Microsoft Word Artigo 01. doc



Baixar 76.95 Kb.
Pdf preview
Encontro11.08.2021
Tamanho76.95 Kb.
#16774
art01 edfis5n2.pdf


 

13

13



13

13    


    

EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO MÉDIO: MOTIVOS QUE LEVAM 

EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO MÉDIO: MOTIVOS QUE LEVAM 

EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO MÉDIO: MOTIVOS QUE LEVAM 

EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO MÉDIO: MOTIVOS QUE LEVAM 

AS ALUNAS A NÃO GOSTAREM DE PARTICIPAR DAS AULAS 

AS ALUNAS A NÃO GOSTAREM DE PARTICIPAR DAS AULAS 

AS ALUNAS A NÃO GOSTAREM DE PARTICIPAR DAS AULAS 

AS ALUNAS A NÃO GOSTAREM DE PARTICIPAR DAS AULAS     

    


    

Camila Rodrigues Martinelli

Camila Rodrigues Martinelli

Camila Rodrigues Martinelli

Camila Rodrigues Martinelli    

Marcos Merida

Marcos Merida

Marcos Merida

Marcos Merida    

Graciele Massoli Rodrigues

Graciele Massoli Rodrigues

Graciele Massoli Rodrigues

Graciele Massoli Rodrigues    

Denise Elena Grillo

Denise Elena Grillo

Denise Elena Grillo

Denise Elena Grillo    

Janísio Xavier

Janísio Xavier

Janísio Xavier

Janísio Xavier de Souza

 de Souza

 de Souza

 de Souza    

Universidade Presbiteriana Mackenzie 

Resumo:


Resumo:

Resumo:


Resumo:

     Este  trabalho  tem  como  objetivo  identificar  os  motivos  pelos  quais  as  alunas  do 

ensino médio não  gostam  de  participar  das aulas  de  Educação  Física  Escolar.  A  amostra  foi 

constituída por 15 meninas alunas do Ensino Médio, de um colégio particular de São Paulo, 

que alegavam não gostar de participar das aulas de Educação Física Escolar. Para identificar os 

motivos  que  levam  à  falta  de  interesse  foi  utilizado  um  questionário  composto  por  11 

questões  abertas  e  01  fechada,  que  abordaram  as  atividades  desenvolvidas  em  aula  e  a 

metodologia usada para aplicação das mesmas; atividade que gostariam que tivesse nas aulas; 

os  aspectos  relativos  ao  relacionamento  com  os  companheiros  durante  as  aulas  e  com  o 

professor; e o interesse por atividades físicas fora da escola. Os resultados demonstraram que 

a  maioria  das  alunas  não  gosta  das  atividades  e  da  metodologia  utilizadas  nas  aulas. 

Identificamos  como  motivo  principal  a  impossibilidade  de  escolherem  as  atividades  de  aula, 

enquanto que a maioria, disse não gostar de praticar atividade física.  

 

Palavras



Palavras

Palavras


Palavras----chave:

chave:


chave:

chave:


 Educação Física escolar; motivação; ensino médio 

    


    

PHYSICAL  EDUCATION  IN  HIGH  SCHOOL:  REASONS  WHY  GIRLS 

PHYSICAL  EDUCATION  IN  HIGH  SCHOOL:  REASONS  WHY  GIRLS 

PHYSICAL  EDUCATION  IN  HIGH  SCHOOL:  REASONS  WHY  GIRLS 

PHYSICAL  EDUCATION  IN  HIGH  SCHOOL:  REASONS  WHY  GIRLS 

DO  NOT  LIKE  TO  PARTICIPATE  IN  THE  SCHOOL  PHYSICAL 

DO  NOT  LIKE  TO  PARTICIPATE  IN  THE  SCHOOL  PHYSICAL 

DO  NOT  LIKE  TO  PARTICIPATE  IN  THE  SCHOOL  PHYSICAL 

DO  NOT  LIKE  TO  PARTICIPATE  IN  THE  SCHOOL  PHYSICAL 

EDUCATION CLASSES

EDUCATION CLASSES

EDUCATION CLASSES

EDUCATION CLASSES    

        


