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3.4.3. OS ÍDOLOS DOS ÍDOLOS DA GINÁSTICA ARTÍSTICA BRASILEIRA  
 
 
As ginastas analisadas na presente tese são e/ou foram ídolos de muitas crianças 
e jovens e também de muitos adultos, estejam eles vinculados ou não ao desporto diretamente. 
Recai sobre essas ginastas uma espécie de manto mítico, construído pela mídia e pela opinião 
pública, que faz com que pareçam por vezes tão distantes da condição de vida e existência 
terrenas. Essas ginastas de vida “incomum” também tiveram e/ou têm seus ídolos. 
 As pioneiras foram em alguns momentos ídolos das outras gerações, bem como 
as ginastas de transição o foram das gerações mais atuais. Esse ciclo virtuoso vai se perpetuando, 
o que parece contribuir para inspirar as ginastas das gerações futuras. 
Uma das ginastas mais mencionadas como ídolo das gerações mais atuais é 
Luisa Parente, talvez isso se dê por ter sido ela a primeira ginasta a ter tido maior divulgação na 
mídia, além de ter sido a única, até então, a representar o Brasil em dois JO; outro aspecto que 
pode ter contribuído também para isso é o fato de ser considerada carismática e simpática com o 
público e jornalistas. Três ginastas citam Luisa Parente como motivadora de suas práticas na 
modalidade: Soraya Carvalho, Camila Comin e Daniele Hypólito. Soraya e Daniele, mais tarde, 
tornaram-se companheiras de Luisa no Clube de Regatas do Flamengo: 
  
Bom, minha carreira o início foi curioso, porque na época, passava alguns vídeos só da 
Nádia Comaneci na TV e a representante da época que eu assistia era a Luisa Parente. 
Então eu comecei a brincar de fazer ginástica, pegava o colchão da cama da minha mãe, 
colocava no quintal porque o quintal era bem grande e começava a brincar (p.1). [...] E 
quando a Georgette me chamou para treinar no Flamengo com ela, eu me senti mais 
privilegiada ainda. Porque eu ia treinar com a treinadora da Luisa Parente e meu sonho 
podia se realizar e não podia ser só um sonho de criança, podia ser um sonho realizado 
mesmo (DANIELE HYPÓLITO, p.7).  
 


 
 
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Soraya Carvalho aborda o fato de Luisa Parente chamar a atenção dela e de seu 
pai em uma competição, o que acabou impulsionando-a para a modalidade
128

 
Eu comecei, eu tinha seis anos na época e meu pai levou minhas duas irmãs e eu para um 
campeonato que teve ali em Brasília. Elas eram mais velhas, eu era só caçula. Meu pai é 
professor de Educação Física, só que ele era da área de Judô, mas enfim, ele era 
envolvido com esporte. Então ele soube que ia ter um campeonato de ginástica na cidade 
e ele levou as filhas.  
Chegamos  lá,  aquela grande quantidade de criança, e o que 
chamou a atenção era a Luisa (Parente). Nesse evento a Luisa ainda bem novinha, já 
estava competindo em Brasília. E a Luisa se machucou e foi para a arquibancada, estava 
colocando gelo, e eu lembro que meu pai nos levou para pegarmos um autógrafo (p.1).  
 
 
 
Foto 33: Daniele Hypólito e Luisa Parente em entrega de homenagem [199?] 
 
 
Camila Comin cita como ídolo, além de Luisa Parente, Soraya Carvalho, 
ginasta mais próxima à sua geração: 
 
Então eu comecei a procurar em locadoras ver se tinha vídeos, e eu vi o vídeo da Nadia 
Comaneci, e também tinham imagens da Olimpíada da Soraya (Carvalho – Atlanta - 
1996), que ela foi para Atlanta. Então comecei a acompanhar mais a ginástica e foi onde 
eu fui me apaixonando cada vez mais (p.1). [...] Naquele ginásio onde era a sede da CBG 
e começou a beca olímpica, teve a Georgette Vidor, que começou a juntar aquela seleção 
que ia para o Rio e voltava, e foi aí que eu comecei a entrar na seleção. Teve aquele 
                                                 
128
 No item sobre a iniciação desportiva das ginastas olímpicas é explicado com maior profundidade essa influencia 
do campeonato em sua vida, que culminou no início da prática da modalidade.  


 
 
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festival de verão, minha primeira seleção, foi em 93, que tiveram competições em 
duplas, junto com a Soraya. Então eu comecei a chegar perto dos meus ídolos: Soraya 
Carvalho, Luisa Parente, Silvia Mendes que para mim eram tudo! Tenho autógrafos 
delas até hoje guardados. Hoje em dia eu não ligo tanto para isso, mas naquela época 
para mim foi algo bem marcante (p.3).  
 
