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ahabar que são as crônicas ou notícias.  

O primeiro tradutor de As mil e uma noites foi o francês Antoine Galland, em 1704, 

que em sua viagem a Constantinopla tomou conhecimento destes manuscritos, assim 

adaptando os ao gosto dos franceses atingindo imediatamente o sucesso fenomenal, foi 

traduzido e expandiu-se rapidamente pela Europa. As histórias como “Alladim e lâmpada 

maravilhosa”, “Ali babá e os quarenta ladrões”, “As aventuras noturna de Harun Al-

Rachid” conquistaram a corte de Luis XVI. Divertidas noites passavam os nobres que 

fascinados com o que chamavam de romances preciosos, ouviam as aventuras de heróis, 

heroínas dos textos mileumanoitesco. 

Antoine Galland utilizou um dos ramos pra traduzir sua obra, baseou-se no 

manuscrito “Árabe 36093611”, ramo sírio, e então incorporou histórias, suprimiu algumas, 

resumiu passagens e omitiu outras, fazendo os personagens falar ao modo da língua 




francesa. Galland recebeu muitas críticas pela falta de fidelidade a obra original, mas não se 

deve esquecer que foi o primeiro a apresentar a obra ao Ocidente, despertando interesse por 

outros tradutores de outras línguas, alemão, francês, espanhol. No Brasil, Mamede 

Jarouche, traduziu dois, de uma série de cinco volumes que foram publicados em 2005. 

 As mil e uma noites influenciaram de forma marcante o trabalho de vários grandes 

escritores. Jorge Luis Borges considerava o título “Mil e uma noites” um dos mais belos da 

literatura, escreveu no ensaio “Os tradutores de mil e uma noites”, comentando sobre a 

versão mal escrita de Galland, mas a mais lida, e entre seus leitores citou Thomas de 

Quincey, Colerdge, Stendhal, Tennyson, Edgar Allan Poe e Newman. No Brasil, Machado 

de Assis, foi um dos leitores mais ilustres das Mil e uma noites, prefaciou uma edição dos 

contos seletos das mil e uma noites.  

Os árabes revelam verdadeira fascinação pelas histórias contadas em diferentes 

aldeias do Oriente, que por meio das emoções causadas pela voz do narrador fazem com 

que sucedam os mais diferentes sentimentos humanos. Expressões religiosas são 

manifestadas nas situações de perigo, alegria e tristeza, como stagfar Allah (Deus me 

perdoe), incha Allah (se Deus quiser), Allah Akbar (Deus é grande). 

Enfim, Shahrazád vence seu opressor sem usar a violência, buscando na imaginação 

e na criatividade a força para alcançar seu objetivo. A presença feminina é constante nas 

personagens de Shahrazád, que inteligente e culta leva o leitor à reflexão sobre diferentes 

fenômenos permeados de simbologia. A partir de uma dimensão filosófica e humana de ser, 

a identidade árabe é percebida nas histórias de Shahrazád, que produz segundo Jamil 

Haddad um efeito terapêutico sobre o rei e sobre o leitor. 

 



Jamil Haddad, psiquiatra, apresentou uma visão terapêutica da personagem 

Shahazád que submetia o rei a um certo tipo de psicanálise, só que em vez de mandá-lo 

falar, quem falava era ela, contando histórias em que o rei se sentisse identificado e deles 

retirasse lições que guiasse sua conduta. Este efeito terapêutico era visto como método de 

cura, igualando ao poder hipnógeno do verbo muito usado pelas religiões, pelos árabes e 

por quem descobre o poder da palavra. 

Poder que por meio do verbo possui significativa função, mostrar que ninguém está 

sozinho nas rivalidades, conflitos e aspirações. Os fatos são explicados de forma 

envolvente, esclarecendo os problemas da vida através das maravilhosas histórias do 

oriente. Nesse sentido, vale lembrar as palavras de Bettelheim (1980) que no ciclo das mil e 

uma noites, a pessoa mentalmente perturbada ouve uma história de fadas, cuja meditação a 

ajudará a vencer sua perturbação emocional. Por isso, os dois protagonistas desta história 

representam as tendências conflitantes dentro de nós; e se não conseguimos integrá-las, 

seguramente nos destruirão. Segundo Bettelheim, Shehrazád e o sultão Shahriár 

representam uma só pessoa que projetam as necessidades de integração interna dentro dos 

conflitos que devem dominar, cada um de uma vez. 

É nesse sentido que a literatura árabe desempenha seu papel, revelando ao leitor as idéias e 

valores do mundo árabe. Por isso, Shahrazád concede sua voz às suas personagens no 

cânone árabe “As mil e uma noites”, traçando inúmeras tramas nos textos, destacando um 

mesmo objeto a mulher, porém com enfoques diferentes, um olhar da mulher perversa e a 

mulher submissa. Lembrando que a voz feminina está disfarçada na voz masculina, ele 

configura o principal responsável pela construção da identidade da mulher, que ao passar 

para o outro lado representa de forma insuficiente à pluralidade do sujeito feminino. 



 

Enfim, a literatura é um modo de adquirir conhecimento dos diferentes mundos da 

imaginação, assim o proposto trabalho lançou um olhar sobre a história dos homens árabes, 

que produziram mentes brilhantes. Despertar o interesse de prosseguir e partilhar as 

descobertas do mundo islâmico e suas histórias que merecem ser conhecidas e recontadas 

em um contexto mais amplo, foi a intenção do trabalho. Os mistérios do Oriente podem ser 

compreendidos a partir de uma realidade concreta criada pela herança cultural, assim 

despertar indagações que perpassam a compreensão da construção cultural do povo árabe, 

poderá desfazer impressões transmitidas e que desafiam a imaginação que se tem do 

Oriente.  



 

 

 





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