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SUMÁRIO 

 

Lista de Figuras...........................................................................................01 



 

1 – Resumo................................................................................................02 

 

2 – Introdução............................................................................................03 



 

3 – Revisão Bibliográfica..............................................................................06 

 

3.1 – Stonehenge  ..................................................................06 



3.1.1 – Contextualização histórica-arquitetônica................................09 

3.2 – Acrópole de Atenas e Pantheon de Roma ......................12 

3.2.1 – Acrópole de Atenas..............................................................12 

3.2.1.1 - Contextualização histórica-arquitetônica..............................15 

3.2.2 – Pantheon de Roma...............................................................17 

3.2.2.1 - Contextualização histórica-arquitetônica..............................20 

3.3 – Notre Dame e Basílica de São Pedro  ............................23 

3.3.1 – Notre Dame.........................................................................23 

3.3.1.1 – Contextualização histórico-arquitetônica..............................28 

3.3.2 – Basílica de São Pedro...........................................................29 

3.3.2.1 – Contextualização histórica-arquitetônica..............................32 

3.4 – 


Sede da ONU (NY) ..................................................................34

 

3.4.1 - Contextualização histórica-arquitetônica.................................36 



3.5 – 

Guggenheim (Bilbao)..............................................................38

 

3.5.1 - Contextualização histórica.....................................................42 



 

4 – Conclusão.............................................................................................44 

 

5 – Referências Bibliográficas.......................................................................47 



 


 

 

 



1

 

LISTA DE FIGURAS 



 

FIGURA 1: Stonehenge..............................................................................06 

FIGURA 2: Nuragues – edificações em pedra..............................................10 

FIGURA 3: Dólmen -  monumentos megalíticos tumulares coletivos..............11 

FIGURA 4: Vista da Acrópole de Atenas......................................................12 

FIGURA 5: Desenho esquemático do complexo da Acrópole de Atenas.........13 

FIGURA 6: Fachada do Pantheon de Roma..................................................17 

FIGURA 7: Vista superior do Pantheon de Roma..........................................19 

FIGURA 8: Detalhe da cúpula do Pantheon de Roma...................................21 

FIGURA 9: Fachada de Notre Dame............................................................24 

FIGURA 10: Vista geral de Notre Dame.......................................................26 

FIGURA 11: Basílica de São Pedro..............................................................29 

FIGURA 12: Cúpula da Basílica de São Pedro..............................................31 

FIGURA 13: Vista da Sede da Onu em NY...................................................34 

FIGURA 14: Fachada da Sede da Onu em NY..............................................35 

FIGURA 15: Museu Guggenheim em Bilbao.................................................39 

FIGURA 16: Entrda do Museu Guggenheim em Bilbao.................................41 

 

 



 

 

 



 


 

 

 



2

 

1 – RESUMO 



 

O  conhecimento  dos  procedimentos  construtivos  e  materiais  aplicados  em 

determinada  época  revela  dados  históricos  sobre  a  construção.  Com  isso,  as 

particularidades no modo de construir de cada período influenciam diretamente 

a  arquitetura  das  edificações,  evidenciando  a  evolução  construtiva  e  o  uso  de 

materiais  através  dos  tempos.  No  presente  trabalho,  para  tal  entendimento,  

serão abordados períodos históriocos e uma obra relevante a cada período que 

são:  Pré-história  –  Stonehenge;  História  antiga  -  Acrópole  de  Atenas  e 

Pantheon  de  Roma;  Idade  Média  -  Notre  Dame  e  Basílica  de  São  Pedro; 

Arquitetura Moderna - Sede da ONU em Nova Iorque; Arquitetura Pós-Moderna 

- Museu Guggenheim em Bilbao.    

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 




 

 

 



3

 

2 – INTRODUÇÃO 



 

Durante  os  anos,  a  função  e  os  métodos  construtivos  da  arquitetura  e  da 

engenharia foram transformando-se de acordo com a contextualização histórica 

da  época.  As  construções  serviam,  além  de  sua  função  básica  –  a  moradia  – 

para  base  de  estudos  astronômicos,  para  representar  um  Estado,  exaltar 

governos  e  governantes,  proteger  populações  contra  invasores,  criar  grandes 

edificações  para  túmulos  de  homens  notórios,  exaltar  deuses,  dentre  muitos 

outros. Com isso, os materiais empregados e o modo de construir tiveram que 

ser  elaborados  para  cada  finalidade,  de  modo  a  aproveitar  todos  os  materiais 

disponíveis à época, da melhor maneira possível.

 

 

Na  antiguidade,  o  uso  de  materiais  encontrados  na  natureza  eram  pensados 



para  a  eleboração  de  ferramentas  e  armas  para  sobrevivência  de  pequenos 

grupos  que  iam  fixando-se  em  terrenos  férteis.  Construíam  moradias  com 

pedras, madeira, argila, folhas, etc. 

 

 



Na  arquitetura  grega  e  romana,  a  base  veio  dos  princípios  da  arquitetura  do 

Oriente Médio, onde se criou e fundiu as formas e os elementos arquitetônicos, 

influenciando outras  regiões  devido ao  intenso  intercâmbio comercial existente 

àquela época.  A partir de então, a arquitetura clássica transcendeu os modelos 

anteriores  e  foi  o  ponto  de  partida  para  tudo  o  que  se  fez posteriormente  no 

Ocidente. O gregos não se contentaram em simplesmente copiar as sugestões e 

soluções  provenientes  do  Oriente  Médio,  eles  souberam  transfigurá-las, 

adaptando-as  ao  seu  clima,  à  sua  organização  social,  à  sua  civilização,  enfim, 

de  acordo  com  os  materiais  que  dispunham  e  com  suas  próprias  técnicas 

construtivas.  Foi  este,  sem  dúvida,  o  grande  mérito  dos  arquitetos  gregos: 

legaram as  formas  antigas  e obsoletas  depois  de fazê-las  passar pelo  crivo de 

sua sensibilidade artística e de sua perícia técnica. Os gregos levaram o sistema 

trilítico, herdado dos egípcios, ao mais alto grau de perfeição.

 



 

 

 



4

 

Já  os  romanos, interpretaram um pouco diferente os ensinamentos do Oriente 



Médio, dando maior ênfase ao sistema cosntrutivo dos arcos e abóbodas. Essas 

formas  curvas  foram  conservadas  como  tradição  constante  na  arquitetura 

romana  e,  ligadas  ao  trilitismo  das  concepções gregas, edificaram  construções 

híbridas  onde  se  encontram  entablamentos  retos,  esteios  isolados,  arcadas, 

abóbadas de berço e mesmo as cúpulas. 

 

Os edificios góticos e, especialmente as grandes igrejas, obedecem a uma série 



de prescrições rituais, religiosas, simbólicas, místicas e esotéricas. A clareza e a 

elasticidade  do  método  de projetar  e  de  executar  permitiram  então incorporar 

uma  enorme  variedade  de  temas  utilitários  e  ideológicos,  sem  que  estes 

chegassem a comprometer o equilíbrio da arquitetura. 

 

No Renascimento, cada problema concreto de projeto era concebido como um 



caso  particular  de  um  problema  abstrato  e,  entre  os  fatores  a  merecer 

consideração,  surge  um  novo:  a  necessidade  de  adequação  a  uma  série  de 

regras permanentes. A partir de então, não mais se pergunta se a forma é bela 

ou  apropriada,  mas  sim  se  é  correta,  o  que  ia  de  encontro  ao  pensamento 

antigo. Com isso, torna-se consciente a unidade entre as artes e o ato ideal de 

projetar,  onde  há  a  pintura,  a  escultura  e  a  arquitetura.  Os  arquitetos  dessa 

época  buscavam  traduzir  em  termos  bidimensionais  a  representação  dos 

ambientes fechados racional e precisamente, transformando-os de ilimitado em 

limitado e mensurável.   

 

 



Em  relação  ao  ideário  moderno,  a  arquitetura  realiza  inovações  tecnológicas 

obtidas com a Revolução Industrial e com as diversas propostas urbanísticas e 

sociais  realizadas  por  teóricos.  A  partir  do  modernismo  fica  claro  que  não  se 

pode mais considerar a arquitetura como uma das “artes”, ao lado da pintura e 

da escultura, pois, a partir de então, diversas funções devem ser consideradas 

em  uma  obra,  como  a  ecomonia,  a  técnica,  a  eficiência,  dentre  outros.  O 




 

 

 



5

 

problema  estético  passa  a  ser  secundário  e  o  moderno  tem  muito  mais  a  ver 



com uma questão social que com uma questão estética. 

 

Já a arquitetura contemporânea caracteriza-se por uma reação às propostas da 



arquitetura  moderna,  há  uma  releitura  dos  valores  modernos  e,  muitas  vezes, 

os edifícios contemporâneos vão mais além, com propostas radicalmente novas, 

absolutamente contrárias aos dogmas do modernismo. No pós-modernismo, há 

um uso de diversos materiais e formas, um ecletismo que torna-se "vazio", pois 

não  se  relaciona  com  a  interdisciplinaridade,  os  prédios  "des-combinam" 

formas, cores e materiais, gerando uma total liberdade de leitura.  

