Mestrado em meio ambiente e desenvolvimento regional


Espaços Livres e Áreas Verdes nas cidades



Baixar 0.77 Mb.
Página7/20
Encontro30.06.2021
Tamanho0.77 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   ...   20
4.1.3 Espaços Livres e Áreas Verdes nas cidades

Espaço livre é um termo abrangente que inclui os termos área verde, parque urbano, praça, sistema de lazer, jardim, área de preservação permanente e áreas particulares dentro dos limites urbanos. Segundo Miller (1997), o primeiro critério para se estabelecer um espaço livre deveria ser o de um local onde a maioria da população teria acesso. O lazer e a recreação, segundo Avarez (2004), são a função primordial desses espaços para a maioria da literatura.

Llardent (1982, apud LOBODA; ANGELIS, 2005) retrata a história das funções urbanas desses espaços livres dizendo que: “a cidade é um conjunto de elementos, sistemas e funções entrelaçados”. Este é um marco concreto, onde deve contemplar a evolução dos espaços livres como um dos principais sistemas que formam o organismo urbano.

Guzzo (1999, apud AVAREZ, 2004) delega uma importância ainda maior para esses espaços, afirmando que a existência de espaços livres urbanos expressa o significado de qualidade ambiental e de vida de uma cidade.

Espaço verde ou área verde são termos relativamente novos que têm origem do movimento de conservação da natureza urbana. Para Avarez (2004), as expressões “espaço verde” e “espaço livre” são usadas livremente e de modo intercambiável em muitos estudos, mas a ausência de uma definição consensual sobre essa terminologia não é bem aceita para alguns autores, que defendem a padronização do termo.

Lima et al. (1994) consideram que é necessário um esforço para que os termos utilizados para classificação da vegetação urbana sejam discutidos de forma convergente. Para eles, espaço livre é um termo mais abrangente que áreas verdes, e admitem que entre os espaços livres tem-se:



  • Área verde: onde há o predomínio de vegetação arbórea. Devem ser consideradas as praças, os jardins públicos e os parques urbanos, além dos canteiros centrais e trevos de vias públicas, que tem apenas funções estéticas e ecológicas. Porém, as árvores que acompanham o leito das vias públicas não se incluem nesta categoria. Os autores apontam que as áreas verdes, assim como todo espaço livre, devem também ser hierarquizadas, segundo sua tipologia (privadas, potencialmente coletivas ou públicas) e categorias.

  • Parque Urbano: são áreas verdes, maiores que as praças e jardins, com função ecológica, estética e de lazer.

  • Praça: pode não ser considerada uma área verde caso não tenha vegetação e seja impermeabilizada. Quando apresenta vegetação é considerada jardim, e como área verde sua função principal é de lazer.

De acordo com esse entendimento e considerando as áreas verdes como uma categoria dos espaços livres de construção, Mazzei et al. (2007) ressaltam que estes termos não são sinônimos e que o planejamento das áreas verdes visa “atender a demanda da comunidade urbana por espaços abertos que possibilitem a recreação, o lazer e a conservação da natureza” (p.35). Em suas concepções,

[...] as áreas verdes não são necessariamente voltadas para recreação e lazer como objetivos básicos dos espaços livres, porém devem ser dotadas de infraestrutura e equipamentos para oferecer opções de lazer e recreação às diferentes faixas etárias, a pequenas distâncias da moradia (que possam ser percorridas a pé). (MAZZEI et al., 2007,p.45)

Alguns planos sobre espaços verdes nas cidades desconsideram seu papel multifuncional. Muitas decisões são baseadas apenas em estética e em custo. O que ainda está faltando, na maioria das cidades, é uma visão sobre o papel dos espaços verdes, uma compreensão de que eles formam uma estrutura verde que pode ser usada como um recurso em benefício dos habitantes e para aumentar a sustentabilidade do meio (Beer & Higgins, 2000 citados por Avarez, 2004).

Beer et al. (2003) mostraram que a presença de espaços verdes urbanos exerce várias funções:



  • apoio recreacional, experiencial e à necessidade de saúde de pessoas locais e visitantes;

  • estímulo para que as pessoas desfrutem um tempo de lazer nos locais onde vivem, reduzindo o uso de veículos;

  • fornecimento de oportunidades para que moradores urbanos permaneçam em lugares relativamente quietos;

  • relação de um sentimento de orgulho da comunidade em relação à sua localidade;

  • apoio ao desenvolvimento e manutenção da biodiversidade em áreas urbanas;

  • fornecimento de área para deposição de dejetos biodegradáveis;

  • contribuição para a limpeza do ar, pela retirada de partículas por meio das copas das árvores e dos arbustos;

  • redução do efeito de ilhas de calor urbanas;

  • aumento da atratividade econômica de uma cidade.

Espaço livre é definido como aquela parte da área urbana que contribui para amenizar a vista, dando uma percepção positiva da paisagem urbana e/ou que tem a virtude de permitir acesso público. É uma combinação de espaço verde urbano com espaço público. Este conceito concorda, em termos gerais, com o de Espaço Verde Urbano. Os responsáveis pelo planejamento e manejo de parques usam o termo “espaço livre” para se referir a acesso público, de responsabilidade de autoridades locais (Avarez, 2004).

A manutenção das áreas verdes urbanas sempre foi justificada pelo seu potencial em propiciar qualidade ambiental à população. Ela interfere diretamente na qualidade de vida dos seres por meio das funções sociais, ecológicas, estéticas e educativas, que elas exercem para amenização das consequências negativas da urbanização (Caporusso; Matias, 2008). O impacto do espaço verde sobre a saúde é cada vez mais reconhecido, mas esse tema ainda precisa influenciar mais o urbanismo.

De acordo com Díaz (2010) a presença de vegetação abundante é um dos fatores mais importantes que influencia o uso dos espaços abertos e se encontra indissociavelmente vinculado à qualidade do projeto. A autora chama a atenção para a importância desses espaços verdes urbanos na umidificação e purificação do ambiente das cidades, produção de oxigênio, proteção da fauna, amortecimento de efeitos sonoros e seu papel essencial como reguladores de iluminação e microclima, além de outras vantagens ambientais e estéticas.

Jim e Chen (2003, apud BENINI, 2009) consideram que as áreas verdes urbanas são “universalmente avaliadas como locais de recreação, refúgio de vida selvagem e ingrediente essencial para uma cidade habitável”

De acordo com Benini (2009), em síntese, essas áreas verdes contribuem para o conforto ambiental dos locais onde estão inseridas. Somam-se a estas funções a de embelezamento da cidade, bem como, a função do lazer, onde o homem pode afastar a angustia da cidade de concreto, permitindo que o indivíduo venha a se integrar com a natureza. Em uma tese que objetiva conceituar o termo “área verde pública”, a autora Considera “área verde pública todo espaço livre (área verde / lazer) que foi afetado como de uso comum e que apresente algum tipo de vegetação (espontânea ou plantada), que possa contribuir em termos ambientais (fotossíntese, evapotranspiração, sombreamento, permeabilidade, conservação da biodiversidade e mitigue os efeitos da poluição sonora e atmosférica) e que também seja utilizado com objetivos sociais, ecológicos, científicos ou culturais.”

A oferta de Espaços Verdes Urbanos (EVU) seguros, limpos e confortáveis tem impactos na saúde, medidos de forma direta, através do estado de saúde auto avaliado e longevidade e, de forma indireta, através da melhoria da qualidade ambiental.

Apesar do reconhecimento desse papel essencial da vegetação urbana, para Diegues (1996) não basta a simples colocação de espaços livres urbanos materializados em áreas verdes sem que haja a valorização da própria população local; nesse caso, a população deve ser incluída no sentido de não só usufruir dos espaços disponíveis como também contribuir para a manutenção dos elementos ali existentes. O autor destaca a grande importância da participação das comunidades na preservação e conservação da biodiversidade. Adaptando ao contexto estudado, a existência de pesquisas científicas que apontem a importância do parque em questão na saúde da população podem alertar autoridades e até mesmo os próprios frequentadores para a necessidade de preservação e conservação do local, e até mesmo de possíveis melhorias.




Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   ...   20


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal