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A Informação Científica em Portugal



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4 A Informação Científica em Portugal 

Do ponto de vista histórico, inúmeras bibliotecas acadêmicas portuguesas 

tiveram a sua origem a partir de uma unidade central, que posteriormente se 

desdobrou em bibliotecas departamentais e/ou especializadas em função das 

diversas áreas do conhecimento. Esse fenômeno surgiu da necessidade de 

descentralizar os serviços e tornar a documentação mais acessível aos 

docentes e pesquisadores de departamentos e laboratórios. Em países da 

Europa Central, América, Austrália e Japão também se observou a criação de 

bibliotecas departamentais, no entanto, não houve qualquer prejuízo para as 

                                                 

5 Disponível em: . Acesso em 10 jun. 2008. 

6 Disponível em: . Acesso em 10 mai. 2008. 

7 Disponível em: . Acesso em 16 mai. 

2008. 



 

6

grandes unidades centrais de documentação. Sem graves problemas 



orçamentais, as bibliotecas gerais universitárias, de países de maior 

desenvolvimento econômico e cultural, puderam ver-lhes atribuídas boas 

instalações, situadas nos centros dos campus universitários, e recheadas de 

ótimos equipamentos e coleções de publicações em vários suportes (Melo, 

2005). Em Portugal é bem evidente a distinção das universidades mais antigas 

e de maior dimensão (Coimbra, Lisboa e Porto) que apresentam os seus 

acervos repartidos pelos departamentos, e as universidades de criação mais 

recente (Açores, Algarve, Aveiro, Beira Interior, Évora, Madeira, Minho e Trás-

os-Montes) onde existem serviços de documentação centralizados com 

instalações dignas que armazenam valiosas e atualizadas coleções. 

O advento das tecnologias para organização e recuperação da informação teve 

grande impacto nas ações das bibliotecas, principalmente nas do ensino 

superior. Em meados da década dos anos 80, as bibliotecas universitárias 

portuguesas iniciam o processo de informatização, com a automatização dos 

seus catálogos bibliográficos. Este processo teve a sua origem na divulgação 

do Programa Mini-Micro CDS/ISIS pela Biblioteca Nacional (software  cedido 

pela UNESCO) e na cooperação com a PORBASE. A adesão das bibliotecas 

acadêmicas foi total porque, ao elaborarem as suas bases de dados 

bibliográficos eletrônicos, estavam simultaneamente criando, com a Biblioteca 

Nacional Portuguesa a Base Nacional de Dados Bibliográficos. 

No final da década de 90, com o rápido desenvolvimento tecnológico e o 

crescimento da indústria da informação, nomeadamente, com o surgimento de 

vários produtos em suporte digital (bases de dados bibliográficos e periódicos 

científicos em texto integral) surgiu a necessidade de implementar uma nova 

dinâmica, que englobou várias questões, entre elas a formação a dois níveis: 

formação de profissionais da informação e formação de usuários 

(GONÇALVES... et al., 1993). 

 

À escala mundial, a indústria da informação científica,  devido ao seu 



crescimento criou graves problemas nos orçamentos das bibliotecas 

acadêmicas. Com a fusão de editoras e o aparecimento das empresas 

multinacionais, os custos da informação científica tornaram-se insustentáveis. 



 

7

Para ultrapassar esta situação, as palavras de ordem foramcooperar, partilhar 



recursos, estabelecer novas parcerias e criar medidas políticas apropriadas.  

Às bibliotecas acadêmicas portuguesas que integravam grandes coleções em 

suporte papel (bibliotecas tradicionais) foi acrescentado mais valor com a 

adição das bibliotecas digitais. Esse processo, à semelhança do que aconteceu 

em muitas bibliotecas em todo o mundo, realizou-se com a criação de um 

consórcio nacional, em 1999. Na atualidade, os pesquisadores e os 

acadêmicos portugueses têm acesso a informação científica de grande 

qualidade e em quantidade muito apreciável no Consórcio Nacional da b-on – 

Biblioteca do Conhecimento On-line

8

 (COSTA, 2007). 



  

Os bibliotecários portugueses acompanharam, desde logo, o movimento 

mundial em favor do Acesso Aberto ao conhecimento científico. Eles 

envolveram-se em ações para promover esta forma de disponibilizar 

informação técnica e científica no País. Vários projetos surgiram -  merece 

especial destaque o Repositório Institucional da Universidade do Minho, que 

recebeu a designação de RepositóriUM, e foi

 disponibilizado 

publicamente em 

Novembro de 2003 (RODRIGUES, 2005). Este projecto pioneiro é o que, na 

atualidade, apresenta um conteúdo com maior número de documentos. 