 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 




 

 

 



6

 

3 – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 



 

A presente revisão bibliográfica aborda períodos da história através de algumas 

obras  -  materiais  e/ou  suas  técnicas  construtivas  -  e  sua  contextualização 

histórica. Tais obras são descritas a seguir:

 

 

3.1 – Stonehenge 



Pré-história - Inglaterra - Wiltshire - ano 3.500 a.C 

 

Stonehenge  (do  inglês  arcaico  "



stan

"  =  pedra,  e  "

heng

"  =  eixo)  é  um 



monumento  megalítico,  localizado  na  planície  de  Salisbury,  próximo  a 

Amesbury, em Wiltshire, no Sul da Inglaterra.  

 

Muito  conhecido  e  visitado,  o  Stonehenge  é  um  conjunto  de  pedras  que 



formam  um  círculo.  Acredita-se  ter  sido  projetado  para  permitir  a  observação 

de fenômenos astronômicos como os solstícios de Verão e de Inverno, eclipses 

e  outros.  Porém,  são  muitas  as  teorias  sobre  a  verdadeira  função  do 

Stonehenge  devido  ao  longo  tempo  de  utilização,  além  de  passar  por  várias 

fases  de  complementação.  Com  isso,  é  possível  que  o  monumento  tenha  se 

desviado de sua função inicial (FIGURA 1).         

 

 

FIGURA 1: Stonehenge. 



Fonte: http://www.maisturismo.net

            

 



 

 

 



7

 

O  Stonehenge  foi  produzido  por  uma  cultura  sem  idioma  escrito, 



impossibilitando  estabelecer  parâmetros  concretos  como  acontece  com  outras 

culturas  que  registraram  seus  eventos.  Muitos  aspectos  de  Stonehenge 

permanecem  sujeitos  a  debate.  Há  pouca  ou  nenhuma  evidência  direta  em 

relação às técnicas de construção usadas por seus construtores. Durante anos, 

foram sugeridos, por vários autores, métodos sobrenaturais para sua execução, 

alegando ser impossível mover blocos de rocha daquele porte.  

 

Porém,  as  técnicas  convencionais  usadas  no  Período  Neolítico  hoje  são 



demonstradas,  mostrando-se  capazes  de  mover  e  elevar  as  pedras.    A 

configuração  do  monumento  pertence  a  uma  classe  conhecida  como  henge. 

Arqueólogos  definem  henges  como  sendo  terraplenagens  resultando  em  uma 

elevação  circular  onde  eram  erigidos  os  menires  (monumento  de  pedra, 

cravado  verticalmente  no  solo)  e  um  fosso  interno.  Como  frequentemente 

acontece  em  terminologia  arqueológica,  este  é  um  termo  genérico  e 

Stonehenge não seria um henge verdadeiro, pois está contido em seu próprio 

fosso. Do ponto de vista construtivo, seria um recurso utilizado para posicionar 

enormes blocos de rocha, ou seja, os mesmos seriam arrastados até a borda do 

fosso e em seguida seriam lançados e apoiados no fundo. Dessa maneira seria 

mais  fácil  colocá-los  na  vertical.  Recurso  este  brilhante,  considerando-se  a 

época em questão. 

 

O Stonehenge é uma estrutura composta, formada por círculos concêntricos de 



pedras  que  chegam  a  ter  cinco  metros  de  altura  e  a  pesar  quase  cinquenta 

toneladas, onde se identificam três distintos períodos construtivos: 

 

•  O chamado 



Período I

 (c. 3100 a.C.), quando o monumento não passava 

de uma simples vala circular com 97,54 metros de diâmetro, dispondo de 

uma  única  entrada.  Internamente  erguia-se  um  banco  de  pedras  e  um 

santuário  de madeira. Cinquenta e seis furos externos ao seu perímetro 



 

 

 



8

 

continham  restos  humanos  cremados.  O  círculo  estava  alinhado  com  o 



pôr do Sol do último dia do Inverno e com as fases da Lua.  

 

•  Durante  o  chamado 



Período  II

  (c.  2150  a.C.)  deu-se  a  realocação  do 

santuário  de  madeira,  a  construção  de  dois  círculos  de  pedras  azuis 

(coloridas  com  um  matiz  azulado),  o  alargamento  da  entrada,  a 

construção  de  uma 

avenida


  de  entrada  marcada  por  valas  paralelas, 

alinhadas  com  o  Sol  nascente  do  primeiro  dia  do  Verão,  e  a  ereção  do 

círculo externo, com 35 pedras que pesavam toneladas. As altas pedras 

azuis, que pesam quatro toneladas, foram transportadas das montanhas 

de Gales a cerca de 24 quilômetros ao Norte.  

 

• 



No  chamado 

Período  III

  (c.  2075  a.C.),  as  pedras  azuis  foram 

derrubadas e pedras de grandes dimensões (megálitos) - ainda no local - 

foram erguidas. Estas pedras, medindo em média 5,49 metros de altura 

e pesando cerca de 25 toneladas cada, foram transportadas do Norte por 

19 quilômetros. Entre 1500 a.C. e 1100 a.C., aproximadamente sessenta 

das  pedras  azuis  foram  restauradas  e  erguidas  em  um  círculo  interno, 

com outras dezenove, colocadas em forma de ferradura, também dentro 

do círculo.  

 

As  teorias  atuais  a  respeito  da  finalidade  de  Stonehenge  sugerem  seu  uso 



simultâneo  para  observações  astronômicas  e  a  funções  religiosas,  sendo 

improvável que estivesse sendo utilizado após 1100 a.C. 

 

A respeito da sua forma e funções arquitetônicas, os estudiosos sugeriram que 



Stonehenge - especialmente seus círculos mais antigos - pretendia ser a réplica 

de  um  santuário  de  pedra,  sendo  que  os  de  madeira  eram  mais  comuns  em 

épocas Neolíticas. 

 



 

 

 



9

 

3.1.1 – Contextualização histórico-arquitetônica 



 

O Período Neolítico, também chamado de Idade da Pedra Polida (por causa de 

alguns  instrumentos  feitos  de  pedra  lascada  e  pedra  polida),  é  o  período  da 

Pré-História  que  começa  em  8000  a.C.  A  agricultura  e  a  fixação  de  grupos 

resultante  do  cultivo  da  terra  surgem  nesse período  onde as primeiras  aldeias 

são  criadas,  próximas  aos  rios,  para  que  os  nativos  possam  usufruir  da  terra 

fértil  (onde  eram  colocadas  sementes  para  plantio)  e  da água.  Também  neste 

período  começa  a  domesticação de animais (cabra, boi, cão, dromedário, etc). 

O trabalho passa a ser dividido: os homens cuidam da segurança, caça e pesca, 

enquanto as mulheres plantam, colhem e educam os filhos.  

 

Também surge o comércio que facilita a troca de materiais e que era, na época, 



representado  por  sementes.  Estas  sementes,  diferenciadas  umas  das  outras, 

representam  cada  tipo,  cada  valor.  Uma  aldeia,  ao  produzir  mais  do  que  o 

necessário  e,  para  não  perder  grande  parte  da  produção  que  não  iria  ser 

utilizada,  troca  o  excesso  por  peças  de  artesanato,  roupas  e  outros  utensílios 

com outras aldeias. 

 

As  peles  de animais passam a não serem mais usadas como vestimentas, pois 



dificultam a caça e muitas outras atividades devido ao seu peso, sendo trocadas 

por  roupas  de  tecido  de  lã,  linho  e  algodão,  mais  confortáveis  e  leves.  Como 

meio  de  comunicação,  os  estudiosos  acreditam  que  os  homens  dos  primeiros 

períodos  da  Pré-História  gravavam  desenhos  nas  paredes  das  cavernas,  pois 

não possuiam o conhecimento da escrita. 

 

Acredita-se  que  o  surgimento  da  escrita  ocorreu  no  período  Neolítico,  último 



período  pré-histórico.  A  transição  do Neolítico  para  a  Idade  dos Metais  (Idade 

do  Bronze  e  Idade  do  Ferro)  caracterizou  a  transição  da  Pré-História  para  a 

História. 



 

 

 



10

 

Nesta  época,  as moradias  eram casas redondas, onde a família sentava-se em 



bancos de pedra, encostados às paredes. Os lugares eram ocupados segundo a 

idade e posição social. Os materiais de construção eram sólidos, como a argila 

seca ou madeira, os alicerces eram em pedra ou pilares de madeira e cobertos 

por terraços ou telhados feitos de colmo. As camas normalmente eram feitas do 

mesmo  material  que  as  paredes  e  as  casas  tinham  apenas  uma  divisão  com 

lareira para a aquecer.  

 

Nesse  período  algumas  edificações  são  conhecidas  os  nuragues  (FIGURA  2), 



edificações em pedra, sem nenhuma argamassa e em forma de cone truncado, 

bem como as construções denominadas dolmens (FIGURA 3). 

 

 

                                  



 

FIGURA 2: Nuragues – edificações em pedra.  

Fonte: http://esteticaehistoriadarte.blogspot.com 

 

 



 


 

 

 



11

 

                        



 

FIGURA 3: Dólmen -  monumentos megalíticos tumulares coletivos. 

Fonte: http://esteticaehistoriadarte.blogspot.com 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 


 

 

 



12

 

3.2 – Acrópole de Atenas e Pantheon de Roma  



 

3.2.1 - Acrópole de Atenas  

História Antiga - Grécia – Atenas - ano 450 a.C. 

 

A  Acrópole  de  Atenas,  o  chamado  "rochedo  sagrado",  é  a  mais  conhecida  e 



famosa  das  acrópoles  da  Grécia.  Seu  significado  é  tal  na  arte  e  cultura  do 

ocidente  que  muitas  vezes  é  referida  simplesmente  como 

a  Acrópole

.  É  uma 

colina  rochosa  de  topo  plano  a  150  metros  de  altura  do  nível  do  mar,  em 

Atenas,  capital  da  Grécia,  e  abriga  algumas  das  mais  famosas  edificações  do 

mundo antigo, como o Partenon e o Erecteion (FIGURA 4). 

 

FIGURA 4: Vista da Acrópole de Atenas. 



Fonte: http://paxprofundis.org 

 

A Acrópole de Atenas, apesar de não ser a única, é certamente a mais famosa 



de  todas.  As  acrópoles  da  Antiga  Grécia  eram,  como  o  próprio  nome  diz, 

"cidades  altas",  construídas  no  ponto  mais  elevado  das  cidades  e  serviam 

originalmente  como  proteção  contra  invasores  de  cidades  inimigas  e,  quase 

sempre,  eram  cercadas  por  muralhas.  Com  o  tempo,  passaram  a  servir  como 

sedes administrativas civis ou religiosas. A Acrópole de Atenas foi construída por 



 

 

 



13

 

volta  de  450  a.C.  sob  a  administração  do  célebre  estadista  Péricles  e  foi 



dedicada a Atena, deusa padroeira da cidade.  

 

Atualmente,  a  maior  parte  das  estruturas  da  Acrópole  de  Atenas  estão  em 



ruínas.  Como  exceção,  ainda  estão  erguidos  o  Propileu,  o  portal  para  a  parte 

sagrada  da  Acrópole,  o  Partenon,  templo  principal  de  Atenas,  o  Erecteion, 

templo dos deuses do campo, e o Templo de Athena Niké, simbolo da harmonia 

do  estado  de  Atenas.  A  Acrópole  foi  construída  pelos  arquitetos  Iktinos  e 

Kallikrates, sob a supervisão do escultor ateniense Fídias (FIGURA 5). 

              

 

FIGURA 5: Desenho esquemático do complexo da Acrópole de Atenas. 



Fonte: www.notapositiva.com 

 

A  fachada  frontal  da  Acrópole  apresenta  oito  colunas  e  dezessete  nas  laterais 



cujas  as  dimensões  são  de  31  por  69  centímetros.  A  maior  parte  do  templo, 

inclusive  as  telhas,  eram  de  mármore  e,  em  madeira,  o  telhado  (sobre o qual 

assentavam as telhas), sendo os pregos e os grampos de metal. No santuário, 

havia  duas  filas  de  colunas  longitudinais  (dez  em  cada  fila)  e  mais  três, 

transversalmente,  no  fundo  do  santuário.  Essas  colunas  internas  suportavam 



 

 

 



14

 

outras  tantas,  em  nível  superior,  havendo  uma  galeria  intermediária 



contornando  o  santuário  em  três  de  seus  lados.  Na  parte  central,  mais  larga, 

ficava a grande estátua de Atena Partenos (com 12 metros de altura), de ouro 

e marfim, obra de Fídias.  

 

Especial  importância  artística  tem  os  baixos-relevos  das  métopas  e  dos 



tímpanos do Partenon. No frontão Leste, nasce Atena, toda armada, da cabeça 

de  Zeus,  na  presença  dos  deuses  do  Olimpo.  No  frontão  oeste,  os  heróis  da 

Ática assistem à luta entre Atena e Poseidon pela posse do solo grego, por meio 

de  milagres  (simbolizando  as  duas  riquezas  da  Grécia,  isto  é,  os  produtos  da 

terra e os produtos do mar). Nas métopas aparecem cenas tiradas da mitologia, 

das lendas e da história: na fachada leste, os deuses vencem os gigantes; a sul 

e a oeste os heróis triunfam dos Centauros e das Amazonas; ao norte episódios 

do final da guerra de Tróia. 

 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 



 

 

 



15

 

3.2.1.1 – Contextualização histórico-arquitetônica 



 

A  história  da  Acrópole  de  Atenas  é  longa,  com  grandes  momentos,  quando  a 

democracia, a ciência, a filosofia e a arte floresceram conducente à sua criação. 

Em  seguida,  houve  os  tempos  de  escuridão, quando um  embaixador  britânico 

vandalizou  o  monumento,  rompendo  esculturas  fora  dos  templos  sagrados, 

enviando-as à Grã-Bretanha.  Hoje, a comunidade internacional concretizando o 

ato final da conservação da Antiguidade, reunindo as esculturas da Acrópole em 

Atenas e, assim, buscando restabelecer o significado de um monumento único. 

 

A  arquietura  grega  deve  ser  vista  de  uma  maneira  particular  devido  aos 



resultados alcançados pelo seu enorme impacto. Grande parte da atual cultura, 

principalmente  os  valores  essencialmente  artísticos,  são  fortemente 

influenciados pelos gregos, daí a dificuldade no estudo desta arquitetura, pois a 

mesma não pode ser encarada com objetividade absoluta. 

 

O  valor  determinante  da  experiência  grega  não  depende  somente  dos 



resultados  específicos  conseguidos,  mas  sobretudo  do  enquadramento 

conceitual  que  uma  determinada  experiência  recebe  pela  primeira  vez  e  que 

permanece estável por muito tempo. As atividades que se costumam chamar de 

artísticas  foram  considerados  pela  primeira  vez  como  funções  autônomas, 

decorrentes  das  exigências  rituais,  comemorativas,  iconográficas.  Além  da 

idealização e da execução, o valor utilitário e o valor contemplativo dos objetos 

produzidos  eram  considerados  interdependentes  e  não  designados  com  duas 

nomenclaturas  separadas,  mas  sim  como  uma  única  série  de  vocábulos  que 

abrange globalmente cada setor.  

 

No  edifício,  a  composição  por  simetria,  o  uso  das  leis  geométricas  e  dos 



sistemas  de  coordenação  ótica  se  prendem  unicamente,  sendo  que  os  gregos 

restringiram  energicamente  o  uso  da  composição  arquitetônica,  assim 

compreendida, a estes limites, evitando aplicar os mesmos métodos em escala 

mais extensa.

 



 

 

 



16

 

O  conceito  de  edifício  deriva  desta  deliberada  limitação  que  é  próprio  da 



tradição  clássica  européia:  o  habito  de  fazer  destacar,  da  continuidade  do 

ambiente urbano, uma porção definida, submetendo-a a uma disciplina unitária 

e reconhecível.

 

 



Na idade clássica, os gregos jamais consideraram o traçado de uma cidade em 

comparação  com  a  consideração  dada  ao  traçado  de  um  templo.  Os 

construtores  da  Acrópole  de  Atenas  não  se  esforçavam  para  estender  as 

características  dos  edifícios  ao  ambiente  circundante,  mas  por  acolher  as 

sugestões  ambientais,  colocando-as  em  harmonia  com  toda  a  paisagem, 

resolvendo cada conjunto parcial no conjunto geral, paisagístico. Ao fazer essa 

inclusão  fica  explícita  a  extraordinária  riqueza  da  sensibilidade  grega,  mas  o 

processo permanece  necessariamente de  forma  empírica e  intuitiva, irredutível 

a regras racionais.

 

 



Nos  edifícios  gregos,  a  liberdade  das  relações  externas  relaciona-se  com  a 

eventual  rigidez  das  composições  internas,  promovendo  um  diálogo  entre  o 

racional  e  o  irracional  periférico.  Esta  relação  envolve  todo  o  campo  da 

arquitetura, sem exceder a validade das regras racionais, ajudando a conservar 

o  caráter  de  uma  conquista  continuamente  renovada,  evitando  que  se 

transformem  em  hábitos  convencionais.  Talvez  isso  possa  ser  a  explicação  de 

como  a  arquitetura  grega  se  apresenta  imune  ao  perigo  do  formalismo, 

enquanto que as épocas posteriores, que recebem dos gregos o formulário das 

ordens, correm sempre o risco de cair neles.  

 

 



 

 

 



 

 

 




 

 

 



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3.2.2 - Pantheon de Roma  



História Antiga - Itália – Roma – ano 27 a.C. 

 

O  Pantheon,  também  conhecido  como  Pantheon  de  Agripa,  é  o  único  edifício 



construído  na  época  greco-romana  que,  atualmente,  se  encontra  em  perfeito 

estado de conservação. Desde que foi construído se manteve em uso: primeiro 

como templo dedicado a todos os deuses do panteão romano (daí o seu nome) 

e, desde o século VII, como templo cristão. 

