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III – O CONHECIMENTO COMO BUSCA DA VERDADE



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III – O CONHECIMENTO COMO BUSCA DA VERDADE 
 
 
 
 
 
Freqüentemente, em seus escritos, Agostinho alude ao tema da iluminação divina
123
. Para o 
bispo de Hipona, não podemos falar da busca do conhecimento, sem levar em conta a luz divina do 
criador que ilumina a mente do sujeito cognoscente. O homem, partindo do conhecimento sensível e 
passando  pela  inteligência  ou  razão,  precisa,  agora,  desprender-se  da  realidade  apenas  material  e 
externa e voltar-se para o seu interior. Conhecer-se a si mesmo e voltar-se para a sua alma é o único 
meio de encontrar a Verdade, Deus, que reside, não no mundo exterior, mas no mais íntimo do ser 
humano. Na alma, no íntimo do homem, Agostinho fala de uma imagem da Trindade, que é essencial 
para prosseguir rumo ao conhecimento da Verdade: memória, inteligência e vontade. Desse modo, 
iluminado pela luz divina, o homem se vê diante de um único objetivo na longa jornada pela busca do 
conhecimento: conhecer-se a si, conhecer a alma e conhecer e amar a Deus
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No livro  II da obra O livre-arbítrio, Agostinho propõe uma ascensão do conhecimento até 
Deus, última e suprema meta de toda busca humana. Enquanto ser racional, o homem, iluminado pela 
luz divina, é capaz de conhecer e interagir com o mundo, reconhecendo que o autor de todos os bens 
é um só, o Deus criador,  o bem por excelência, para  o qual deve  voltar-se toda a energia da  livre 
vontade humana. 
 
                                                
123
 Cf. FITZGERALD, A. D. (dir.). Diccionario de San Agustín, p. 696-697: “A teoria de Agostinho sobre a iluminação 
divina  inclui  pelo  menos  três pontos  principais:  1)  Deus é  luz  e  ilumina  em  graus diferentes  a  todos  os homens;  2)  Há 
verdades inteligíveis, as rationes aeternae, que Deus ilumina, e, 3) as mentes humanas não podem conhecer as verdades 
divinas  senão  quando  Deus  as  ilumina”.  Para  esclarecer  alguns  conceitos  centrais  da  filosofia  agostiniana,  sirvo-me, 
especialmente nos capítulos terceiro e quarto, da obra aqui citada. 
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  Cf.  SOUZA, J.  Z. Agostinho: buscador  inquieto  da  verdade. Porto  Alegre:  EDIPUCRS, 2001,  p. 47: “O  pensamento 
filosófico de Agostinho, no que diz respeito à teoria do conhecimento, não pode ser separado da prova da existência de Deus. 
É  no  segundo  livro  de  O  livre-arbítrio  que  ele  expõe  a  prova  da  existência  de  Deus  e  também  sobre  o  conhecimento 
humano, que inicia desde o sensível e animal até o pensamento intelectual e abstrato. O método de Agostinho é ascendente, 
isto é, dos objetos exteriores aos sentidos, dos sentidos externos aos sentidos internos;” destes ao “mundo inteligível e”, “do 
mundo inteligível, decorre necessariamente a existência de Deus”. 
 

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