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Habilidades trabalhadas: Reconhecer os neologismos como recurso expressivo presente 
nos textos propostos e Analisar os recursos expressivos usados pelos autores para 
veiculação de ideologias/estereótipos. 



Resposta comentada: 
Em (a), espera-se que o aluno note que o prefixo – des significa negação, ação 
contrária e, portanto, a palavra “desfalam” equivaleria a “não falam”. No trecho, em 
questão, o narrador afirma que os moradores “não falam” o nome do diabo, por medo, 
por receio. No entanto, Riobaldo parece duvidar desse receio (“falso receio”) e atribui 
essa atitude dos moradores ao fato de eles próprios representarem a figura demoníaca 
“Quem muito se evita, se convive.”. 
Em (b), é interessante comentar, com os alunos, que uma das temáticas presentes 
na obra Grande sertão: veredas refere-se à tensão entre o bem e o mal, entre Deus e o 
Diabo. Em todo o relato de Riobaldo, a grande dúvida que o acompanha é “o diabo existe 
e não existe”. De certa forma, esse sentimento reflete a ideologia dominante no ocidente, 
influenciada pela religião cristã. A figura do diabo, criada pela igreja no fim da Idade 
Média, é uma tentativa de controlar as ações humanas e de fazer com que o homem 
continuasse a obedecer às leis da igreja. Riobaldo reflete essa dualidade. Ao mesmo 
tempo em que afirma não existir o diabo (como atestam os seguintes trechos: “Tem diabo 
nenhum. Nem espírito. Nunca vi.”), parece demonstrar que acredita na sua existência (“o 
diabo vige dentro do homem”, “Bem, o diabo regula seu estado preto, nas criaturas, nas 
mulheres, nos homens. Até: nas crianças — eu digo. Pois não é o ditado: “menino — 
trem do diabo”? E nos usos, nas plantas, nas águas, na terra, no vento... Estrumes...
diabo na rua, no meio do redemunho...
”. Além disso, apesar de negar a existência do 
diabo em alguns momentos, Riobaldo demonstra alívio diante da concordância de seu 
ouvinte acerca dessa inexistência (“Ah, a gente, na velhice, carece de ter uma aragem de 
descanso. Lhe agradeço.”), o que pode sugerir um sentimento de incerteza. O narrador 
procura nos ambientes de fé, na religião que faz parte de sua realidade sertaneja, por 
elementos de organização e de significação da vida e da existência. 




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