 

O  Pantheon  original  foi  construído  em  27  a.C.,  no  período  da  República 



Romana,  durante  o  terceiro  consulado  de  Marco  Vipsânio  Agripa. 

Efectivamente,  o  seu  nome  está  inscrito  sobre  o  pórtico  do  edifício: 

M.AGRIPPA.L.F.COS.TERTIUM.FECIT,  o  que  significa:  "Construído  por  Marco 

Agripa, filho de Lúcio, pela terceira vez cônsul" (FIGURA 6). 

 

 

FIGURA 6: Fachada do Pantheon de Roma. 



Fonte: www.paradoxplace.com 


 

 

 



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O  Pantheon  de  Agripa  foi  destruído  por  um  incêndio  em  80  d.C.,  sendo 



totalmente  reconstruído  em  125,  durante  o  reinado  do  imperador  Adriano, 

como se pode comprovar pelas datas impressas nos tijolos que fazem parte da 

sua  estrutura.  A  inscrição  original,  referindo-se à  sua  fundação por  Agripa  foi, 

então,  inserida  na  fachada  da  nova  construção,  de  acordo  com  uma  prática 

habitual  nos  projetos  de  reconstrução  devidos  a  Adriano,  por  toda  a  Roma. 

Adriano caracterizava-se pelo seu cosmopolitismo. Viajou bastante pelas regiões 

orientais  do  império  e foi  um grande  admirador  da  cultura grega.  O Pantheon 

nasceu  do  seu desejo  de  fundar  um  templo dedicado a todos os deuses, num 

gesto ecumênico ou sincretista que abarcasse os novos povos sob a dominação 

do Império Romano. 

 

Para  a  construção  do  Pantheon,  os  romanos  foram  obrigados  a  enfrentar  a 



articulação  dos  sistemas  abobadados.  Para  isso,  procuraram  diferenciar  a 

consistência  dos  muros  e  das  abóbodas  usando  materiais  diferentes,  cada vez 

mais  leves,  de  baixo  para  cima,  seja  armando  a  massa  mural  com  recursos  e 

nervuras  ou  arcos  de  descarga.  Deste  modo,  todas  as  partes  cheias,  além  do 

limite da parede, são consideradas como um bloco homogêneo, quase como se 

o ambiente fosse obtido com um molde de uma massa uniforme. Assim, nasce 

a  estrutura,  a  concreção,  isto  é,  o costume  de preencher  todas as espessuras 

dos  muros  com  camadas  horizontais  ligadas  com  betume,  onde  é  inserida  a 

armação  secundária.  Para  assegurar  ao  conglomerado  máxima  coesão, 

utilizavam massas pozolânicas pelas quais se dava a estabilidade do edifício.  

 

O  edifício  circular  tem  um  pórtico  (também  denominado  pelo  termo  grego 



"pronaos")  com  três  filas de  colunas  - 8  colunas na  fila  frontal,  16 ao todo - , 

sob um frontão. O interior é abobadado sob uma cúpula que apresenta alvéolos 

em forma de caixotões no interior, em direcção a um óculo que se abre para o 

zênite.  Da  base  da  rotunda  até  ao  óculo  são  43  metros  de  altura  -  a  mesma 

medida do raio do círculo da base - o que significa que o espaço da cúpula se 

inscreve no interior de um cubo imaginário

 (FIGURA 7

)

.



 


 

 

 



19

 

 



                              

 

FIGURA 7: Vista superior do Pantheon de Roma. 



Fonte: www.crisacross.com 

 

As  portas  de  bronze  que  conduzem  ao  edifício  (que  são  originais  e  já  foram 



cobertas de ouro) pesam 20 toneladas cada uma. As paredes do Pantheon tem 

75  centimetros  de  espessura  e  seu  piso  é  levemente  inclinado  para  permitir  o 

escoamento  das  águas  pluviais.  O  óculo,  a  única  fonte  de  luz  natural  do 

Pantheon, é uma abertura redonda no centro da cúpula. O altar-mor é oposto à 

entrada e os 7 ícones originais da Virgem com o Menino podem ser vistos logo 

acima. A abside é decorada com um mosaico dourado com cruzes e o nicho à 

direita  da  entrada  carrega  um  afresco  da 

Anunciação

  por  Melozzo  da  Forli 

(século XV).  

 

 

 



 


 

 

 



20

 

3.2.2.1 – Contextualização histórico-arquitetônica 



 

Do  século  I  a.C.  até  o  início  da  modernidade  a  arquitetura  se  afirma 

estabelecendo  uma  relação  de  “reciprocidade”  com  o  Universo.  O  edifício  se 

assemelha ao cosmos e sua construção à criação do universo. A este período da 

história da arquitetura, onde o edifício adquire sua excelência, sugere ao envio 

à origem, ao mundo, ao Criador, ao modelo cósmico, à natureza: alguma coisa 

de  divino  -  que  confere  à  arquitetura  superioridade  –  comanda  então  várias 

tentativas  para  produzir  a  verdadeira  arquitetura.  O  Pantheon  é  um  belo 

exemplo  disso  ao  impressionar  o  espectador  pelo  caráter  cósmico  do 

firmamento que sua cúpula representa.  

 

O  Pantheon  é  dominado  por  um  espaço  circular  contralizado  no  eixo  vertical 



definido sob a grande abertura no zênite da cúpula. E isto significa a introdução 

da sagrada dimensão da vertical na organização interna do espaço, a unificação 

da  ordem  cósmica  e  da  ordem  humana,  fazendo  com  que  o  homem  se  sinta 

como  um  deus  inspirado,  explorador  e  conquistador,  como  um  produtor  de 

historia de acordo com o plano divino.  

 

No Pantheon e na arquitetura renascentista, a luz dominante entra pelo zênite e 



convida o homem a situar-se no “sagrado” eixo vertical por ela definido, assim, 

parece  “diviniar-se”.  A cúpula lhe revela um universo claro e racional, disposto 

ao seu redor e antropocentricamente construído 

(FIGURA 8

)

.

 



 


 

 

 



21

 

 



FIGURA 8: Detalhe da cúpula do Pantheon de Roma. 

Fonte: www.lucamazzocco.com 

 

O Pantheon foi o primeiro templo pagão em Roma a ser cristianizado, embora a 



prática  tenha  sido  comum  no  Oriente  desde  o  século 4.  Em  608,  o imperador 

bizantino  Focas ofereceu  o  edifício ao  Papa  Bonifácio  IV  que  o  consagrou,  em 

609,  como  igreja  cristã  dedicada  a Santa Maria e Todos-os-Santos (Mártires) - 

nome que mantém atualmente. 

 

A  consagração  do  edifício  como  igreja  salvou-o  do  vandalismo  e  destruição 



deliberada  que  as  antigas  construções  da  Roma  antiga  sofreram  durante  o 

início  do  período  medieval.  A  única  perda  a  registar  são  das  esculturas  que 

adornavam  o  tímpano  do  frontão,  acima  da  inscrição  relativa  a  Agripa.  O 

interior  de  mármore  e  as  grandes  portas  de  bronze  resistiram  ao  passar  do 

tempo, ainda que estas últimas tenham sido restauradas mais de uma vez. 

 

No  século  XVI,  Michelangelo  foi  ao  Pantheon  para  estudar  a  sua  cúpula  antes 



de   começar  a trabalhar  na cúpula de São Pedro (cuja cúpula tem 2 metros a 


 

 

 



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menos).  E  são  muitos  os  edifícios  influenciados  pela  concepção  do  Pantheon: 



British Museum Reading Room, Rotunda de Thomas Jefferson, na Universidade 

da  Virgínia,  Biblioteca  baixa  na  Universidade  de  Columbia  e  na  Biblioteca 

Estadual  de  Victoria,  em  Melbourne,  Austrália.  O  "Centro  Histórico  de  Roma", 

com menção específica do Pantheon, foi designado como Patrimonio Mundial da 

Humanidade em 1980.  

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 



 

 

 



23

 

3.3 – Notre Dame e Basílica de São Pedro  



 

3.3.1 – Notre Dame 

Idade Média - Gótico – Paris – França  – ano 1.163 

 

A Catedral de Notre-Dame de Paris é uma das mais antigas catedrais francesas 



em estilo gótico. Iniciada sua construção no ano de 1163, é dedicada a Maria, 

Mãe  de  Jesus  Cristo  (daí  o  nome 

Notre-Dam

e  –  Nossa  Senhora),  situa-se  na 

praça  Parvis,  na  pequena  ilha 

Île  de  la  Cité

  em  Paris,  França,  rodeada  pelas 

águas do Rio Sena. 

 

Notre-Dame,  como  dissemos,  inicia-se  em  1163  refletindo  alguns  traços 



condutores  da  Catedral  de  Saint  Denis  e  sua  construção,  incluindo 

modificações, durou até meados do século XIV. Foram vários os arquitetos que 

participaram  do  projeto,  talvez  o  que  explique  algumas  diferenças  estilísticas 

presentes  no  edifício:  por  uma  lado,  reminiscências  do  românico  normando, 

com  a  sua  forte  e  compacta  unidade,  por  outro  lado,  o  já  inovador 

aproveitamento das evoluções arquitetônicas do gótico, que incutem ao edifício 

uma leveza e aparente facilidade na ascensão vertical, e no suporte do peso da 

sua estrutura (sendo o esqueleto de suporte estrutural visível só do exterior). 

