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autem des gratiam et quanta misericordia tua demonstrata sit hominibus via humilitatis, quod Verbum tuum caro factum est 
et habitavit inter  homines, procurasti  mihi  per  quemdam  hominem  immanissimo typho  turgidum quosdam  Platonicorum 
libros ex Graeca lingua in Latinam versos [...]. Et inde admonitus redire ad memet ipsum intravi in intima mea duce te et 
potui, quoniam factus es adiutor meus” (Conf. VII 9,13; 10,16). 
53
 Cf. FITZGERALD, A. D. Diccionario de San Agustín, p. 1067: “Embora esteja sempre presente a autoridade da Escritura, 
o pensamento de Agostinho revela a influência plotiniana nos seguintes campos: sua concepção de beleza, sua visão de Deus 
e sua crença na iluminação divina, sua ênfase na alma, sua insistência na purificação da mente como requisito para entender 
a verdade, a idéia de que o mal é uma privação, sua concepção de tempo e eternidade, e seu desejo de comunidade espiritual 
e intelectual”. Cf. também: COSTA, M. R. N. O problema do mal..., p. 156. 
54
 Cf. BROWN, P. Santo Agostinho: uma biografia, p. 110: “Tais homens [neoplatônicos] viam-se como participantes de um 
renascimento  da  filosofia.  Um  século  antes,  havia-se  redescoberto  a  doutrina  autêntica  de  Platão:  as  nuvens  se  haviam 
desfeito e este, que era o ensinamento ‘mais refinado e esclarecido’ da filosofia, pudera reluzir com todo o seu brilho nos 
textos de Plotino – uma alma tão próxima de seu antigo mestre que, nele, Platão parecia reviver. Esses homens chegavam 
mesmo a ter sonhos em que os filósofos lhes expunham ‘máximas platônicas’ durante seu sono. Damos e esse movimento o 
nome de ‘neoplatonismo’, porém, os participantes davam-se o nome de “platônicos” – Platonici puros e simples, ou seja, 
herdeiros diretos de Platão”. 
55
 Cf. COSTA, M. R. N. O problema do mal..., p. 157; 160. 


 
27 
imutável  e  necessária  do  Uno  com  a  natureza  finita,  corporal,  múltipla  e  contingente  dos  seres 
corpóreos, sem abandonar o monismo?”
56
 Para Plotino, a questão não é a separação entre o mundo 
inteligível e o mundo sensível, mas a conciliação entre essas duas realidades. 
 
Segundo Plotino, todo o ente é tal em virtude de sua unidade. Em retirando a unidade, retira-
se também o ente. Há princípios de unidade, mas todos pressupõem um único princípio de unidade, 
que se denomina Uno. Na dimensão material, o licopolitano o concebe como infinito e o caracteriza 
como potência produtora ilimitada. O termo que Plotino utiliza com freqüência é Bem, ou melhor, 
aquilo que é o Bem para todas as coisas. Em suma, o Bem é absolutamente transcendente. O Uno é 
atividade autoprodutora e o Bem que dá origem a todas as outras coisas. 
 
Plotino apresenta uma explicação metafísica do cosmo pela teoria da emanação, 
onde tudo é explicado a partir de um único ponto ontológico – o Uno. Ou seja, 
no Princípio, o Uno é tudo o que  existe (monismo). E dele procedem todas as 
coisas  por  processão  (emanatismo).  Por  outra,  Plotino  procura  mostrar  que  a 
passagem do Uno à multiplicidade dos seres não é direta, mas que tudo deriva 
do  Uno  por  desdobramentos  ou  processões,  que  compreendem  graus  diversos 
ou intermediários hirarquicamente dispostos da perfeição
57

 
 
No ápice de tudo está o Uno, a unidade perfeita, eterna, infinita e necessária. Dele procede a 
Inteligência  ou  Noûs,  a  qual,  sendo  a  mais  perfeita  de  todas  as  processões,  marca  o  início  da 
multiplicidade. A Inteligência traz consigo uma divisão interna. Por um lado, ela contempla o Uno e, 
por outro, ela é razão consciente de si mesma.  A terceira hipóstase, a Alma do mundo, emana do 
poder criador da Inteligência ou Noûs. A Alma do mundo, a exemplo do Noûs, também apresenta 
uma divisão interna. De um lado, ela é atividade intelectiva, voltada a contemplar o Uno. De outro, 
ela  relaciona-se  com  o  mundo  sensitivo,  multiplicando-se,  sem  se  dividir  ou  perder  sua  unidade. 
Apesar  de  sua  natureza  espiritual  e  divina,  a  Alma  do  mundo,  através  das  almas  particulares,  é 
chamada a unir-se à matéria sensível. Ela entra em íntima relação com o mundo sensitivo. Contudo, 
mesmo tendo essas duas faces, não significa que a natureza da Alma seja algo misto de corpóreo e 
incorpóreo.  Plotino  insiste  em  seu  caráter  imaterial  e  espiritual.  A  Alma  do  mundo  é  considerada 
como o princípio animador do universo, que dá vida a todos os corpos e a todos os seres. À Alma do 
mundo cabe o papel de fazer a transição ou garantir a conciliação entre o mundo sensível e o mundo 
inteligível
58

 
Todavia,  ao  juntar-se  à  matéria,  para  com  ela  formar  os  corpos,  a  alma  está  sujeita  à 
corrupção. De natureza divina, a alma é tocada pela matéria que, por sua vez, é o mal em 
potência. 
Desse  modo,  a  alma  poderá  sofrer  males,  dentre os  quais,  os  erros do  conhecimento 
sensível,
 
                                                
56
 Cf. COSTA, M. R. N. O problema do mal..., p. 171-172. 
57
 Ibid., p. 160. 
58
 Cf. Ibid., p. 161-164. 


 
28 
provocados  pela  matéria,  uma  vez  que,  para  Plotino,  o  mundo  sensível,  enquanto  tal,  é  uma 
mentira
59

Para  Plotino,  a  matéria
60
  é  a  responsável  por  conduzir  nossa  alma  ao  erro.  É  o  engano 
provocado pelas nossas sensações que leva a alma à corrupção e ao desvio da verdade. O caminho 
pelo qual o mal chega a corromper e escravizar a alma é o caminho da matéria, da realidade sensível, 
pois é na matéria que está a possibilidade do mal. 
 
A  matéria  é  sempre  o  extremo  limite  do  Uno,  uma  vez  que,  para  além  dela,  não  há  mais 
processão  alguma  ou  não  existe  mais  nada.  Ela  é  o  lugar  da  obscuridade,  da  multiplicidade  e, 
portanto, fonte e possibilidade do mal. Contudo, não significa dizer que a matéria seja um mal em si, 
como pensavam os maniqueus, mas o lugar onde o mal acontece, pois ela é a possibilidade do mal, 
ou seja, é o mal enquanto potência e não enquanto ato
61

 
Mesmo  valendo-se  de  conceitos  neoplatônicos,  Agostinho  não  aceitaria  a  idéia  da  matéria 
como fonte de corrupção para a alma. Para ele, a matéria não pode ser considerada fonte do mal, uma 
vez que, foi o criador quem a fez e a formou. O grande autor do universo, Deus, fez todas as coisas 
boas e, desse modo, o mal não é algo natural em sua criação. Para o bispo de Hipona, o mal se dá 
através da livre vontade humana. 
 
Ag. [...] Com  efeito, não  existe  um  só  e  único  autor [do  mal]. Pois  cada  pessoa  ao 
cometê-lo é o autor de sua má ação. Se duvidas, reflete no que já dissemos acima: as 
más ações são punidas pela justiça de Deus. Ora, elas não seriam punidas com justiça, 
se não tivessem sido praticadas de modo voluntário
62

 
 
Para Plotino, o mal exerce uma função necessária no cosmo. O mal faz parte, como elemento 
necessário,  dentro  da  degradação  da  perfeição,  expressa  na  multiplicidade  das
 
essências
63
.  Ele  faz 
parte
 
da ordem do universo. Para o licopolitano, o mal é a negação do Bem maior. Segundo o autor
 
das Enéadas, o mal não é senão uma necessária limitação do ser contingente. Desse modo, o mal não 
                                                
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