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O Acesso Aberto ao Conhecimento e suas Ferramentas



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3 O Acesso Aberto ao Conhecimento e suas Ferramentas  

Os investimentos em geração de conhecimento trazem desenvolvimento para o 

país. Entretanto, esse conhecimento só contribuirá efetivamente para os 

avanços da sociedade se estiver disponível e acessível gratuitamente. Vale 

lembrar que estamos falando de pouco dinheiro e uma grande quantidade de 

pessoas que precisam aprender. Apesar dos esforços sempre envidados pelas 

bibliotecas para garantir o acesso à informação ao maior número de usuários 

possível, o conhecimento esteve restrito a uma parcela pequena da população 

até ao evento da Internet. Nunca o mundo dispôs de um instrumento tão 

fantástico como a Internet. Nunca as bibliotecas contaram com uma ferramenta 

tão revolucionária para exercer seu papel de provedoras de informação. O 

Manifesto da International Federation of Library Association and Institutions 

(IFLA) declara em seus princípios que:   

O livre acesso à Internet, oferecido pelas bibliotecas e serviços de informação, contribui 

para que as comunidades e os indivíduos atinjam a liberdade, a prosperidade e o 

desenvolvimento.  

As barreiras para a circulação da informação devem ser removidas, especialmente aquelas 

que favorecem a desigualdade, a pobreza e o desespero (IFLA, 2002). 

 



 


 

4

Nos finais dos anos 90, tendo como principais metas a disseminação e o 



acesso a baixo custo à informação técnica e científica, surgiram projetos 

válidos em algumas universidades. As iniciativas que mais se destacaram 

foram o software  específico, de Acesso Aberto, para criação de arquivos de 

informação científica, nomeadamente, o Eprints

2

 da University of Southampton, 



o  DSpace de uma acção conjunta entre as bibliotecas do Massachussets 

Institute of Technology (MIT) e a HP-Labs e ainda o Fedora que surgiu de uma 

parceria da Cornell University Information Science com a University of Virgínia 

Library (EUROPEAN COMMISSION, 2006). Os repositórios que surgiram são 

de dois tipos: 

•  Arquivos temáticos que armazenam coleções de pre-prints  da 

mesma área do conhecimento (exemplo: Física, Saúde, etc.); e, 

• Repositórios institucionais que preservam e disseminam a 

produção científica produzida por uma dada instituição (teses, 

dissertações,  working papers, comunicações de conferências e 

artigos publicados). 

 

Em 2001, a Open Archives Initiative



3

 cria a primeira versão do protocolo OAI-

PMH

4

 (Open Archives Initiative Protocol for Metadata Harvesting) que 



possibilita a interoperabilidade entre os servidores que albergam os arquivos de 

acesso aberto. O protocolo OAI-PMH vem possibilitar a partilha de dados entre 

repositórios digitais, assente na troca de metadados XML, em formato Dublin 

Core. 


Na última década, o Acesso Aberto tem vindo a conquistar uma posição 

importante no âmbito da divulgação da Ciência e do Conhecimento, apesar dos 

obstáculos que ainda existem a nível comercial, por parte de alguns editores e 

associações científicas. Rodrigues (2004) afirma que a prova desse fato são os 

inúmeros documentos, manifestações de interesse e iniciativas, que as 

universidades, as sociedades científicas e as organizações governamentais de 

                                                 

2

 Primeiro software criado para repositórios de literatura técnica e científica. 



3

 Disponível em: . Acesso em 13 jun. 2008 

4

 Disponível em: . Acesso em 13 jun. 2008 



 

 

 




 

5

todo o mundo, produziram em defesa do acesso aberto, nomeadamente, entre 



outros, a Budapest Open Initiative

5

, em 2002, a Declaração de Princípios e 



Plano de Acção da Cimeira Mundial sobre a Sociedade da Informação da 

Organização das Nações Unidas, em 2002, a Declaração de Berlim

6

 sobre o 



Acesso Aberto ao Conhecimento nas Ciências e Humanidades, em 2003, a 

Declaration on Access to Research Data From Public Funding

7

, aprovada por 



representantes ministeriais de 34 países da OCDE (incluindo Portugal), em 

2004. 


Em 2006, o relatório “

Study on the economic and technical evolution of the scientific 

publication markets in Europe”

 (EUROPEAN COMMISSION, 2006) recomenda  

que as instituições européias, que financiam projetos de investigação e 

desenvolvimento, devem exigir que os artigos publicados no âmbito desses 

projetos sejam arquivados em repositórios de Acesso Aberto após sua 

divulgação pública. 

Recentemente, deparamos com afirmações animadoras sobre as estimativas 

percentuais de literatura científica disponível em acesso aberto.



 

Rodrigues 

(2008) refere o estudo, realizado pelos filandeses Bo-Christer Björk, Annikki 

Roos e Mari Lauri, “Global annual volume of peer reviewed scholarly articles 



and the share available via different Open Access options”, que conclui: 

Cerca de 8.1% está disponível através da designada via dourada, através de revistas em 

acesso livre (4,6%), ou com embargos até um ano (3,5%), e 11,3% através da designada 

via verde, através do depósito de cópias dos artigos em repositórios (ou páginas pessoais). 

 




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