 

A planta é demarcada pela formação em cruz romana orientada a ocidente, de 



eixo longitudinal acentuado, e não é perceptível do exterior do edifício visto que 

os  braços  do  transepto  não  excederem  a  largura  da  fachada.  A  cruz  está 

“embebida”  no  edifício,  envolta  por  um  duplo  deambulatório,  ou  charola,  que 

circula  o  coro  na  cabeceira  e  se  prolonga  paralelamente  à  nave,  dando lugar, 

assim, a quatro colaterais (ou naves laterais). 

 

A  fachada  é  dividida  em  três  zonas  verticais  pelos  contrafortes  ligeiramente 



proeminentes que unem em verticalidade os dois pisos inferiores e reforçam os 

cunhais  das  duas  torres.  No  primeiro  nível  são  evidentes  três  portais  que 




 

 

 



24

 

surgem  em  épocas  diferentes  e  que  formam  um  conjunto  que  passa  a  ser 



utilizado  na  arquitetura  a  partir  dos  meados  do  século  XII.  São  profusamente 

trabalhados, penetrando na parede por uma sucessão de arcos envolventes em 

degrau,  arquivoltas, destacando-se  o  portal central  ligeiramente  em altura dos 

laterais (FIGURA 9). 

                         

 

FIGURA 9: Fachada de Notre Dame. 



Fonte: www.cimentoitambe.com.br 

A rematar e a fazer a transição para o nível intermédio está a Galeria dos Reis, 

uma banda composta por vinte e oito estátuas de 3,5 metros de altura cada. As 

estátuas  tanto  podem  ser  representações  de  figuras  do  Antigo  Testamento 

como  monarcas  franceses.  Durante  a  revolução  francesa  foram  danificadas 

pelos revoltosos que pensavam tratar-se dos reis de França. As atuais estátuas 

foram redesenhadas por Viollet-le-Duc e as originais encontram-se no Museu de 

Cluny. 



 

 

 



25

 

A dominar o nível intermédio encontra-se a rosácea de 13 metros de diâmetro 



ao centro encaixada entre os contrafortes e ladeada por janelas gemeas. À sua 

frente surge a estátua da Virgem Maria com o Menino. Seguindo o traçado do 

piso  inferior,  e  contribuindo  para  a  unidade  da  fachada,  corre  uma  galeria  de 

arcarias  rendilhadas  a  rematar  este  nível  na  zona  superior.  No  nível  superior 

erguem-se  as  duas  torres  de  69  metros  de  altura  -  influência  normanda  do 

século  XII  -  que  acabou  por  permanecer  na  arquitetura  religiosa  europeia.  A 

torre sul acolhe o famoso sino de nome “Emmanuel”. 

 

A  estrutura  de  suporte  do  peso  é  visível  do  exterior  a  ladear  todo  o  edifício, 



mas  na  zona  da  cabeceira  a  elegância  destes  elementos  resulta  numa  fluidez 

visual  que  só  se  torna  possível  depois  de  1.225,  quando  as  capelas  são 

acrescentadas ao exterior. Nesta época, todo o esplendor técnico do gótico está 

ao alcance e, os arcobotantes, que fluem da zona superior da parede do coro, 

prolongam-se até aos contrafortes, transmitindo leveza e harmonia. 

 

Após  a  construção  das  capelas  exteriores  torna-se  necessário  prolongar  os 



braços  do  transepto.  Jean  de  Chelles  intervém  ao  norte  demonstrando  já  um 

traçado típico do gótico alto. O frontão, trabalhado a coroar o portal, cresce ao 

segundo  nível  e  se  sobrepõe  à  fileira  de  janelas  que  surgem  num  plano 

recolhido.  Do  mesmo  modo  é  também  a  rosácea  colocada  num  nível  mais 

recolhido  e  ligeiramente  sobreposta  por  uma  balaustrada  fina.  A  rematar  a 

fachada surge um frontão com janela circular ladeado de tabernáculos abertos 

(FIGURA 10). 

 



 

 

 



26

 

 



FIGURA 10: Vista geral de Notre Dame. 

Fonte: http://nimages.blogspot.com 

 

O  gótico  permite  a  ligação  da  terra  ao  céu  e,  no  interior  de  uma  catedral  do 



estilo, o crente é impelido à ascensão pela afirmação constante da verticalidade, 

pela monumentalidade das paredes que parecem erguer-se segundo uma teoria 

contrária à da gravidade, tornando-as leves, deixando por elas que seja filtrado 

o  colorido  dos  grandes  vitrais.  A  utilização  de  tais  elementos  arquitetônicos 

numa  catedral  deve-se  mais  a  um  propósito  religioso  prático  que a  aspirações 

artísticas. 

 

O  edifício tem 127 metros de comprimento, 48 metros de largura e 35 metros 



de  altura.  É  rematado  em  cima  por  abóbadas  e  dá  o  primeiro  passo  na 

construção  colossal  do  gótico.  As  maciças  colunas  de  fuste  liso  da  nave,  que 

acentuam a verticalidade, fazem a divisão em arcadas altas para as alas laterais 

e  suportam  uma  tribuna  (galeria),  em que janelas  para  o  exterior são  abertas 

para deixar entrar mais luz.  



 

 

 



27

 

3.3.1.1 – Contextualização histórico-arquitetônica 



 

A arquitetura gótica é um instrumento poderoso no seio de uma sociedade que 

vê, no início do século XI, a vida urbana transformar-se a um ritmo acelerado. A 

cidade  ressurge  com  uma  extrema  importância  no  campo  político  e  no  campo 

econômico,  ascendendo,  também,  a  burguesia  e  a  influência  do  clero  urbano. 

Como resultado disto, acontece também uma substituição das necessidades de 

construção religiosa fora das cidades, nas comunidades monásticas rurais, pelo 

novo símbolo da prosperidade, a catedral gótica. E como resposta à procura de 

uma  nova  dignidade  crescente  no  seio  de  França,  surge  a  Catedral  de  Notre-

Dame de Paris. 

 

O  papel  estruturador  do  Igreja  é  reforçado  pela  valorização  visual  do 



“esqueleto”  do  edifício.  Toda  a  impressão  de  massa  é  retirada  das  paredes  e 

transformadas em estruturas diáfanas e transparentes, onde dominam o vazio e 

a  luz.  Isso  é  o  que  é  considerado  a  desmaterialização  arquitetônica  medieval, 

que  reduz  a  matéria  a  linhas  abstratas  que  dominam  a  visão.  No  Gótico  a 

sensação  é  que  o  “espírito”  é  representado  pela  luz  e  pelo  vazio,  que 

verdadeiramente  sustentam  o  edifício.  A  consequência  visual  é  que  o  interior 

transparece no exterior e a mensagem da igreja irradia-se para toda a cidade.  

 

O  Gótico conclui  um  período da cultura ocidental denominado a “idade da fé”, 



onde o homem experimenta uma progressiva compreensão da revelação divina 

e  sua  relação  com  o  mundo.  No  Gótico,  Deus  se  aproxima  do  mundo  e  se 

apresenta  plenamente como a fonte de todo o significado existencial. A fé é o 

ponto de partida, a Igreja é a fonte das verdades. A catedral gótica é por onde 

Deus chega mais perto do mundo dos homens. 

 

 



 

 



 

 

 



28

 

3.3.2 – Basílica de São Pedro 



Idade Média – Renascimento – Roma – Itália – ano 1.506 

 

A  Basílica  de  São  Pedro  é  uma  basílica  no  Estado  do  Vaticano  e  se  trata  da 



maior das igrejas do cristianismo e um dos locais cristãos mais visitados. Cobre 

um área de 23.000 metros quadrados e comporta mais de 60 mil devotos (mais 

de  cem  vezes  a  população  do  Vaticano).  É  o  edifício  com  o  interior  mais 

proeminente  do  Vaticano,  sendo  sua  cúpula  uma  característica  dominante  do 

horizonte  de  Roma,  sendo  adornada  com  140  estátuas  de  santos,  mártires  e 

anjos. Situada na Praça de São Pedro, sua construção recebeu contribuições de 

alguns  dos  maiores  artistas  da  história  da  humanidade,  tais  como  Bramante, 

Michelangelo, Rafael e Bernini (FIGURA 11).  

                   

 

FIGURA 11: Basílica de São Pedro. 



