Microsoft Word Para alem da ego-historia



Baixar 290.14 Kb.
Pdf preview
Página24/30
Encontro17.03.2020
Tamanho290.14 Kb.
1   ...   20   21   22   23   24   25   26   27   ...   30
 

 

Recebido em 17/4/2014 

Aprovado em 26/5/2015 

 

 

NOTAS 

                                                 

1

  Chaussinand-Nogaret  (1993,  p.  96)  identifica  as  reservas  ao  biografismo  pela  sua  suposta 



vinculação  “[...]  mais  sensível  à  cronologia  do  que  às  estruturas  e  aos  grandes  homens  do  que  às 

massas”,  e  aponta  as  limitações  desse  preconceito  afirmando  o  valor  de  diferentes  abordagens  do 

enfoque  biográfico  que  permitiriam  considerável  ampliação  de  alcance  analítico,  como  a 

prosopografia,  a  biografia  coletiva,  a  micro-história  ou  ainda  o  refinamento  da  biografia  de  notáveis 

para  além  do  culto  ao  herói,  da  comemoração  estéril  ou  de  um  conjunto  respeitoso  de  imagens. 

Levillain  (1996)  atribui  o  renascimento  do  interesse  pela  biografia  a  partir  de  certas  mudanças 

conjunturais do final do século XX, a saber, crise de grandes modelos explicativos, o questionamento 

das ideologias, a valoração do individualismo e o descarte de uma completa inteligibilidade do real. 

2

  Indicador  relevante  da  legitimidade  ou  do  prestígio  da  biografia  e  da  autobiografia  no  interior  das 



fronteiras  dessas  disciplinas  seria  o  volume  da  produção  desse  tipo  de  narrativa  em  relação  à 

produção bibliográfica de cada área, a presença desse enfoque entre os autores que formam o seleto 

grupo que constitui o cânone da área (nesse território que envolve tanto os clássicos quanto alguns 

contemporâneos),  e,  mais  particularmente,  a  forma  como  a  narrativa  biográfica  é  utilizada  na 

construção da memória interna de seus grupos. 

3

 O texto de Rousseau é canônico pela originalidade dos vínculos que o narrador estabelece com sua 



escrita de si, quer pela densidade da narrativa dos processos interiores do indivíduo em seus próprios 

processos  de  subjetivação  como  também  pelo  reconhecimento  do  narrador  como  inserido  em  um 

contrato  social.  Entre  outras  particularidades  da  perspectiva  rousseauniana,  se  realmente  podemos 

pensá-la  como  paradigma,  é  a  exibição  de  uma  “intimidade  pública”  na  qual  a  distinção  entre  as 

dimensões  pública  e  privada  se  dilui  na  narrativa,  além  da  incorporação  da  infância  como 

temporalidade abordada na narrativa, estabelecendo uma gênese da personalidade assim como sua 

dimensão descontínua e contraditória. 

4

  No  caso  da  narrativa  agostiniana,  têm  centralidade  os  temas  das  vicissitudes  e  da  salvação 



individual,  assim  como  a  forma  como  o  “eu”  agostiniano  remete  ao  “vós”  divino  que  o  incita  ao 

discurso.  Caballé  (1987,  p.  103)  aponta  a  equivalência  entre  as  expressões  “confissões”  e 

“autobiografia”, como sinal da sobrevivência do modelo agostiniano na escrita de si. 


1   ...   20   21   22   23   24   25   26   27   ...   30


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal