Memórias da formação e identidade do Jardim Acrópole e Jardim Solitude em Curitiba, ao redor do Colégio Santa Rosa, a partir da década de 1970


 Fundamentação teórica: a História local



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2 Fundamentação teórica: a História local 

 

 



Mas  muitos  não  compreendem  que  é  um  ganhar  incomensurável  conhecer 

suas  próprias  raízes  e  a  história  do  local  onde  vivem.  Também,  alimentar  uma 

constante  transformação  dos  diversos  âmbitos  da  vida  do  ser  humano,  pessoal  e 

social.  Centenas vieram para esta região acima citada, simplesmente à procura de 

sobreviver às intempéries dos acasos e acontecimentos que o homem promove, não 

levando em conta que: 

 

O  viver  em  grupos  permite  o  confronto  entre  as  pessoas  e  cada  um  vai 



construindo  o  seu  “eu”  neste  processo  de  interação,  através  de 

constatações de diferenças e semelhanças entre nós e outros. (Lane,2006, 

p.16) 

 

Onde, cada um, inclusive o estudante do nono ano é o sujeito histórico do seu 



tempo e do seu lugar. Porém, esta ideia ainda é de difícil aceitação, ora se vê como 

mais um na multidão, ora se mostra autossuficiente, consequentemente frustra seus 

anseios e planos. 

Encontramos antigos moradores que compreendem as razões que o levaram 

a  se  mudar  para  fora  de  seu  lugar  de  origem,  normalmente  neste  caso  vindos  do 



campo, o que coincide com o que lemos na Dissertação de Marisa Valle Magalhães 

(1996), sobre a migração, ela se refere a um dos fenômenos migratórios no Paraná 

ter  ocorrido  devido  à  modernização  tecnológica  das  atividades  agrícolas 

aumentando  o  poder  capitalista  do  setor  industrial,  produzindo  uma  mão  de  obra 

disponível a partir dos agricultores que não conseguem mais se manter no cultivo da 

terra. Estes vão se submeter a empregos assalariados, no plantio mesmo, no setor 

industrial  ou  outra  solução  que  é  a  migração,  contribuindo  para  a  concentração  da 

população urbana. 

 

Esta última, por sua vez, oferece argumentos para esta Unidade Didática, no 



que se refere aos Jardins Acrópole e Solitude, sobretudo  para entender o início do 

povoamento  desta  região.    Ainda,  na  Dissertação  acima  citada,  é  mencionado  o 

período da década de 1970 como o momento em que o processo de modernização 

da  agricultura  se  torna  intenso,  modificando  a  forma  de  organização  econômica  e 

social do Paraná:  

a  Região  Metropolitana  de  Curitiba  reforçou  de  maneira  expressiva  seu 

caráter concentrador de população no Estado. Sua taxa de crescimento foi 

a  mais  alta  frente  às  taxas  das  demais  regiões  metropolitanas  do  País, 

naquele período. (p. 58)  

 

Sob  a  influência  do  crescimento  da  RMC,  chega  também  até  à  periferia  das 



cidades  da  região,  fazendo  crescer  o  número  de  habitantes,  surgindo  várias  vilas, 

como as que emergem no mesmo tempo que o Colégio Estadual Santa Rosa.  

Ainda se lê nesta mesma Dissertação acima citada, sobre a década de 1980-

1991:  


A  Região  Metropolitana  de  Curitiba,  por  seu  turno,  que  ocupa  uma  área 

sensivelmente  menor  do  que  a  vasta  região  Norte,  assume  a  segunda 

posição em termos de concentração populacional no Estado, mesmo sendo 

de longe a região mais urbanizada de todas. (p.62)  

 

Observando  os  dados  acima,  nota-se  o  intenso  movimento  de  paranaenses 



em  diversas  direções  do  Estado  (Grande  Norte,  Extremo-Oeste/Sudoeste,  Paraná 

Tradicional e suas Regiões Metropolitanas), no período de 1970-1990, que de certa 

forma até os dias atuais continua recebendo migrações, fazendo crescer as regiões 

urbanas.  De  onde  são  as  raízes  das  famílias  dos  nossos  estudantes  da  nossa 

região. 