Fonte: http://vocacionadosdedeusemaria.blogspot.com  

 

Abaixo do altar da basílica está enterrado São Pedro (de onde provém o nome 



da  basílica),  um dos doze apóstolos de Jesus e o primeiro Papa e, portanto, o 

primeiro na linha da sucessão papal. Por esta razão, muitos Papas, começando 

com  os  primeiros,  têm  sido  enterrados  neste  local.  A  construção  do  atual 



 

 

 



29

 

edíficio sobre o antigo começou em 18 de abril de 1.506 e foi concluído em 18 



de  novembro  de  1626,  sendo  consagrada  imediatamente  pelo  Papa  Urbano 

VIII. A basílica é um famoso local de peregrinação, por suas funções litúrgicas e 

associações  históricas.  Como  trabalho  de  arquitetura,  é  considerado  o  maior 

edifício de seu período artístico. 

 

A  Basílica  de  São  Pedro  é  uma  das  quatro  maiores  basílicas  de  Roma  e, 



contrariamente à crença popular, São Pedro não é uma catedral, uma vez que 

não  é  a  sede  de  um  bispo.  Embora  a  Basílica  de  São  Pedro  não  seja  a  sede 

oficial do Papado (que fica na Basílica de São João de Latrão), certamente é a 

principal  igreja  que  conta  com  a  participação  do  Papa,  pois  a  maioria  das 

cerimônias papais se realizam na Basílica de São Pedro devido ao seu tamanho, 

a  proximidade  com  a  residência  do  Papa  e  a  localização  privilegiada  no 

Vaticano. 

 

A  impressionate  cúpula  da  Basílica  de  São  Pedro  é  a  obra  máxima  de 



Michelangelo arquiteto. A direção das obras, iniciada por Donato Bramante  e 

retomada,  entre  outros,  por  Antonio  da  Sangallo  e  Rafael,  foi  entregue  a 

Michelangelo pelo papa Júlio II, em 1.546. Seguindo o esquema de Bramante, 

Michelangelo desenhou um templo com a planta em cruz grega, coroado por 

uma espaçosa e monumental cúpula sobre triângulos curvilíneos de 42 metros 

de diâmetro (FIGURA 12). 

 



 

 

 



30

 

 



FIGURA 12: Cúpula da Basílica de São Pedro. 

Fonte: www.starnews2001.com.br  

 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 


 

 

 



31

 

3.3.2.1 – Contextualização histórico-arquitetônica 



 

Os edifícios renascentistas expressam fundamentos e visões do mundo através 

da  utilização  do  repertório  antropomórfico  clássico  como  capitéis  coríntios, 

pilares  jônicos  e  arquivoltas  concêntricas.  Há  uma  ênfase  acentuada  na 

centralização espacial e a interna utilização de relações geométricas construindo 

o  ambiente  e  articulando  os  seus  elementos.  A  simetria  e  o  geometrismo 

traduzem um dos objetivos fundamentais do Renascimento: enfatizar o homem 

e  o  mundo  humano  tornando  o  espaço  menos  espiritualizado  e  mais 

intelectualizado. 

 

Um  novo  conceito  de  beleza  no  Edifício  Renascentista  sugere  um  ideal  de 



ordem geométrica, com valores antropocêntricos, concretizados no espaço e no 

tratamento plástico da matéria. O homem renascentista imagina o universo em 

termos de número e constrói o Edifício com base numa lógica geométrica. Sua 

arquitetura, para tornar visível a ordem cósmica, deve ser encarada como uma 

matemática,  cujas  leis  acabam  por  definir  um  espaço  homogêneo.  Na  medida 

em  que  a  arquitetura  deve  refletir  um  cosmos  matematicamente  ordenado,  o 

estudo da perspectiva, maneira geométrica de o homem reproduzir e construir 

o  espaço,  e  o  estudo  das  proporções,  relacionada  desde  a  antiguidade com  o 

corpo  humano,  tornam-se  para  o  novo  artista  as  chaves  de  toda  a  sua 

composição.  A  beleza  do  renascimento  coincide  com  uma  racionalidade 

matemática  –  inspirada  numa  nova maneira cientifica  de  ver o universo – que 

substitui a racionalidade metafísico-religiosa presente no Gótico.  

 

Outro  instrumento  importante  das  edificações  renascentistas  é  a  utilização  da 



simetria.  Esta  não  era  apenas  o  fruto  da  ênfase  dada  ao  ponto  central  da 

perspectiva do projeto, o que promoveria sempre um único eixo da composição 

simétrico,  mas  era  por  si  só  importante  princípio  regulador  que  ordenava 

homogeneamente as partes dos edifício. Também o círculo, a forma geométrica 

que  melhor  expressa  a  perfeição,  definia  a  organização  espacial  ideal  nas 

Igrejas do Renascimento, enfatizando-se sempre o centro em torno do qual ele 




 

 

 



32

 

se  configurava.  Por  isso,  a  cúpula,  imensa  calota  esférica  que  coroa  a  Igreja 



vista desde o exterior, seja talvez o mais significativo instrumento pelo qual se 

mostra  a  presença  de  Deus  no  mundo.  Esta  analogia  entre  o  círculo  e  Deus 

remonta  à  antiguidade,  mas  é  no  Renascimento  que  ela  se  torna  mais 

expressiva na medida em que o círculo também reflete a ordem geométrica do 

cosmos criado por Deus.  

 

Na  Basílica  de  São  Pedro,  projetada  por  Bramante,  a  centralidade  espacial  do 



Renascimento  é  claramente  evidenciada  através  da  planta  em  cruz  gregra,  a 

biaxialidade e a rigorosa geometria que unifica o espaço e ordena o tratamento 

plástico.  As  quatro  torres  colocadas  nas  esquinas  enfatizam  a  cúpula  central 

situada no coração espacial formado pelo cruzamento dos braços da planta.   

 

Especialmente  no  que  toca  à  estrutura  e  técnicas  construtivas  da  cúpula, 



grandes conquistas foram feitas no Renascimento. Das mais importantes são a 

cúpula  octogonal  da  Catedral  de  Florença,  de  Brunelleschi,  que  não  usou 

andaimes apoiados no solo ou concreto na construção. 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 




 

 

 



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3.4 – Sede da ONU (NY)  



Arquitetura Moderna – Nova Iorque – Estados Unidos - ano 1.949 

 

A  Sede  da  Organização  das  Nações  Unidas  está  localizada  em  Nova  Iorque, 



Estados  Unidos.  Foi  construída  entre 1.949  e  1.952, com  a  ajuda do arquiteto 

brasileiro Oscar Niemeyer e está localizada no setor leste de Manhattan. 

 

A  ONU  não  anunciou  um  concurso  para  o  projeto  do  complexo  das  Nações 



Unidas,  mas sim,  montou uma equipe de  arquitetos de  diversos  países para a 

composição do projeto. O arquiteto americano Wallace Harrison foi o diretor de 

planejamento  e  os  governos  dos  países  indicaram  seus  representantes.  A 

equipe  de  arquitetos  consistiu  em  N.D.  Bassov  (União  Soviética),  Gaston 

Brunfaut (Bélgica), Ernest Cormier (Canadá), Le Corbusier (França), Liang Ssu-

cheng  (China),  Sven  Markelius  (Suécia),  Oscar  Niemeyer  (Brasil),  Howard 

Robertson (Reino Unido), G.A. Soilleux (Austrália) e Julio Villamajo (Uruguai). O 

comitê  apreciou  50  estudos diferentes antes de chegar a uma decisão. A base 

do  desenho  final  derivou  de  uma  proposta  de  Niemeyer  e  Corbusier  (FIGURA 

13). 


                    

 

FIGURA 13: Vista da Sede da Onu em NY. 



Fonte: www.infoescola.com  


 

 

 



34

 

São  de  Le Corbusier  algumas contribuição  importantes  na  formulação da nova 



linguagem  arquitetônica  do  século  XX  e  que  podem  ser percebidas  no projeto 

da  sede  da  ONU  em  Nova  Iorque:  a  construção  sobre 

pilotis

  –  com  as 

construções  suspensas,  foi  criado  no  ambiente  urbano  uma  perspectiva  nova, 

uma  inédita relação "interno-externo" entre o observador e usuário; o 

terraço-

jardim


 – que, com o avanço técnico do concreto-armado, se pode aproveitar a 

última  laje  da  edificação  como  espaço  de  lazer/descanso  e  não  mais  como  os 

telhados  do  passado; 

planta  livre

  da  estrutura  -  a  definição  dos  espaços 

internos  tornam-se  independentes  da  concepção  estrutural,  pois  o  uso  de 

sistemas  viga-pilar,  em  grelhas  ortogonais,  promove  a  flexibilidade  necessária 

para  a  melhor  definição  espacial  interna; 

fachada  livre

  da  estrutura  -  com  os 

pilares  projetados  internamente  às  construções  criam-se  recuos  nas  lajes  de 

forma  a  tornar  o  projeto  das  aberturas  o  mais  flexível,  abolindo  quaisquer 

resquícios  de  ornamentação;  e  a 

janela  em  fita 

-  de  um  ponto  ao  outro  da 

fachada, de acordo com a melhor orientação solar (FIGURA 14). 

 

                               



FIGURA 14: Fachada da Sede da Onu em NY. 

