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ES TRELAS  
 
Estrelas!  
Sarampo luminoso do céu 
Que é a epiderme da noite tropical. 
Estrelas! 
Suor dourado escorrendo na face da treva 
Que está ardente de febre, ou, frígida de agonia! 
 
Estrelas! 
M ilagre de maná ofuscante, chovendo 
No deserto do espaço! 
Cristais rutilantes de gotas sangüíneas 
Gotejando da ferida crepuscular 
Que um monte assassino pouco antes 
Rasgou na tarde, com uma punhalada no horizonte, 
Círios acesos que os anjos trouxeram a braçadas. 
Para velar o dia defunto que o monte assassinou 
Entocaiado na dubiedade do crepúsculo. 
 
Estrelas, 
Letras de ouro na página do céu 
Onde as Três M arias põem 
 Uma reticência de ansiedade 
Depois que o olhar releu embevecido 
O poema divino do Cruzeiro 
E o romance fabuloso da Via-Látea. 
 


Abre-te, Sésamo! 
                                                 Lino Vitti 
- 184 - 
Estrelas! 
Desejos íntimos de almas sofredoras 
Que, não achando, na terra, um coração 
Onde se depositar, como num cálix, 
(E o coração é um cálix atulhado de hóstias de dor) 
Subiram para o céu, cristalizados
E, hóstias, ficaram luzindo na eterna elevação 
Do Sacrifício noturno. 
Rosários férvidos de orações balbuciadas, baixinho, 
No recesso espiritual dos conventos; 
Tremulados nos lábios da velhice, 
Espiralados das boquinhas inocentes das crianças. 
Preces esperando sua vez pra entrar no céu. 
 
Estrelas! 
Versos inquietos de poetas incógnitos 
Que bebem poesia na taça lírica da noite. 
Borrifos incendiados do repuxo das constelações. 
Dilúvio de vagalumes do infinito 
Que sonhei, em pequerrucho, tantas vezes acariciar 
Com as mãozinhas gulosas 
Nessa mania angelical de pedir das crianças. 
Estrelas, 
Sonhos de românticos batráquios e libélulas 
No céu fundo e invertido das lagoas cismadoras 
Onde há encantamentos de palácios de fadas 
E há estrelas soltas a vagalumear. 
 
 
 
Abre-te, Sésamo! 
                                                 Lino Vitti 
- 185 - 
Estrelas! 
Estrelas, sarampo do espaço! 
Estrelas, suor das alturas! 
Estrelas, maná luminoso! 
Estrelas, gotas de sangue! 
Estrelas, círios dos anjos! 
Estrelas, escritas na noite! 
Estrelas, hóstias! . 
Estrelas, preces! 
Estrelas, versos! 
Estrelas, borrifos! 
Estrelas, vagalumes! 
Estrelas, estrelas! Eu quisera 
ter um coração grande como a noite 
Para abrigar-vos todas dentro dele! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Abre-te, Sésamo! 
                                                 Lino Vitti 
- 186 - 
 
 


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