Mestrado em meio ambiente e desenvolvimento regional


ATIVIDADES FÍSICAS EM AMBIENTES VERDES URBANOS



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4.3 ATIVIDADES FÍSICAS EM AMBIENTES VERDES URBANOS

Principalmente a partir da década de 1990, estudos verificando a influência de variáveis ambientais na prática de atividade física ganharam importância (SALVADOR, 2008). Oliveira (1996, apud CAPORUSSO; MATIAS, 2008) considera o estilo de vida urbano e a estrutura cultural das cidades como elementos associados à tendência ao sedentarismo, o que acaba por intensificar a demanda por áreas verdes e espaços livres recreativos.

Entende-se como ambiente relacionado à prática de atividades físicas a estrutura e características naturais (temperatura, aclives e declives do solo, áreas verdes), estruturas construídas (ruas e suas conexões, presença de calçadas, semáforos, sinalizações, parques, clubes, academias, pistas de caminhada, ciclovias, postos de saúde, supermercados e outros estabelecimentos comerciais e de serviço, acessibilidade, densidade populacional etc.), características regionais e tamanho das cidades (zonas rurais ou urbanas e regiões periféricas ou centrais) e barreiras ambientais para a prática de exercícios, como trânsito de veículos, população e criminalidade da região (IPEN, 2004).

Para Milano (1990, apud CAPORUSSO; MATIAS, 2008) a principal função do sistema de áreas verdes urbanas não deve ser apenas a criação de refúgios para que as pessoas possam “escapar” da cidade. Além disso, estas áreas devem possibilitar à população momentos de lazer e recreação em contato com a natureza, respeitando sua vivência urbana e contato com outras pessoas. Neste sentido, Henk-Oliveira (1996) argumenta que o “estilo de vida urbano e a estrutura cultural das cidades são elementos associados à tendência ao sedentarismo, aumentando a demanda por áreas verdes e espaços para recreação”.

Estudos que trazem considerações a respeito da relação entre vegetação e prática de atividades físicas têm aumentado nos ultimos anos. Pesquisadores têm mostrado que a vida em ambientes mais naturais influencia positivamente a auto percepção de saúde das pessoas e leva a uma redução da mortalidade ou morbidade (MAAS et al, 2008; Branas CC, Cheney R a, MacDonald JM, et al, 2001). Um mecanismo sugerido para isso é que a oferta de espaços verdes urbanos promove a atividade física, reduz a obesidade e aumenta a saúde respiratória e cardiovascular (Branas CC, Cheney R a, MacDonald JM, et al, 2011).

Dado o crescente consenso que o ambiente é a chave em promover expansão da energia, expandir oportunidades para o aumento da atividade física é um meio promissor de combate ao comportamento sedentário associado com uma variedade de doenças crônicas (Cohen D a, McKenzie TL, Sehgal A, et al., 2007). Aumentar o nível de atividade física da população pode requerer mudanças substanciais no nosso ambiente diário. De acordo com Branas et al (2011), programas que focam na mudança da estrutura de um ambiente na busca de saúde, como a “verdificação” de uma área, acaba por influenciar muito mais pessoas e por um período de tempo muito maior do que programas individuais de saúde. Os autores acompanharam por 10 anos lotes vagos que foram transformados em áreas verdes na cidade da Filadélfia, e os resultados da pesquisa sugeriram que essa transformação pode reduzir certos tipos de crimes e promover alguns aspectos de saúde.

O desporto praticado ao ar livre é baseado numa concepção mais aberta e multidimensional. Deixa de ser reservado só para alguns e passa para uma atividade de várias opções, tornando-se assim um desporto para todos, com um sentido subjetivo (PIRES, 1998). É necessário oferecer às pessoas condições para a prática esportiva e ocupação do tempo livre de uma forma autônoma, livre de horários. Os parques urbanos possibilitam essa prática, abrangendo todas as faixas etárias e sociais, e dão condições necessárias para um desenvolvimento individual (NUNES, 2000).

Os atributos dos espaços abertos oferecem dicas sobre como ele é usado e por quem. Pesquisas qualitativas e quantitativas sugerem que os fatores que podem influenciar são a proximidade, acessibilidade (não existência de rodovias), aspectos estéticos como a presença de árvores, água (lago) e existência de pássaros, manutenção do parque, tamanho e a disponibilidade de facilidades como calçadas ou percursos para pedestres (caminhada). (Tinsley, H; Tinsley, D; Croskeys,2002).

Uma revisão da literatura por Broomhall (apud Giles-Corti B, Broomhall MH, Knuiman M, et al., 2005) concluiu que inúmeros fatores observáveis podem influenciar o uso de espaços públicos abertos. Estes incluem a qualidade e quantidade de espaço; características dos potenciais utilizadores (por exemplo, status socioeconômico, idade, gênero e etnia); fatores psicológicos (por exemplo, auto-eficácia, barreiras percebidas) que influenciam as preferências pessoais; acesso a instalações locais (por exemplo, centros de lazer); a relação entre atributos do parque e necessidades dos usuários locais; manutenção do parque; e segurança percebida.

Estudos realizados na Austrália, EUA, Canadá e Inglaterra entre o ano de 2000 e 2007 foram revisados por Salvador (2008), que objetivava aferir as relações de variáveis do ambiente com as atividades físicas de locomoção e lazer. Constatou-se que o fator “fácil acesso aos locais para a prática de atividades físicas” foi determinante para que um maior número de pessoas realizasse a quantidade mínima semanal de atividade física moderada e/ou vigorosa recomendada pela Organização Mundial de Saúde.

Recursos, mais do que o tamanho do parque, atraem pessoas para a prática de exercícios físicos, incluindo acessibilidade, disponibilidade e qualidade das facilidades. O uso está também de acordo com preferências individuais, como idade, hábitos de exercício e raça/etnia (Cohen D a, McKenzie TL, Sehgal A, et al., 2007).

Apesar de tantas constatações de que os parques influenciam positivamente a prática de atividades físicas, muitas pesquisas que exploram essa associação têm produzido resultados mistos (Ord; Mitchell; Pearce, 2013). Nesse sentido, Ariane et al (2005) considera que as taxas de participação de atividade em parques dependem de uma variedade de características demográficas, socioeconômicas e regionais.

Um estudo feito por Maas et al (2008) incluiu 4,899 holandeses que foram entrevistados sobre atividade física, auto percepção de saúde e pano de fundo demográfico e socioeconômico. Pessoas com mais espaço verde ao redor de suas residências praticaram atividade física com menos frequência e menos minutos nas horas de lazer, indicando que a quantidade de espaço verde no ambiente de vida é dificilmente relacionada com o nível de atividade física.

Hillson et al. (2006) realizaram um exame transversal da relação entre o acesso ao espaço verde urbano de qualidade e o nível de atividade física de lazer em 4950 respondentes de meia-idade (40-70 anos) que residiam em Norwich, Reino Unido. Os autores não constataram nenhuma evidência de relações claras entre a atividade de lazer e acesso a espaços verdes. Outros estudos realizados na Nova Zelândia (WITTEN et al, 2008) e na Escócia (Sugiyama et al, 2008) também não encontraram relação nenhuma entre disponibilidade de espaços verdes e aumento da prática de atividade física em sua população.

Para Cohen at al. (2007), parques urbanos podem desempenhar um papel na facilitação da atividade física, mas não necessariamente fazê-lo; de fato, os parques também oferecem oportunidades para as pessoas se envolverem em comportamentos sedentários. Informações sobre quem usa parques públicos e o que eles fazem lá podem elucidar a contribuição atual e potencial dos parques na atividade física.




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