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#24265
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bn000010
Handebol 2022 JM JF
 
III 
 
BERTRAM 
 
But why should I for others groan,
When none will sigh for me! 
Childe Harold, I. Byron 


6
Um outro conviva se levantou. 
Era uma cabeça ruiva, uma tez branca, uma daquelas criaturas fleumáticas que não 
hesitarão ao tropeçar num cadáver para ter mão de um fim. 
Esvaziou o copo cheio de vinho, e com a barba nas mãos alvas, com os olhos de verde-mar 
fixos, falou: 
— Sabeis, uma mulher levou-me a perdição. Foi ela quem me queimou a fronte nas orgias, e desbotou-me os 
lábios no ardor dos vinhos e na moleza de seus beijos: quem me fez devassar pálido as longas noites de insônia nas 
mesas do jogo, e na doidice dos abraços convulsos com que ela me apertava o seio! Foi ela, vós o sabeis, quem 
fez-me num dia ter três duelos com meus três melhores amigos, abrir três túmulos àqueles que mais me amavam na 
vida — e depois, depois sentir-me só e abandonado no mundo, como a infanticida que matou o seu filho, ou aquele 
Mouro infeliz junto a sua Desdêmona pálida! 
Pois bem, vou contar-vos uma história que começa pela lembrança desta mulher... 
Havia em Cadiz uma donzela... linda daquele moreno das Andaluzas que não há vê-las sob 
as franjas da mantilha acetinada, com as plantas mimosas, as mãos de alabastro, os olhos que 
brilham e os lábios de rosa d'Alexandria sem delirar sonhos delas por longas noites ardentes! 
Andaluzas! sois muito belas! se o vinho, se as noites de vossa terra, o luar de vossas noites
vossas flores, vossos perfumes são doces, são puros, são embriagadores, vos ainda o sois mais! 
Oh! por esse eivar a eito de gozos de uma existência fogosa nunca pude esquecer-vos! 
Senhores! aí temos vinho de Espanha, enchei os copos: — à saúde das Espanholas!... 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Amei muito essa moça, chamava-se Ângela. Quando eu estava decidido a casar-me com 
ela, quando após das longas noites perdidas ao relento a espreitar-lhe da sombra um aceno, um 
adeus, uma flor, quando após tanto desejo e tanta esperança eu sorvi-lhe o primeiro beijo, tive de 
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