  pessoais 

(autobiografias,  memórias  e  testemunhos),  da  literatura  escolar  e  das  biografias 

propriamente ditas.  

Assim,  as  práticas  discursivas  da  escrita  biográfica  já  foram  definidas  como 

modalidades  da  “história  de  uma  só  pessoa”  e  ainda  recebem  reticências  e  reservas  de 

alguns  historiadores  e  cientistas  sociais,  como  se  falar  de  indivíduos  fosse  calar  sobre 

assuntos mais urgentes e grandes injustiças.

1

  

No  entanto,  a  biografia,  enquanto  relato,  é  o  resultado  de  memórias  (ou  mesmo 



esquecimentos) coletivas, individuais e sociais, constantemente negociadas e processadas, 

e  que  se  corporificam  valendo-se  de  relações  particulares  com  o  tempo  e  o  espaço,  não 

simplesmente  como  atos  de  resgate,  mas  de  reconstrução  do  passado  baseado  em 

referenciais atuais. 

Dentro desse universo, as situações nas quais narrador e personagem são a mesma 

pessoa  caracterizam  a  expressão  literária  da  autobiografia  e,  em  relação  a  sua 

manifestação  entre  historiadores,  é  chamada  de  ego-história;  e  entre  antropólogos,  de 

autoetnografia,  situação  na  qual  a  identidade  autor-narrador  rompe  com  as  instâncias 

dicotômicas que, mesmo com ressalvas, caracterizam os gêneros ficcionais.

2

 



A escrita de si, “écriture de soi”, termo cunhado por Michel Foucault e que se liga as 

suas pesquisas sobre a “cultura de si”, compreende uma forma de manifestação discursiva 



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