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AS  DUAS  BORBOLETAS  
 
(M eu Deus, meu Deus, são duas borboletas!) 
(C. Abreu) 
 
Um sol, genuinamente brasileiro, 
Tropicalmente luminoso e imenso, 
Borrifou, caprichoso, o campo inteiro 
E as flores bebem luz num hausto intenso. 
 
As borboletas, voando em galhofeiro 
Bando, bebem-lhes mel, o mel e o incenso. 
M as uma é tão azul, azul, que penso 
ter saído de dentro de um tinteiro. 
 
E é essa justamente que a menina 
Borboleteando, em vão, rica de gosto, 
Tenta apanhar, e corre, e desatina. 
 
M as a outra, asas mais leves, mais fugaces, 
Vai pôr-lhe um beijo rápido no rosto, 
Supondo sejam flores suas faces. 
 
 
 
 
 
 
Abre-te, Sésamo! 
                                                 Lino Vitti 
- 41 - 
 
 
A PROCIS S ÃO 
 
Hoje é dia de festa na cidade. 
Desde cedo há repiques... dlim... dlém... dlom... 
E a criançada na sua alacridade 
Bate palmas de gozo e ingenuidade: 
“Hoje tem procissão... que bom... que bom!” 
 
As esquinas estão “assim” de gente! 
Vai passar, à tardinha, a procissão... 
Já vai chegando, vagarosamente, 
Tranqüilamente, majestosamente, 
Com círios a luzir, em profusão. 
 
Que curiosa impressão a dessas velas, 
Duas a duas, marchando, devagar; 
Lembram duas fileiras paralelas 
De postes que acendessem suas tochas amarelas 
E saíssem, depois, a desfilar! 
 
É noite, agora, noite quase fria. 
Por que as estrelas que o infinito encerra 
Desceram todas da azulada via 
E vieram postar-se em romaria 
Numa longa via-látea aqui na terra? 
 
 
 


Abre-te, Sésamo! 
                                                 Lino Vitti 
- 42 - 
 
Caíram todas como por encanto 
No pavio das velas das velhinhas 
Dessas velhinhas boas, de olhar santo, 
Que estão sempre a rezar, que rezam tanto, 
que estão sempre a dizer Salve-Rainhas? 
 
Vamos lá em cima. Que grandioso, veja! 
É um rio líquido de luz rolando, 
Cuja nascente é a porta de uma igreja
Abraça os quarteirões de espuma luminosa, 
silenciosa; 
Corre as ruas; de novo se despeja 
Pela mesma porta grande e generosa 
donde saiu, cantando. 
 
Veja os marianos com sua larga fita, 
Os anjinhos, agora, de asas alvas; 
As filhas de M aria, na alvura mais bonita, 
Vêm mulheres, depois, vestindo chita, 
E, enfim, os homens com suas testas calvas. 
 
Dentro da igreja, sim, tudo está lindo! 
O vigário saiu todo de novo! 
O órgão canta baixinho, diminuindo, 
E a Virgem mãe, do altar, está sorrindo, 
Enquanto o sacerdote abençoa o seu povo. 
 
 
 
Abre-te, Sésamo! 
                                                 Lino Vitti 
- 43 - 
 
 


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