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AOS  VELHINHOS  DO AS ILO 
 
Brancos velhinhos, em cuja face 
As rugas contam alguma cousa, 
Como se nelas se retratasse 
A dor que dentro de vós repousa; 
Brancos velhinhos, como vos quero, 
Trago-vos todos no coração! 
Tende certeza, pois sou sincero
Sou de vós todos também irmão! 
 
Eu sei que a neve de vossas frontes 
É a neve triste das ilusões! 
Em vossos olhos vejo horizontes: 
São de poentes, finais clarões! 
A vida foge, já foge a vida, 
A noite fria já se aproxima; 
Já vejo acenos de despedida 
Para este amigo que vos estima! 
 
Porém na estrada que palmilhastes 
Com a coragem dos caminheiros, 
Os nobres gestos que praticastes 
Irão ficando como luzeiros. 
E uma palavra de vós brotada, 
De ensino ungida, toda bondade, 
Terá fulgores de uma alvorada 
E será um sol para a mocidade. 


Abre-te, Sésamo! 
                                                 Lino Vitti 
- 50 - 
 
Esse retiro que vos esconde 
Do mundo mau, vil e escarninho, 
Guarda as carícias de imensa fronde, 
O calor guarda de imenso ninho. 
No mundo existem duros olhares 
Que só derramam negra maldade, 
Porém existem, também, milhares, 
Que vos cumulam de caridade! 
 
Há muitos homens (oh! covardia!) 
Que se envergonham de vos amar, 
Cujas mãos ímpias sequer um dia 
Se abriram, ternas, para esmolar. . . 
Contudo há outras que até parecem 
Ter sido feitas de seda e arminho
Pois tanto amparam aos que padecem; 
E são tão boas para os velhinhos 
 
Quanto sossego no vosso abrigo 
Longe do inútil bulício humano! 
Tendo o silêncio por caro amigo, 
Ali, convosco, não mora o engano. 
Só a quietude desse remanso, 
Abrindo as asas dos grandes tetos, 
A paz habita, mora o  descanso
E, das saudades, sois os diletos. 
 
 
 
Abre-te, Sésamo! 
                                                 Lino Vitti 
- 51 - 
Cofres de sonhos já destruídos 
E de esperanças já naufragadas; 
Cá fora, o mundo com seus ruídos, 
E vós, lá dentro, tão sossegados! 
 
Porém, às vezes, fico tristonho, 
Tenho piedade de vós, velhinhos: 
É que no vosso colo risonho 
Nunca vos vejo embalar netinhos’ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Abre-te, Sésamo! 
                                                 Lino Vitti 
- 52 - 
 
 


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