Fonte: www.mp.go.gov.br  




 

 

 



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3.4.1 – Contextualização histórico-arquitetônica 



 

Arquitetura  moderna  é  uma  designação  genérica  para  o  conjunto  de 

movimentos  e  escolas  arquitetônicos  que  vieram  a  caracterizar  a  arquitetura 

produzida durante grande parte do século XX (especialmente os períodos entre 

as décadas de 10 e 50), inserida no contexto artístico e cultural do Modernismo. 

O  termo  modernismo  é,  no  entanto,  uma  referência  genérica  que  não  traduz 

diferenças importantes entre arquitetos de uma mesma época. 

 

Não há um ideário moderno único. Suas características podem ser encontradas 



em  origens  diversas  como  a  Bauhaus,  na  Alemanha;  em  Le  Corbusier,  na 

França; em Frank Lloyd Wright, nos EUA, ou nos construtivistas russos, alguns 

ligados  à  escola  Vuthemas,  entre  muitos  outros.  Estas  fontes  tão  diversas 

encontraram  nos  CIAM  (Congresso  Internacional  de  Arquitetura  Moderna)  um 

instrumento  de  convergência,  produzindo  um ideário de aparência homogênea 

resultando  no  estabelecimento  de  alguns pontos  comuns.  Alguns  historiadores 

da  arquitetura  (como Leonardo Benevolo e Nikolaus Pevsner) traçam a origem 

histórica  do  moderno  em  uma  série  de  movimentos  ocorridos  em  meados  do 

século XIX, como o movimento Arts & Crafts. 

 

Um  dos  princípios  básicos  do  modernismo  foi  o  de  renovar  a  arquitetura  e 



rejeitar toda a arquitetura anterior ao movimento; principalmente a arquitetura 

do  século  XIX expressa no  Ecletismo. Com  o  início da  utilização do concreto e 

do aço nas construções os edifícios passaram a ficar mais altos, com vãos mais 

extensos,  possibilitando  maior  flexibilização  do  ambiente.  As  construções 

passsaram a ter o mínimo de ornamentação, de modo a simplificar ao máximo 

sua  arquitetura.  Esse  rompimento  com  a  história  fez  parte  do  discurso  de 

alguns arquitetos modernos, como Le Corbusier e Adolf Loos. Esse aspecto - na 

sua  forma  simplificada  -  foi  criticado  pelo  pós-modernismo,  que  utiliza  a 

revalorização histórica. 



 

 

 



36

 

A  historiografia  tradicional  da  arquitetura  moderna  costuma  dividir  tal 



movimento  em  duas  grandes  vertentes:  o  organicismo  (tendo  em Frank  Lloyd 

Wright  seu principal nome) e o funcionalismo. Do funcionalismo surgem novas 

tendências, sendo a mais abrangente o 

international style

 

As raízes do 



international style

 se encontram nas obras e idéias de Le Corbusier 

e  da  Bauhaus.  Como  o  modernismo,  de  uma  forma  geral,  nega  referências 

históricas  na  arquitetura  (considerando-as  principalmente  como 

ornamento

,  e 


portanto,  desnecessário),  a  produção  que  começou  a  ser  realizada  pelos 

arquitetos  modernos podia  facilmente  se  adaptar  às necessidades  de todos  os 

países  (o  que  efetivamente  aconteceu),  daí  o  caráter 

internacional

  do 

movimento. 



 

É  importante  também  destacar  que,  apesar  do 

style

,  este  movimento  não 



pretendia  revestir-se  de  um  estilo  (com  um  conjunto  de  elementos  que 

poderiam  ser  exaustivamente  copiados).  Críticos  contemporâneos  do 

funcionalismo, no entanto, alegam que, com o passar do tempo o 

international 

style

  tornou-se  um  estilo  de  fato,  contrariando  seus  ideais  originais:  é  o 



fenômeno  da  estilização  do  modernismo,  ocorrido  principalmente  nas  décadas 

de 60 e 70. 

 

 

 



 

 

 



 

 



 

 

 



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3.5 – Museu Guggenheim  



Arquitetura Pós-Moderna – Bilbao – Espanha - ano 1.992 

 

O Museu Guggenheim Bilbao, situado na cidade espanhola de Bilbao, é um dos 



cinco  museus  pertencentes  à  Fundação  Solomon  R.  Guggenheim  no  mundo. 

Projetado  pelo  arquiteto  norte-americano  Frank  Gehry,  é  hoje  um  dos  locais 

mais visitados da Espanha. Seu projeto foi parte de um esforço para revitalizar 

Bilbao e, hoje, recebe visitantes de todo o mundo. 

 

Sua  construção  se  iniciou em  1992, sendo concluído  cinco  anos mais  tarde.  O 



museu  foi  projetado  para  abrigar  em  sua  área  de  aproximadamente  24.000 

metros quadrados um acervo de arte americana e européia do século XX. Para 

tanto, o arquiteto Frank Gehry imaginou o museu como a primeira obra de arte 

a se instalar na cidade conhecida pelo seu desenvolvimento industrial e pelo seu 

movimentado  porto.  Como  analogia  a  uma  escultura  (uma  flor  ou  um  navio 

atracado no  porto) o  museu  é  coberto  por  superfícies  de titânio,  curvadas em 

vários pontos, que lembram escamas de um peixe, mostrando a influência das 

formas orgânicas presentes em muitos trabalhos de Gehry. Do átrio central, que 

tem 50 metros de altura e lembra uma flor cheia de curvas, partem passarelas 

para os três níveis de galerias. Visto do rio, o edifício parece ter a forma de um 

barco, homenageando a cidade portuária de Bilbao (FIGURA 15).   

 

 



 


 

 

 



38

 

        



 

FIGURA 15: Museu Guggenheim em Bilbao. 

Fonte: http://vistadoobservador.blogspot.com  

 

 



Em várias publicações tornou-se acessível o processo de concepção do museu, 

o qual,  por  extensão,  passou a influenciar o processo de trabalho da posterior 

produção  de  Gehry.  Após  um  esboço  composto  por  traços  frenéticos,  o 

arquiteto  passou  a  desenvolver  tridimensionalmente  os modelos com materiais 

que  vão  do  papelão  à madeira, finalmente chegando a resinas sintéticas, mais 

precisas.  O  modelo  definitivo  passou  posteriormente  por  um  processo  de 

engenharia  reversa  em  que,  por  meio  de  um 

scanner 


tridimensional,  foi 

mapeado ponto a ponto no espaço e transferido para um modelo virtual. Neste 

foram  realizados  os  últimos  ajustes  na  forma,  os  testes  estruturais  e  os 

detalhamentos.  Uma  plataforma  CAD/CAM,  com  origem  na  indústria 

aeronáutica,  possibilitou  responder a  várias  condicionantes  relativos à estética, 

ao preço e ao prazo de cinco anos para projeto e execução. 

 

 

 



 


 

 

 



39

 

O  projeto  do  museu  esteve  dividido  entre  duas  equipes:  o  escritório 



Frank 

Gehry  and  Associates

, em  Los Angeles, composto por 40 pessoas, responsável 

pelas  diretrizes  de  projeto,  pela  concepção  e  estudos  preliminares  e  a 

IDOM 

Ingeniería,  Arquitectura  y  Consultoría



,  empresa  espanhola  sediada  em  Bilbao, 

composta  por  190  pessoas,  responsável  pelo  detalhamento  e  cálculos 

estruturais  do  edifício.  A  integração  das  equipes  de  arquitetura  e  engenharia, 

através  de  projeto  simultâneo  por  computador,  permitiu  a  realização  de 

modelos  virtuais  em  3D  de todas  as  peças  da  construção,  totalizando mais  de 

40.000  desenhos  arquitetônicos  necessários  para  explicar  o  modelo  virtual, 

consumindo 45.000 horas de engenharia, em dois anos e meio de trabalho. Ao 

final, Gehry  pondera que

 

"...o verdadeiro milagre não é projetar os edifícios... o 



milagre  é  conseguir  que  se  construa.  Mas  não  acredito  que  as  pessoas 

percebam  a  verdadeira  revolução  que  este  edifício  representa  no  setor  da 

construção.”

 

 



É possível afirmar que nenhum outro museu contemporâneo se notabiliza tanto 

pela   impressionante  atenção  recebida,  especializada  ou  não,  como  o  Museu 

Guggenheim  de  Bilbao.  Por  ser  um  museu  de  vanguarda,  o  Guggenheim 

recebeu  várias  críticas,  uma  delas  devido  ao  seu  seu  elevado  custo  e  pelo 

caráter quase experimental de muitas das inovações usadas em sua construção, 

que fazem com que sua manutenção e limpeza elevem mais os gastos. Porém, 

o  Guggenheim  manteve  a  função  a  ele  destinada,  pois  as  salas  de  exposição 

são quase todas iguais a de outros museus, ou seja, inovou-se no exterior mas 

não na função básica do museu, que é conservar e expor obras de arte. E por 

ser um museu tão inovador, uma crítica que ele recebe é justamente a de ser 

mais atraente que as próprias obras expostas. Segundo o autor do projeto, “por 

definição,  um  edifício  é  uma  escultura  porque  é  um  objeto  tridimensional” 

(FIGURA 16). 

 

              



 

 



 

 

 



40

 

                   



 

FIGURA 16: Entrada do Museu Guggenheim em Bilbao. 