Abstract:

Abstract:

Abstract:

Abstract:

    This work has the goal to identify the reasons why girls from high school do not like 

to  participate  in  the  school  Physical  Education  classes.  This  sample  was  composed  of  15 

female students in high school, belonging to a private school of São Paulo City, who alleged 

do not like to participate in the classes of Physical Education in their school. To better identify 

the  reasons  for  the lack  of interest, we  used  a  questionnaire  composed of 11  open  and 01 

closed  questions,  which  approached  the  activities  that  are  performed  in  class  and  the 

methodology used for them; the activities that they would like to be inserted in the classes; 

the relationship of the girl with other schoolfellows during the class and with the teacher; the 

interest  and  the  reason  for  physical  activities  out  of  school.  The  results  showed  that  the 

majority of the girls do not like the activities and the methodology used in the classes. The 

impossibility  to  choose  the  classes  activities  was  identified  as  the  mainly  reason  for  that, 

whereas  the  majority  of  the  girls  said  that  they  do  not  like  the  practice  of  physical  activity 

itself. 

 

Keywor



Keywor

Keywor


Keywords:

ds:


ds:

ds:


    

School Physical Education; motivation; high school    

Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte – 2006, 5(2):13-19 

 



 

14

14



14

14    


1. 

1. 


1. 

1. INTRODUÇÃ

INTRODUÇÃ

INTRODUÇÃ

INTRODUÇÃO

O

O



O    

    


A  Educação  Física  é  o  espaço  escolar  que  permite  ao  aluno  experimentar  os  movimentos,  e  por  meio  dessa 

experimentação,  desenvolver  um  conhecimento  corporal  e  uma  consciência  dos  motivos  que  o  levam  a  prática  desses 

movimentos. Contudo, nem sempre isso acontece e parte do alunado acaba desmotivando-se pelas aulas de Educação Física. 

Segundo Betti e Zuliani (2002), essa desmotivação dos alunos tem início no final do Ensino Fundamental, quando os mesmos 

passam a ter uma visão mais crítica da realidade não atribuindo à Educação Física tanta importância.  

O  professor  também  assume  grande  importância  para  essa  desmotivação  dos  alunos,  pois  a  metodologia  utilizada  para 

desenvolvimento das aulas, o relacionamento aluno-professor, o conteúdo por ele apresentado, entre outros fatores, também 

influenciam na participação ou não nas aulas de Educação Física Escolar.  

Nesse  sentido,  o  objetivo  deste  trabalho  é  identificar  os  motivos  que  levam  as  alunas  do  Ensino  Médio  a  desistirem  da 

participação  na  Educação  Física  Escolar,  e  por  meio  dessa  identificação  contribuir  para  uma  maior  reflexão  do  problema, 

visando diminuir o número de alunas que não participam dessas aulas.  

    


  

  

  



  2.

2.

2.



2.    A 



A EDUCAÇÃO FÍSICA

EDUCAÇÃO FÍSICA

EDUCAÇÃO FÍSICA

EDUCAÇÃO FÍSICA    ESCOLAR

ESCOLAR

ESCOLAR


ESCOLAR    

 

Betti e Zuliani (2002) afirmam que, em 1960 na Europa e nos Estados Unidos, e, a partir de 1980 no Brasil, começaram a 



surgir  os  cursos  de  Educação  Física  com  organização  em  torno  das  sistematizações  e  produções  de  novos  conhecimentos 

relacionados à área. Assim a Educação Física passa a assumir novos objetivos com relação a sua prática pedagógica, assumindo a 

responsabilidade de preparar o aluno para ser um praticante lúcido e ativo, que incorpore e usufrua do esporte e dos demais 

componentes da cultura corporal.  