Além das próprias ginastas brasileiras, a ginasta Nádia Comaneci é também 
mencionada, como um ídolo da Ginástica Artística de diferentes gerações, sendo mencionada 
anteriormente por Daniele Hypólito e Camila Comin e citada também por Luisa Parente, entre 
outras que ela destaca como ídolos de sua geração: 
 
Foi ótima a viagem ao Campeonato Mundial. Aproveitei bastante. Vi muitas coisas. Vi a 
Yurchenko (ginasta que inventou um salto bastante executado atualmente) ainda 
competindo. Com isso eu me sinto muito velha, porque eu vi todo esse pessoal ainda na 
ativa. Nesse meio tempo tivemos a vinda dos chineses no Brasil, das romenas, a Nádia. 
Eu me lembro no Maracanãzinho a que eu sempre idolatrava que era a Yelena Davitova, 
que era uma de azulzinho, uma russa que tinha o collant todo de estrelinha, ela tinha o 
cabelinho assim lisinho também. Era toda espevitada. E eu ficava assim de pertinho dela 
e adorava (LUISA PARENTE, p.4). 
 
Tatiana Figueiredo, da mesma geração de Luisa, menciona mais ginastas do 
próprio país, apesar de ser apenas a segunda ginasta a participar de JO, dizendo: “uma ginasta 
que eu me espelhava era a Lilian Carrascoza na época. A Cristina, que eu lembro daquela Copa 
do Mundo em São Paulo em 78, que a gente foi, teve uma competição também, ficamos para 
assistir a Copa do Mundo. Então era a Lílian e a Cristina que eu me espelhava” (p.9).  
Ao observar as três gerações de ginastas separadamente, é possível perceber 
que as integrantes da nova geração não mencionam tanto a questão de ídolos, como as gerações 
anteriores. Apenas Caroline Molinari faz um comentário mais geral sobre ginastas de destaque, 
sem pontuar alguma: “Eu via na TV as meninas fazendo ginástica e ficava falando: ginástica, 
ginástica! Aí minha mãe me colocou na modalidade” (p.1). Nos depoimentos de Laís Souza e 
Ana Paula Rodrigues não surgem menções, de forma espontânea
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, sobre ginastas em que se 
espelhavam ou admiravam. Talvez por serem inseridas mais rapidamente em uma estrutura 
desportiva criada para a modalidade na cidade de Curitiba, onde desde cedo já treinavam 
juntamente com as representantes brasileiras mais velhas, não gerando, portanto distanciamento 
                                                 
129
 
A questão de “ídolos” é um dos temas que emergiu a partir dos depoimentos orais, não contendo no roteiro de 
entrevistas este assunto.
     
 


 
 
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que colocasse o ídolo como algo quase impossível de ser alcançado, mas trazendo-o para perto 
como pessoas comuns, desmistificando esses ícones.  
Na geração de transição, Soraya Carvalho, Daniele Hypólito e Camila Comin 
citam as representantes brasileiras dos JO anteriores aos seus, ou ginastas que estavam no auge 
durante suas iniciações na modalidade, assim como Daniele e Camila, que iniciaram a 
modalidade em 1989, ano seguinte à participação de Luisa Parente nos JO, mencionada por 
ambas.  
no grupo de pioneiras, Luisa Parente e Tatiana Figueiredo não mencionam as 
representantes anteriores às suas participações em seus depoimentos e, sim, outras ginastas de 
destaque, tanto nacionais quanto internacionais. Talvez pela falta de visibilidade na mídia na 
época e também por serem todas da mesma cidade, Rio de Janeiro, o que possibilita uma 
aproximação e não as torna mitos na modalidade, mas colegas, assim como acontece com a nova 
geração.  
Camila Comin faz uma observação importante, principalmente sobre as ginastas 
que competiram nos Campeonatos Mundiais, desde o Pré-olímpico para Sidney até os JO de 
Atenas (Camila, Daniele e Daiane), que apesar de terem alguns ídolos, não havia ocorrido, até 
então no Brasil, uma classificação de ginastas que realmente fosse significativa 
internacionalmente, o que ocorreu com a primeira medalha de prata de Daniele Hypólito no CM 
realizado na cidade de Guent/Bélgica no ano de 2001, seguida pela medalha de ouro de Daiane 
dos Santos conquistada na cidade de Anahein/EUA, no ano de 2003, e pela classificação do 
Brasil entre as melhores equipes do mundo na modalidade no mesmo campeonato. 
        
Acho que essa foi uma vantagem que a gente teve, porque a gente tinha um ídolo, ou 
outro e a gente só se espelhava nas meninas de fora: como elas treinavam, como que elas 
faziam, como era o espírito de equipe, como uma ajudava a outra, então a gente foi 
evoluindo juntas.  
Temos a mesma idade, fomos evoluindo juntas. Em 99 chegou a Daiane e então fomos 
as três, as três que ficaram até hoje e só revezavam as outras: entrou a Heine, a Marília 
Gomes, a Mariana Gonçalves, Mariana Domitsu e Roberta, a geração foi mudando, mas 
essas três cresceram juntas. Foram 18 anos assim, uma evolução! A ginástica foi 
evoluindo e a gente junto, porque a gente não tinha um embasamento, em quem se 
espelhar. (p.4) 
 
 
 

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