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participar de vários campeonatos. [...] Os treinos se intensificaram. (p.3)



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participar de vários campeonatos. [...] Os treinos se intensificaram. (p.3) 
Eu comecei a treinar dois períodos, eu acho que foi para a Olimpíada de Seul em 88, 
com 15 anos. Antes um pouquinho da classificação. Para o American Cup, depois do 
Mundial. Nos intercâmbios também, a mesma estrutura de treino. Duas vezes por dia. 
Sempre, depois em toda a carreira (p.12). 
 
 
 
Foto 38: Luisa em treinamento com o técnico Sérgio Jatobá - 1986 
 
 
Sobre a organização dos treinamentos as ginastas relatam a seguinte progressão 
das atividades nas sessões de treinamento: 
 
Em relação ao treino, a gente sempre iniciava com feminino e masculino juntos, que era 
uma coisa que não era assim nos outros lugares, acho que não. Era muito positivo. [...] A 


 
 
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gente alinhava na “linha amarela
146
”, porque foi assim que ele viu no Japão. Era tudo 
baseado no treinamentos dos japoneses, então, todo mundo corria para a linha amarela, 
não podia demorar nem um segundo, por ordem de tamanho bonitinho. [...] Depois todo 
mundo começava a correr seguindo o líder que eram os mais velhos, os meninos mais 
velhos, e a gente corria, o mestre corria com a gente também, era o aquecimento. Sempre 
tinha aquecimento, giro dos braços, todo aquele aquecimento de antigamente: cintura, 
pé, joelhinho, flexibilidade, sem bagunça, disciplina e muita alegria e depois a gente ia 
para os aparelhos. Eu não acho que ele tinha muito planejamento do treinamento, não 
tinha gráfico, não tinha controle, só tinha aquela intuição e era muita repetição até 
conseguir fazer (risos). Ele era muito dedicado a “limpar
147
” e esticar e fazer aqueles 
detalhes: ponta de pé, joelho. A ginástica dele, o olho dele era todo voltado para fazer o 
mais lindo possível, então a base do Mario César era limpeza, beleza do esporte e a arte. 
Cláudia, a esposa dele, dava ballet para a gente para melhorar, para as meninas e para os 
meninos. Ela cuidava da gente com essa parte, o mestre botava os horários e a gente 
também fazia musculação, tinha sempre a musculaçãozinha nas máquinas, mas não era 
tão serio como quando eu me formei como técnica. Fazíamos no ginásio uma 
“marombinha
148
”, flexão de braços nas paralelas, aquele canivete, pendurada na barra 
colocar o pé na mão, o básico a gente sempre fez, mais nem se compara com quando eu 
era técnica, era fácil aquilo ali. E tinha uma coisa que era legal. A flexibilidade, ele 
forçava muito a gente sempre, ficava em cima da gente, puxava esticava tudo e todo 
mundo, no fim do treino sempre. No início eram os aparelhos e a gente fazia muito solo, 
solo era o predileto do técnico (risos) e o predileto de todo mundo e era festa, quando era 
solo, era tumbling
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 para os meninos e para as meninas, como se fosse o auge do 
treinamento e ai todo mundo fazia solo junto naquela pista do tatame duro de sarneige e 
aqueles colchões todos, muito mini-trampolim até no aquecimento, corrida, mini-
trampolim, mortal, salto esticado, mistura de corrida com mini-trampolim. Era diversão 
e a gente aprendia muito duplo, pirueta, tudo para frente, tinha muito treinamento de 
mini-trampolim para trás para a gente aprender. Não tinha cama elástica, eu treinei a 
vida inteira sem cama elástica até aos 22 anos, quando eu fui para o Flamengo 
(CLAÚDIA MAGALHÃES, p.8-9).  
 
Quando fui para o Flamengo era tudo diferente, muito duro, o treinamento era mais 
científico. O Sérgio e a Lílian que eram da nova geração, já era mais firme, era bem forte 
e a gente era mais velho também. Tinha que tomar cuidado, não dava mais para treinar 
igual criança. A gente ia cuidando das lesõeszinhas, que como eu falei para você sempre 
doía aqui e ali, mas quando chegou o ano de 84, que a gente estava lá, porque em 81 eu 
estava na Gama Filho em 82 acho que a gente saiu, e o treinamento era mais sério. Tinha 
musculação todo dia, já fazíamos testes físicos gerais todo ano, série completa com extra 
para aumentar a resistência e era bem sério, muita flexibilidade, duas vezes ao dia e 
chorava, depois de 22 anos, 20 anos, forçavam muito a gente. O Sérgio e o Luis, irmão 
dele. Ficamos até melhores, mais flexíveis ainda, que era muito treinamento de chorar. 
Flexibilidade de ombro, a gente esqueceu nos anos todos na Gama Filho e tinha que ficar 
flexível. Como podia esquecer, era muito mais completo o treinamento e era uma delícia 
também. A gente treinava o dia inteiro também nas férias (CLÁUDIA MAGALHÃES, 
p.16).  
 
Eu lembro que no início eu adorava, acho que não era nada assim muito severo. Não 
tenho assim muitas lembranças marcantes, para ser sincera. [...] Eu lembro mais a partir 
da época da Berenice, aqui no Rio. A gente aquecia, mas era separado o treino. Tinha o 
treino das maiores e o nosso. E a gente treinava cinco horas por dia. No final tinha 
                                                 
146
 Todos os ginastas enfileirados de frente para o técnico, por ordem de tamanho.  
147
 Termo usado no ambiente gímnico para designar: tirar as falhas de execução e técnicas. 
148
 Maromba: termo usado no Rio de Janeiro para designar: preparação física ou condicionamento físico. 
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 Acrobacias de solo 


 
 
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preparação física. [...] Era basicamente porque não tinham muitos recursos. Não tinham 
esses aparelhos auxiliares como tem hoje em dia. Então era praticamente o treinamento 
no aparelho mesmo. 
[...] Eu acho que apesar de tudo, aqui no Brasil eu tive uma boa base, apesar de poucos 
recursos. Eu tive a Berenice que fez um trabalho bom de base. Quando eu cheguei aos 
Estados Unidos, lógico que é outro nível. Eu fui lá treinar com as melhores. Lá todo 
mundo já fazia Giro Gigante, enquanto aqui todo mundo ainda fazia série de bater a 
barriga nas barras. Entendeu? Então o nível lá era outro. Mas eu tinha uma base boa para 
poder me preparar, para conseguir chegar lá e fazer esses outros elementos (TATIANA 
FIGUEIREDO, p.2-5).  
  
Nós tínhamos sessões de força, de flexibilidade, que a gente chamava de “Menguele”. E 
Chorava... Todas as crianças choravam e era um horror. Para quem passava por um 
ginásio que não tinha nada a ver, porque era um ginásio que ia para o Vôlei também, 
ficavam horrorizados com aquilo e a gente passava quase que três vezes por semana por 
aquilo e continuava ainda gostando da Ginástica (p.2).  
Nos treinos já, sempre tinha a parte de aquecimento geral que geralmente é um 
aquecimento, uma corridinha, parte depois articular e depois a parte de flexibilidade. 
Quando passou a ser duas sessões. Logo depois desse aquecimento geral, a gente ia para 
coreografia, depois a “maromba”: parte de força, de condicionamento específico. E 
depois é que a gente ia para os aparelhos. Tinha a seqüência lá da semana com dias mais 
fortes, dias mais fracos. E em alguns momentos, nós treinávamos essa parte de 
condicionamento específico após o treinamento (LUISA PARENTE, p.12).  
  