Em 2006, no decorrer da 2ª Conferência sobre Acesso Livre, organizada pela 

Universidade do Minho, um conjunto de bibliotecários e técnicos superiores de 

informação do ensino superior e de institutos de investigação e 

desenvolvimento do Brasil, Portugal e Moçambique elaboraram o 

“Compromisso do Minho: compromisso sobre o Acesso Livre à informação 

científica em Países Lusófonos”

 9

 . 



Estes profissionais afirmam que “os países lusófonos constituem uma das 

maiores comunidades lingüisticas do mundo” e que “ uma iniciativa integrada 

tem mais impacto que várias iniciativas”. Os signatários deste testemunho 

comprometem-se a promover, junto da tutela das instituições e organismos 

onde desenvolvem atividade profissional, ações com o objetivo de criar projetos 

                                                 

8 Disponível em:

>

. Acesso em 19 mai. 2008. 



9 Disponível em: <

www.ibict.br/anexos_secoes/compromissoDoMinho.doc

>. Acesso em 19 

mai. 2008. 




 

8

integrados no âmbito do Acesso Aberto para maximizar o impacto global da 



produção científica de expressão de língua portuguesa

.  


Nos últimos anos, inúmeras iniciativas foram desenvolvidas em Portugal. No 

anexo A, apresenta-se uma listagem das mais divulgadas nos ambientes 

acadêmicos. Faz-se constar o nome do projeto, a instituição a que pertence e o 

URL. 


Estes projetos de acesso aberto revelam uma grande diversidade em 

tecnologias, conteúdos e dimensão. Existem repositórios que utilizam software 

DSpace, Fedora e protocolo OAI-PMH, coleções digitais associadas a 

catálogos eletrônicos do sistema ALEPH e outras plataformas de acesso aberto 

desenvolvidas com múltiplas tecnologias (SEQUEIROS, 2007).  

À semelhança da época da informatização dos catálogos de dados 

bibliográficos, na década de 80, também nos últimos anos a Biblioteca Nacional 

Portuguesa desenvolveu software que abrange simultaneamente a 

estruturação de conteúdos, a produção de metadados, a publicação e a 

pesquisa de coleções digitais. Santos (2007) explica que as ferramentas 

desenvolvidas pela Biblioteca Nacional Digital

10

 (BND) encontram-se 



disponíveis “em livre acesso e código aberto, para um conjunto de aplicações 

que possibilitam a colocação e a pesquisa em linha de conteúdos digitais, 

nomeadamente a aplicação Papaia (Processamento de Páginas Digitais), o 

sistema ContentE (Editor de Conteúdos Estruturados), o sistema SECO (Serial 

COnverter) e o sistema MITRA para pesquisa de conteúdos”. Borbinha (2007) 

adianta que no caso da BND todos os “objetos de preservação” estão 

organizados de tal forma que cada um dá origem a uma pasta. Essa pasta 

contém todos os ficheiros com os conteúdos de informação, os respectivos 

metadados estruturados, oferecendo a possibilidade de em qualquer instante 

se manusear o conteúdo do documento. Este conjunto de ferramentas tem sido 

utilizado, quer por universidades, quer por outras instituições, para organização 

de coleções digitais. 

Iniciativa de Acesso Aberto que exibe enorme sucesso por funcionar em 

parceria é o projeto SciELO (EUROPEAN COMMISSION, 2006). Este projeto 

pelo seu notável valor será novamente referido no texto, neste momento

                                                 

10 Disponível em: <

http://bnd.bn.pt/

>. Acesso em 25 mai. 2008. 



 

9

adianta-se que Portugal participa com 19 títulos de periódicos científicos 



(SciELO Portugal, 2008).  

No anexo A, além de iniciativas acadêmicas, referem-se coleções digitais de 

instituições nacionais, serviços públicos jurídicos e da Rede de Conhecimento 

das Bibliotecas Públicas. Existem bibliotecas digitais que se revelam fontes de 

informação úteis na área do Direito. Há outras, que disponibilizam monografias, 

periódicos e manuscritos dos séculos XVII a XIX, tornando-se fontes prestáveis 

para o desenvolvimento de investigação na área das Ciências Sociais, 

nomeadamente, na História e na Sociologia. 

 

Vale, neste contexto, apresentar a produção científica Portuguesa, de 1996- 



2007. Os dados de 1999-2006 foram obtidos do SClmago (2007) e os valores 

de 2007 são de Gomes, Delerue-Matos, Nouws, Albergaria e Vieira (2008). 






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