Microsoft Word Natal, hist\363ria, cultura e turismo atual09092008. doc


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Figura 01 - Santa Cruz da Bica. Cruzeiro situado
no antigo limite sul da cidade.
Foto: arquivo da SEMURB - Secretaria Municipal de
Meio Ambiente e Urbanismo.
Figura 02 - Praça das Mães (Antiga Square Pedro
Velho). Corresponde ao antigo limite norte da cidade.
Foto: arquivo da SEMURB - Secretaria Municipal de
Meio Ambiente e Urbanismo.
Figura 03 - Planta baixa da cidade. Delimitação correspondente ao antigo perímetro urbano de Natal.
Fonte: arquivo da SEMURB - Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo.


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Sem passar pelo estágio de vila, a cidade de Natal vivenciou momentos de
encontros e desencontros. Expulsos os franceses, vieram os holandeses e a
conquista da Fortaleza dos Reis Magos, transformando a cidade em Nova Amsterdã.
O domínio holandês foi caracterizado por intensos conflitos, ocorrendo violentos
massacres em Cunhaú e Uruaçu. Apesar destes acontecimentos é importante
ressaltar a aliança entre indígenas e holandeses. A historiadora Monteiro (2000, p.
42) aponta dois fatores determinantes na preferência indígena, pelo batavo em
relação a português:
Em primeiro lugar, é preciso considerar que, de ponto de vista
indígena, frente à necessidade de viver com os invasores,
fossem eles portugueses ou holandeses, aos indígenas cabia a
decisão política da aliança que lhes parecesse menos danosa
ao seu povo e à sua cultura. Em segundo lugar, enquanto a
vivência com os portugueses havia implicado até então em
massacres
e
na
escravização
indígena,
os
holandeses
reconheceram e garantiram, oficialmente, o direito dos índios à
liberdade.
Confirma deste modo, a ausência de “traidores” nestes primeiros anos de
colonização. Os povos nativos habitantes do litoral e interior, norte-rio-grandense, se
posicionaram conforme suas conveniências, o que estava em foco era a
sobrevivência de suas tradições. Mas, a “locomotiva” européia fez da terra potiguar
lugar de criação bovina e a expansão chega ao sertão. É bem verdade que a
resistência indígena faz eclodir uma das maiores guerras, acontecidas em solo
brasileiro. A Guerra dos Bárbaros, foco de defesa e reação, dos tapuias à presença
dos brancos de além do mar.
O natalense foi forjado neste processo de “paz e guerra”, entre indígenas,
europeus e africanos. Seus gestos, hábitos e culinária resultam deste caldeirão
cultural. Natal cosmopolita, na sua origem colonial, vive na década de 1940, grande
influência dos norte-americanos. Época da Segunda Guerra Mundial, a cidade torna-
se Trampolim da Vitória, o esforço de guerra fez Natal, quase dobrar a quantidade
de habitantes (LIMA, 2001).
Esta fusão de culturas originou várias manifestações populares, herdadas dos
diversos povos presentes na nossa história. Sobre as nossas tradições Deífilo Gurgel
(apud MARIZ; SUASSUNA, 20002, p. 383) classifica em dois grupos: o dos autos
populares, que tem um núcleo dramático e outros foguedos, coreografados sem o
drama.


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O desenvolvimento da Cidade de Natal ocorreu de forma inexpressiva, ao
ponto de durante muito tempo, ser correto afirmar “Natal não há tal”. Neste sentido a
instalação da base aérea norte-americana é responsável por um grande crescimento
da expansão urbana da Capital Potiguar. Segundo Mariz e Suassuna (2002, p. 327),
Natal:
Mesmo sendo uma cidade pequena, contava com entidades
científicas como o Instituto Histórico e Geográfico do Rio
Grande do Norte, localizado na Rua da Conceição, 622, a
Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, o Aero-Club do Rio
Grande do Norte, localizado na Av. Hermes da Fonseca, onze
clubes esportivos, três jornais - A República, A Ordem e o
Diário (18-09-1939) - e o Grande Hotel, único hotel em Natal na
época, que pertencia ao Estado mas fora arrendado a
Theodorico Bezerra.
A cidade de Câmara Cascudo chega ao século XX, deixando no passado o
título de Natal não há tal e ganhando outros como Trampolim da Vitória, Cidade
Espacial, Noiva do Sol, e Cidade dos Poetas, pois, como dizem, “Natal em cada
esquina há um poeta”. Terra poesia, Natal de lindas dunas, com belas praias e um
rio pequeno, chamado de grande pelos portugueses e de Potengi por seus nativos,
compõe um cenário lúdico, inspirador de amantes das letras, que aqui nasceram ou
escolheram este solo para viverem.
Um dos nomes das letras natalenses, considerado o primeiro escritor da
cidade, é o poeta Lourival Açucena, nascido no dia 17 de outubro de 1827, falecido
em 28 de março de 1907, deixou sua marca, de talento artístico, na música, nas
artes cênicas, hoje seria denominado de “mult-mídia”.
Sua produção literária foi “salva” por Luís da Câmara Cascudo, reunida numa
obra denominada Versos. A UFRN lançou uma segunda edição acrescida de um
estudo introdutório de Vicente Cerejo (GURGEL, 2001).
Sua obra poética permeia o irônico e o romantismo, apresentando um lapidar
da palavra. Tarcísio Gurgel, conhecedor das letras potiguares, em informação da
literatura potiguar apresenta um belo poema do poeta da Natal do Século XIX.


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SONETO
Inda cabe rigor neste teu peito?!
Anália, de afligir-me ainda não cansas?!
Cruel, não sentes, ímpia, não alcanças
De tua ingratidão o triste efeito?!
Teu duro coração já satisfeito
Acaso não estará dessas provanças,
Que me dão caprichosos esquivanças,
Com que pisas de amor doce preceito?!
Entre surdos arquejos de agonia,
Vou a vida de angústia acabando,
Que um ai! um só sorriso salvaria.
Mas, embora ferina vas matando
Meu firme coração com tirania,
“Hei de mártir de amor, morreu te amando”.
(Lourival Açucena apud Gurgel, 2001, p. 175)
O reconhecimento da escrita de Lourival Açucena por intelectuais da estirpe de
Henrique Castriciano, Segundo Wanderley, Gothardo Neto e Ferreira Itajubá, é
lembrado por Gurgel(2001). A província de Lourival Açucena insere-se, a partir de
então, na cena literária brasileira com poetas e ficcionistas, que falaram e cantaram
sua aldeia, como por exemplo: Jorge Fernandes, Palmyra Wanderley, Othoniel
Menezes, Câmara Cascudo, Newton Navarro, Marize Castro e outros que fizeram e
fazem de Natal lugar de literatura.


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