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Palavras-chave: Liberalismo – Brasil – Séc. XIX; Brasil – História 

– Império, 1822-1889; Questão bancária – Brasil – Séc. XIX. 

 

 

 

Agora já não há mais saquaremas, nem luzias, 

nem ligueiros. Os saquaremas chamam-se 

vermelhos, os luzias históricos, e os ligueiros 

papelórios. Viva o progresso! (Jornal do Comércio

13 de junho) 

 

O dinheiro não regorgita, mas abunda na praça; o 



que não abunda é a confiança, a qual fugiu 

espavorida. (...) (Jornal do Commercio, 22 de abril 

de 1866, p. 1) 

 

                                                 



 Professora Doutora do Departamento de Ciências Sociais – 

Universidade Estadual de Maringá – UEM –  87030-030 – Maringá – 

Paraná – Brasil. E-mail: eideabreu@uol.com.br  




EIDE SANDRA AZEVEDO ABREU 

                                                        

HISTÓRIA, São Paulo, 28 (2): 2009 

798 


Tenho, Senhor Presidente, mostrado que 

realmente o papel-moeda é uma verdadeira peste 

circulante. Só há uma desculpa: quem nos deu a 

guerra deve dar-nos o papel-moeda, deve dar-nos 

a peste. (Jequitinhonha, em discussão de 9 de 

agosto de 1866, no Senado) 

 

As relações entre a dimensão do econômico e a do político 



são objeto de divergências no pensamento político desde pelo 

menos o século XIX, quando Marx enfatizou, de variadas 

maneiras, os vínculos existentes entre elas. O entendimento 

dessas relações de uma maneira determinista, em que o político 

derivaria do econômico, deu margem a que muitos as 

desqualificassem, apontando como reducionista qualquer 

perspectiva de abordagem pautada no reconhecimento de sua 

importância. 

Trata-se, contudo, de vínculo que os autores liberais mais 

conhecidos dos séculos passados não tinham se preocupado em 

desfazer. E que se revela de maneira muito clara quando 

observamos a política contemporânea, ou quando nos voltamos 

a momentos importantes da história brasileira, tais como os 

pertinentes às lutas políticas da década de 1860. Os anos iniciais 

dessa década ficaram conhecidos como momento de uma 

“ressurreição do liberalismo”

1

, mas uma pesquisa mais detida 



mostra que podem ser vistos como de derrota incontornável dos 

políticos que atuavam defendendo projetos até então chamados 

de liberais. Na época, liberais que se chamavam “genuínos” 

protestaram fortemente contra a atuação de antigos 

conservadores que, ao se autoproclamarem “liberais”, roubavam 

de seus adversários sua bandeira, num processo de violenta 

exclusão política. 

Alguns desses políticos “novos liberais” passaram, mais 

tarde, a ser considerados como representantes modelares do 

liberalismo brasileiro do século XIX. É o caso, especialmente, de 

Tavares Bastos, que atuou  como deputado  por três 

 

legislaturas, e  que  escreveu obras  que são  usadas  como base  




 OS “ABUTRES” NA TURBULÊNCIA DAS “ÁGUIAS”:... 

HISTÓRIA, São Paulo, 28 (2): 2009 

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para a sua consideração como um dos liberais “mais 



articulados”

2

 do Império, textos que são tidos como referência 



para o estudo da história do Brasil.  Ao acompanharmos a 

trajetória de Bastos, encontramos um político cuja obra se 

apresentava imersa na luta de seu tempo, e na qual fez parte do 

mencionado grupo de conservadores que se transformaram nos 

“novos liberais” do final da década

3

. Ao investigarmos essa luta



em diversos momentos, descobrimos a estreita imbricação com 

os interesses econômicos presentes no mercado. É algo 

especialmente visível na relação entre a queda do gabinete 

Olinda, em 1866, e os conflitos em torno da “questão bancária”. 

É esta relação que busco expor a seguir, com base em pesquisa 

feita nos jornais Correio Mercantil e Jornal do Comércio, e nos 

debates parlamentares. 

 

 






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