Metodologia da Pesquisa Historica pdf



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Métodos e Técnicas de P

esquisa em História II

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UNIDADE 3



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etodologias para 

diferentes fontes históricas

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BJETIVOS DE APRENDIZAGEM

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OTEIRO DE ESTUDOS

Ŷ SEÇÃO 1 - Introdução

Ŷ SEÇÃO 2 - Análise de textos escritos

Ŷ SEÇÃO 3 - Imagens (fixas e em movimento)

Ŷ SEÇÃO 4 - História oral e depoimentos

Ŷ SEÇÃO 5 - Objetos e cultura material

Ŷ Refletir sobre os diferentes tipos de fontes históricas.

Ŷ Identificar as metodologias próprias a cada tipologia de fonte.

Ŷ Utilizar tipos diferentes de fontes em pesquisas históricas.

Ŷ Selecionar a metodologia adequada à seleção das fontes para 

realização da pesquisa.



Universidade Aberta do Brasil

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UNIDADE 4



PARA INÍCIO DE CONVERSA

Procedimentos. Esse é o foco da unidade que se inicia. Procedimentos 

relativos à coleta e interpretação de fontes históricas. Agora você avançará 

mais um passo na construção de seu projeto, ao refletir sobre o referencial 

metodológico a ser utilizado de acordo com cada tipologia diferente 

de fonte que você escolheu para construção de seu objeto. O objetivo 

central desta unidade é familiarizar você com os diferentes tipos de 

fontes históricas existentes e possíveis para realização de uma pesquisa 

em história. Muito desse conhecimento se deve ao modo como as fontes 

foram produzidas e às especificidades de cada uma.

As manifestações humanas, que, como já citado anteriormente, 

tornam-se objeto para o historiador, deixam pistas que podem ser entendidas 

através de linguagens escritas, imagens paradas ou em movimento, 

objetos, depoimentos, edificações etc. Ou seja, existe uma gama muito 

grande de registros esperando para serem operados, e as narrativas sobre 

eles, reconstruídas. E, para cada tipo de fonte, ou para os vários tipos de 

fontes a serem analisados, existem metodologias específicas. Você não 

pode trabalhar com um depoimento ou uma entrevista da mesma forma que 

tratará uma fonte oficial, um documento institucional, por exemplo. Todos 

os registros são fontes, mas a linguagem e as representações sobre cada 

tipo são diferentes. Por isso, cada modalidade requer uma metodologia 

diferenciada. É necessário pensar sobre as formas de apropriação desses 

documentos e seus procedimentos e técnicas.

Bloch alertou: “Uma ciência, entretanto, não se define apenas 

por seu objeto. Seus limites poder ser fixados, também, pela natureza 

própria de seus métodos” (BLOCH, 2001, p. 68). As fontes também são 

SEÇÃO 1

INTRODUÇÃO




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construções que expressam as intenções de quem as produz. Isso de 

maneira consciente, ou inconscientemente. Observe o exemplo a seguir, 

dado por Marc Bloch a esse respeito.

Esse fragmento, retirado de Apologia da História, alerta para a 

questão da subjetividade, presente nas narrativas. Um equívoco muito 

comum no processo de pesquisa é descrito por VIEIRA no fragmento a 

seguir: “Na maioria das vezes [os pesquisadores] partem de uma visão de 

história que identifica a produção do conhecimento com um real que lhe 

é externo, não a percebendo como construção. Nesse caso, o que buscam 

é uma maior quantidade de dados que completem um conhecimento 

histórico ’objetivo’, ’verdadeiro’, que já estaria à disposição.” (VIEIRA, 

Um comandante de exército, suponhamos, acaba de obter uma vi-

tória. Imediatamente, começa, de punho próprio, a escrever seu relato. 

