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Atenas e sua acrópole: narrativas recíprocas



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Atenas e sua acrópole: narrativas recíprocas 

Antonis Moutsopoulos

1

 

Telemachos Telemachou

 2

 

 

Em 480 a.C., logo após a Batalha de Salamina, os atenienses retornam à sua cidade destruída 

pela  invasão  persa  e  sobem  até  a  Acrópole.  Os  templos  e  estátuas  arcaicas  queimados, 

quebrados em pedaços, faz com que eles selem um juramento: que os danos nunca iriam ser 

restaurados para que todos pudessem se lembrar sempre da brutalidade bárbara. Trinta anos 

depois, Péricles iria convencê-los a renunciar a seu juramento. Setembro, 1687: uma bomba é 

atirada  em  um  barril  de  pólvora.  A  explosão  seguinte  destroi  um  dos  edifícios  mais 

importantes do mundo. Em 1834 arqueólogos estabelecem um processo de restauração, em 

andamento  até  hoje,  no  lugar  que,  desde  então,  fora  convertido  no  primeiro  e  mais 

importante sítio arqueológico no Estado moderno grego.  

Os  acontecimentos  históricos  mencionados  acima  têm  como  ponto  comum  o  lugar  onde 

ocorreram:  a  Acrópole  de  Atenas  —  um  espaço  de  habitação  na  era  pré-histórica,  uma 

fortaleza,  um  local  consagrado  à  deusa,  e  depois,  a  Acrópole  conecta  sua  história  e  sua 

mitologia com a cidade que a rodeia. Seus monumentos, as mais altas criações da Democracia 

Ateniense  do  século  V,  também  acompanham  as  aventuras  da  cidade.  O  Partenon,  o 

Propylae,  o  Erecteu  e  o  templo  de  Atena  Nike  seriam  transformados  em  igrejas  cristãs, 

mesquitas, armazéns de munição, ou seriam queimados, bombardeados, profanados até que 

o Estado grego se comprometesse a fazer sua conservação e restauração.   

O  complexo  monumental  da  Rocha  Sagrada  foi,  desde  então,  selecionado  para  fazer  uma 

ligação  direta  entre  a  Grécia  moderna  e  seu  passado  antigo.  Embora  este  ato  possa  ser 

criticado,  o  fato  é  que  hoje  a  Acrópole  é  fortemente  conhecida  como  um  símbolo  do 

helenismo  de  todos  os  tempos.  No  entanto,  ainda  incorporando  as  conquistas  espirituais  e 

valores da época e da cidade que a criou, tais como a democracia e o humanismo que são 

elementos  integrantes  da  civilização  ocidental,  a  Acrópole  é  considerada  uma  fonte  de 

inspiração universal.  

Dois  arquitetos  atenienses,  por  meio  de  discursos  e  visualização,  expressos  em  uma 

conferência e uma exposição, sem ignorar a substância da Acrópole, tentariam apresentar a 

                                                 

1

 

Estudou  arquitetura  na  Universidade  Técnica  Nacional  de  Atenas,  na  Grécia,  e  da  Escola  de  Arquitetura  da  Universidade  de 




 

sua  evolução  através  da  lente  de  sua  relação  com  a  cidade  que  a  criou.  A  questão  em  si  é 



universal: quais são as condições em uma cidade que permitem uma criação tão importante? 

Quais são os procedimentos seguidos? Como a cidade e o objeto são interligados através do 

tempo? De que forma as mudanças a que uma é submetida são espelhadas na outra? 

O tema não é apenas universal, como o mundo está em constante mudança, ele é sempre 

oportuno. A narrativa dessa relação recíproca — o da pólis que cria com a sua própria criação 

e vice-versa — parece ter mais importância quando esse discurso ocorre em um país como o 

Brasil,  que  está  tendo  cada  vez  mais  visibilidade  no  cenário  mundial,  em  vários  campos  da 

criatividade.  






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