Microsoft Word Hist ria, Direito e Justi a 28. doc



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Diário do Rio, de que o discurso de Bastos seria uma provocação 

ao ministro:  

 

 

Sem o crédito que justamente merece a palavra do Diário



ninguém tal acreditaria. 

Não. Ninguém acreditaria que um deputado, de quem se diz ser 

chefe da maioria, viesse assim torturar o ministro, quando ainda 

não teve tempo de examinar o estado da praça, do banco e do  

tesouro, para resolver na opção das medidas de que pode lançar 

mão, aplicáveis à situação peculiar do tesouro, do banco e do 

comércio. 



EIDE SANDRA AZEVEDO ABREU 

                                                        

HISTÓRIA, São Paulo, 28 (2): 2009 

804 


 

(...) Um chefe da maioria não pode deixar de estar de acordo com 

o ministro: e que o Sr. Tavares Bastos o não estava demonstram-

no suficientemente os sinais de não-assentimento que lhe deu o 

Sr. Conselheiro Carrão, mesmo para aqueles que nunca tinham 

ouvido a S. Ex. enunciar princípios de que não se pode deduzir os 

corolários que apresentou o Sr. Tavares Bastos no seu discurso 

(...).


27

 

 



De fato, bem poderia ser uma provocação ao ministro o 

discurso de Bastos,

28

  porque em 9 de abril Carrão apresentou à 



Câmara o projeto da sua lavra, que contemplava a posição da 

comissão de fazenda do Conselho de Estado.

29

 Estabelecia a 



fiscalização da emissão e das operações de desconto do banco 

por parte do governo; previa a substituição de notas do banco 

por notas do tesouro, etc.,

30

 sofrendo a oposição ferrenha da 



diretoria do banco e de negociantes da praça de comércio do Rio 

de Janeiro. 

A questão bancária se associa a outras na configuração de 

um ministério muito desunido, desunião que corresponderia à 

divisão da própria "maioria" que sustentava o gabinete. Daí a 

oposição de Bastos a Carrão, e aproximação em relação ao 

ministro da agricultura, Paula Sousa.  

Entre as demais questões que também dividem a situação, 

a concorrência pelas próximas eleições parece a mais candente. 

Mas existem também a do déficit e a das despesas avultadas 

com a guerra do Paraguai, um empréstimo suspeito feito em 

Londres em 1865, a falta de trocos miúdos. Perceber a 

simultaneidade da presença dessas questões no debate é 

importante, tendo em vista captar o vínculo íntimo que existiu 

entre os desdobramentos da política e os interesses econômicos,  

na experiência dos homens que lutavam na política parlamentar 

do Império do Brasil naquele momento.   

 

 



 

 


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