Concebeu o plano de batalha. Dirigiu-a. Graças à medíocre extensão 

do terreno [...] ele pôde ver a refrega quase toda se desenrolar sob 

seus olhos. Entretanto, não duvidemos: sobre mais de um episódio 

essencial lhe será forçoso referir-se aos relatórios de seus tenentes, por 

sua vez, numa larga medida estabelecid(a)os com a ajuda de informa-

ções expedidas por subalternos. No que, aliás, ele só fará se confor-

mar, transformando em narrador, ao próprio comportamento que teve, 

algumas horas mais cedo na ação. Para coordenar a cada momento os 

movimentos de suas tropas nas vicissitudes do combate, de que infor-

mações terá melhor se servido: das imagens mais os menos confusa-

mente entrevistas através de seu binóculo ou dos relatos que traziam, 

rédeas soltas, estafetas ou ajudantes de campo? Raramente um líder 

consegue ter a si mesmo como sua própria testemunha. Entretanto, 

até numa hipótese tão favorável, o que resta da chamada observação 

direta, pretenso privilégio do estudo do presente? [...] Toda coletânea 

de coisas vistas é, em uma boa metade, de coisas vistas por outro. [...] 

O que me fornecem elas senão, mais ou menos inabilmente expres-

sa, a imagem que meus interlocutores formam do que acreditam eles 

mesmos pensar ou aquela que pretendem me apresentar de seus pen-

samentos. (BLOCH, 2001, p. 69-70).



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2002, p. 31-32). Como já foi discutido anteriormente, as fontes de 

pesquisa não falam por si, elas não contêm toda a história, e sua análise 

também não é sinônimo de que você conseguirá trazer à tona o real, bem 

como ocorrido no passado. Você também fará uma construção acerca do 

passado.

Nas palavras de VIEIRA, 

Como você pode perceber no fragmento acima, já há algum tempo 

– desde a Escola de Annales, que você estudou em Teoria da História – a 

história incorporou novas tipologias de fontes em seu trabalho. Compreende-

se, assim, a importância de ter métodos adequados para o tratamento e 

análise das diferentes tipologias de registro.

A escolha do método é tão relevante que imprime significância 

na construção da própria pesquisa. Outrossim, os dois se fundem no 

resultado dessa pesquisa. Uma história sem a reflexão metodológica 

necessária torna-se puramente descrição, compilação de dados. Também é 

a metodologia capaz de trazer o caráter acadêmico à pesquisa. Nisso reside 

sua relevância. O importante nesse ponto da pesquisa é definir quais os 

instrumentos necessários para encontrar as repostas para os determinados 

questionamentos já levantados, ou seja, através de qual método, ou quais 

métodos, você chegará aos apontamentos sobre seu objeto. Como aponta 

Carlos Bacellar (2010, p. 25), as “fontes documentais [são a] matéria-prima 

dos historiadores”.

Como dar conta de tantas fontes – cinema, música, fotografias, 

documentos oficiais, cartas, diários, entrevistas, literatura, construções, 

objetos e cultura material, entre outras – que demandam uma leitura de 

linguagens diversas? Todas elas requerem procedimentos de análise de 

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discurso diferenciados. A tradição historiográfica preconizava a fonte 

escrita e, ao mesmo tempo, colocava entraves para a incorporação de outras 

linguagens e fontes nas investigações que remetem a diversos tipos de 

relações sociais e produção humana. 

Contudo, se você escolher trabalhar com cinema, aqui vai um alerta! 

Existem autores que apontam direcionamentos para pesquisar a partir 

desse tipo de linguagem. Nada que algumas leituras na área e dedicação 

ao trabalho de pesquisa não resolvam. Nem sempre escolher o caminho 

que é mais convencional e, muitas vezes o que representa maior segurança, 

necessariamente será o que resultará numa pesquisa de qualidade. 

Cada tipo de fonte requer metodologia e tratamento específicos. 

Por sua vez, essas metodologias exigem esquemas explicativos para sua 

execução. Metodologias são procedimentos necessários para responder 

a uma questão operacional, que, por sua vez, pode demandar diversos 

procedimentos metodológicos. Por exemplo, num mesmo trabalho você 

pode usar procedimentos de história oral e procedimentos estatísticos 

cujas metodologias são diferentes, mas podem responder a questões 

operacionais formuladas a partir de objetivos específicos, como você já 

estudou anteriormente. Isso dará objetividade ao processo de produção do 

conhecimento histórico. 

Um exemplo disso é a utilização da metáfora da picareta e da pá. 