Dessa forma, atualmente: 

 

A Educação física enquanto componente curricular da educação básica deve assumir uma outra tarefa: introduzir e integrar o aluno na cultura corporal de 



movimento, formando o cidadão que vai produzi-la, reproduzi-la, instrumentalizando-o para usufruir do jogo, do esporte, das atividades rítmicas e dança, 

das ginásticas e práticas de aptidão física em benefício da qualidade de vida (BETTI e ZULIANI, 2002, p. 75).  

 

Para Paiano (1998), a Educação Física deve aproximar o aluno da percepção de suas atividades permitindo a articulação de 



suas ações de forma que entenda o que se faz, o porquê se faz e o que se sente ao fazê-la, pretendendo assim desenvolver um 

maior interesse pela pratica das atividades.     

Daolio (1995 apud PICCOLO, 1995) acrescenta ainda que a Educação Física Escolar deva estar atenta à importância cultural 

de  sua  prática,  ou  seja,  a  Educação  Física  deve  manter  uma  relação  com  o  contexto  cultural  que  influencia  a  formação  do 

acervo  motor  dos  alunos.  A  partir  desse  acervo  e  de  seu  enriquecimento  cultural,  os  alunos  terão  a  possibilidade  de 

expressarem  movimentos  mais  livres,  facilitando  o  processo  de  ensino-aprendizagem  e  a  participação  nas  aulas  de  Educação 

Física.  

 

2.1. EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO MÉDIO 



 

Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte – Volume 5, número 2 , 2006 

Camila Rodrigues Martinelli, Marcos Mérida, Graciele Massoli Rodrigues, Denise Elena Grillo e Janísio Xavier de Souza 



 

15

15



15

15    


Ao  ingressar  no  Ensino  Médio,  os  alunos  já  possuem experiências  motoras,  adquiridas  nas  etapas  anteriores  a  partir  das 

vivências  de  aptidão  dos  esportes,  danças,  lutas,  ginástica  e  atividades  rítmicas  e  esses  conhecimentos  devem  ser  ampliados, 

permitindo a sua utilização em situações sociais (MATTOS e NEIRA,2000). 

Para  esses  autores,  é  comum  nas  aulas  de  Educação  Física  no  Ensino  Médio,  ocorrer  um  impasse  entre  professores  que 

querem  desenvolver  o  conteúdo  programando  e  os  alunos,  que  querem  apenas  jogar.  Este  fato  tem  origem  em  etapas 

escolares anteriores, optando por transformar as aulas de Educação Física em espaços de recreação e lazer, já que na sala de 

aula a responsabilidade aumenta.        

Darido (2004),

 

baseada no PCNEM (Brasil/ 1999), acrescenta que o tratamento contextualizado propicia uma aprendizagem 



significativa para o aluno, pois estabelece uma relação de reciprocidade entre ele e o conteúdo. È possível ainda associar essa 

contextualização com experiências cotidianas e conhecimentos adquiridos espontaneamente, fazendo com que o aluno deixe a 

condição de espectador. Para que essa condição de espectador seja diminuída, também é interessante trabalhar o planejamento 

participativo, onde o conteúdo é formulado de acordo com os interesses dos alunos. 

A  postura  adotada  pelo  professor,  também  e  de  grande  importância  para  decisão  pela  prática  ou  não  da  Educação  Física 

escolar,  pois  de  acordo  com  Paiano  (1998),  no  contexto  atual  o  professor  deve  passar  por  uma  mudança  de  atitude  não 

somente para lidar com alunos mais críticos, mas também para lidar com essa falta de motivação para participar das aulas de 

Educação Física escolar e achar a melhor forma de solucionar tal problema. 

