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Notas sobre o percurso da participação das artes plásticas na arquitetura



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Notas sobre o percurso da participação das artes plásticas na arquitetura 

  

a)  Na História da Arte  

A relação de integração entre a obra de arte e a arquitetura tem variado de diferentes maneiras, 

de acordo com as épocas e os lugares. Na Antiguidade, a pintura, a escultura e a arquitetura 

ainda não tinham seus limites preservados: 



          ... no começo não havia nem arquitetura nem escultura, como artes distintas, mas uma 

forma completa que de preferência deveríamos chamá-la de monumento. “Ambas, 

arquitetura e escultura podem ser concebidas como evoluídas de uma unidade original, e de 

forma alguma é possível descrever esta entidade original como essencialmente 

arquitetônica ou essencialmente escultura” (READ, 1977: 5) 

A arquitetura sempre foi utilizada como continente para as outras artes: os egípcios, os 

mesopotâmios, os gregos e os romanos, já a adotavam como suporte para suas esculturas e 

pinturas parietais. Vale lembrar os grandes mosaicos das igrejas bizantinas; a relevância da 

ornamentação escultórica das catedrais góticas (Fig. 1) e na Renascença as geniais pinturas de 

Leonardo da Vinci, Michelangelo (Fig. 2) e Rafael. 

 

Fig.1: Esculturas na Catedral de Chartes, França 



Fonte: A História da Arte, E. H. Gombrich.   

              

                                                         

Fig. 2: Uma seção do teto da capela Sistina, Vaticano. Itália 

Fonte: A História da Arte, E. H. Gombrich.   



 

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A divisão significativa entre arte e arquitetura ocorreu a partir do século XIX, colocando cada 



modalidade artística em locais particulares através da tradicional divisão das belas-artes em 

arquitetura,  pintura  e  escultura,  Artes  Maiores,  e  orientando  as  especificidades  de  cada  uma                  

dessas formas de expressão artística.  

A integração das artes é um dos temas pertinentes à formação da arquitetura moderna nos últimos 

anos do século XIX e nas primeiras décadas do século XX. A discussão emerge no movimento 

Arts & Crafts, com William Morris, que propõe uma arte que participe do ambiente humano e da 

sociedade, e que aproxime as “artes maiores e menores”. (FERNANDES, 2005). Essa idéia se 

expandirá através das obras dos arquitetos belgas Victor Horta e Henry van de Velde, ambos 

ligados ao movimento Art Nouveau. Horta e van de Velde  inserem novas questões teóricas a 

respeito do significado das belas-artes e encabeçam uma renovação geral dos métodos de projetar 

(BENEVOLO, 2006). Nas idéias dos arquitetos, a arte deveria se manifestar na decoração e em 

todos os elementos que a compõe como luminárias, mobiliário e se estender até vestuário e 

talheres de mesa.  

O conceito de “obra de arte total” (gesamtkunstwerk) será impulsionado durante a Secessão 

Vienense com as posturas de Otto Wagner e Joseph Maria Olbrich (Fig. 3). Porém o grande 

adversário da secessão, o arquiteto Adolf Loos, carrega de acidez a crítica sobre o uso do 

ornamento na arquitetura desse período e segundo Benévolo (2006:302), “em 1908, no célebre 

artigo ‘Ornamento e Delito’, Loos sustenta que a arquitetura e as artes aplicadas devem dispensar 

todo ornamento, considerado como um resíduo de hábitos bárbaros”. 

 

Figura 3: J. M. Olbrich - Edifício da Secessão, Viena/ Áustria. 1897 



Fonte: Benévolo, História da Arquitetura Moderna 

O debate irá se expandir na escola Bauhaus onde a idéia de gesamtkunstwerk irá fazer parte do 

projeto pedagógico e definido como o trabalho conjunto de  pintores, escultores e arquitetos. A 

imagem adotada como referência é a catedral gótica. A reunificação das artes é orientada para a 

arquitetura pelos arquitetos Bruno Taut e Walter Gropius e pelo pintor Wassily Kandinsky. 

 

 



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