Microsoft Word Mitos da Criação Trabalho final doc



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MARIA / MULHER

Como já referimos, o Cristianismo tem dois tipos para representar o Universo feminino, Eva e Maria. Enquanto

todas as mulheres são identificadas com Eva e percepcionadas como suas filhas pecadoras, Maria eleva-se a um

estatuto de perfeição inatingível, sendo considerada o único exemplo do seu tipo.

Um dos aspectos mais relevantes da relação entre as duas figuras é a questão obediência/desobediência

representada por dois momentos; o discurso da Serpente (Gén. 3: 2-5) e a anunciação do Anjo Gabriel (Luc. 1:

26-28).

Centrando-nos em Maria, verificamos que ela acredita não na serpente tentadora mas no mensageiro Celeste. Ela

colabora livremente, pela fé e obediência, na salvação dos homens, através da sua função de Mãe do Criador,



pois Maria disse: Eis aqui a escrava do Senhor e o meu espírito exalta de alegria em Deus meu Salvador “  (

Lucas 1: 46-47 ).

Através de Maria, a igreja explora a possibilidade da mulher sair da sua condição pecaminosa descendente de

Eva. Esta possibilidade é dada através de um modelo idealizado em que figura: a mulher como mãe, como

esposa e como virgem, realçando a maternidade e a virgindade. A relevância destas duas, características está

bem presente no modo como é nomeada a figura de Maria “ Mãe de Jesus “  e “ Virgem Maria “ .

As questões da maternidade e procriação assumem em Maria particular significado, o que leva a consequências

práticas para as próprias mulheres no que diz respeito aos seus papéis no lar e na sociedade.

O discurso da igreja católica apresenta Maria realçando a possibilidade da maternidade e determinando assim,

quais os papeis socialmente desejáveis: mãe e esposa. O papel social da mulher identifica-se pois, com a

maternidade o que a remete para o domínio do lar e do privado por oposição ao homem que se situa na esfera

pública. Esta perspectiva é ainda visível nas sociedades contemporâneas no que respeita à distribuição de papéis

sociais. Mesmo a aparente conquista do mercado de trabalho e a emancipação feminina (saída para o domínio

publico) podem ser vistas como idealizações do papel de mãe. Certos traços do padrão feminino ideal estão

ligados à maternidade: doçura, cooperação, candura, etc. Assim, a maternidade (encarnada por Maria) assume-se

como forma de permitir a salvação do sexo feminino e de o redimir do pecado da sua mãe Eva, desde que o

comportamento das mulheres permaneça dentro de outros parâmetros de perfeição como podemos ver na 1ª carta

de Timóteo: “ Contudo salvar-se-á, tornando-se mãe, uma vez que permaneça na fé, na caridade e na santidade



“  (Tim. 2: 15).

Se conforme já foi referido relativamente à maternidade, é permitido à mulher aproximar-se da natureza perfeita

de Maria, no que diz respeito à virgindade, a aproximação é impossível, uma vez que para a mulher é impossível

ser mãe e virgem ao mesmo tempo.

A virgindade é um dos traços mais marcantes de Maria, é postulada em paralelo com a castidade. Ambas são

definidas como qualidades fundamentais da mulher na Teologia Cristã, a virgindade não é apenas a abstinência

sexual, mas também a castidade da alma e do espírito, desejo, pensamentos, discurso e aparência. Numerosos

textos católicos referem não só a pureza espiritual feminina mas a visibilidade dessa pureza, o modo como a

castidade da mulher é percepcionada pelos outros.

A virgindade de Maria é também analisada como forma de salvaguardar a condição divina de Jesus. Cristo

apesar de ser em parte humano, porque nascido de uma mulher, teria que vir ao mundo sem pecado. A

virgindade é então o mediador entre o humano e o divino. Uma passagem da Bíblia permite que se esclareçam

estes dois aspectos: a virgindade de Maria, imaculada sem pecado, e a concepção de Jesus conseguida através do

Espírito Santo que substitui o sémen masculino. “ Maria disse ao Anjo: - Como será isso, se eu não conheço



homem? O Anjo respondeu-lhe – O Espírito Santo virá sobre ti “  (Lucas 1: 34-35).

No entanto apesar de como já foi referido, Maria funcionou como protótipo para a generalidade das mulheres, o

carácter excepcional que tem acaba por afastá-la destas.

A simultaneidade da virgindade e maternidade não pode realizar-se na realidade em outra qualquer mulher pelo

que, o ideal de mulher apresentada pela igreja católica está longe de se concretizar. Podemos então concluir que

“ (…) as mulheres são identificadas com  Eva, uma vez que a natureza imaculada de Maria, que inclui dar à luz

uma criança permanecendo (virgo intacta) excluem-na da experiência daquelas “

 (SHAWYER 1992, pag. 282-283).






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