Mattos  e  Neira  (2000)  colocam  ainda  a  função  de  mediador  de  conhecimento,  com  a  responsabilidade  de  transmitir  as 

informações que serão assimiladas pelos alunos, ou seja, apresentar conhecimentos ao aluno, indicar caminhos que façam com 

que os alunos cheguem à solução dos problemas surgidos durante as atividades propostas em aula e, dessa forma, fazendo com 

que o aluno pense.  

Já  para  Rangel-Betti  (1995),  o  relacionamento  aluno-professor,  pode  determinar  a  participação  ou  não  do  aluno,  não  só 

durante as aulas de Educação Física escolar como também nas atividades extra-escolares. Salles (1998) complementa que o que 

mais agrada os alunos na escola é o relacionamento entre o professor e aluno. Pois os alunos querem ser ouvidos, tratados 

com dedicação, carinho, amizade, paciência e respeito.  

   

3.

3.



3.

3. A DESMOTIVAÇÃO N

 A DESMOTIVAÇÃO N

 A DESMOTIVAÇÃO N

 A DESMOTIVAÇÃO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR 

A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR 

A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR 

A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR     

    

Paiano (1998) aponta, como razão para essa desmotivação, o conflito de interesses gerado pela ênfase da competição que 



ocorre quando o professor assume a postura de técnico ou treinador, exige de seus alunos uma postura de atleta cobrando 

altos  rendimentos,  que  muitas  vezes  são  inadequados  e  não  correspondem  ao  seu  desenvolvimento  motor  e  o  objetivo  da 

Educação  Física  Escolar,  dessa  forma  fazendo  com  que  os  alunos  percam  a  vontade  de  participar  da  aula,  que  ao  invés  de 

prazerosa  passa  a  ser  maçante  e  por  isso  desmotivante,  pois  enquanto  para  uns  a  aula  de  Educação  Física  vista  como 

competitividade, para outros é tida como uma forma de lazer e socialização.   

Já para Rangel-Betti (1995), a desmotivação por parte das alunas se dá por meio do relacionamento delas com os demais 

alunos do grupo e desinteresse pelo conteúdo e abordagem adotados pelos professores para desenvolvimento das aulas. 

Salles (1998) ressalta as afirmações de Rangel-Betti (1995) ao afirmar que o relacionamento mantido entre os alunos e seus 

colegas de turma é fundamental nessa fase da vida, pois segundo pesquisas, a preferência das alunas se resume em estar com os 

amigos.  Isso  também  pode  ser  observado  nas  aulas  de  Educação  Física,  pois  quando  os  alunos  separam  os  grupos  para  a 

realização das atividades, nota-se que seu grupo de amigos se mantém no mesmo grupo. Essa relação das alunas com os colegas 

Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte – Volume 5, número 2 , 2006 

Educação física no ensino médio: motivos que levam as alunas a não gostarem de participar das

    


aulas 

    


 


 

16

16



16

16    


de  classe  apresenta  certa  influência  na  prática  das  aulas  porque  a  presença  dos  amigos  transmite  segurança  as  alunas, 

incentivando a participação nas aulas.  

Essa situação foi retratada por Daolio (1997), quando descreve a atitude de uma de suas alunas em uma aula de Educação 

Física, que por se sentir incapaz de recepcionar um saque em uma partida de voleibol, denominou-se de “anta”. Segundo ele, 

por trás dessa frase, havia uma reação dela contra sua inferioridade motora em comparação aos meninos. No entanto, não há 

nada que garanta que os meninos são mais habilidosos que as meninas ou vice-versa, pois se tratasse de alguma atividade de 

dança, por exemplo, as meninas teoricamente apresentariam vantagens em relação aos meninos. 

Outro  fator  influente  é  o  conteúdo  abordado  nas  aulas,  pois  o  fato  da  Educação  Física  ser  na  maioria  das  vezes 

esportivizada (que utiliza como conteúdo somente o esporte) faz com que as alunas que não gostam de modalidades esportivas 

se sintam  desmotivadas  a participar. Da mesma forma, quando se oferecem modalidades distintas para os grupos,  como por 

exemplo,  aulas  de  vôlei  para  as  meninas  e  basquete  para  os  meninos.  Dessa  maneira,  os  alunos  se  sentem  saturados  e 

insatisfeitos sem a possibilidade de diversificar e experimentar outras vivências motoras. 

