Microsoft Word Hist ria, Direito e Justi a 28. doc



Baixar 181.37 Kb.
Pdf preview
Página6/11
Encontro30.03.2021
Tamanho181.37 Kb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11
Commercio por “Zangão”) se manifestam contrários à emissão 

por parte do banco, e os diretores  (representados por “M. F”)  

favoráveis. 

Enquanto no Jornal do Commercio encontram-se muitos 

artigos contra Paula Sousa, no Correio Mercantil são mais 

presentes os artigos contra Carrão. Mas não se fazem ausentes 

também artigos contendo críticas ao aumento da emissão do 

banco, e mesmo contra a diretoria, tais como o de Little Boy, em 

16 de abril. O autor se contrapõe a diretores do banco do Brasil - 

Jeronymo J. Teixeira e Joaquim F. Pinheiro -, que atacaram 

Sousa Franco por um parecer que este teria dado no conselho de 

estado, acerca do banco, em que o conselheiro sugere que houve 

abuso nas emissões do Banco do Brasil, e defende a cassação do 

direito de emitir daquela instituição.

46

 Tais diretores teriam dito 



que o conselheiro exprimiria a posição de "interesses 

despeitados". O autor do artigo exalta-se:  

 

 

(...) Engano manifesto! Interesses legítimos, sagrados, os 



interesses dos acionistas que vêem o capital que empregaram 

naquele estabelecimento minguado e em risco de perda total; 

interesses do povo e principalmente das classes que recebem 

vencimentos fixos e que têm entre as mãos um papel depreciado; 

interesses do comércio, a quem o banco não protege, porque 

proteger quatro ou cinco indivíduos não é proteger o comércio;

 

interesses do estado, enfim, que carrega toda a responsabilidade 



da emissão do banco e deseja que digam ao menos qual o 

algarismo de sua dívida e se ela não aumentará

 de hoje para 

amanhã. (destaque feito por mim) 

 

Mais adiante um pouco, o autor insiste na idéia de



 

favorecimento de poucos negociantes,  pela emissão do banco: 

 

 



EIDE SANDRA AZEVEDO ABREU 

                                                        

HISTÓRIA, São Paulo, 28 (2): 2009 

810 


Quanto aos arranjos pessoais, permitam S. S. que lhes digamos 

que foram precipitados. Consta dos livros do banco que mais de 

metade da emissão bancária atual acha-se em mãos de quatro ou 

cinco indivíduos cujas letras pejam a carteira. É esta e não pode 

ser outra a aplicação das palavras do Sr conselheiro Sousa 

Franco, e deste modo entendidas, confessarão SS. SS. que razão 

teve o Sr. Conselheiro Sousa Franco para empregar tais 

expressões (...)

47

 

 



Este e outros artigos revelam que, além de um conflito 

entre acionistas e diretores do banco, havia uma luta entre 



frações diferentes dos negociantes, expressa na disputa entre 

Carrão e Paula Sousa. Se ficamos apenas com os artigos do 

Correio Mercantil, imaginamos ser Carrão, com seu projeto, um 

defensor do controle governamental sobre o crédito benfazejo às 

atividades comerciais, agrícolas e industriais. Em comparação 

com estes, os artigos publicados no Jornal do Commercio são 

bastante instigantes pelo contraste de posicionamento. Em 24 

de abril, 15 dias após a apresentação do projeto Carrão na 

Câmara, "Mercador" escreve um artigo em que expõe o boato de 

que o projeto iria "morrer na comissão de fazenda da Câmara", e 

se indigna contra essa possibilidade, pois as medidas 

consignadas na proposta seriam imprescindíveis para 

restabelecer a confiança, fundamental para a continuidade 

regular das atividades econômicas: "Toda a demora é nociva ao 

estado atual, urge que a confiança se restabeleça, e que o poder 

executivo assuma a sua posição. (...)". O autor diz esperar que o 

ministro pugne e bata-se por sua proposta: "O país exige de S. 