Você não pode trabalhar a terra com uma picareta, pois esse instrumento 

não tem serventia para revolver a terra e deixá-la pronta para a semeadura. 

Tampouco, pode utilizar uma pá para quebrar pedras ou abrir um buraco 

no concreto. Cada instrumento possui sua utilização específica. Por isso, no 

caso das metodologias específicas aos tipos de fonte ocorre a mesma coisa. 

A historiografia é passível da quebra de paradigmas continuamente 

(pelo que você pôde perceber estudando as disciplinas de Teoria da História e 

Produção do Conhecimento Histórico), assim também o volume, a quantidade 

de informações e a acessibilidade a essas informações são descobertos, o 

que, por consequência, gera o aperfeiçoamento das técnicas.  

Cuidado com as generalizações: lembre-se de que história é 

especificidade. Não é aconselhável que você use determinada metodologia 

para tratar de um aspecto geral sobre o objeto. Cada caso é um caso. O 

discurso publicado em um jornal do início do século normalmente exige 

procedimentos de análise bastante distintos dos usados em história oral. 




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Você deve tratar cada discurso de maneira apropriada.

Além disso, não queira “reinventar a roda”. Tenha em mente a 

subsequência: você não será o(a) último(a) a tratar desse assunto e talvez 

outros pesquisadores já tenham considerado a mesma possibilidade (não 

no mesmo recorte espaço-temporal) que você. Escolha criteriosamente seu 

método, a fim de que o “mesmo seja compatível com a sua formação de 

historiador” (CARDOSO, p. 452). Por outro lado, adote “certa flexibilidade no 

uso do método escolhido, de modo a não cair prisioneiro de procedimentos 

que prejudiquem as interpretações históricas de fundo e a verificação das 

hipóteses de trabalho.” (CARDOSO, p. 542).

Acompanhe os casos explicitados a partir da seção seguinte, para 

compreender como ocorre a utilização das metodologias conforme o tipo 

de cada fonte. 

Muitas pessoas utilizam como fonte principal de sua pesquisa o 

documento escrito, contando com o fato de que encontrarão nele respostas 

diretas sobre o objeto. Não pense que utilizando as fontes mais convencionais 

o seu trabalho de análise e interpretação será mais fácil, ou que seus problemas 

com metodologias estarão resolvidos.

A primeira reflexão necessária para se trabalhar com esse tipo de fonte 

histórica é perceber a natureza e tipo de conteúdo desse registro. Trata-

se de um livro? Jornal? Cartas ou documentos pessoais? Documentos de 

instituições públicas ou privadas? Ou seja, considere o contexto de produção

de tal documentação. Você deve levar em consideração o universo que 

permeou o(s) autor(es)/produtor(es) de determinado texto/documento escrito, 

como também o canal/suporte de comunicação utilizado. Registre todas as 

informações que conseguir sobre essa produção (autor, data, local, contexto 

em que foi produzido/escrito etc.).

Posteriormente, você deverá analisar o texto propriamente dito, o 

conteúdo desse documento ou conjunto documental. Isso se faz através da 

SEÇÃO 2


ANÁLISE DE TEXTOS ESCRITOS


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análise do discurso. De acordo com Cardoso, 

Sendo assim, é necessário considerar que o documento sempre é 

portador de um discurso, uma construção, e não pode ser visto como algo 

que reproduz fielmente a realidade. Um texto, seja ele escrito ou imagético 

(que será abordado na próxima seção), não se dissocia de seu contexto 

de produção. Só assim você poderá apreender significações sobre ele, 

aliando sua forma ao conteúdo expresso. Contudo, lembre-se que você 

jamais poderá ter certeza do que o autor do texto quis expressar.

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Um jornal, por exemplo, 

que é geralmente um veículo de 

comunicação diária, produz um 

volume de registros considerável 

sobre diversos aspectos da vida 

cotidiana: política, artes, sociedade, 

economia, página policial, esportes 

etc. Por mais factuais que pareçam as 

notícias de jornais, existe sempre um 

peso ideológico, político-partidário, 

socioeconômico e histórico na 

elaboração desse tipo de registro. A 

notícia é parcial, e os produtores da 

notícia demonstram isso através da 

produção da versão de um fato, seja 

ele qual for.






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