Microsoft Word Mitos da Criação Trabalho final doc



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MITOS DA CRIAÇÃO

As bases ideológicas que situam a mulher como inferior e submissa vêm de muito longe, desde os mitos da

criação, sendo que na igreja cristã temos o Mito de Eva.

Também na mitologia grega, já o Mito de Pandora apresentava uma identidade negativa para a mulher. Pandora,

a primeira mulher, instrumento de vingança de Zeus, sendo portadora de uma caixa onde se concentram todos os

males que assolam a humanidade.

Na igreja cristã Eva foi feita a partir de uma costela de Adão para que o homem não ficasse sozinho. No entanto,

ela simboliza a tentação, o pecado da carne, o desejo de sexo, responsável pela perda do paraíso terrestre.

Em contrapartida, a igreja constrói uma outra identidade feminina mítica, a Virgem Maria – Mãe de Cristo, Mãe

da Igreja, Mãe dos pobres e infelizes.

As mulheres irão alcançar a salvação ao acatar o ideal de feminilidade de Maria tendo apenas a função de

procriar, o lugar da maternidade o lugar de Mãe.

O lugar mítico da Virgem Maria reinsere a mulher na maternidade, construindo o consenso do instinto maternal.

O ideal de Maria é a maternidade imaculada ou a des-sexualização do corpo feminino.

Podemos destacar então dois modelos que ao longo do tempo, vêm enquadrando a percepção social das

mulheres. Estes modelos são representados por duas mulheres centrais na tradição católica, Eva e Maria, que

possuem características antagónicas.

Santo Irineu refere em relação a estas duas personagens:



“ A desobediência de Eva foi a causa da morte para ela própria e para toda a humanidade. Apesar de Maria

também ter tido um marido escolhido para si, sendo apesar disso virgem, pela sua obediência ela foi a causa da

salvação para si própria e para toda a humanidade (...) O nó da desobediência de Eva foi desatado pela

obediência de Maria “

 (Citado por SOWYER, 1992, p.281)

Apesar da visão negativa de Eva estar no centro do cristianismo, existe uma certa ambiguidade em relação ao seu

pecado. Tal como Maria, Eva pode ser considerada fundamental para assegurar o trabalho de redentor de Cristo.

O cristianismo reconhece uma ligação entre as duas mulheres no que diz respeito ao próprio nascimento de



Cristo, no sentido em que as repercussões do acto de desobediência de Eva são redimidas pelo acto de outra

mulher – Maria. A obediência desta vai originar a redenção do mundo.

A narração relativa a Adão e Eva representa as origens do pecado, que é visto como um mau uso da liberdade

humana, enquanto que a graça e a virtude espelham o poder de resistir ao pecado. Maria redime Eva através da

sua obediência e através desta redimirá a salvação do mundo.

No entanto, Maria foi exemplo único do seu tipo, pois, todas as outras mulheres são consideradas filhas de Eva,

tendo Maria um estatuto singularizado. Inevitavelmente, as mulheres são identificadas com Eva, uma vez que a

Mãe de Cristo, devido à sua natureza imaculada (dar à luz uma criança continuando virgem) se afasta da

experiência das mulheres, daquilo com que podem ser identificadas.

Assim, poderemos apontar Eva como aquilo que a igreja define que a mulher é, e Maria como um modelo de

virtude que a mulher deveria ser. A essência feminina está então ligada à primeira mulher, aos Mitos da Criação,

e do pecado original.

A história da Criação aparece ao longo do cristianismo como justificadora da submissão da mulher face ao

homem.


O Génesis mostra duas versões da criação de Eva. Na primeira, homem e mulher são criados como iguais, a

partir do pó. Na segunda, Adão é criado em primeiro lugar surgindo a mulher de uma sua costela.

É esta segunda versão em que o ser feminino é gerado a partir do masculino, que confere à mulher um carácter

imperfeito e uma tendência natural para pecar.

Os inquisidores KRAMER e SPRENGER, em 1486 defendem esta perspectiva:

“ (...) ouve um defeito na formação da primeira mulher, uma vez que ela nasceu de uma costela dobrada (...) a




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