 
Sobre a organização das séries durante o ano, eis o relato sobre o controle e 
treinamento de séries
150
 nos aparelhos:  
 
Série nós fazíamos só uma época do ano e era bem menos de quando eu era técnica. Era 
totalmente diferente, era muito mais suave, era muita repetição até conseguir, várias 
séries até a mão sangrar, a gente não parava enquanto não conseguia fazer a saída de 
sublance mortal, daquele pé na mão e mortal. Tinha que ficar tudo certo e nós fazíamos 
muitas séries, sempre tinha segurança do mestre, sempre ajudava a gente nas coisas que 
tinha insegurança ou medo na trave, duplo no solo. Não, não tinha duplo na Gama Filho, 
era só pirueta, dupla pirueta e nós treinávamos no colchão com ajuda (p.10). [...] Na 
época de campeonato era uma preparação diferente, era bem sério, a gente fazia, 
desfilava, ensinava a gente a entrar no campeonato, fingia que era campeonato de 
verdade no treino, fazia a competição, se apresentava e ele julgava. Fazia igual no 
campeonato, avaliação interna, sempre teve preparação e a gente sabia o que fazer na 
hora. (CLÁUDIA MAGALHÃES, p.13) 
 
Nos EUA a aparelhagem era muito melhor! Tinha controle de séries que o técnico fazia. 
Eu não anotava, nunca anotei nada, mas o treinador falava: “você tem que fazer dez 
séries na trave”, por exemplo, “seis séries de paralela”. Tinha que fazer tantas séries sem 
queda. Tinha que ser séries seguidas na trave, por exemplo, senão tinha que começar de 
novo. Não o ano todo, às vezes. Séries obrigatórias então eram 20 séries de trave. Aquela 
coisa sistemática, não ter erro (TATIANA FIGUEIREDO, p.2). 
 
E numa época, em que eu treinei com Sérgio Jatobá eu me recordo ele simplesmente 
mandava a gente entrar no aparelho, sem aquecer nada e fazer quinze séries. E a gente 
                                                 
150
 Determina-se “série”, a seqüência a ser apresentada em cada parelho nas competições.  


 
 
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fazia as quinze séries. Tinha aquecimento geral antes, apenas corporal.  No aparelho não 
aquecia. Entrou e prova. E era realmente assim, havia uma demora maior na competição. 
Então a competição durava quatro horas. Não era esse sistema tão dinâmico. Então, até 
se fazia justificar esse método. Em relação ao volume de séries e outros técnicos, tem 
alguns momentos, por exemplo, que eram séries divididas, séries ao meio. Mas assim, 
sempre quantidade. Tipo sete, seis. E o que caísse tinha que repetir tantas vezes. Na 
Trave tinha exigência de tantas séries sem quedas (LUISA PARENTE, p.12).  
 
E finalizando esta geração, as ginastas explicam se havia testes físicos para 
controle da forma física das ginastas e como eram feitos: 
 
Olha teste físico, de força essas coisas eu não sei se estou esquecendo, mas o teste físico 
de força, flexibilidade e impulsão eu não consigo me lembrar (CLÁUDIA 
MAGALHÃES, p.10). 
 
A gente não fazia teste físico não. [...] Eu fiz muito disso (teste físico) quando eles 
reuniram os atletas nesse CEFAM. Eles fizeram tudo: teste físico, teste psicológico. 
Fizeram uma bateria de testes com a gente. Exame médico de todos os tipos. Acho que 
foi até um tipo uma pesquisa que usaram a gente (TATIANA FIGUEIREDO, p.2-3).  
 
Cláudia Magalhães, depois de sua mudança para o Flamengo comenta, assim 
como Luisa Parente, que os testes físicos eram realizados anualmente.  
Nessas falas é possível verificar ainda que elas começam a ter os primeiros 
resultados expressivos cerca de quatro a cinco anos após o início na modalidade, e a participação 
nos Jogos Olímpicos acontece para Luisa Parente 9 anos após a iniciação na GA, aos 15 anos, 
para Tatiana Figueiredo, oito anos após seu início, aos 16 anos, e para Cláudia Magalhães, cinco 
a seis anos após o início na modalidade, com 18 anos
151
, quando atingem a etapa de resultados 
superiores. 
 
Nesse ano, foi um ano muito importante para mim, em 79. Eu comecei a ganhar, a sair 
do 5º lugar, 6º lugar, 4º lugar entre as seis, sete meninas que representavam o Brasil: 
Lílian Carrascoza, Silvia dos Anjos, Marian Fernandes, Cristina Coutinho, Jaqueline 
Pires, Kátia Murteh, Altair Prado e eu. [...] Nesse ano eu comecei a ganhar no 
campeonato carioca, porque quem ganhasse o carioca representava o mesmo peso do 
nacional, eram as mesmas meninas, quase todas cariocas. [...] Então no campeonato 
carioca, eu ganhei em 1º lugar, a primeira vez que eu ganhei das meninas que tinham 
sempre sido as melhores. Depois teve o outro campeonato que foi uma taça, acabei de 
esquecer o nome, era essa taça que todo ano acontecia eu também ganhei a primeira vez 
em 79, no meio do ano. [...] Quando chegou o fim do ano aqui no Texas/EUA, que era 
eliminatória para a Olimpíada, eu não errei nada, acertei todas as séries obrigatórias e 
                                                 
151
 É importante lembrar que Cláudia Magalhães, iniciou a GA aos 13 anos de idade, diferentemente das outras 
companheiras da mesma geração. 


 
 
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livres. Fiquei em primeiro de novo das meninas todas, aí com isso o convite que era 
nominal foi dado a mim (CLÁUDIA MAGALHÃES, p.4-5).  
 
O Flamengo começou a se dar muito bem na Ginástica. A gente participou dos 
Campeonatos Brasileiros. Em 84, que eu tinha onze anos, foi meu primeiro campeonato 
internacional, o sul-americano, e eu fui campeã individual sul-americana infantil. 
Certamente estadual também. Eu era, por exemplo, já vice-campeã e 3º lugar do juvenil 
e do adulto aos onze anos. Então teve, por exemplo, um campeonato que a Ana Paula 
Luck (ginasta do Flamengo) ainda ganhou de mim. E que a Patrícia também foi campeã. 
Mas elas eram juvenis já e eu era infantil ainda. Depois disso não mais (LUISA 
PARENTE, p.2).  
 
Tatiana Figueiredo, em citação anterior comenta que, em 1980, reuniram as 
melhores ginastas do Brasil no Projeto Impacto e ela foi uma das ginastas chamadas, o que indica 
que aos 12 anos já começava a se destacar também como uma futura promessa brasileira.  
As três ginastas desta geração realizaram treinamentos no exterior durante 
alguns momentos de suas carreiras, sendo que Tatiana Figueiredo realmente mudou para os EUA, 
ficando por cerca de dois anos. Luisa Parente e Cláudia Magalhães comentam apenas de 
intercâmbios mais rápidos, por um ou dois meses, tanto nos EUA como na Europa.   
Na geração seguinte, nomeada neste estudo como ginastas de transição, com 
Soraya Carvalho, Daniele Hypólito, Camila Comin e Daiane dos Santos, será realizada a mesma 
apresentação da geração anterior, para que ao final deste tópico, que retrata a estrutura e 
organização do treinamento de ginastas, possam ser analisados os dados juntamente com a 
literatura que embasa o estudo. 
Em relação ao tempo em que estiveram na etapa de iniciação desportiva, todas 
passaram muito rapidamente por essa fase assim como a geração das pioneiras. Diferentemente 
das demais apenas Camila Comin, que ficou durante um ano. Daiane dos Santos não chegou a 
sequer passar pela escolinha, Soraya não se lembra, mas diz ter sido muito rápido e Daniele diz 
ter ficado por três meses, como é possível verificar no seu depoimento: “Então, eu ia nestes três 
meses de escolinha, quando me falaram que eu ia participar da equipezinha de Santo André, e eu 
já fiquei super feliz, porque, na verdade, até Santo André, o meu sonho era ser Campeã Paulista 
Mirim.” (p.6). 


