Mestrado em meio ambiente e desenvolvimento regional


Qualidade de Vida Relacionada à Saúde



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4.2.3 Qualidade de Vida Relacionada à Saúde

A atenção e preocupação com a melhoria da qualidade de vida ocupa cada vez mais a atenção de representantes de governos e também da sociedade civil em todo o mundo. Porém, apesar de termos uma ideia conceitual sobre o que é qualidade de vida, definir objetivamente esse conceito não tem sido uma tarefa fácil. Pina & Santos (2012) afirmam:

“No que tange à qualidade de vida especificamente, várias podem ser as opiniões a respeito desse conceito. Ter qualidade de vida pode significar boas condições financeiras, boas relações familiares, boa saúde física e mental, ambiente limpo/saudável, etc. Trata-se de um conceito que pode ser, muitas vezes, bastante subjetivo, e isso amplia ainda mais a necessidade de entendê-lo, de forma clara e objetiva."

A partir do início da década de 90, parece consolidar-se um consenso entre os estudiosos quanto a dois aspectos relevantes do conceito de qualidade de vida: subjetividade e multidimensionalidade. Em relação à subjetividade, trata-se de considerar a percepção da pessoa sobre o seu estado de saúde e sobre os aspectos não médicos do seu contexto de vida, ou seja, uma análise que só pode ser feita pelo próprio indivíduo, ao contrário das tendências iniciais de uso do conceito que direcionavam a avaliação a um profissional de saúde. Quanto à multidimensionalidade refere-se ao reconhecimento de que o construto é composto por diferentes dimensões. A identificação dessas dimensões tem sido objeto de pesquisa científica, em estudos empíricos, usando metodologias qualitativas e quantitativas (SEIDL, 2004).

Um estudo feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1994 (UFRGS, 2010), que teve como objetivo a criação de instrumentos medidores de qualidade de vida, classificou qualidade de vida com um sentido mais amplo, aparentemente influenciado por estudos sociológicos. Observou-se uma multidimensionalidade do conceito, surgindo assim uma estrutura composta por seis domínios:


  • domínio I (físico): dor, desconforto, energia, fadiga, sono e repouso;

  • domínio II (psicológico): sentimentos positivos, auto-estima, aparência, sentimentos negativos, etc.;

  • domínio III (nível de independência): mobilidade, atividades da vida cotidiana, uso de medicação e tratamentos, capacidade de trabalho/produção, etc.;

  • domínio IV (relações sociais): relações interpessoais, apoio social, atividade sexual, etc.;

  • domínio V (ambiente): segurança física e proteção, recursos financeiros, lazer, ambiente físico - poluição, ruído, trânsito, clima - etc.;

  • domínio VI (aspectos espirituais, crenças pessoais ou religião): espiritualidade, religião e crenças pessoais.

Nesse caso, percebe-se claramente que o ambiente - domínio V, com destaque para lazer, além do ambiente físico propriamente dito - torna-se um elemento relevante para a avaliação da qualidade de vida, principalmente no contexto urbano, no qual a poluição do ar, sonora e visual podem influenciar diretamente no bem-estar da população (UFRGS, 2010).

Oliveira (1983, apud GOMES; SOARES, 2004) salienta que a qualidade de vida está intimamente ligada à qualidade ambiental, pois vida e meio ambiente são inseparáveis, o que não significa que o meio ambiente determina as várias formas e atividades de vida ou que a vida determina o meio ambiente. Na verdade, o que há é uma interação e um equilíbrio entre ambos que variam de escala em tempo e lugar.

Podemos delimitar a qualidade de vida em dois tipos: qualidade de vida não relacionada à saúde e qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS). A qualidade de vida não relacionada à saúde inclui, segundo Cramer, quatro domínios: a) interno pessoal; b) pessoal social; c) meio ambiente natural externo; d) meio ambiente social externo. Cada um desses itens subdivide-se em diversos componentes que dependem de subjetividades.

O termo qualidade de vida relacionada à saúde é muito utilizado na literatura com objetivos semelhantes à conceituação mais geral supracitada. Não obstante, parece implicar os aspectos mais diretamente associados às enfermidades ou às intervenções em saúde. Algumas definições que ilustram os diferentes usos do termo são apresentadas na tabela a seguir. É possível identificar, nas conceituações de Guiteras & Bayés, Cleary et al. e Patrick & Erickson (apud SEIDL, 2004), a referência ao impacto da enfermidade ou do agravo na qualidade de vida.





SEIDL, Eliane Maria Fleury; ZANNON, Célia Maria Lana da Costa. Qualidade de vida e saúde: aspectos conceituais e metodológicos. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 20, n. 2, Apr. 2004.
Ao fazermos uma relação entre saúde e qualidade de vida, precisamos estar cientes que alguns fatores como ausência de atividade física ou efeitos deletérios que ela possa causar podem tornar essa relação negativa. Ademais não podemos pensar que os dois conceitos estejam necessariamente vinculados, já que suporíamos que um indivíduo sedentário não tem boa qualidade de vida, e vimos que a classificação do conceito como boa ou ruim está diretamente ligada à maneira do indivíduo entender o sentido da vida, aos seus anseios, sua autoestima etc.

Ao mencionarmos qualidade de vida neste trabalho consideraremos as expectativas do indivíduo, mas também os padrões esperados para seu gênero, idade, condição socioeconômica e valores éticos e culturais. Como profissionais, partiremos da consideração que uma boa condição física é um dos fatores importantes para a prevenção e tratamento de doenças e manutenção da saúde, sendo assim, torna-se um importante instrumento para a melhoria da qualidade de vida da população.






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