Ex. solução desta gravidade, hoje que tudo são receios e 

confusão." 

48

 



Em 10 de maio, alguém com o pseudônimo de "Luto" não 

escreve sobre o projeto Carrão, mas sobre  a atuação do 

presidente que escolheu para o Banco do Brasil, nomeação que 

foi objeto de muitas críticas no Correio Mercantil e no Senado. No 

texto "Ao Sr. Visconde de Jequitinhonha", que não está 

inteiramente legível, pode-se ler que o autor apóia o presidente 

do Banco do Brasil em medidas restritivas que adotava naquele 



 OS “ABUTRES” NA TURBULÊNCIA DAS “ÁGUIAS”:... 

HISTÓRIA, São Paulo, 28 (2): 2009 

811 

momento. Menciona oposição a elas feita pelo jornal Diário do 



Rio, o qual expressaria, segundo o autor, interesses ofendidos 

"por efeito das medidas justas que principiaram a ser postas em 

execução".  O autor encoraja o presidente a dar continuidade à 

sua política, porque ela seria favorável ao "comércio legítimo", 

em contraposição à "especulação" e à "agiotagem": 

 

 



Avante, Sr. Visconde, porque, embora alguns [ilegível] gritem 

contra o que S. Ex. tem feito, o país inteiro o aplaudirá, porque S. 

Ex. irá conseguir o principal, que é melhorar e tornar mais sólido 

o nosso legítimo comércio, fazendo desaparecer aquele que só é 

baseado na especulação e agiotagem. 

Acabe-se de uma vez com esses aproveitadores, que sem capital, 

e só por meio do crédito, querem fazer fortuna.

49

 



 

Na página seguinte, da mesma edição do jornal, um autor 

com o pseudônimo "1/2 (à esquerda)" também se contrapõe a 

"meia dúzia" de "abutres": agiotas e usurários que gritam em 

nome da "praça" inteira: 

 

 



Dizem os defensores dos abutres que pream as entranhas do 

comércio e da lavoura, que o procedimento do Sr. Visconde de 

Jequitinhonha é incompreensível; dizem que o presidente do 

banco do Brasil não lhes merece confiança; e, [ilegível] declaram 

que não é a fortuna de cinco ou seis indivíduos que procuram 

zelar. 


 

Na seqüência,  é exposto o procedimento dos adversários 

de apresentar os seus interesses como se fossem os da "lavoura" 

ou da "praça" inteira: 

 

 

O estribilho é sempre o mesmo: a lavoura, a lavoura. O lobo 



reveste-se da pele do cordeiro e lacrimoso pede misericórdia para 

mais facilmente devorar o resto do rebanho. 




EIDE SANDRA AZEVEDO ABREU 

                                                        

HISTÓRIA, São Paulo, 28 (2): 2009 

812 


Fala-se em nome da praça do comércio, quando é sabido e 

notório que todos os artigos que se tem publicado tanto contra as 

medidas propostas pelo ministro da fazenda como contra as que 

o presidente do banco do Brasil está pondo em execução são da 

pena dos agiotas e usurários ou por eles inspirados. 

 

Na continuação do artigo o autor afirma que os que se 



melindram e gritam contra Jequitinhonha são devedores sem 

nenhuma credibilidade, que não estão em condições de atender 

a uma exigência mínima, formulada pela própria diretoria [e não 

pelo presidente] havia "tempos", e apenas posta em execução 

pelo presidente: a de que a reforma de letras só fosse concedida 

se o devedor amortizasse 3% de sua dívida; "note-se bem", 

acentua o autor, "só três por cento". Com tal resolução a diretoria 

teria julgado "que era chegada a hora de cessarem esses 

escândalos inqualificáveis de créditos ilimitados concedidos 

pelo banco a quem cá fora ninguém empresta um real." Falta de 

crédito só existiria na praça para especuladores arruinados; 

quanto aos outros, teriam crédito abundante: 

