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Partindo deste ponto de vista, podemos afirmar que Manoel de Barros é um poeta de



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DICIONÁRIO - POESIA DA ALTERIDADE EM MANOEL DE BARROS - PARADOXO DA DESPALAVRA
TESE - SUJEITO SINTÁTICO E REFERENCIAÇÃO INDETERMINADA, ACHEGAS AO FENÔMENO DO EMPRÉSTIMO LINGUÍSTICO - REDEFININDO OS TERMOS EMPRÉSTIMO E ESTRANGEIRISMO, A NECESSIDADE DE CONCEPÇÕES SOCIOLINGUÍSTICAS E HISTÓRICO-POLÍTICAS COMO PANO DE FUNDO PARA A ELABORAÇÃO DE VERBETES DE DICIONÁRIOS DE ESPANHOL, O PERCURSO ONOMASIOLÓGICO APLICADO A UM DICIONÁRIO DE IDIOMATISMOS

Partindo deste ponto de vista, podemos afirmar que Manoel de Barros é um poeta de 
nosso tempo, e insere-se, portanto, num contexto de relações fragmentadas e líquidas, como 
tão  bem  definiu  Zygmunt  Bauman  (1925-2017),  em  seu  livro,  Identidade  (2005).  Falar  de 
alteridade,  hoje,  é  tratar  de  um  tema  relevante  que  precisa  ser  tanto  discutido  quanto 
praticado. 
 
Assim, podemos dizer que o principal objetivo da pesquisa é reler  poemas de Manoel 
de Barros a partir da noção
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 de alteridade, para, então, demonstrar como o poeta, ao reverter a 
ordem  das  relações,  é  capaz  de  criar  diálogos  múltiplos,  seja  com  ele  mesmo,  seja  com  a 
natureza, com outras pessoas e também com o transcendente, tendo como foco, em todos os 
casos, a própria palavra.  
Os demais objetivos são: 
a)  Identificar nos poemas de Manoel de Barros a maneira como as relações de alteridade 
são construídas e apresentadas; 
b)  Discutir  em  que  circunstâncias  o  dispositivo  do  paradoxo
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,  presente  nos  poemas 
selecionados,  constrói  um  universo  ímpar  que  dá  originalidade  e  universalidade  às 
palavras e cenas compostas pelo poeta; 
c)  Apontar - na composição barreana - os procedimentos com a palavra que a tornaram 
um ser outro capaz de influenciar diretamente a identidade do poeta que se dedicou, 
por quase toda a vida, exclusivamente à poesia
d)  Pensar  a  palavra  como  um  ser  que  é  parte  da  natureza  ao  mesmo  tempo  em  que  a 
nomeia. 
As  perguntas  que  dão  origem  a  esses  objetivos  são:  de  que  forma,  na  sociedade 
contemporânea, as relações são vividas, a ponto de dificilmente proporcionarem encontros e 
experiências  inusitados,  como  o  de  uma  pessoa  com  a  palavra?  Isso  se  demonstra  quando 
Manoel  de  Barros  usa,  reiteradas  vezes,  o  prefixo  des  e  me  ou,  ainda,  despalavra  –  como 
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  Usaremos,  preferencialmente,  o  termo  noção  e  não  conceito  para  referirmo-nos  à  alteridade.  A  escolha  é 
decorrência das obras do filósofo Michel Foucault, sobretudo no livro Arqueologia do saber. O filósofo insiste 
que, se quisermos avançar na discussão contemporânea, deveremos admitir que os termos sejam abertos e não 
fechados e pré-determinados, por isso, falamos sempre de noção e não de conceito.  
 
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 As análises de Michel Foucault sobre o biopoder (poder sobre a vida das populações e sobre a vida de cada um: 
Omnes  et  Singulatim)  levaram-no  a  desenvolver  todo  um  estudo  sobre  a  razão  de  Estado  e  o  poder  exercido 
sobre  a  população.  Para  Foucault,  o  poder  se  define  pelo  governo  de  uma  multiplicidade  em  movimento,  por 
meio  de  relações  de  poder  que  controlam  e  tolhem  a  ação  e  o  pensamento  daqueles  sobre  o  qual  governam, 
impondo-lhes  um  conjunto  de  valores  por  meio  de  dispositivos  e  tecnologias  que  os  impedem  de  resistir  ao 
exercício  deste  mesmo  poder.  Esta  prática,  longe  de  contribuir  à  verdadeira  constituição  de  um  sujeito  ético, 
capaz de responder por suas ações, cria sujeições, dá livre acesso a uma dependência individual e
 
instaura um 
policiamento  que  impede  o  exercício  da  liberdade  em  meio  aos  jogos  de  poder.  (FOUCAULT.  Omnes  et 
Singulatim. In: Ditos e Escritos IV, p. 367.)  


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veremos nos poemas selecionados. Podemos dizer que se trata de uma forma de reinventar a 
linguagem, tornando a busca pela despalavra, inscrita na natureza, um dos temas principais de 
sua obra? 
 
Concordo que gosto de fazer antíteses e 
paradoxos: Isso me diverte bastante 
e acho que enriquece a linguagem. 
Os paradoxos me desvelam e me  
escondem. A antítese às vezes ajusta 
nossas contradições. Sou um homem 
de contradições por isso tenho necessidade 
de me desafirmar afirmando. 
(BARROS. In: OCUPACÃO MANOEL DE BARROS, 2019, p. 25) 
 
[...] 
Uma rã me pedra 
Um passarinho me árvore 
Folhas secas me outonam 
[...] 
(BARROS, 1998, p. 13) 

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