Paiano  (1998)  aponta  um  exemplo  de  escola  que  oferece  aos  alunos  atividades  alternativas,  como  caminhada,  mergulho, 

capoeira entre outras, dando a eles a oportunidade de escolha da atividade que mais lhe agrade, e com isso, aumenta o nível de 

interesse e participação das aulas, fazendo com que os alunos se sintam mais motivados a participarem, já que estão praticando 

uma atividade de seu próprio gosto. 

De  acordo  com  Rangel-Betti  (1995),  os  alunos  preferem  aprender  os  fundamentos  das  modalidades  esportivas  antes  de 

aplicá-los em situações reais de jogo, do que simplesmente “pegar” a bola e jogar, tendo assim a possibilidade de aprender e/ou 

aperfeiçoar movimentos novos para depois combiná-los e aplicá-los em situação real de jogo. No entanto, muitos professores 

ignoram esse fato e apresentam a característica de dar a bola aos alunos e deixá-los assumir as responsabilidades da aula, que 

caberiam  a ele, como organizar e  apresentar os fundamentos da modalidade. Com essa postura segundo  Paiano (1998), eles 

atuam como meros zeladores, já que não exercem função alguma no desenvolvimento das atividades em aula. 

 

4.

4.



4.

4.

  METODOLOGIA

METODOLOGIA

METODOLOGIA

METODOLOGIA    

    


 

A amostra foi constituída por 15 alunas do Ensino Médio, de um colégio particular localizado no centro da cidade de São 

Paulo, que alegavam não gostam de participar das aulas de Educação Física Escolar. 

O instrumento de pesquisa utilizado neste trabalho foi um questionário composto por 11 questões abertas e 01 fechada, 

que abordam as atividades desenvolvidas em aula; a metodologia usada para aplicação das mesmas; as atividades que gostariam 

que tivesse nas aulas; o relacionamento da aluna com os companheiros e com o professor durante as aulas; e o interesse por 

atividades físicas fora da escola.  

 

Os dados coletados foram analisados pelo pesquisador e apresentados posteriormente de forma descritiva.   



    

5.

5.



5.

5.

  RE

RE

RE

RESULTADOS 



SULTADOS 

SULTADOS 

SULTADOS e DISCUSSÂO

e DISCUSSÂO

e DISCUSSÂO

e DISCUSSÂO    

    

 

As 15 alunas que serviram de sujeito para esse trabalho cursavam o Ensino Médio, sendo três alunas da primeira série, seis 



alunas  da  segunda  e  seis  alunas  da  terceira  série,  todas  apresentando  o  perfil  de  não  gostarem  de  participar  das  aulas  de 

Educação Física Escolar. 

Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte – Volume 5, número 2 , 2006 

Camila Rodrigues Martinelli, Marcos Mérida, Graciele Massoli Rodrigues, Denise Elena Grillo e Janísio Xavier de Souza 




 

17

17



17

17    


 

Em relação ao fato de não gostarem das aulas de Educação Física, o motivo indicado por todas foi o mesmo, o fato de não 

gostarem  das  atividades  propostas  como  conteúdo  programático  das  aulas.  Entre  estas  atividades  predominantemente 

apareceram  às  modalidades  vôlei,  basquete,  handebol,  e  futebol.  As  alunas  apresentaram  desagrado  pelo  conteúdo  ser 

apresentado apenas sob a forma de jogo, dessa forma impedindo a vivência de outras atividades e até mesmo da exploração das 

habilidades que servem de base para as modalidades adotadas. 

