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QUADRO 20 - Versão final de testes utilizados no estudo de PDGO



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QUADRO 20 - Versão final de testes utilizados no estudo de PDGO 
Qualidades 
físicas 
Partes do 
corpo 
Atividade 
Flexibilidade MMII 
MMSS 
Quadril e 
tronco 
Tronco e 
MMII 
1.  Espacate com afastamento ântero-posterior – MI direito 
2.  Espacate com afastamento ânetro-posterior – MI 
esquerdo 
3.  Flexibilidade ativa de ombros 
4.  a) Abdução de quadril – sentada 
b) Abdução de quadril com flexão de tronco – posição 
sentada 
5. a) Flexão de tronco com membros inferiores unidos – em 
pé 
     b) Flexão de tronco com membros inferiores unidos – 
sentada 
Potência MMII
68
 
6. Corrida de 20 metros 
7. Saltos estendidos seguidos no solo (8) 
8. Salto em distância 
Força dinâmica 
MMSS
69
 
 
 
Tronco 
9. Flexão de cotovelos em suspensão 
10. Subida na corda – três metros 
11. Flexão de braços no solo 
12. Flexão de quadril em suspensão 
Força estática 
Tronco 
Geral 
13. Esquadro “L” em suspensão a 90º (espaldar) 
14. Esquadro por fora no toquinho 
Equilíbrio 
dinâmico 
 
15. Andar com desenvoltura na trave alta 
16. Executar três voltas no eixo longitudinal de olhos 
abertos e, em seguida, andar em linha reta de olhos 
fechados 
Coordenação 
 
17. Coordenação de saltitos com movimentação de braços 
18. Rolo para frente 
Fonte: Albuquerque; Farinatti, 2007. 
                                                 
68
 MMII – membros inferiores 
69
 MMSS – membros superiores 


 
 
118
Segundo os autores do estudo, as capacidades físicas necessárias para a GA, 
que foram ressaltadas pelos técnicos (sujeitos do estudo) e na literatura são: força, potência e 
flexibilidade e os testes da bateria PDGO têm uma boa relação para avaliar essas capacidades. As 
capacidades ressaltadas pelos técnicos vão ao encontro das capacidades abordadas em Filin e 
Volkov (1998).  
A divulgação dos valores de referência de testes físicos da seleção brasileira, ou 
mesmo de crianças selecionadas como talentos para a Ginástica Artística, que possam revelar 
parâmetros para potenciais de determinadas capacidades físicas, não são divulgados em nosso 
país, seja pelas entidades que organizam a modalidade, como confederação e suas federações 
estaduais, seja de forma acadêmica, até mesmo porque os pesquisadores não têm acesso a esses 
dados ou testes destas ginastas. No site da CBG apenas os testes físicos utilizados pela seleção 
brasileira são divulgados, mas não seus valores de referência. Sobre testes de seleção de talentos, 
a Confederação Brasileira de Ginástica não divulga informações. 
As condições antropométricas, como: peso, estatura, proporções corporais, 
composição corporal, posição do centro de gravidade do corpo, são aspectos também importantes 
(condições pessoais) na determinação do talento desportivo (BOHME, 1995), mas é preciso 
considerar que na adolescência estes dados podem não demonstrar o rigor necessário para a 
determinação de um talento desportivo, devido a alterações hormonais que influenciam as 
condições antropométricas (PEARSON; NAUGHTON; TORODE, 2006).   
Em relação ao somatotipo
70
 de ginastas, Smoleuskiy e Gaverdouskiy (1996) 
apresentam dados de ginastas de destaque internacional, e caracterizam a ginasta feminina como 
“ecto-mesomórficas
71
”, tendo ainda as seguintes características morfológicas: ombros largos, 
quadris estreitos, altura de 145 a 166 cm, peso de 36 a 52 kg, idade entre 18-20 anos 
aproximadamente. Os mesmos autores expõem estatura e peso de ginastas campeãs de JO de 
1972 a 1992, mostrando um predomínio de ginastas de baixo peso e altura, sendo as medidas 
máximas de 1,66 metros e 52,5 kg (ambas da campeã de 1976) e mínima de 1,35 metros (campeã 
em 1992) e 30 kg (campeã em 1976).    
                                                 
70
 
A técnica do somatótipo se constitui em recurso para análise das repercussões 
na variação da forma corporal que 
ocorrem em função de alguns aspectos como: crescimento físico, maturação biológica, e adaptações morfológicas 
provenientes do estilo de vida (Carter, 1980). 
71
 Ectomorfo é o tipo de constituição física em que predomina a linearidade, a delgadeza e a fragilidade do corpo, 
magreza, com ossos pequenos e músculos finos, com membros proporcionalmente longos em relação ao tronco e 
Mesomorfo tem como característica o corpo anguloso com musculatura dura e proeminente e com ossos de 
diâmetros grandes.  


 
 
119
O estudo realizado com ginastas brasileiras pela professora Andréa João, 
divulga
72
 os dados de perfil psicológico e somatotípico das principais ginastas do país em todas 
as categorias em 2001 e expõe o resultado do somatotipo como sendo ecto-mesomórficas, com 
100% de homogeneidade entre os sujeitos da pesquisa (JOÃO; FERNANDES FILHO, 2002). Os 
sujeitos desta pesquisa foram 25 ginastas brasileiras, de várias categorias (pré-infantil, infantil, 
juvenil e adulta), que se classificaram até o 5º lugar nos campeonatos brasileiros de 2001, ou que 
foram convocadas para a seleção brasileira em 2002. Os dados psicológicos deste estudo, 
condições pessoais observáveis indiretamente, apresentam ginastas com respostas baixas no 
inventário de medo, e nos graus gerais de sensibilidade emocional (questionário de Willoughby). 
Já na escala de Bernreuter, que procura avaliar o nível de afirmatividade e que, segundo Barreto 
(2002 apud JOÃO; FERNANDES FILHO, 2002), é o teste de maior importância para o atleta de 
alto nível, as ginastas demonstram um escore alto, acima da referência exposta. Estes dados 
podem ser um referencial de características a serem identificadas na seleção de talentos de 
ginastas. 
Filin e Volkov (1998) relatam que:  
 
 
Alguns especialistas consideram uma das manifestações de pré-disposição, a capacidade 
de captar e memorizar rapidamente a técnica de execução dos elementos complexos, 
assim como sua consolidação. O treinador da famosa ginasta O. KORBUT, relatou: ‘se 
ela aprender algo no treinamento, obrigatoriamente o executará na próxima vez como 
um elemento já habitual. Fazendo tudo de uma só vez’ (p. 61-62). 
 
Segundo Hebbelink (1989, p.49):  
 
A utilidade da elaboração de padrões referenciais a partir de dados da população normal 
e de atletas de talento e da elaboração de perfis abrangentes para os melhores atletas do 
mundo (conforme Carter, 1992; Carter, 1984) é indubitavelmente válido se se pretende 
conduzir a seleção de forma organizada e efetiva. A capacidade de se comparar qualquer 
individuo com tais padrões e perfis é a chave da busca por procedimentos bem sucedidos 
para identificar e desenvolver o talento no esporte. 
 
Para que a detecção e seleção de talentos desportivos possam ocorrer levando-
se em consideração os aspectos abordados anteriormente, além dos parâmetros de referência é 
necessário que um número grande de crianças seja visto, para que se tenha uma possibilidade 
                                                 
72
 Artigo publicado com seu orientador, por isso “João e Fernandes Filho” na citação. 


 
 
120
maior de encontrar um talento desportivo. Gaisl (1977) [apud Oliveira; Campos; Ramos (1989)], 
observa que para que uma característica apenas seja analisada numa distribuição demográfica 
normal, pode-se esperar que 6% desta população apresente valores excepcionalmente elevados. 
Se pensarmos na combinação de várias características, esse número passa a ser ainda menor.  
Filin e Volkov (1998) também abordam o mesmo assunto, salientado a dificuldade de se 
encontrar uma pessoa que acumule tantas características, ou combinação de capacidades 
requeridas para atletas de alto nível nas determinadas modalidades, sugerindo que seja necessário 
verificar 1000 crianças para encontrar uma que tenha as características esperadas e necessárias, 
ressaltando: 
 
Cabe salientar que as exigências feitas aos atletas de alto nível, não esgotam-se nas 
qualidades motoras. Um atleta de qualidade superior deve atender a um número maior de 
requisitos, que para ela são obrigatórios. Tal combinação de capacidades é dificílima de 
ser encontrada em uma só pessoa (p.57).    
 
Para Digel (2002) e Peltola (1992), a chave para o sistema desportivo de alta 
performance no mundo é o sistema educacional. Com a real dificuldade em encontrar pessoas 
com características específicas para determinadas modalidades, é necessário ter acesso a um 
número cada vez maior de crianças e adolescentes e, nas grandes potências mundiais desportivas, 
existe uma relação muito próxima entre o sistema educacional e o desporto. Segundo o mesmo 
autor, o sistema desportivo é largamente dependente de uma cooperação e especial relação com 
os diversos tipos de instituições educacionais (DIGEL, 2002).   
Para isso é necessário um sistema desportivo que abranja desde a detecção, a 
seleção até a promoção de talentos desportivos, pois caso contrário o processo para formar 
grandes atletas será interrompido. O sistema desportivo, segundo Digel (2002), depende de 
alguns recursos necessários para se desenvolver:  
 
1.  Tradição olímpica ou condições históricas específicas  
2.  Base ideológica 
3.  Interesse e participação nos desportos 
4.  Estrutura organizacional 
5.  Estrutura de pessoal (funcionários e voluntários) 
6.  Finanças 


 
 
121
7.  Atletas 
8.  Técnicos 
9.  Identificação de talento 
10. Promoção de talento 
11. Treinamento 
12. Competições 
13. Reuniões desportivas  
14. Sistema de prêmio para atletas 
15. Sistema de prêmio para técnicos 
16. Seguro social para atletas 
17. Seguro social para técnicos 
18. Luta contra o dopping 
19. Prioridades e esquemas 
20. Tendências 
21. Aspectos específicos de cada nação 
 
Digel (2002) estuda os sistemas desportivos de oito nações que se destacam em 
diferentes desportos: Estados Unidos, Rússia, Alemanha, Itália, Austrália, China e Reino Unido e 
verifica que entre essas potências mundiais desportivas, apenas os Estados Unidos não possuem 
significativo envolvimento do Estado ou de um sistema político desportivo, mas ao mesmo tempo 
possuem uma cultura de estreita relação entre desportos e escolas, que colabora para terem muitas 
crianças praticando diferentes desportos no país. Todas as outras sete nações têm o sistema 
desportivo significativamente envolvido com o Estado e políticas desportivas.  
Como exemplo do apoio e envolvimento significativos do Estado, temos o 
Reino Unido, que após a classificação de 36º lugar nos JO de Barcelona, resolveu investir 
fortemente na parte desportiva, contratando profissionais australianos que já desenvolviam um 
modelo de sucesso em seu país (ENGLISH INSTITUTE OF SPORT, 2008). A nação possui um 
programa de talentos que realiza testes nas crianças e adolescentes de escolas (detecção) do 
Reino Unido, tradicionalmente todos os anos nos meses de abril e maio, com os professores 
especialmente treinados para isso. Além disso, o Banco da Escócia patrocina outros programas 
para jovens atletas, possuindo também seus próprios programas de escola de desportos. O número 


 
 
122
de faculdades relacionadas a desporto também tem crescido a cada ano, assim como as escolas de 
desporto que, em setembro de 1997 eram onze, aumentaram para 67 no ano 2000, com previsão 
de 150 em 2004. Os especialistas dividiram o Reino Unido em sete regiões para ter uma melhor 
administração dessa parte desportiva que tem sido apoiada financeiramente por verbas vindas de 
jogos de loteria (DIGEL, 2002). 
De acordo com o mesmo autor, a Rússia está entre os países que lideram o 
processo de detecção, seleção e promoção de talentos desportivos, apesar da diminuição do apoio 
financeiro e a consequente diminuição da qualidade de suas escolas de desporto. O país possui 
um forte sistema desportivo, ainda funcionando com o sucesso de grandes atletas. Sua estrutura 
em 1999 era de 2113 escolas de desporto, com uma etapa posterior de atletas chamada de Escola 
de desporto “Reserva Olímpica”. Após esse nível ainda há as escolas de desporto de alto 
rendimento e, finalmente, os centros de atletas em condições de disputar vagas na seleção russa 
para JO.  
Segundo O’Brien (1979), no processo de detecção e seleção de ginastas da ex-
URSS, as crianças começam a fazer aulas de ginástica em suas escolas formais. O início desse 
processo acontece com a visita de um técnico de ginástica nas aulas da escola, observando alguns 
aspectos como: interesse pela ginástica, postura, estrutura corporal (proporção de partes do corpo, 
formato dos membros inferiores (MMII) e a relação de comprimento dos MMII e do tronco), 
habilidade para aprender e fixar exercícios normais de suas aulas, capacidades físicas 
(coordenação e condição física). Seguindo no processo, são realizados testes físicos e então a 
criança é questionada sobre o seu desejo de fazer ginástica. Nos testes físicos realizados avalia-se 
a força, a flexibilidade e a agilidade, além de verificar o potencial cinestésico na criança 
(perceber o seu corpo nos movimentos já conhecidos por ela). Os testes físicos utilizados são: 
corrida de 20 e 30 metros, saltos horizontais, elevação de pernas em suspensão (abdominais no 
espaldar), ponte, flexibilidade de quadril e ombros e controle da postura em determinadas 
posições.      
 
Neste processo de detecção de talentos realizado na ex-URSS na década de 70, as crianças 
poderiam ser recusadas devido a alguns fatores, como: 
⇒ 
ombros assimétricos ou estreitos; 
⇒ 
braços muito compridos ou muito pequenos e/ou hiperextensão de cotovelos (deve 
ser reto); 


 
 
123
⇒ 
postura com abdômen proeminente (na região do estômago); 
⇒ 
quadril largo ou musculatura muito volumosa; 
⇒ 
joelhos com problemas de “geno varo” ou “geno valgo”; 
⇒ 
pés “chatos”. 
 
Além disso observavam peso, altura, comprimento de pernas, largura de 
ombros e quadris e circunferência do peito. E ressaltam que crianças com desvios do padrão não 
podem ser escolhidas para as aulas de níveis mais altos do programa de formação desportiva de 
alto rendimento (O’BRIEN, 1979). Esse programa da ex-URSS, segundo O’Brien (1979) não 
aceitava crianças com menos de 8 anos de idade para o direcionamento competitivo na 
modalidade, apenas nas escolas de desportos nas próprias escolas formais das crianças. A partir 
dessa detecção e seleção de talentos para a ginástica, os futuros atletas tinham vários níveis para 
conquistar no desporto escolhido: 
1.  três níveis chamados de Ranking Júnior (8, 9 e 10 anos de idade respectivamente); 
2.  três níveis chamados: Ranking I (11 anos), Ranking II (12 anos) e Ranking III (13 
anos) 
3.  Nível de perfeição desportiva: a partir dos 14-15 anos quando então passam a galgar 
as seguintes etapas nesta fase: candidatos a Mestres do Desporto, Mestres do Desporto 
e Mestres do Desporto (aulas internacionais).       
Talvez esse sistema possa ser comparado somente ao da China atualmente, que 
tem toda a sua estrutura desportiva apoiada no Estado (DIGEL, 2002).  
Digel (2002) aponta que a China possuía, em 1998, 35 Institutos de técnica 
desportiva, que são os principais no país, com 31000 atletas para 4071 técnicos nestes centros. 
Além disso, havia mais 3800 escolas de desporto com quatro níveis diferentes, totalizando na 
época 276000 atletas em formação para serem então selecionados para os principais centros 
anteriormente mencionados. 
No Brasil, alguns esforços têm acontecido na direção de um possível banco de 
dados de crianças e jovens, mas sem a organização e financiamento necessário. Isso porque não 
existe um sistema desportivo que organize e coordene a atuação dos técnicos. Especificamente na 
GA, não existe divulgação alguma de testes de detecção de talentos ou parâmetros para tal. No 


 
 
124
ano de 2008, a CBG (2008) implantou 18 centros de iniciação em GA em 14 Estados brasileiros, 
e explicando seu objetivo:  
 
O programa ”Centro de Excelência Caixa – Jovem Promessa de Ginástica” é o maior 
projeto para o desenvolvimento de talentos na ginástica já idealizado no Brasil. Assim, 
além dos grandes avanços da ginástica no alto rendimento, este esporte também está se 
desenvolvendo em sua base, com as escolinhas de ginástica artística e rítmica. Já são 
1817 crianças beneficiadas, em ginástica artística feminina e masculina e rítmica, em 14 
estados brasileiros. 
Um dos maiores objetivos da iniciativa é a inclusão social e a 
descoberta de talentos visando as Olimpíadas 2016. 
 
É importante ressaltar que este deve ser o primeiro passo de uma necessária 
estruturação das categorias de base da modalidade, iniciando pela massificação e detecção de 
talentos, mas necessitando de outros esforços para dar continuidade ao que foi iniciado.  
Mas além da detecção e seleção de talentos desportivos, é importante ressaltar a 
promoção dessas crianças e jovens selecionados, em um treinamento adequado a cada faixa etária 
e nível de desempenho, buscando uma preparação de muitos anos, que passa pelas etapas 
anteriormente mencionadas: especialização inicial, especialização aprofundada e resultados 
superiores, que a partir de agora serão abordadas com maior profundidade, relacionando-as 
diretamente à GAF.                 
 
 



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