Microsoft Word Artigo Patricia Penkal de Castro. 22. 02


Patriarcalismo e maniqueísmo características marcantes dos contos de fadas



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Patriarcalismo e maniqueísmo características marcantes dos contos de fadas 

 

Os contos de fadas, desde seu surgimento sempre seduziu crianças, jovens e 

adultos em virtude da forma como eram escritos. Eram fundamentais na formação da 

personalidade humana, uma vez que auxiliavam as pessoas a encontrar o significado 

da vida, à medida que aprendiam a compreender melhor a si e o mundo ao seu redor. 

Com relação a essa afirmação Bruno Bettelheim (2012) explica que são por meio dos 

contos  de  fadas  que  se  pode  aprender  mais  sobre  os  problemas  interiores,  tão 

frequentes na vida das pessoas. 

Nos  contos  de  fadas,  encontramos  histórias  de  lindas  princesas  meigas  e 

carinhosas,  boas  filhas  que  encontram  seus  príncipes,  geralmente  encantados,  se 

casam  e  vivem  felizes  para  sempre,  representando  o  bem  e  o  bom  da  história.  Por 

outro lado, representando o mal, temos a bruxa malvada ou a madrasta, feia e velha 

que inveja a princesa e faz de tudo para acabar com sua felicidade, geralmente, essa 

figura maléfica, tem um fim trágico. 

Nesse  breve  descrição  encontramos  características  marcantes  dos  contos  de 

fadas, o patriarcalismo, representados pelas figuras masculinas que exercem domínio 

e controle sobre o matrimônio, sua família e principalmente suas filhas. Luiza Tomita 

(2002) descreve que o patriarcalismo “Baseia-se numa hierarquia piramidal, cujo topo 

é  ocupado  pelo  pater  famílias,  que  não  precisa  ser  o  genitor  ou  o  pai  (pode  ser  o 

senhor  feudal,  o  nobre,  o  rei),  e  que  tem,  na  base,  as  mulheres,  as  crianças  e  os 

escravos". 

O  domínio  pelas  filhas, nos  contos  de fadas,  é transferido  aos  príncipes, que 

são dadas como prêmio ao herói que conseguiu derrotar o mal, uma vez que sozinhas 

essas mulheres não conseguiriam enfrentar. 

 

[...] a princesa passa a ser a representação de um prêmio, o objeto a ser recebido pelo 



homem forte e corajoso que vê, em sua prenda, o protótipo da fragilidade uma vez que, 

sem  a  ajuda  masculina,  ela  não  poderia  se  desprender  das  garras  do  mal.  Sendo 

assim,  as  questões  de  subordinação  da  mulher  ao  homem,  conforme  a  ideologia 

patriarcal,  podem  ser  vislumbradas  nos  contos  de  fadas  que  primarão  por  traçar 

estereótipos  que  reforcem  não  só  a  submissão  feminina,  mas  também  o  padrão  de 

beleza ideal. (BATISTA, 2011, p. 95) 

 



A citação acima corrobora com a descrição feita anteriormente, pois reforça a 

presença  de  outra  característica  importante  presente  nos  contos  de  fadas  o 

maniqueísmo representado pelos heróis, belos e fortes e os vilões feios, perversos e 

malvados. Vladimir Propp (1997), explica que “Seguem-se: o duelo com o adversário 

(cuja forma mais importante é o combate com o dragão), o retorno e a perseguição. 

[...]  o  herói  [...]  passa  por  uma  provação  cumprindo  tarefas  difíceis,  tornar-se  rei  e 

casa, em seu reino ou no do sogro” (PROPP, 1997, p. 4). 

A  submissão  da  figura  feminina  em  relação  à  masculina,  os  estereótipos  e  a 

distinção  entre  o  bem  e  o  mal  e  em  qual  lado  a  pessoa  deve  seguir  são  dilemas 

encontrados pelo ser humano desde o surgimento da antiguidade. A forma encontrada 

para  demonstrar  esses  dilemas,  foi  pela  utilização  das  histórias  orais  que 

posteriormente  se  transformaram  em  contos,  ou  seja,  histórias  mais  curtas  que  os 

outros gêneros literários.  

Como  os  contos  de  fadas  atingiam  um  grande  número  de  pessoas,  nada 

melhor que utilizá-los para transmitir os valores considerados fundamentais para que 

se houvesse uma sociedade harmônica.A maior parte da população, que lia os contos, 

eram  os  camponeses  e  os  trabalhadores,  por  este  motivo,  era  necessário  usar  uma 

linguagem  de  fácil  compreensão  para  mostrar  as  estruturas  da  sociedade,  como 

deveriam  se  comportar,  e  o  que  acontecia  às  pessoas  que  fugiam  aos  padrões 

estabelecidos.   

 

Ao contrário do que acontece em muitas estórias infantis moderna, nos contos de fadas 



o mal é tão onipresente quanto a virtude. Em praticamente todo conto de fadas o bem e 

o mal recebem o corpo na forma de algumas figuras e  ações, já que bem e mal são 

onipresentes  na  vida  e  as  propensões  para  ambos  estão  em  todo  homem.  É  essa 

dualidade  que  coloca  o  problema  moral  e  requisita  a  luta  para  resolvê-lo.  [...]  Nos 

contos de fadas, como na vida, a punição ou temor dela é apenas um fator limitado de 

intimidação do crime. A convicção que o crime não compensa é um meio de intimidar 

muito mais efetivo, e esta é a razão pela qual nas estórias a pessoa má sempre perde. 

 (

BETTELHEIM



, 2012, p. 7) 

 

Bruno Bettelheim (2012) afirma que,apesar da intenção moralizante, a escolha 



por uma determinada virtude acaba acontecendo de acordo com a experiência pessoal 

e a influência que esta exerce na vida da pessoa. E que, como toda grande arte, seu 

significado será diferente para cada pessoa, podendo ser diferente também para uma 

mesma pessoa em vários momentos de sua vida.  

 




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