 

Nove meninas responderam que só participam das aulas por ser obrigatório, por nota e pela chamada. Enquanto as outras 



06 justificaram que não participam porque não sabem jogar e por este fato se sentem inibidas em participar das aulas e passam 

a vê-la como obrigação.  

 

Apareceram queixas em relação: a) falta de exercícios dos fundamentos que serviriam de base para o jogo em si; b) de não 



haver aquecimento no início dos jogos; c) do conteúdo das aulas serem apenas jogos, seguidos de intervalo (período em que o 

outro time esta jogando) longo o que deixa a aula mais desmotivante. 

 

Esses dados encontrados 



na  pesquisa  são  também  encontrados  na  revisão  bibliográfica,  confirmando  assim  sua 

importância para reflexão dos professores de Educação Física.  

 

Rangel-Betti (1995) aponta que alguns professores “pegam” a bola e jogam para os alunos enquanto a maioria dos alunos 



preferia aprender os movimentos anterior e separadamente da situação real de jogo, assim, haveria uma homogeneidade dos 

fundamentos impedindo que fosse criada uma disputa competitiva ou alguma situação de constrangimento gerada pelos alunos 

frente aos seus colegas. 

 

No questionário foi solicitado que as alunas apresentassem atividades que fossem de interesse delas e que pudessem ser 



abordadas  nas  aulas  de  Educação  Física.  Foram  indicadas  como  atividades  alternativas:  ginástica,  atletismo,  ginástica  olímpica, 

dança, natação e yoga. Se as alunas tivessem a possibilidade de opinar sobre os conteúdos abordados indicando as atividades 

que fossem mais agradáveis, teriam maior interessante e estímulo em participarem das aulas, que dessa forma perderia o foco 

de obrigação e passasse a ser praticada por gosto e prazer.  

 

Apenas duas  alunas relataram que não se relacionam bem  com os colegas,  alegando que às vezes ocorrem discussões e 



desrespeito por parte dos mesmos. No entanto, a maioria relatou ter relacionamento entre bom e ótimo com os colegas. 

 

Apenas três alunas disseram não ter bom relacionamento com a professora, sendo que uma delas disse que mal conversa 



com a mesma, enquanto uma outra disse que às vezes discute com ela e a terceira disse que ela não sabe entreter e manter a 

atenção dos alunos.  

 

Apesar  de  na  literatura  e  na  prática  cotidiana,  os  relacionamentos  interpessoais  aluno-professor  e  aluno-aluno  serem 



importante pontos para o bom andamento das aulas, para as alunas pesquisadas, sujeitos neste trabalho, houve pouca influência. 

 

Nove entre as quinze alunas, não praticam atividades extra-escolares porque não gostam de atividade física, classificando-a 



como “inútil para minha vida” e demonstrando que não têm conhecimento sobre os benefícios da atividade física, portanto não 

tendo significado para elas. 

 

As outras 06 praticam com o intuito de manter a forma física, os hábitos saudáveis e a socialização. Neste caso, pode ser 



identificado  que  essas  alunas  não  participam  das  aulas  porque  algo  dentro  do  ambiente  da  aula  faz  com  elas  se  sintam 

incomodadas e desmotivadas.  

 

 

 



 

Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte – Volume 5, número 2 , 2006 

Educação física no ensino médio: motivos que levam as alunas a não gostarem de participar das

    


aulas 

    


 


 

18

18



18

18    


CON

CON


CON

CONSSSSIDERAÇÕES FINAIS

IDERAÇÕES FINAIS

IDERAÇÕES FINAIS

IDERAÇÕES FINAIS    

    


 

Neste trabalho foram apresentados os motivos que fazem com que as alunas deixem de participar das aulas de Educação 

Física escolar; dentre eles, os que foram mais indicados, e por isso apresentando maior importância para desmotivação, são as 

modalidades esportivas em forma de jogo, a falta de exercícios de fundamentos dessas modalidades e a falta de outras opções 

de atividades.  Outro fator importante encontrado em nossa pesquisa é a falta de significação e de atribuição  de importância 

atribuída para a Educação Física. 