 

 

O dinheiro abunda na praça para as firmas que oferecem 



garantia; às casas de primeira ordem é ele oferecido a um juro 

inferior ao do banco, as letras do vinho, farinha de trigo, 

manteiga e outros gêneros a prazo de seis e oito meses são 

procurados com avidez fora do banco a 7 e 7 1/2%. O agiota, o 

usurário e o banqueiro arruinado, esses sim, não podem 

naturalmente obter fundos dos capitalistas, e por isso é muito 

natural que bradem [duas palavras pequenas, ilegíveis], e tentem 

interessar outros para também [uma palavra grande, ilegível] 

celeuma, procurando fazer crer que o país reprova a proposta do 

ministro e a energia do presidente do banco. 

Enganam-se; o país os conhece e aprecia devidamente. 

Prossiga pois o Sr. Ministro; não esmoreça o Sr. Presidente do 

banco; desprezem ambos as diatribes dos que querem servir-se 

deste tema para seus fins particulares, porque SS. Ex. têm por si 

a opinião pública de todo o Império, e contra si somente meia 

dúzia de especuladores comerciais ou políticos.

50

 

 




 OS “ABUTRES” NA TURBULÊNCIA DAS “ÁGUIAS”:... 

HISTÓRIA, São Paulo, 28 (2): 2009 

813 

No dia 12, foi publicado um outro muito interessante artigo, 



em que tais usurários e agiotas aparecem ligados à lavoura 

como endossantes de seus títulos. O texto, de autoria de um 

pseudônimo que não está todo legível, e cuja primeira palavra é 

"Punhal", começa atacando os diretores do banco (que seriam 

defendidos pelos "agiotas" como os mais aptos para "apreciarem 

as contingências da atualidade"), chamando-os de ignorantes em 

finanças, que não teriam estudado convenientemente por não 

saberem ler em línguas estrangeiras, e não conseguirem mesmo 

entender obras escritas em língua portuguesa.  Eles é que 

teriam levado  

 

 

o banco ao estado quase desesperado em que se acha. Faça-se a 



lista dos diretores do Banco do Brasil, e digam-nos, com a mão na 

consciência, se encontram mais de três nomes de homens que 

sabem alguma coisa de economia política, de finanças. Digam-

nos quantos dentre eles podem ler um livro que não seja escrito 

em português; digam-nos quais as obras no nosso idioma em que 

se pode fazer um estudo dessas ciências; digam-nos quantos 

diretores podem digerir mesmo o que lêem em português. 

 

As respostas dos acusadores do governo e da presidência 



do banco "seriam a sua condenação"! 

A seguir, são recolocados, com acréscimo de algumas 

informações importantes (a baixa do juro do banco, conseguida 

por Jequitinhonha, e a identificação dos "agiotas" como 

endossantes dos títulos da lavoura), os argumentos do autor do 

artigo anterior, apontando os interesses particulares dos 

adversários do ministro da fazenda: 

 

 



Procura-se iludir o país com devaneios e com artigos em que se 

procura fazer crer que as medidas decretadas pela diretoria do 

banco, e postas em prática pelo presidente, têm por fim aniquilar 

a lavoura, quando a prova mais evidente do contrário é, a baixa 

do juro do banco, que conseguiu o Sr. Visconde de 

Jequitinhonha. 




EIDE SANDRA AZEVEDO ABREU 

                                                        

HISTÓRIA, São Paulo, 28 (2): 2009 

814 


Queixam-se as ventosas que sugam a vida dos lavradores, 

porque se lhes exige uma amortização de três por cento. 

A  diretoria  do  banco,  em  um  acesso  de  loucura,  concedeu 

créditos de milhares de contos a homens que agora se declaram 

incapazes de amortizar as suas dívidas, mesmo na razão de três 

por cento. 

Perguntamos agora. De que servem essas firmas, que segundo os 

estatutos do banco, devem ser de pessoas notoriamente 






Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal