Microsoft Word criatvidade e trabalho cenario musical bahia doc



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vou te lascar em banda, tá entendendo? A dança, o gingado, o molejo... E o talento. Isso 

também é talento, no caso do cantor de pagode. Porque o público que vai lá ver ele vai conferir 

se ele dá conta do recado (Armando, técnico de gravação). 

Se o candidato ao sucesso mostrar todos os pré-requisitos que o empresário reconheça como 

necessários para o sucesso, ele conquista a chance de gravar seu trabalho. 



 

48

3.3



  

U

MA 

B

REVE 

T

IPOLOGIA DOS 

A

GENTES DO 

C

ONTRATO 

 

 

No caso do contrato de músicos ou bandas que se apresentam em diversos lugares, inclusive 



fora da cidade, podemos dispor diferentes papéis nos mecanismos de contratação na forma do 

esquema seguinte. 

 

  Contratante 



Quem contrata, encomenda e/ou paga a banda. Pode ser uma empresa ou um indivíduo. Um 

político em campanha, por exemplo, é um contratante. Uma agência de publicidade que esteja 

representando esse político também figura como contratante. Um shopping center que tem uma 

programação sistemática é um contratante, assim como uma família que quer festejar bodas de 

ouro...  

O show pode ser contratado através de cachê ou participação na bilheteria da festa, desde que se 

tenha o mínimo garantido. A depender da negociação, você pode fechar com a banda pela 

participação nos lucros da festa, sem ter de pagar o cachê. Por outro lado, ficar dependente da 

bilheteria é arriscado, pois o público pode se rarefazer por causa do mau tempo, por exemplo. No 

caso de a banda ser apenas uma contratada, nada tem a ver com as intempéries. Se o contrato disser 

que o empresário recebe mesmo se chover, pode acontecer ele não receber, se houver um bom 

relacionamento entre empresário e contratante. Todas essas transações são realizadas mediante 

contrato assinado.  

Alguns contratantes são parceiros antigos do músico ou da banda. Neste caso, nem sempre se 

assina contrato, pois é do interesse recíproco a estabilidade e continuidade da relação. O contratante 

é também quem viabiliza a festa. No caso de outra cidade, é o empresário estabelecido lá. Existem 

casos de contratante que cobre toda uma micro-região. Boa parte desses contratantes são, na 

verdade, contratados pelas prefeituras para fazer as festas locais. Cabe a eles olhar pela publicidade 

da festa. Pode acontecer a banda ser sócia do evento. Nesse caso, os músicos também atuam na 

divulgação da festa. O contratante deve se preocupar com a festa tendo em vista os seguintes itens: 

espaço, atrações, segurança, impostos, transporte, hospedagem, divulgação principalmente, 

ingressos, alimentação, camarim, lugar do almoço da banda...  

 



 

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  Empresário 



O empresário é o profissional que administra a carreira do artista, não só vendendo shows, mas 

administrando mesmo a carreira do artista. É aquele que aposta e/ou formata um produto musical e 

artístico. É uma empresa que olha a roupa, a maneira de aparecer na televisão, o jeito de se 

pronunciar no palco, a conveniência ou não do que revelar em entrevistas, nada escapa do olhar 

atento do empresário. A depender da envergadura da empresa, podem se estabelecer desempenhos 

específicos como o diretor de imprensa, o diretor de marketing, o diretor musical, etc. Não é pouco 

importante o pessoal de apoio, como a secretária que cuida da agenda do artista, o motorista que 

fica responsável pelo seu deslocamento, etc.  

É o caso, por exemplo, da relação de Xandy, do Harmonia do Samba, com o Guig Gheto. Um 

artista de muito sucesso está apoiando/empresariando uma banda que já existia. A banda quer 

estourar e ele tem interesse em ganhar com isso, também. Temos também, como outro exemplo, o 

caso de Oz Bambas. Edilson, jogador do Vitória, montou, formatou o produto. O empresário, às 

vezes, acompanha a banda. Outras vezes, não. A relação entre o contratante e o empresário se dá 

assim: o contratante quer organizar um acontecimento e procura um empresário que tenha a atração 

que ele deseja. Após acertado o valor da apresentação, horário, hospedagem, transporte, 

alimentação, é redigido o contrato.  

 

  Agenciador 



O agenciador é um vendedor do produto. Pode trabalhar para o empresário, mas normalmente 

não tem vínculo. Contata o contratante e tenta vender as atrações de que dispõe. A depender da 

demanda do contratante, o agenciador entra em contato com o artista e zela pela realização do show. 

Por essa intermediação, o agenciador ganha normalmente 10% do cachê do artista. Não costuma 

haver contrato, pois o agenciador não acompanha a carreira do artista, não o acompanha no evento, 

no deslocamento. 

 

  Produtores de banda 



São os intermediários entre o empresário e os músicos. Providenciam os requisitos para a 

realização do show: lista de som, lista de luz, transporte, segurança, camarim, alimentação, etc. O 

empresário fecha o show e passa as informações para os seus produtores, que agenciam ônibus, 

horários, hospedagem, empresa de som. Quem procura o músico é normalmente o empresário. Às 




 

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vezes, o próprio produtor. Pode acontecer o empresário precisar de um guitarrista ou um baixista



por exemplo, para completar uma banda; o produtor, que está mais em contato, é quem indica. A 

indicação também pode ser feita pelos músicos. O produtor é aquele que detém todas as 

informações e que viabiliza desde a chegada da banda até a realização do show. Outro item 

importante: é o produtor que supervisiona e gerencia o recebimento do cachê.  

O produtor não é necessariamente o empresário, mas acontece o empresário desempenhar, 

também, o papel do produtor. O próprio empresário pode ter o seu produtor ou produzir ele mesmo, 

diretamente. Quando o empresário tem diversos produtos para administrar, designa produtores para 

acompanhar as carreiras desses artistas. Neste caso, o empresário supervisiona o desempenho 

desses produtores. 

Alguns artistas têm a sua própria produtora, que contrata toda a equipe. É o caso de Daniela 

Mercury e o Canto da Cidade, Margareth Menezes e a MM,  Ivete Sangalo e a Caco de Telha, o 

Chiclete com Banana e a Mazanas. É o grande sonho de todo artista: montar sua própria produção, 

definir os rumos de sua carreira e auferir o máximo de lucro com o seu desempenho. 

 

Quanto aos músicos, por sua vez, podem ser contratados ou sócios da banda. O contrato dos 



músicos é feito diretamente com o proprietário da banda, que pode ser o empresário. No caso de Oz 

Bambas, por exemplo, Edilson é o empresário. No caso de Xandy, ele é o empresário da Guig 

Gheto, embora não seja o proprietário.  

 

Trata-se de um campo movediço, que pode trazer surpresas de uma hora para a outra. Um 



contrato pode ser feito em minutos e cada contrato pode ser diferente dos outros estabelecidos entre 

a mesma banda e o mesmo empresário. No que todos os entrevistados concordam é que não receita 

infalível para a viabilização da festa. 

Temos elementos para afirmar que foi o crescimento e consolidação do trio elétrico como mídia 

que ocasionou e promoveu a profissionalização do músico. Isto não diz respeito apenas ao cantor e 

ao instrumentista, como também a diversos tipos de profissional de apoio . Vejamos a seguir alguns 

tipos de desempenho profissional que costumam acompanhar uma banda, seja na cidade, seja 

quando se desloca: 

  Pessoal da técnica. Operadores de som - palco (retorno) e power amplification - PA, as 

caixas de som viradas para o grande público. Quando o show é de maior magnitude




 

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ganham importância os roadies, como são conhecidos os contra-regras. São eles que 



carregam os instrumentos, que montam os instrumentos no palco, que passam o violão para 

o músico, que ajeitam um fio, que ficam ligados no show o tempo todo para qualquer 

eventualidade, que afinam os instrumentos... O artista, quando entra em cena, já encontra o 

palco pronto. Há também o iluminador, que normalmente fica responsável também pelo 

cenário.  

  Segurança. A depender da banda, em cada viagem vão um ou dois seguranças, que não são 

funcionários da banda propriamente. Quem fica responsável pelo contrato todo é a 

produtora. O produtor pode sublocar o serviço de uma empresa.  

Outros tipos ainda de desempenho profissional que não são pouco importantes para o sucesso 

de uma banda: o eletricista, o motorista, o maquiador, o cabeleireiro, etc.  

 

Uma questão importante, neste universo do contrato, é certamente a repartição da renda do 



show entre a atração vocal e os instrumentistas. Geralmente, em 90% dos casos, o vocal ganha 

muito mais que os instrumentistas. Somente os instrumentistas consagrados chegam a ser bem 

remunerados. Vários informantes declararam que, dez ou quinze anos atrás, o tecladista era mais 

procurado, jamais ficaria desempregado. A concorrência aumentou consideravelmente. Hoje, os 

percussionistas são os mais procurados, inclusive para excursões ao exterior. Márcio Vítor, vocal 

principal do Psirico, banda de pagode, toca desde 1997 com Caetano Veloso e tornou-se arranjador 

de percussão de sua banda.  

No universo da música instrumental, quem se emprega melhor são aqueles que conseguem se 

estabelecer no âmbito do Carnaval, da axé music, do trio elétrico. Atualmente, o sopro ganha 

espaço. Sempre há oportunidade para um bom guitarrista e especialmente para o profissional do 

saxofone, da clarineta ou do trombone. Isto se relaciona à própria interface que as bandas e seus 

músicos construíram entre os estilos e desempenhos musicais. O pagode, hoje, também demanda 

instrumentos de sopro. Passa a ser considerado impróprio usar o teclado para substituir o som do 

trompete, do sax. Tanto do ponto de vista acústico como do ponto de vista cênico, o resultado é 

considerado pífio. 

 

 



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