 

Assim, é possível concluir que, se no Ensino Médio, os professores de Educação Física tivessem a preocupação de dialogar 



com  os  alunos,  perguntando  quais  as  atividades  que  eles  gostariam  de  praticar  durante  as  aulas  ou  apenas  dessem  a  eles  a 

opção de escolherem entre algumas atividades e fizessem uma discussão sobre os benefícios, significados e importância dessas 

atividades, o índice de desmotivação nas aulas seria reduzido, pois os alunos poderiam escolher alguma atividade que fosse de 

seu agrado, teria mais conhecimento e informação sobre ela e, por isso, teria prazer em participar. 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS    

 

BETTI, Mauro; ZULIANI, Luiz Roberto. Educação Física Escolar: Uma proposta de diretrizes pedagógicas. 



Revista Mackenzie de 

Educação Física e Esporte

, São Paulo: Editora Mackenzie. Ano 1, nº1,p73-81, 2002. 

DAOLIO, Jocimar. Educação Física na escola: uma abordagem cultural. In: PICCOLO, Vilma Leni Nista. 

Educação Física escolar: 

ser... ou não ter?. Campinas: Editora UNICAMP, 1995. 

DAOLIO, Jocimar. 

Cultura, Educação Física e Futebol

. Campinas: Editora da UNICAMP, 1997. 

DARIDO, Suraya Cristina. A educação física na escola e o processo de formação dos não praticantes de atividade física. 

Revista 

Brasileira de Ciências do Esporte. 

Campinas: 

V.

 18, nº1 p.61-80; Jan/Mar., 2004. 



GRYNBERG, Halina; KALINA, Eduardo. 

Aos pais de adolescentes

. Rio de Janeiro: Rosa dos tempos, 1999. 

MATTOS, Mauro Gomes de e NEIRA, Marcos Garcia. 

Educação Física na adolescência: 

construindo o conhecimento na escola. 

São Paulo: Phorte, 2000.   

PAIANO, Ronê. 

Ser...ou não fazer

: o desprazer dos alunos nas aulas de Educação Física e as perspectivas de reorientação da 

prática pedagógica do docente. Dissertação de mestrado em Educação pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. São Paulo, 

1998. 


RANGEL-BETTI,  Irene  Conceição.  Educação  Física  escolar:  a  preparação  discente. 

Revista Brasileira de Ciências do Esporte.

 

Campinas: 16 (3):158-167 Maio/1995. 



SALLES,  Leila  Maria  Ferreira. 

Adolescência,  escola  e  cotidiano: 

contradições  entre  o  genérico  e  o  particular.  Piracicaba: 

UNIMEP, 1998. 

THOMAS, J.R. e NELSON, J.K., 

Métodos de pesquisa em atividade física

. Porto Alegre: Artmed, 2002.  

 

 



 

 

 



 

Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte – Volume 5, número 2 , 2006 

Camila Rodrigues Martinelli, Marcos Mérida, Graciele Massoli Rodrigues, Denise Elena Grillo e Janísio Xavier de Souza 



 

19

19



19

19    


 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

Contatos



Contatos

Contatos


Contatos    

Universidade Presbiteriana Mackenzie 

Fone: 3555 2131 

Endereço: Avenida Mackenzie, 905 – Tamboré – Barueri – SP Cep. 06460 130 

E-mail: 

mmerida@mackenzie.com.br

  

 

        



    

Tramitação

Tramitação

Tramitação

Tramitação    

Recebido em: 14/08/06 

Aceito em: 29/09/06 

 

Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte – Volume 5, número 2 , 2006 



Educação física no ensino médio: motivos que levam as alunas a não gostarem de participar das

    


aulas 

    


 

Baixar 76.95 Kb.

Compartilhe com seus amigos:




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal