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  MANHàFAZENDEIRA 
 
M anhã fazendeira!  
Pela devesa 
Gazes de neblinas 
De fluídica leveza . 
Deus sintonizou o rádio da floresta 
E a natureza 
Em “sentido” ficou ouvindo o hino brasileiro 
Na sinfonia marcial da passarada brasileira. 
 
M anhã fazendeira. 
Com clarinadas claras de galos madrugadores, 
Com saxofonadas barítonas de touros mugidores. 
Árvores filigranadas de aranhóis 
Espanejam-se ao sol. 
E pulverizadas de arrebol 
Chovem fúlgidas gotas de cristal, 
Qual tivessem saído nesse instante 
De um banho refrescante 
De luz matinal. 
 
Há ainda uns fiapos de noite 
Esquecidos nos finos trilos dos grilos pela grama. 
Há versos truncados de canções em surdina 
boiando no lirismo levemente colorido 
Da ressurreição matutina.  
Cantos débeis de rústicos violinos  
Que a voz dos lavradores, de mansinho, 


Abre-te, Sésamo! 
                                                 Lino Vitti 
- 156 - 
Evolam durante o duro afã 
Do “pão nosso de cada dia”, 
Evocando saudades do tempo de menino; 
Vozes-magia 
Que têm força de imobilizar rudemente 
A alma caipira da gente, 
na vaga contemplação 
Da manhã bucolicamente espiritualizada. 
 
M anhã fazendeira. 
Estendendo sol gostoso pela estrada, 
Onde a areia orvalhada 
Parece tem sabor de açúcar a secar. 
Passa alguém, um camarada, 
Enxada aos ombros, a faiscar. 
E a sua silhueta desenhada 
Na meia-tinta rósea do ambiente 
Dá a impressão de algum cromo brasileiro 
De um pintor nacional; 
Ou evoca fantasticamente 
A figura de um deus original. 
E ele é um deus! 
Que faz milagres de trabalho
Que alinha cafezais e milharais pelos encostas 
Em marcha triunfal! 
E, como por encanto, nas baixadas, 
Faz surgir num derrame de verdume 
Oceanos de arrozais 
Que o vento ondula coalhado de perfume 
E vozes musicais. 
Abre-te, Sésamo! 
                                                 Lino Vitti 
- 157 - 
Lavrador brasileiro
Ao chicote do sol o dia inteiro. 
A semear a semente do progresso 
Da tua imensa pátria, 
Somente o estulto, somente o não patriota, 
Só o que julga talvez que patriotismo 
É viver encaixado em geométrica fatiota, 
Repugnar-se do teu justo caipirismo, 
Atufar-se em almofadas e cafés, 
Só esse te despreza, 
Lavrador brasileiro, 
Porque ele não conhece o que tu és. 
 
Borboletas inquietas 
Andam tontas de olores 
Prá cá prá lá, beijando as flores
Beijos de flores que são de mel! 
E todas elas tão coloridas 
Envaidecidas 
de seu mister. 
E, enfeitiçando todo o painel, 
Que às vezes fica-se duvidando 
Se são os flores que estão voando, 
Se as borboletas que estão pousadas. 
 
M anhã caipira, 
A tua lembrança 
Põe-me pedaços de sol na alma. 
Trechos fugidos de infância mansa! 
Põe-me, no fantasia, tanta poesia 


Abre-te, Sésamo! 
                                                 Lino Vitti 
- 158 - 
 
Que me inebria; 
Que sinto e vivo intimamente 
E bem quisera escrever prá toda a gente. 
Impossível, porém; 
Tão doce é a tua lembrança 
E a tua glorificação, 
Que eu me contento somente 
Em ter-te presa no coração. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Abre-te, Sésamo! 
                                                 Lino Vitti 
- 159 - 


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