 
 
212
 
Foto 39: Daniele (à frente) com sua equipe de Santo André [1990?] 
 
As outras ginastas também falam deste mesmo período, podendo ser observado 
essa fase na vida de cada uma: 
 
No início era uma coisa assim, bem divertida. Uma coisa bem leve, era uma horinha, não 
tinha muito. Mas assim, isso passou muito rápido. Eu já entrei para a parte de 
treinamento, até porque o Carlos Corbuti, ele é um treinador. Ele não é um professor de 
escolinha. Ele é treinador e preparava as meninas para competir. Então eu nunca tive 
muita fase de escolinha. Aquela recreação. Não me lembro quanto tempo fiquei na 
escolinha (SORAYA CARVALHO, p.4). 
 
No início fiquei um ano na escolinha para passar para o treinamento. Eu entrei na 
ginástica em 89 (novembro), em 90 eu fiquei na escolinha, em 91 eu fui para o 
treinamento. Normalmente as crianças não ficam um ano, ficam mais, ficam dois ou três 
até passar para essa segunda fase. Eu tinha sete anos (CAMILA COMIN, p.5).  
 
Porque lá no CETE, onde eu comecei, não era uma brincadeira. Não era. Era uma coisa 
séria! Não era tipo escolinha! Tem uma diferença já. Na verdade eu não fui para 
escolinha, porque eu entrei direto na equipe de lá.  E depois eu já fui para o União direto 
e entrei na equipe. Não passei na fase da escolinha (DAIANE DOS SANTOS, p.3).  
 
Com os treinamentos sendo direcionados para a competição, a carga horária 
também foi modificada e progressivamente aumentada para todas, assim como na geração 
anterior. Mas a diferença com relação à geração “pioneira“ é que as ginastas de transição 
iniciaram os treinamentos em duas sessões diárias antes de grandes títulos ou classificações para 


 
 
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os Jogos Olímpicos. Luisa Parente passou a treinar dois períodos apenas para os JO de Seul e 
Tatiana Figueiredo, em outra estrutura nos EUA, que ainda não acontecia no Brasil, mas também 
visando à classificação para os JO de Los Angeles. Cláudia Magalhães, que participou dos JO de 
Moscou, nunca chegou a treinar duas sessões diárias. Sobre essa temática, cada ginasta expõe a 
progressão de seu volume de treinos, abordando a sua carga horária: 
 
Em Brasília, eu treinava umas quatros horas. E eram quatro horas assim... eu sozinha. 
Então, não tinha fila nada. Era só o tempo de eu voltar, dava um pouquinho de tempo e 
já ia de novo (p.5). Lá no Flamengo, a organização do treino já era com duas vezes por 
dia. [...] Era segunda a sábado. Sábado só de manhã e quarta-feira era treino leve, só 
tinha de manhã (SORAYA CARVALHO, p.7).  
 
Eu treinava três horas de segunda, quarta e sexta-feira. Eu fiquei mais um ano treinando 
às segundas, quartas e sextas-feiras. Com oito anos eu treinava todos os dias, das duas às 
cinco horas com a Inara. Fiquei mais dois anos com ela e com 10 anos eu passei para o 
Rony, onde eu treinava também à tarde inteira das duas às seis e meia. Então quando eu 
entrei no primeiro ano do ensino médio que eu comecei a treinar dois períodos. Antes eu 
treinava um período só, treinava cinco horas e a partir dos 16 comecei a treinar dois 
períodos, quando veio a Iryna para cá em 99 e quando foi nosso primeiro resultado mais 
expressivo: o 3º lugar (por equipes) em Winnipeg, nos jogos pan-americanos (CAMILA 
COMIN, p.4-5). 
 
Eu já treinava dois períodos há muito tempo. Bastante tempo. Porque as meninas já 
treinavam dois períodos lá no União. Eu acho que o primeiro ano que eu fiquei lá, eu 
treinei um período, depois eu já treinei dois. Treinava das 8:30h da manhã às 11:30h e 
depois à noite. Eu ia para a escola e depois disso, saía da escola e começava o treino às 
18:30h até as 21:30h. E aqui em Curitiba a partir de 2002 também já eram dois períodos. 
Só que aqui a gente treina das 8:30h às 12:00h. E à tarde o treino, porque eu vou para 
faculdade, é das 16:00h até umas 18:00h (DAIANE DOS SANTOS, p.7).  
 
E Daniele Hypólito, que começou em Santo André com treinamento de três 
horas diárias durante os primeiros quatro anos e depois mudou-se para a Academia Yashi, aos 10 
anos de idade, já comenta a mudança de carga horária dos treinos, que depois foi mantida no 
Clube de Regatas do Flamengo: “A estrutura de treino já vinha desde a Yashi que era uma 
estrutura de treino diferente, duas vezes por dia, um período de manhã de quatro horas, e à tarde 
de duas a três horas depois da escola. Entre um treino e outro, a gente estudava (p.7).  
 Sobre a organização das atividades desenvolvidas nas sessões de treino, as 
ginastas expõem: 
 


 
 
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A sistemática não mudou muito de um técnico para outro não, mas com o Corbutti
152
 eu 
não lembro muito bem. Foi pouco tempo, tipo um ano. As lembranças que eu tenho é 
que eu sempre passava por todos os aparelhos (p.4). Mas já com meu pai, era sempre. De 
manhã a gente acordava, ia correr meia hora, quarenta minutos num parque que tinha do 
lado. Eu voltava e ia para o colégio. Aí, duas horas da tarde a gente já voltava, já 
começava o treinamento, era o preparo físico no início, durante uma hora assim, mais ou 
menos, e passava por todos os aparelhos. Em todos os aparelhos eu fazia muitos, muitos 
elementos e série. Muita serie também. As séries não durante todo o ano, mas os 
elementos era essa rotina: correr de manha, preparo físico, entrava no aparelho e sempre 
rodava nos quatro aparelhos. Nunca fazia três, dois aparelhos. Nunca teve isso não (p.5). 
[...] Lá no Flamengo, a organização do treino já era com duas vezes por dia. De manhã, 
duas ou três vezes por semana a gente corria, voltava e tinha o preparo físico, ballet e 
passava em todos os aparelhos. De tarde, preparo físico e de novo todos os aparelhos. 
Nessa época ainda tinha o programa de séries obrigatórias, então normalmente era 
programa livre de manhã e o obrigatório à tarde. Obrigatório à tarde e elementos novos 
também. Era essa a rotina. [...] Toda preparação que no inicio do ano tinha natação, tinha 
às vezes corrida. A natação era quase sempre no final do treino. No inicio do ano era 
preparo físico muito forte, elementos novos e natação. No segundo treino do dia a 
mesma coisa. Depois, aproximando dos campeonatos, tinha treinamento de meia série. 
Tantas meias séries e mais próximo ao campeonato: série, série, série (SORAYA 
CARVALHO, p.7).  
 
Mas, no Flamengo também, tinha uma coisa que, como tinha o campo, tinha a piscina, 
eram partes do clube que a gente podia utilizar para fazer a corrida na grama, então, 
acabava que não forçava tanto. [...] E a piscina que a gente revezava, quando a gente não 
corria meia hora antes do treinamento, a gente nadava mil metros e isso para a gente era 
bom também porque a gente fazia uma coisa diferente da corrida, na verdade como se 
fosse uma corrida, só que nadando. Isso mais no inicio do ano. Mais perto de competição 
tinha sim a corrida, tudo, uma corrida que a gente fazia, era até longa a corrida que tinha 
parte de preparação física no meio da corrida, preparação física de perna, então, era uma 
estrutura de preparação física muito forte lá no Flamengo. Tinha preparação física e de 
tarde também, eram os dois períodos e tinha preparação física e tinha época que a gente 
fazia antes do treino, depois do treino, antes do treino da tarde e depois do treino da 
tarde. Então, a gente fazia quatro vezes a preparação física. Fazia os quatro aparelhos 
todo dia e perto de competição a gente fazia quatro de manhã e três à tarde, quatro e dois 
(aparelhos), dependia da competição e de como era o planejamento do treinador. 
Quando estava mais longe de competição, ou a gente saltava, ou a gente fazia solo de 
manhã, e à tarde era a mesma coisa: ou solo, ou salto. 
Para Curitiba eu vim em 2003, fiquei oito meses e voltei para o Flamengo. Em 2004 eu 
voltei para Curitiba de novo. 
Acho que diferença com o treinamento dos ucranianos, de intensidade de treinamento 
não teve, mas acho que cada treinador tem um jeito de dar treino, então acho que o modo 
de dar o treino tinha um pouco de diferença, mas não a intensidade e tempo de 
treinamento. Horas de treinamento sempre foi a mesma coisa. Na exigência também é 
igual, eu acho que é o planejamento de treino. É diferente. E o planejamento dos 
ucranianos é diferente de um planejamento de um treinador do Brasil (DANIELE 
HYPÓLITO, p.8-9).  
 
Em relação à organização do treino, a gente chegava já tinha assim um muralzinho, onde 
eu comecei (Praça Oswaldo Cruz), tinha preparação física. Então tinha que seguir aquilo, 
depois tinha, por exemplo, todo dia tinha paralela e trave, alternava ou ballet ou solo ou 
elementos novos. Tinha assim uma programação, então já tinha desde pequena tinha que 
                                                 
152
 Técnico 


 
 
215
seguir uma evolução, que tinha que ter saltos ginásticos, tinha que ter acrobático, tinha 
que ter coreografia, tinha que ter flexibilidade, desde pequena. Quando eu mudei para o 
Rony já era mais específico como: uma hora de aquecimento, das duas às três horas 
ballet, então todo dia tinha balé e todo dia tinham os quatro aparelhos, divididos em um 
tempo menor, mas que era para ser feito tudo todo dia. [...] E quando eu mudei para o 
centro de excelência que teve a seleção, que já mudou tudo. Tinha controle de peso e até 
lá não tinha, tinha uma tarefa de férias, então as coisas foram ficando mais sérias, tinha 
um envolvimento maior dos pais também. [...] A cobrança foi sendo maior! 
[...] Com a chegada da Iryna era tudo anotado, quantas séries por dia, um percentual, 
tinha um programa, o que é o treino, cinco disso, cinco daquilo, dois disso, dois daquilo, 
repete isso a cada 12 saltos, 12 no duro, 12 no fosso, então aí ela fazia um controle: você 
acertou tanto, vai fazer tanto, no começo. Hoje em dia a gente só faz os acertos, mas no 
começo não. Agora no mundial ela fez um controle de quedas e acertos, eu precisei fazer 
10 para acertar cinco, eu precisei fazer cinco e cinco foram bons, e hoje é mais detalhado 
ainda, para Atenas era assim. No começo para Sidney a nossa meta eram três séries, 
então não saíamos enquanto não fizéssemos três. Hoje em dia não, hoje em dia é anotado 
se fez a ligação tal, então eu fiz cinco séries, duas foram nota de partida oito, outra nove 
e outra 10 então só valeu uma, então para o outro dia só posso valer aquela, não importa 
o quanto eu demore. Então o rendimento, a qualidade está melhor, então hoje em dia a 
quantidade não é tanta, mas qualidade é maior que a quantidade (CAMILA COMIN, 
p.7).  
 
Sobre os treinos, quando eu fazia no CETE também fazia aquecimento, preparo físico, 
tudo. Eu acho que a diferença foi a intensidade de treino. Porque lá não era uma 
brincadeira. Era uma coisa séria!  
[...] Mas eu acho que a diferença de quando eu fui para o União acho que era a 
intensidade de treinamento. Que era uma coisa mais séria, e era mais no nível 
competitivo mesmo. Mais forte. No União tinha uma organização mais completa do que 
tinha no CETE. Tal mês tem competição, então tinha uma organização feita para 
competição. Que isso a gente já não tinha lá. 
E tinha níveis de preparação física diferentes: segunda, quarta e sexta uma preparação 
física e terça, quinta e sábado outro tipo de preparação física. Quinta e sábado tinha 
musculação às vezes, principalmente no período pós férias e antes de sair de férias. Que 
é um treino mais de treino físico. Na verdade a gente fazia isso na volta: corrida, preparo 
físico, musculação mesmo. Não tão específico para elemento, mas para adaptação de 
força. 
[...] Eu acho que essa mudança no ritmo de treino tem muito a ver com a chegada da 
Iryna sim. Eu acho que ela fez o começo do trabalho. Um trabalho diferente, do qual a 
gente tinha feito no Brasil. [...] Eu acho que em relação aos ucranianos e os técnicos 
brasileiros, no nível do treino não tem muita diferença. Eu acho que às vezes é a maneira 
de explicar. Acho que isso faz a diferença, assim porque quanto ao treino não tem muita 
diferença: carga horária, como eu posso te falar, resistência para treino, preparação 
física. Até antes eu fazia mais preparação física do que eu faço agora, na verdade, 
quando eu treinava no clube. Talvez seja porque eu era mais nova. [...] Mas eu acho que 
é mais isso, eu acho que é mais pela experiência que eles têm. Na parte de treinamento, 
de como você vai ensinar tal elemento, porque às vezes um técnico brasileiro não tem 
(DAIANE DOS SANTOS, p.3-6).  
 
É possível perceber claramente na fala de Camila Comin, em relação à 
evolução do treinamento dos ucranianos para os JO, a questão da modelação para a competição, 
do aumento da estabilidade técnica, aspecto característico da GA.  
 


 
 
216
A modelação é uma imitação, uma simulação da realidade baseada em elementos 
específicos do fenômeno que observamos ou investigamos. Trata-se, portanto, de uma 
forma análoga à competição, obtida por abstração de um processo mental de 
generalização a partir de exemplos concretos. [...] Por meio da modelação, o técnico 
dirige e organiza as sessões de treinamento de forma que os objetivos, métodos e 
conteúdos sejam semelhantes aos da competição. (BOMPA, 2002, p.43-44).   
 
O’Brien (1979) em observação aos treinos da ex-URSS também aborda esse 
período de preparação para competições importantes, dizendo que se acentuava o aumento da 
estabilidade da execução da técnica, objetivava-se o alcance do alto nível de condição física, 
psicológica e preparação moral, a fim de garantir a participação com sucesso nas competições 
principais.  
 Em relação ao volume de séries e a sua distribuição durante o ano, algumas 
ginastas relatam: 
 
Tinha uns números malucos de séries. Mas em média, era assim, um número alto: séries 
de trave eram cinco, séries de paralela eram duas, séries de solo uma, e 10 a 15 saltos. 
Todo dia. E eu treinei lá
153
 até os Jogos Olímpicos (SORAYA CARVALHO, p.7).  
 
Em relação às séries, um mês antes da competição a gente tem que fazer série 
completa
154
, um mês antes, série como se fosse no dia da competição. Mas o período de 
treinamento assim específico, as meninas entraram em janeiro, hoje (um mês depois), 
elas já estão fazendo série de trave, já estão fazendo metades de série de paralela e série 
de solo no fosso. Porque quando começa no fosso você não tem aquela sobrecarga, o 
corpo já está acostumado a fazer uma sobrecarga alta antes da competição. Antigamente 
você começava duas ou três semanas e começava a fazer série completa duas semanas 
antes da competição. Lá não. Para você ter uma noção, na Olimpíada a gente tem aquele 
treinamento antes, então vai de manhã com aquecimento geral lá embaixo (ginásio de 
aquecimento) e a gente faz uma série, quando sobe para o pódio (local da competição) a 
gente faz uma série, daí a gente desce para descansar. No aquecimento de 30 segundos 
na hora da competição a gente faz outra série, não é parte, não é elemento, é série. Você 
não tem tempo, porque antes era com duas meninas agora com seis, as seis tem que 
subir, as seis tem que fazer série. Se você erra lá em cima você volta lá embaixo de novo 
e você faz uma série, então é melhor você fazer uma lá, do que fazer duas. É muita série 
que a gente faz, muita sobrecarga então a repetição é muito maior, a qualidade também e 
os acertos também com certeza, se eu acerto lá eu vou subir com chances de acertar, 
agora se eu faço dois elementos, e o elemento que eu não fiz? Então se você sobe e faz 
sua série você está tranqüila para subir e fazer a mesma, você não sobe com receio de 
errar na competição. Essa certeza que a gente tem que antigamente a gente não tinha.  
Se eu estou desaquecida, qual força que eu tenho que fazer, se eu estou aquecida qual é a 
força, se eu estou cansada qual é a força, se eu estou mais leve, se eu estou pesada, então 
todas variantes a gente faz antes de fazer na competição (CAMILA COMIN, p.7-8).  
 
 
                                                 
153
 Clube de Regatas do Flamengo 
154
 No Centro de excelência, treinando com a seleção brasileira em Curitiba.  


 
 
217
O assunto de volume de séries e sua distribuição durante o ano emergiu durante 
os depoimentos, e não era uma tema abordado no roteiro de depoimentos, portanto algumas 
ginastas não comentam sobre isso, como é o caso de Daniele e Daiane. Mas é possível verificar 
essa questão ao menos na última fase de seus treinamentos para Atenas, na seleção brasileira, 
pela fala de Camila Comin, pois Daniele, Daiane e Camila passaram pela mesma preparação em 
Curitiba.  
Em relação aos testes físicos, se eram ou não realizados e com qual freqüência 
durante os treinos, Soraya Carvalho relata que realizava testes físicos duas vezes por ano no 
Clube de Regatas do Flamengo e que já os realizava em Brasília anteriormente, mas diz não se 
lembrar da sua freqüência. Daniele Hypólito comenta que realizava testes físicos nos 
treinamentos mais no início do ano, quando voltava das férias. Outras ginastas também relatam 
sobre o assunto: 
 
Sobre testes físicos, fazia no União. No União a gente fazia testes físicos sim. Até mais 
seguido do que a gente faz na Seleção, na verdade. Os testes que fazíamos no 
União...tinha canivete no espaldar e no chão. Depende da época tinha canivete noventa 
graus e o inteiro. Ah... corda, por tempo, salto no plinto, parte de pliometria, parte de 
flexão, acho que tudo na verdade: abdomen, perna, braço, tudo.  
[…] O teste de treinamento deles
155
 é diferente, bem diferente do que a gente treinava já 
aqui (DAIANE DOS SANTOS, p.5-6).   
 
Sobre testes físicos: a gente fazia, eu fazia quando era menor, mas não era tão específico, 
porque a Iryna trouxe os testes de lá. Então a gente fazia testes como: salto em distância, 
aqueles de professor de Educação Física mesmo, aptidão física, velocidade, abdominal. 
Mas ela não, ela faz os testes específicos para ginástica de alto rendimento, o que precisa 
fazer para uma ginasta ter um percentual, o perfil de uma ginasta. Então ela trouxe isso 
que a gente não tinha, que também foi onde a gente conseguiu evoluir. Eu antes fazia 
dorsal e não sabia para quê, hoje eu sei que dorsal serve para “largada”
156
, então hoje eu 
faço corda para ter velocidade de membros superiores e perguntava: faço salto em 
distância para quê? A gente ia treinando com ela, eu ia perguntando e ela ia explicando o 
porquê (CAMILA COMIN, p.7).  
 
Em relação ao tempo de preparação para os JO das ginastas de transição, todas 
tiveram cerca de 10 anos de treinamentos até o primeiro JO de cada uma, sendo Soraya Carvalho 
com 12 anos de preparação até os JO (1996) aos 18 anos de idade, Daniele Hypólito e Camila 
Comin com 11 anos de treinamento para os JO (2000), e 16 e 17 anos de idade respectivamente, e 
Daiane dos Santos com nove anos de preparação até os JO (2004) e 21 anos de idade.  
                                                 
155
 Dos técnicos ucranianos 
156
 Exercício com fase de vôo nas barras assimétricas 


 
 
218
Porém antes de atingirem a etapa de resultados superiores nos JO, as ginastas 
tiveram seus primeiros resultados expressivos com tempos bem diferentes de treinamento. Soraya 
Carvalho menciona em seu depoimento: “Eu treinei durante cinco anos, tive ótimos resultados, e 
comecei a ter convite de outros clubes” (p.2). Próximo de quatro anos de treinamento foi campeã 
brasileira já na categoria pré-infantil aos 10 anos de idade, o que pode ser considerado como 
finalização da etapa de especialização inicial e início da etapa de especialização aprofundada. 
Daniele Hypólito teve seus primeiros resultados expressivos aproximadamente após seis anos de 
treinamento: “Eu fui campeã adulta a primeira vez eu era infantil ainda. Era o meu último ano de 
infantil (1996). [...] Eu não cheguei a competir no Brasileiro pré-infantil. Mas o ano que eu fui 
campeã infantil, fui juvenil e adulta também” (p.16), o que pela exigência dos próprios exercícios 
para esse tipo de resultado, demonstra estar, naquele momento, aos 12 anos, na etapa de 
especialização aprofundada. Diferentemente da maioria das atletas que se especializam na GA, 
Daiane dos Santos iniciou mais tardiamente porém, apesar disso, teve uma evolução muito rápida 
na modalidade e começou a despontar nas competições dois anos após seu início, em 1997, aos 
14 anos, quando foi convocada pela primeira vez para compor a seleção brasileira em um 
campeonato sul-americano. Os dados de Daiane, nesse aspecto, diferem substancialmente do que 
está descrito na literatura que trata do processo de formação a longo prazo das ginastas 
(SMOLEUSKIY;GAVERDOUSKIY, [199-]; ARKAEV; SUCHILIN, 2004). 
A ginasta Camila Comin começa a ter resultados significativos 
aproximadamente quatro anos após o seu início na modalidade. O fato que comprova este 
destaque é a primeira convocação para integrar a seleção brasileira de GA entre 10 e 11 anos de 
idade, que segundo Smoleuskiy e Gaverdouskiy [199-] representa a passagem da etapa de 
especialização inicial para a etapa de especialização aprofundada.   
Nas ginastas da nova geração, Caroline Molinari, Laís Souza e Ana Paula 
Rodrigues, é possível identificar mais semelhanças, pois foram companheiras de treinamento no 
Centro de Excelência, principalmente Caroline e Ana Paula que são naturais de Curitiba, 
encontraram-se mais cedo nos treinamentos já com a estrutura do Centro de Excelência, onde a 
seleção brasileira se concentrava e se concentra atualmente. 
Sobre o tempo que essas ginastas permaneceram na escolinha, o que pode ser 
considerado como etapa de preparação preliminar, na qual ainda pode acontecer uma variedade 
de práticas desportivas, utilização de método de jogo e de competição para motivação das 


 
 
219
crianças nas aulas, ainda de forma mais lúdica (SMOLEUSKIY; GAVERDOUSKIY, [199-]), 
Caroline e Laís ficaram aproximadamente seis meses. Ana Paula, que iniciou a modalidade aos 
cinco anos, diz ter ficado próximo de três anos nesta etapa
157

Em relação ao aumento no volume do treinamento em horas a progressão 
aconteceu da seguinte forma:  
 
No começo eu treinava duas ou três vezes por semana da escolinha, e depois acho que eu 
treinava todo dia, três horas por dia. Com a Inara já era todo dia. Acho que eu tinha uns 
sete, oito anos e já treinava todos os dias, três horas por dia. [...] Essa organização de 
treinar dois períodos mudou só quando a Iryna chegou. Para mim, porque eu sei que nos 
outros clubes as meninas treinavam de manhã e de tarde já, mas eu comecei a treinar de 
manhã e de tarde só quando a Iryna veio
158
 para o Brasil (CAROLINE MOLINARI, 
p.3).  
 
Treinávamos um período só. Acho que até o primeiro meio ano que eu treinei no COC 
foi meio período, dava acho que umas quatro horas de treino. Depois eu treinei duas 
vezes, comecei a estudar lá no COC mesmo, então ficava o dia inteiro lá. Então 
começava acho que oito e meia o treino até meio dia. Tinha aula lá mesmo, a gente 
almoçava lá, e voltava para o treino meio à noitinha. Próximo dos dez anos eu já treinava 
dois períodos (LAÍS SOUZA, p.3).  
 
A gente treinava das duas às cinco, eu acho. É.Todo dia, de segunda a  sexta feira. Acho 
que a partir dos seis anos, a gente começou a treinar isso na praça. Na AGIPAR, a gente 
treinava das duas às sete. Tinha um intervalo no meio. A gente treinava de segunda a 
sábado. [...] Depois quando vieram o Anatoly e a Iryna, eu não me lembro se os dois 
vieram juntos. Mas acho que sim, o Anatoly foi embora e ficou só a Iryna. Na 
Universidade do esporte de manhã e de tarde, era das oito ao meio dia. Não. Eu estudava 
ainda na escola, era das duas às sete, continuou um tempinho nesse horário. Quando a 
gente começou a entrar na Seleção já mudou tudo. A gente começou a treinar de manhã 
e de tarde das oito horas ao meio dia, estudava  da uma às  quatro e meia e treinava das  
quatro e meia às sete (ANA PAULA RODRIGUES, p.4).  
 
Ou seja, Laís começou seus treinamentos em duas sessões de treino diárias por 
volta dos 10 anos de idade, Caroline aos 13 anos e Ana Paula aos 11 anos aproximadamente.  
Esse fato sugere o início da etapa de especialização aprofundada, quando há um aumento 
substancial no volume de treinamento dos atletas (ZAKHAROV; GOMES, 2003) e corresponde à 
faixa etária sugerida por Smoleuskiy e Gaverdouskiy [199-], pautada nos estudos descritivos da 
carreira de grandes campeões da modalidade, principalmente da extinta União Soviética.  
                                                 
157
 Analisando seu depoimento ela considerou escolinha como todo o período que treinou na praça Oswaldo Cruz e 
não apenas o período sem direcionamento competitivo na modalidade, que já teve início neste mesmo local. 
158
 Em 1999.  


 
 
220
Além disso, é possível diagnosticar, a partir dos depoimentos, que as ginastas 
treinavam no Centro de excelência cerca de seis horas e meia, divididas em duas sessões de treino 
diárias, o que se assemelha ao volume de treino das ginastas russas, cujo volume é de cinco a seis 
horas. Contudo, esse volume pode dividir-se em até três sessões diárias (ARKAEV; SUCHILIN, 
2004), o que poderia ser considerado mais racional, pois possibilitaria haver maior tempo de 
recuperação entre as sessões de treino das ginastas, o que promoveria maior qualidade de 
execução técnica, característica esta altamente específica da GA.  
Em relação ao conteúdo dos treinamentos as ginastas explicam em seus 
depoimentos a composição e organização de suas sessões de treino: 
 
Então, eu acho que eu fiquei uns seis meses na escolinha, e já passei para o treinamento. 
Era bem rígido, então era bastante exigido da gente. Só agora, eu vejo como eu faço o 
trabalho com as meninas e é totalmente diferente. Porque eu acho que os treinadores não 
sabiam como fazer direito, então iam fazendo. O técnico fala: “eu acho que é assim, eu 
vi lá assim” e vai pegando uma coisa aqui outra ali. E a ginástica vai evoluindo e tudo 
vai evoluindo, as técnicas, então era muito diferente do que eu faço agora com as minhas 
alunas. Não tinha aquele trabalho tanto postural, essas coisas, era mais: “faz mortal”, eu 
ia lá e fazia mortal. Não tinha aquela coisa de ensinar passo por passo, “salta na vela”, 
todos esses detalhes não existiam, ia no global: vai e faz.  
Na organização do treino, a gente fazia sempre corridinha básica no começo do treino, e 
depois acho que a gente fazia preparação física, flexibilidade e os aparelhos. Não 
fazíamos todos os aparelhos todos os dias, era dividido: um dia era trave e solo, no outro 
dia era paralela e salto, dividia assim, não eram todos os dias todos os aparelhos. 
Quando eram dois períodos, fazíamos de manhã aquecimento, preparação física, fazia 
acrobático, ballet, fazia todos os aparelhos de manhã. Se de manhã tinha feito ballet na 
barra, de tarde era ballet na trave, fazia barrinha para paralela, exercícios posturais e 
fazia um pouco de paralela e trave. 
O acrobático que eu falei é do track
159
 (tumble track), na pista, acrobático, serve para a 
trave e para o solo na verdade. Salto nós treinávamos todo dia, mas um dia plano alto, 
médio, baixo
160
  
Agora séries, isso eles (ucranianos) fazem uma coisa que é muito boa. Acho que isso é o 
que faz a diferença, direto treina série, não tem porque parar. Então o quanto antes você 
começar a fazer série melhor, mesmo que seja série simplificada. Assim, voltou das 
férias já está entrando na performance, já vai começando a treinar série, metade mais 
metade, de manhã treina as séries e de tarde os elementos, por isso que tem dois períodos 
(CAROLINE MOLINARI, p.2-3).  
 
Bom, em relação aos treinos e séries, fazíamos série todo o tempo, sempre. A gente 
nunca deixou de treinar série. Podia não ter competição, podia ter, a gente podia estar em 
Janeiro e a competição só em Dezembro e a gente fazia série. Se a gente não fosse 
competir e se estivesse longe a gente diminuía a saída da Trave. Não fazia com a saída, 
da Paralela tirava um elemento ou entrada. Facilitava alguma coisa, mas série normal. E 
aos poucos ia dificultando com novos exercícios. Ia aumentando também a carga. A 
                                                 
159
 Uma grande pista como um trampolim acrobático (cama elástica) comprido, de 15metros ou mais.  
160
 Aterrissagem com mais ou menos altura. Quanto maior a altura do plano, menor o impacto.  


 
 
221
gente fazia duas séries de Paralela e na época de competição eram quatro. Aumentava 
assim (ANA PAULA RODRIGUES, p.5). 
 
Eu fiquei muito pouco tempo na escolinha, acho que não fiquei nem seis meses. Nossa! 
Foi muito pouco. Já me passaram para o treinamento. Eu não lembro bem ao certo se era 
todo dia. No começo era muito brincadeira. (p.2) 
[...] Nossa! Acho que eu fiquei uns dois anos, três, mais ou menos lá. Tinha, tinha 
bastante preparação física já. Eu fiquei até uns sete ou oito anos lá, mais ou menos isso. 
Nessa parte de preparação física sempre teve subida de corda, parada à força, não tinha 
muita flexibilidade, a gente não fazia muito espacato, essas coisas assim. E depois, eu fui 
para o Moura Lacerda. [...] A gente ficou um tempo pequeno assim que eu me lembre lá. 
Não deve ter chego um ano. Aí a gente foi para o COC (colégio).  
Quando eu fui para o COC eu devia ter uns nove, ia fazer nove anos. No COC, ficou 
sendo a Raquel e o Roger de técnicos. Devo ter ficado um ano ou dois anos no máximo 
lá. [...] O treino já era bem mais forte, porque teve uma época que o COC era uma das 
melhores equipes do Brasil.  
[...] Em São Caetano do Sul, deve ter dado um ano lá. E foi bom assim, foi aproveitado 
aquele ano, a gente treinou bastante, e às vezes também a gente observava como que era 
o treino das meninas aqui da seleção. E ele já foi passando esse regime para a gente lá. 
Foi se preparando já para vir (para Curitiba) mesmo. Então, mudou o treinamento, 
mudou a preparação física. Ele (técnico) tentou meio que adaptar com o que elas faziam 
aqui. O que elas faziam aqui é o que eu faço hoje. Mais ou menos, porque não mudou 
muito, mudou quase nada. [...] Eu vim para Curitiba em 2001. Senti um pouco de 
diferença, a gente sofreu bem assim, com mudanças de treinamento acho que uns três 
meses a cinco mais ou menos, cinco meses. O que muda é a preparação física, que a 
gente fazia mais preparação física no começo lá em São Caetano. Era bem mais fortinha
e aqui a gente começou a fazer, só essa preparação física, só que nos aparelhos a gente 
treina muito mais. Só que antes a gente fazia dez séries em São Caetano, dez séries para 
pegar resistência e caía tudo. Era uma loucura, e aqui no Centro de Excelência não. Aqui 
você faz sete séries que seja, mas tem que ser cravado, com postura, senão repete até 
conseguir.  
No começo eles tentam colocar os elementos que você consegue fazer com mais certeza, 
e vão também corrigindo, por partes assim. Por exemplo, se eu faço assim reversão sem 
mãos e está muito dobrada a perna, mas eu faço... então a Nádia vai lá, ela tenta passar a 
técnica certa até você fazer certo. Pode cair no começo, mas fazendo certo, porque se 
você acertar o jeito de fazer você vai fazer. Então, não tem muito segredo, é arrumar o 
negócio, vai sair certo.  
[...] Atualmente aqui em Curitiba a preparação física a gente sempre faz a mesma. Então, 
acho que são três exercícios de perna, e a maioria é de braço e são acho que três de 
perna, três de abdômen e o resto é tudo de braço. Então, a gente chega lá de manhã, tem 
o aquecimento, tem acrobático, tem uma preparação física. E depois treina os quatro 
aparelhos. Volta à tarde de novo, tem um aquecimento que não é tão comprido. Se de 
manhã a gente fez uns quinze minutos de aquecimento, à tarde são sete mais ou menos, 
para não ficar muito tarde. E tem a preparação física que é com pouco menos de pernas. 
Porque nesses exercícios de perna é “rodante-flic-duplo”, não é bem localizado. E à 
tarde a gente faz a mesma preparação física só que sem perna, e um pouco menos de 
abdômen também. Só que braço, que é parada à força, lançamento, tem flexão na parada, 
tem corda, são cinco. É só esses. Então, a gente faz de manhã e à tarde nossa preparação 
física e depois roda quatro aparelhos de novo. E de quarta feira um período só. Não há 
nenhum dia que não tenham impacto. Todo dia tem série no aparelho. Então, 
normalmente, a gente chega das férias, e não dá para se chegar fazendo série. Então, 
você chega, começa devagarzinho fazendo os aparelhos e quando começar a conseguir 
fazer série, você já tem que fazer. Dá mais ou menos um mês, dependendo da menina. 
Por exemplo, a Daí (Daiane dos Santos), se falar:  “oh, voltou das férias... faz série de 
paralela”, ela faz. Só que eu, por exemplo, demoro um mês, um mês e pouco para 


 
 
222
conseguir fazer, só que pelo menos meia parte mais meia parte tem que fazer (LAÍS 
SOUZA, p.2-5).  
 
 
As três ginastas desta geração enfatizam no conteúdo do treinamento a 
qualidade dos treinos e as séries. Não enfatizam tanto a preparação física, dizendo que até faziam 
menos do que com os técnicos ucranianos, assim como algumas ginastas de transição também 
relatam. Os depoimentos das ginastas sugerem que o treinamento dos técnicos brasileiros parece 
ser composto por um maior volume de exercícios gerais, já no treino dos técnicos ucranianos 
importância maior é dada aos exercícios específicos, que solucionam os problemas da preparação 
física e técnica de maneira paralela, talvez por isso, possa parecer para as ginastas que a 
preparação física tenha diminuído. É possível admitir que as ginastas ao relatarem a diminuição 
da preparação física estejam se referindo à preparação física geral. O volume maior de exercícios 
gerais no treinamento dos técnicos brasileiros pode estar relacionado também às etapas 
trabalhadas pelos mesmos, anteriores às etapas de resultados superiores e de manutenção de 
resultados trabalhadas pelos técnicos ucranianos, portanto havendo a necessidade deste volume 
maior de exercícios gerais em etapas anteriores. 
Apontam também bastante para a repetição de elementos nos aparelhos, 
passando por todos os aparelhos diariamente, sendo alguns mais de uma vez por dia, mas com 
foco de trabalho diferente. Se em um período trabalham com séries, em outros enfatizam a 
repetição e execução dos elementos, ou execução de exercícios de preparação especial realizados 
em diferentes meios de treinamento, como planos altos, tumble track, fosso, etc.  
Em relação ao volume e distribuição de séries durante o ano, todas as ginastas 
da nova geração apontam para a mesma direção, dizendo que foi o aspecto em que mais sentiram 
diferença nos treinamentos com os técnicos ucranianos, trabalhando com séries durante todo o 
ano, e não apenas no período pré-competitivo, como trabalhavam anteriormente na maioria dos 
clubes, como as pioneiras e as ginastas de transição retrataram. Ou seja, no sistema de treino 
implantado pelos ucranianos claramente há um predomínio da preparação especial em detrimento 
da preparação geral, o que está em concordância com a tendência moderna do treinamento 
desportivo (ISSURIN, 2007; SIFF; VERKHOSHANSKY, 2000; TSHIENE, 1990). 
De acordo com os dados do quadro 8, exposto por Smoleuskiy e Gaverdouskiy 
[199-], já a partir dos 10 anos de idade as ginastas iniciam o treinamento de séries no período 
inicial de preparação, logo após o período transitório, além disso, o volume de séries aumenta 


 
 
223
gradativamente em direção ao período competitivo. Essa distribuição do volume de séries, ao 
longo do ciclo anual, parece se assemelhar com o que os técnicos ucranianos desenvolveram no 
Brasil. 
Na revisão de literatura, esses autores também apresentam, no gráfico 1,  a  
distribuição do volume de séries de um modelo de macrociclo para a GA, permanecendo durante 
todo o tempo com variações da carga de cinco a vinte séries diárias e somente nos microciclos de 
transição não se realizam séries.      
Não há nos depoimentos abordagens precisas sobre o volume diário de séries, 
mas as ginastas pioneiras, Tatiana Figueiredo e Luisa Parente relatam volumes mais altos, seis a 
sete séries diárias em cada aparelho, além das ginastas que tiveram acesso aos treinamentos com 
os ucranianos.   
Sobre os testes físicos das ginastas da nova geração, como treinam desde 2000-
2001 no Centro de Excelência, não há diferença entre elas. Caroline não aborda este assunto no 
seu depoimento, mas como realizava seus treinamentos no mesmo grupo de ginastas, entende-se 
que efetuava os mesmos testes físicos, pelo menos após essa data. 
 
Em relação a testes físicos, a gente iniciava o ano, passavam alguns meses e a gente já 
fazia uma avaliação física. Fazia teste de corrida, subida na corda, teste de salto em 
distância, teste de flexão, de parada a força, de quipe-parada, abdominal no espaldar 90 
graus, salto no plinto três gavetas (no início acho que eram duas) de quem fazia mais 
repetições em determinado tempo. Fazíamos estes testes três vezes, quatro por ano 
(ANA PAULA RODRIGUES, p.5).  
 
Sobre testes físicos eu não fazia muito, tinha teste, mas era mais como que fala, era mais, 
não brincadeira, é que o negocio aqui é mais sério. Eles são sérios. Aqui têm testes, mas 
não tem muitos. Deve ter uns quatro no ano. Ainda mais que têm várias competições 
então, para eles o que importa mesmo é que você consiga fazer suas séries. Porque a 
gente não está na ginástica para ficar forte ou para conseguir fazer 20 parada à força ou 
alguma coisa assim. A gente está para fazer a série cravada e limpa. Porque vai chegar lá 
no árbitro e falar: “oh, vou fazer dez parada à força, ou vinte, não vai adiantar”. Então, 
tem que fazer a série perfeita mesmo (LAÍS SOUZA, p. 5).  
 
Reunindo os dados das diferentes gerações sobre a existência e quais testes 
físicos eram realizados, é possível perceber pela fala das ginastas que não havia muita 
conscientização da importância da realização dos testes físicos na geração das pioneiras, 
refletindo-se inclusive na sua freqüência, que as pioneiras relatam ter sido anual, principalmente 
no início do ano, após o período de transição. Nas ginastas de transição, algumas ainda relatam 
testes mais gerais de aptidão física, como é o caso de Camila Comin. Daiane dos Santos já 


 
 
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menciona alguns testes mais parecidos com os realizados pelos ucranianos, expostos pelas 
ginastas na nova geração, como: canivete no espaldar, subida na corda, salto sobre o plinto (com 
duas ou três gavetas). 
Os testes expostos pela nova geração de ginastas, realizados pelos ucranianos 
são: teste de corrida de 20 metros, subida na corda, salto em distância (horizontal), teste de flexão 
de cotovelos, elevação à parada de mãos partindo da posição de esquadro, combinação de quipe e 
parada de mãos em sequência nas barras paralelas assimétricas, abdominal no espaldar partindo e 
chegando com ângulo de 90 graus entre membros inferiores e tronco e salto sobre o plinto (duas 
ou três gavetas), todos com a freqüência de três a quatro vezes por ano. A nova geração destaca a 
importância dos testes, mas explica que mesmo que eles não fossem tão bons, o mais importante 
mesmo para os técnicos ucranianos eram as performances das séries nos aparelhos. Devido ao 
método de pesquisa utilizado, não foi possível identificar os parâmetros destes testes físicos 
realizados pela seleção brasileira de GAF. A literatura internacional apresenta os testes físicos 
realizados (quadro 10) na extinta União Soviética com os seguintes parâmetros, já mencionados 
anteriormente na revisão da literatura. A partir destas informações da literatura internacional é 
possível estabelecer uma relação de semelhança entre os testes realizados pela seleção brasileira e 
pela ex-URSS: subida na corda, corrida de 20 metros, salto horizontal e elevação à parada de 
mãos a partir do esquadro.    
A partir da distribuição de sessões de treino no treinamento anual (quadro 12) 
exposto por Smoleuskiy e Gaverdouskiy [199-], é possível verificar que as sessões de controle 
físico e técnico representam cerca de 10% da sessões de treino e têm grande importância nos 
períodos preparatório e competitivo.  
Em relação ao tempo que levaram para atingir a etapa de resultados superiores, 
as ginastas da nova geração assemelham-se às gerações anteriores, pois o tempo oscila entre 11 e 
13 anos de treinamento, sendo Caroline com 13 anos desde o início na modalidade, Laís com 12 
anos e Ana Paula com 11 anos, todas para os JO de Atenas (2004). Em relação a essa etapa, a 
Olimpíada pode ser considerada um marco, pois a participação no CM de 2003, já demonstra que 
as ginastas se encontravam nessa etapa. A idade das ginastas na participação dos JO de Atenas 
foi: Caroline aos 18 anos, Laís e Ana Paula aos 16 anos, sendo que Laís ainda participou em 2008 
dos JO de Pequim aos 20 anos, competindo em alguns aparelhos para contribuir para a 
classificação da equipe brasileira.  


 
 
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O quadro 22 apresenta a idade de todas as ginastas brasileiras participantes de 
JO desde 1980 até 2004, para melhor visualização e comparação, o qual mostra uma semelhança 
na faixa etária na primeira participação em JO entre 15 e 18 anos, fato que é corroborado pelos 
dados da literatura que apresentam as “zonas de possibilidades ótimas”, zona essa que 
corresponde a etapa de resultados superiores, de acordo com a nomenclatura adotada na presente 
tese, de ginastas entre 15 e 19 anos (SMOLEUSKIY; GAVERDOUSKIY, [199-]).   
Em relação aos anos de treinamento até a participação em CM e JO, as 
brasileiras também estão na faixa correspondente ao que é relatado pela literatura, que fica em 
torno de 10 anos de treinamento (SMOLEUSKIY; GAVERDOUSKIY, [199-]). Com exceção de 
Cláudia Magalhães é maior a semelhança entre as ginastas brasileiras a partir da geração de 
transição (Quadro 21).   

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