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Cap.  6-  Além  da  virada  cultural?



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Cap.  6-  Além  da  virada  cultural?  A  nova  história  e  a  NHC  já  teve  produção  inovadora, 

declinou  nos  anos  90  e  agora  se  consolida  e  mesmo  mediante  sérias  criticas  de  tentativas  de 

reaproximação do tradicional ou ser radical. Uma coisa parece certa: não se poderá retroceder no 

tempo e prever as tendências de expansão ou retração, não é seguro. O Retorno a Burckhardt e 

sua  história  cultural  tradicional  ainda  persiste  nos  estudos  da  alta  cultura,  mesmo  com  o  ainda 

entusiasmo  pela  cultura  popular  que  também  coexistirá.   Os  deslocamentos  e  ênfases  da  NHC 

acontecem a  exemplo  de  O  queijo  e  os  vermes  de  Ginzburg  que  foi  contribuição  importante 

para história cultural. 

Outras  extensões  da  NHC  são  os  estudos  da  história  cultural  da  política,  da  violência  e  as 

emoções. A cultura e a política estão presentes em muitas produções sobre os simbolismos das 

monarquias  e  governos  nacionalistas  (Vargas  no  Brasil  é  exemplo).  É  a  chamada  cultura 

política  de Lynn Hunt que trata da Revolução Francesa e seus comportamentos políticos, além 

Thompson, Levi Strauss, Foucault e Derrida que se dedicaram ao tema. Temos, também, Shahid 

Amim sobre a imagem de Gandi na  consciência camponesa  (p. 134). 

O movimento de formação dos grupos de estudos dos subalternos na Índia e depois na América 

Latina, Irlanda, serve de exemplo da expansão da NHC, além de ter ainda para ser desenvolvidos 

temas como mídia, noticias, etc. 

Quanto a cultura da violência, trata da guerra como culturalmente construídas, e seus efeitos na 

própria  cultura  mais  que  o  determinismo  militar.  A  violência  hoje  chama  atenção  para  seus 

simbolismos,  seus  participantes  e  ideologias  religiosas  ou  não,  seus  tumultos  coletivos  como 

rituais  de  limpeza  e  purificação  da  comunidade.  Igualmente  sobre  a  cultura  das  emoções,  os 

historiadores  da  NHC  se  despertam  para  o  espírito  das  épocas  e  a  história  das  emoções,  das 

lágrimas,  do  amor,  da  inveja,  da  crueldade,  do  choro,  do  medo,  temas  inconcebíveis  antes  de 

1980. Mas estudar a mudança no  estilo emocional  dos EUA, a psicologia das emoções, como 

uma  virada  performática  -  necessita  credenciar-se  historicamente  -  fugindo  da  especulação. 

Paralelo a isto vem a história cultural da percepção, visão, olhar, do som, da música enfim dos 

sentidos,  a  exemplo  de  Gilberto  Freyre  em  Casa  Grande  e  Senzala  quando  descreve  os  adores 

dos quartos, Alain Corbim com  Sabores e odores  (1986) e   Esteja a Gosto  de Simões (2004). 

Fala-se de uma vingança da história social como reação à expansão da NHC sugerindo-se que 

ela  foi  longe  demais,  que  tem  problema  de  subjetividade,  de  definição,  de  método  e 

fragmentação,  além  dos  limites  próprios  do  construtivismo.  Conflitua-se  a  História  Social  X 

História Cultural e um gênero híbrido  Sociocultural  tende aparecer, embora o autor defenda a 

preservação  do  termo  cultural  para  os  fenômenos  e  social  para  sua  história  (p.146).  De 

qualquer forma há problemas na relação entre cultura e sociedade e não se pode perder de vista 




as estruturas políticas e econômicas. Como a Nova História a NHC se ampliou. Novos objetos, 

novos  problemas,  novas  abordagens,  novas  fontes,  mas  tudo  carece  de  definir  métodos:  se 

observação,  quantitativos  ou  não.  A  fragmentação  é  outra  questão  da  cultura  como  base  de 

conflitos  dos  grupos  sociais  ou  de  indivíduos,  e  se  o  estudo  desses  grupos  pode  sustentar 

conclusões  gerais.  Será  isso  permitido  ao  historiador,  como  fez  Darnton  em  Massacre  dos 

gatos  (p.150). 

As  fronteiras  e  encontro.  Há  uma  tentativa  de  romper  á  fragmentação  com  o  conceito  de 

fronteira cultural  - a questão é de onde se olha cada  área cultural  , como fazer as distinções, 

como  tratar  os  grupos  fluidos  entre  estas  fronteiras  e  as  zonas  de  contrato  convivência  de 

opostos  cultura  híbrida .  Uma  saída  é  tratar  como  encontros  culturais 

 

a  exemplo  do  que  se 



usou para as comemorações dos  500 anos do descobrimento  da América - dando-se ênfase a 

visão  dos  vencidos  na  adaptação  dos  dominadores  ou  fazendo-se  a  tradução  cultural,  etc  (p. 

151). 

A Narrativa na História cultural: antes ligada à visão tradicional, a narrativa volta para dar voz as 



pessoas comuns, histórias de vida, narrativas culturais sua estruturas e versões que infere sobre a 

percepção do leitor. O desafio é fazer isto sem dar a história um enredo triunfalista e enfatizar a 

crítica e o conflito de visões e de sentido de cada narrativa (p.157).   



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