Fonte: http://bloguecentelha.blogspot.com 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 



 

 

 



41

 

3.5.1 – Contextualização histórico-arquitetônica 



 

A  compreensão  do  mundo  contemporâneo  do  ponto  de  vista  histórico  é  uma 

tarefa  bastante  complicada,  devido  ao  grande  fluxo  de  acontecimentos  muito 

mais  intenso  do  que  em  qualquer  outro  momento  da  História.  Tem-se  a 

impressão  de  que  a  história  começa  a  ficar  mais  acelerada  e  refletir  sobre  os 

acontecimentos torna-se bastante complexo. 

A  arquitetura  praticada  nas  últimas  décadas  tem  se  caracterizado,  de  uma 

forma  geral,  como  reação  às  propostas  da arquitetura moderna: há  monentos 

em  que  os  arquitetos  atuais  relêem  os  valores  modernos  e  propõem  novas 

concepções  estéticas  e  há  outros  que  eles  propõem  projetos  radicalmente 

novos,  conscientemente  desrespeitando  os  princípios  dogmáticos  do 

modernismo. 

 

As  primeiras  reações  negativas  à  arquitetura  moderna  proposta  no  início  do 



século  surgiram,  de  uma  forma  sistêmica  e  rigorosa,  por  volta  da  década  de 

1.970,  tendo  em  nomes  como  Aldo  Rossi  e  Robert  Venturi  seus  principais 

expoentes. A crítica antimodernista, que em um primeiro momento se restringiu 

à especulação de ordem teórico-acadêmica, logo ganhou experiências práticas. 

Os primeiros projetos estão de uma forma geral ligados à idéia da revitalização 

do  "referencial histórico", colocando explicitamente em cheque os valores anti-

historicistas do modernismo. 

 

Durante  os  anos  80  a  revisão  do  espaço  moderno  evoluiu  para  a  sua  total 



desconstrução, a partir de estudos influenciados por correntes filosóficas como 

o  desconstrutivismo.  Apesar  de  altamente  criticada,  esta  linha  de  pensamento 

estético  também  se  manteve  restrita  aos  estudos  teóricos  e,  na  década  de 

1.990, seduziram o grande público e se tornaram sinônimo de uma "arquitetura 

de  vanguarda".  Nomes  como  Rem  Koolhaas,  Peter  Eisenman  e  Zaha  Hadid 

estão ligados a este movimento. 




 

 

 



42

 

4 – CONCLUSÃO 



 

De  acordo  com  o  exposto  no  presente  trabalho,  percebe-se  claramente  a 

evolução  das  técnicas  e  dos  materiais  construtivos  empregados  nas  diversas 

obras  ao  longo  da  História.  Além  desse  aspecto  óbvio,  nota-se  claramente  o 

aspecto  simbólico  e  imaterial  que  os  edifícios  traduzem  ao  longo  dos  séculos, 

conforme cada uma de suas épocas. 

 

Os  arquitetos,  chamados  de  “artistas”  na  Idade  Antiga  e  Clássica,  projetavam 



todo  o  edifício,  desde  a  fundação  até  os  últimos  detalhes  de  ornamentação. 

Eram  muitas  vezes,  juntamente  com  um  grupo  de  outros  “artistas”, 

responsáveis  pela  elaboração  de  todo  o  conjunto  e,  principalmente,  do 

significado  do  edifício.  Cada  elemento  arquitetônico  tinha  uma  razão  muito 

específica  de  estar  onde  estava,  uma  razão,  muitas  vezes  simbólica,  divina, 

espiritual,  mas  que não  se  restringia a isso, compunha alguma peça estrutural 

ou parte dela. Talvez seja isso que torne a arquitetura dessa época tão especial 

e  completa,  tão  majestosa  e  incansavelmente  pensada,  de  modo  a  quase 

chegar à perfeição. 

 

Atualmente, a divisão entre engenharia e arquitetura se traduz, na prática, por 



um  paralelismo  convencional  entre  a  técnica  de  construção  e  um  repertório 

diverso.  Mesmo  que  os  arquitetos  tenham  herdado  os  tradicionais  critérios  de 

simetria  e  de  proporção,  o  excessivo  tamanho  às  vezes  impede  uma 

compreensão  unitária  do  edifício,  a  imagem  perde  seu  caráter  fechado  e  se 

torna  aberta,  indefinida,  qualificada  dinamicamente  pelo  seu  estorno  que  se 

desenvolve ou pelas relações paisagísticas mutáveis. 

 

O  uso  de  novos  materiais  –  ferro,  vidro,  concreto  –  permitem  aos  projetistas 



novas  possibilidades  estranhas  ao  caráter  da  arquitetura  antiga:  paredes 

inteiras  ou  coberturas  transparentes,  sustentações  levíssimas,  estruturas 

suspensas  em  balanço,  absolutamente  desprovidos  de  semelhança  com  os 



 

 

 



43

 

monumentos do passado, portanto propícios a uma interpretação arquitetônica 



desvinculada dos estilos históricos. 

 

Nos dias de hoje, estações ferroviárias, pontes e viadutos, indústrias, torres de 



escritórios,  museus,  grandes  edifícios  e  hotéis,  aeroportos,  dentre  outros,  são 

os  grandes  atrativos  da  arquiteura  e  engenharia.  São  construídos  com  a  mais 

alta  tecnologia,  tanto  funcional,  quanto  esteticamente.  O  uso  de  ferramentas 

como a automação, materiais auto-limpantes e de alto desempenho, são alguns 

exemplos do grande salto dado pela arquitetura e pela engenharia. 

 

São  diversas  as  inovações  tecnológicas  na  construção  civil,  e,  dentre  os 



materiais, existe uma classe inteligente ou multifuncional que compreendem os 

materiais  piezoelétricos,  os  com  memória  de  forma,  os  biomiméticos,  os 

compósitos  que  se  consertam  por  conta  própria  ou  se  adaptam  a  certas 

condições  do  meio  ambiente.  Os  sistemas  construtivos  também  evoluíram 

bastente ao longo dos tempos. O uso do aço, por exemlo, passou atualmente a 

não  ser  mais  usado  somente  para  a  armação  de  estruturas  de  concreto  mas 

para a produção da própria estrutura, além de base de lajes e paredes. O uso 

de  tecnologia  como  a  protensão  do  concreto  –  concreto  no  qual  tensões 

internas  são  induzidas  por  meio  de  fios  ou  cordoalhas  de  aço  esticados  – 

permite a execução de grandes cortinas de contenção que servem, além de sua 

função própria, como base para diversos tipos de obras.   

 

Porém,  com  esse  grande  salto,  vieram  também  grandes  problemas  que  são 



enfrentados  atualmente.  A  indústria  da  construção  civil  consome  uma  grande 

quantidade  de  recursos  naturais  e  energia  e,  consequentemente,  emite 

poluentes  no  meio  ambiente.  Para  as  construções  do  século  XXI,  é 

imprescindível que se pense com responsabilidade, que se pense na verdadeira 

essência  do  desenvolvimento  sustentável,  utilizando  materiais  duráveis  de  alta 

performance,  com  baixo  consumo  de  matéria  prima  e  que  propiciem 

construções de menor impacto. 



 

 

 



44

 

Nos  períodos  iniciais  da  História,  a “arte” da arquitetura e engenharia buscava 



outras  aspirações,  outros  significados  e  objetivos.  Hoje,  a  construção  civil  é 

interdisciplinar, com uma abordagem integrada e muito mais complexa para os 

profissionais  da  construção,  que  precisam  buscar  o  equilíbrio  com  a  natureza, 

apropriando-se  da  alta  tecnologia  e  materiais  disponíveis,  porém  nunca 

abandonando a essência, a beleza e a poesia de uma grande “obra de arte”. 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

   


 

 

 



 

 

 



 

 

 



 


 

 

 



45

 

5 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 



 

- ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. Companhia das Letras. São Paulo, 1992 

- BENEVOLO, Leonardo. História de La Arquitectura Moderna. Editorial Gustavo 

Gili, SA. Barcelona, 1974. 

-  BENEVOLO,  Leonardo.  Introdução  à  arquitetura.  Editora  Mestre  Jou.  São 

Paulo, 1972.  

-  BOLTSHAUSER,  João.  História  da  Arquitetura.  Bliblioteca  de  Arquitetura  da 

UFMG. Belo Horizonte, 1966. 

- BRANDÃO, Carlos Antonio Leite. A formação do homem moderno vista através 

da arquitetura. Ap Cultural. Belo Horizonte, 1991. 

- DUBY, Georges. O Tempo das Catedrais. Editora Estampa, 1978. 

-  Teoria  da  Arquitetura  –  Do  renascimento  até  aos  nossos  dias.  Editora 

Taschen, 2006. 

-  FRAMPTON.  História  crítica  da  arquitetura  Moderna.  Martins  Fontes.  São 

Paulo, 1997. 

- ZEVI, Bruno. Saber ver a arquitetura. Martins Fontes. São Paulo, 2002. 

www.brasilescola.com



 



www.historiadomundo.com.br



 

 



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