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“O negro na sua choça, o índio na sua aldeia, o lapão metido no gelo, o príncipe 

em seu palácio, o camponês à sua mesa, o homem da cidade em sua casa, aqui, 

ali, por toda parte, desde que o mundo é mundo, estão contando uns aos outros o 

que ouviram, o que lhes vêm de longe, o que serviu a seus antepassados, o que 

vai servir a seus netos, nesta marcha da vida”          Cecília Meireles(1984 p.19) 

 

Shahrazád é a personagem dos contos árabes que conduz o leitor a uma grande 

aventura no mundo da imaginação. Exímia contadora de histórias que por meio de sua 

sucedida estratégia, transmite a tradição de um povo, analisa o comportamento humano, e 

busca mostrar conflitos e valores da sua cultura. Portanto, as histórias “As mil e uma 

noites” são o reflexo da alma de um povo, e Shahrazád desempenha um importante papel 

que reflete toda o poder da criação, imaginação, fantasia que refletem a arte de narrar. Arte 

que permite salvar sua vida a cada noite



  e então “Shahrazád conta uma história na qual se 

conta uma história na qual se conta uma história, e assim por diante”. 

 

“Assim, no momento oportuno, Dinarzád pigarreou e disse: Minha irmãzinha, se 

você não estiver dormindo, conte-me uma de suas belas historinhas com as quais 

costumávamos atravessar nossos serões, para que eu possa despedir-me de você antes do 

amanhecer, pois não sei o que vai lhe acontecer amanhã”. 

 

 



E assim Shahrazád, filha do vizir mais importante do reino, mediante a permissão de 

Shahriár, o poderoso rei sassânida, tece os fios iniciais de toda a obra que se tornou um 

cânone da literatura Ocidental: As mil e uma noites.  

O rei Shahriár descobre que sua mulher o trai com um escravo. Ele então sai pelo 

mundo em busca espiritual para descobrir se há alguém mais infeliz do que ele. A resposta 

é afirmativa e acompanhada de uma revelação da jovem seqüestrada no dia de núpcias pelo 

gênio, “Vedes, portanto, que quando uma mulher tem um propósito, não há marido nem 

amante capaz de lhe impedir sua realização. Os homens fariam bem em não proibir nada às 

mulheres; seria o melhor meio de torná-las sensatas”. Depois de ouvir isso da jovem 



adúltera, o rei retorna para seu reino e decide tomar uma medida drástica para evitar a 

infidelidade das mulheres, casa-se cada noite com uma mulher, mandando matá-la na 

manhã seguinte. Depois de muitas mulheres mortas, surge a heroína, Shahrazád, culta, 

inteligente e corajosa, que cria uma ardilosa trama para escapar e salvar as moças do reino 

da morte. Assim, ela inicia histórias que vão seduzindo e envolvendo o rei, suspendendo-as 

no clímax, à luz dos primeiros raios de sol.  

 

Shahrazád narra habilmente suas envolventes histórias, estabelecendo uma rica 



polifonia, porque ela é o fio condutor que concede a sua voz a seus personagens; o xeique, 

o vizir, o gênio, o mercador, a princesa, a escrava e muitos outros personagens que compõe 

uma série de narrativas inseridas umas dentro das outras. Jogos de poder, gênios malignos e 

caprichosos, mulheres sedutoras e capazes de enfeitiçar homens, rainhas-bruxas, califas, 

são personagens que traçam a trajetória das diversas circunstâncias que normalmente 

buscam a questão básica de salvar suas vidas, que sempre estão sempre por um fio, 

representadas nas diversas situações de traições, crimes, injustiças.  

 

Permeadas de mistérios, e



ngenhosas tramas são narradas noite após noite, alimentando 

a imaginação do leitor que, como os folhetins, despertam o interesse das mais belas 

histórias da cultura popular árabe. É, portanto, o suspense a principal estratégia da 

narradora que deixa sempre para a próxima noite a continuação da história, assim o poder 

da palavra é exercida prendendo a atenção dos leitores que mergulham no mundo 

desconhecido que se revelam no decorrer das histórias narradas continuamente por mil e 

uma noites, remetendo, portanto, a idéia do infinito. 

 

De caráter mágico e fantástico, “As mil e uma noites” são uma coletânea de 



histórias que no século IX eram nomeados “mil noites”. No século X, há duas menções ao 

livro das Mil e uma noites em duas obras de renome. A primeira está em “As pradarias de 




ouro e minas de pedras preciosas” do historiador Almas’udi, livro que contêm huráfat que 

significa fábulas, semelhante ao livro Hazar afsána cuja tradução do persa é “mil fábulas”. 

A segunda menção ocorre no Catálogo, obra em que o livreiro Annadím Alwarraq decidiu 

compendiar todos os livros escritos em árabe, assim uma parte abordava “pessoas dadas a 

tertúlia noturnas”, sobre “pessoas que contam fábulas”, livros compostos por “histórias que 

contam à noite” e sobre as “fábulas”. 

 Estes livros apresentam algumas diferenças, como o de Annadim, o rei não possui 

nome, Shahrazád é filha de um rei e não de um vizir. Dinarzád é serva do rei, e não se 

menciona o porquê do rei matar suas esposas. É interessante que na obra “Catálogo”, 

Annadim situou Hazar afsán em parte dedicada aos contadores noturnos de histórias, e 

assim acabou criando características para o gênero disseminado na época, e tipificados por 

meio de categorias narrativas chamadas asmár que são fábulas, as narrativas noturnas e 






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