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Formação Econômica

, Campinas, (3): 17-23, jun. 1999.

 

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complicações  no  mercado  internacional  geradas  pela  Primeira  Guerra 



Mundial,  regulando  o  mercado  em  função  da  manutenção  dos  preços;  a 

terceira  intervenção  ocorreu  entre  1921/24,  quando  houve  redução  das 

compras  internacionais  com  pressão  sobre  os  preços  internos,  exigindo  a 

formação de estoques governamentais. De modo geral, todas as intervenções 

foram bem sucedidas. 

Com  a  Crise  de  29,  a  quebra  da  Bolsa  de  Nova  Iorque,  as 

intervenções não mais funcionaram, pois as fontes externas de recursos eram 

escassas  e  a  produção  interna  pressionava  e  superava  o  orçamento  do 

Instituto  do  Café  do  Estado  de  São  Paulo.  Instaura-se  o  caos  na  produção 

cafeeira. 

As  grandes  fazendas  de  café  da  região  de  Ribeirão  Preto  foram 

divididas, dando lugar a uma nova estrutura produtiva. O preço e condições 

de pagamento destes novos lotes eram acessíveis a pequenos produtores.  

“Essa  desagregação  do  capital  agrário  representado  pelas  grandes  companhias 

produtoras de café, representou a saída do grande capital comercial da presença direta 

no processo de produção de café” (Gonçalves, 1997).  

O  acesso  à  terra  pelos  ex-colonos  se  deu  tanto  nas  áreas  antigas  de  café, 

como  nas  novas  frentes  de  expansão  da  fronteira  agrícola:  extremo-oeste 

paulista e norte-paranaense. 

Após a Crise de 29, o poder político passa da esfera estadual para o 

Governo Federal. A crise cafeeira de 1930 reflete a crise econômica e resulta 

das  políticas  cafeeiras  de  valorização,  que  aumentaram  em  muito  a 

capacidade  de  produção.  Realiza-se  então,  um  novo  encontro  entre 

cafeicultores,  de  onde  nasce  o  Conselho  Nacional  do  Café,  que  inicia  um 

ajuste da capacidade produtiva à demanda e impõe uma séries de medidas, 

como  a  queima  de    estoques  (mais  de  78  milhões  de  sacas  de  café  foram 

queimadas). 

No  início  dos  anos  50,  é  restabelecido  o  sistema  de  defesa.  Além 

disso,  o  governo  anuncia  a  compra  de  café,  sempre  que  necessário,  para  a 

sustentação  dos  preços.  Em  1952,  cria-se  o  Instituto  Brasileiro  do  Café, 

destinado a exercer toda a política econômica do produto. 



 

Formação Econômica

, Campinas, (3): 17-23, jun. 1999.

 

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A  nova  cafeicultura  manifesta-se  hegemônica  nos anos  70,  quando 



os  planos  de  erradicação  eliminariam  definitivamente  os  velhos  cafezais 

improdutivos de São Paulo. A cafeicultura em expansão no Paraná instalava-

se com base na pequena propriedade cafeeira, com preços de terra baixos. 

A  política  cafeeira  voltaria  a  enfrentar,  nos  anos  60,  o  desafio  da 

superprodução: situação de estoques crescentes e custos de manutenção em 

alta.  A  política  adotada  consistia  num  intenso  programa  de  erradicação  de 

cafezais,  visando  à  ampla  reconversão  produtiva,  com  sucateamento  de 

cafezais  velhos  e  improdutivos  de  várias  regiões  e  sustentação  do 

desenvolvimento  de  atividades  alternativas  nessas  áreas.  A  erradicação 

afetou  principalmente  os  pequenos  e  médios  estabelecimentos  das  regiões 

cafeeiras. 

Sob  o  aspecto  monetário,  a  política  conseguiu  diminuir  os  gastos 

governamentais  com  o  setor  café.  Porém,  nos  anos  70,  houve  uma  perda 

progressiva  do  poder  brasileiro  no  comércio  internacional  do  produto, 

decorrente  das  políticas  comerciais  que  resultaram  num  estímulo  para  a 

proliferação de novos concorrentes. 

Na década de 70, começa nova fase de estímulos governamentais à 

plantação  de  novos  cafezais,  com  a  implementação  do  Programa  de 

Renovação e Revigoramento dos Cafezais. Este possibilitou a renovação da 

cafeicultura  nacional,  além  da  sua  implantação  em  bases  mais  racionais 

através da utilização de uma tecnologia bastante moderna. 

A  partir  de  1973,  com  a  grande  geada  que  destrói  parte  da 

cafeicultura paranaense e paulista, os cafezais mudam de rumo. Destruídos 

devido ao clima, os cafezais se deslocam para o norte, fixando-se no Cerrado 

Mineiro (antes imprestável para a cafeicultura, mas tornado apto pelo avanço 

tecnológico), acabando com a supremacia do café do Estado do Paraná. 

Essa  nova  expansão  da  cafeicultura,  iniciada  em  1970,  é  um 

processo  em  que  novas  áreas  de  cafezais  são  abertas  em  ritmo  acelerado, 

enquanto velhas regiões resistem e desaparecem lentamente. 

“Trata-se  de  um  processo  onde  troca-se  de  região,  de  cafeicultores  e  de  estrutura 

logística  de  comércio  que  pelo  descompasso  de  velocidades  gera  uma  realidade 



 

Formação Econômica

, Campinas, (3): 17-23, jun. 1999.

 

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heterogênea  de  cafezais  novos  e  competitivos  convivendo  com  velhos  cafezais  em 



degradação, à espera de um fato que os sepulte produtivamente” (Gonçalves, 1997). 

Há  uma  nova  superprodução  em  1990.  Todavia,  o  fenômeno 

climático (geadas e seca) realiza o ajuste da estrutura da oferta à demanda. A 

cafeicultura pós-geada dos anos 90 não apresentou ímpeto de retomada, não 

realizou  corridas  de  plantio  na  ausência  de  políticas  nesse  sentido.  A 

compreensão  da  não  ocorrência  de  uma  frenética  retomada  exige  o 

conhecimento de diferenças deste novo café: 

•  impossibilidade  de  ciclos  expansivos  centrados  em  processos  de 

especulação imobiliária, como ocorreu nas expansões paulistas de 

Ribeirão Preto e norte do Paraná. 

•  utilização  da  moderna  tecnologia  para  formar  cafezais  mais 

produtivos,  como  lavoura de  exploração  das condições  naturais. 

Em  1989  é  criado  o  selo  de  pureza  da  ABIC  (Associação 

Brasileira da Indústria de Café), buscando melhorar a imagem do 

café nacional, tanto no mercado interno como no externo. 

Em todas as regiões pelas quais o café passou, este não se constituiu 

como agroindústria, mas sim como estrutura produtora de uma commodity. 

Atualmente, as características do Novo Café combinam com a necessidade 

de  expansão  de  uma  agropecuária  com  bases  estruturais  mais  consistentes 

com a melhoria da distribuição de renda. 

 




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