E  assim  a  visão  da  história  local  não  se  fixa  somente  num  aspecto  voltado 

para si mesmo. Ela é exposta também em relação aquilo que outras histórias locais 

podem  trazer,  com  o  mundo  e  suas  descobertas  e  desenvolvimentos  sociais, 

tecnológicos, políticos e econômicos. Para ter ciência de sua história, a articulação é 

necessária,  tanto  quanto  uma  abertura  à  globalização  que  aproxima  e  confrontam 

leis, regras, valores e concomitantemente fornece meios para se inserir no mundo.  

Sobre o uso da História Local:  

 

Em  primeiro  lugar,  é  importante  observar  que  uma  realidade  local  não 



contém,  em  si  mesma,  a  chave  de  sua  própria  explicação,  pois  os 

problemas  culturais,  políticos,  econômicos  e  sócias  de  uma  localidade 




explicam-se, também, pela relação com outras localidades, outros países e, 

até  mesmo,  por  processos  históricos  mais  amplos.  Em  segundo  lugar,  ao 

propor o ensino (e o uso) da história local como indicador da construção da 

identidade,  não  se  pode  esquecer  de  que,  no  atual  processo  de 

mundialização, é  importante  que  a  construção  de  identidade  tenha  marcos 

de  referências  relacionais,  que  devem  ser  conhecidos  e  situados,  como  o 

local,  o  nacional,  o  latino-americano,  o  ocidental  e  o  mundial.  (Schimidt  e 

Cainelli, 2004, p.112)  

 

As  informações  contidas  na  história  local  reproduzida  de  maneira  formal  e 



oficial nem sempre contempla as vozes da “grande minoria” que produz um trabalho 

minucioso  e  quase  imperceptível.  Por  isso,  é  conveniente  escutar  o  que  dizem  as 

lendas,  mitos,  causos  que  estão  guardadas  com  grande  respeito  na  memória  das 

pessoas anônimas. 

 

A memória, como propriedade de conservar certas informações, remete-nos 



em  primeiro  lugar  a  um  conjunto  de  funções  psíquicas,  graças  às  quais  o 

homem  pode  atualizar  impressões  ou  informações  passadas,  ou  que  ele 

representa como passadas. (Goff, 2003. p.419) 

 

Somente  torna-se  memória  àquilo  que,  de  uma  forma  ou  de  outra,  provoca 



reações  e  sentimentos  válidos  e  que  fornecem  conteúdos  para  até  mesmo 

caracterizar uma sociedade. 

uma das histórias de vida mais comoventes, e certamente a mais completa, 

de  uma  pessoa  “insignificante”,  conseguida  a  partir  da  história  oral. 

(Thompson, p.137) 

   


 

Ouvindo várias e diferentes memórias, que são esquecidas e silenciadas por 

parte  da  informação  oficial,  cria-se  um  universo  diferente  da  história,  onde  os 

indivíduos  comuns  são  partícipes  da  formação  coletiva  de  uma  história  ideológica, 

vital numa organização social, que vive o presente, mas que também projeta o seu 

futuro. 


Confiando nestes testemunhos que se repetem inúmeras vezes, é o que torna 

a história local mais atraente, tanto para os mais jovens estudantes e filhos daquela 

região, como para os que se aproximam por interesses, necessidades e curiosidade, 

que  não  estão  vendo  heróis  fictícios,  distantes  de  épocas  e  espaços  de  histórias 

desinteressantes. E também, construir com este material um conteúdo pedagógico e 

educacional e que faça parte do agradável sabor do saber! 

 

A  interpretação  de  dados  e  informações  através  de  leitura  proposta  da 



Conclusão  de  uma  Dissertação,  acima  mencionada,  pode  se  tornar  complexa, 

sobretudo, para quem não tem hábito de ler e estar mais próximo dos resumos das 

redes  virtuais.  Entretanto,  a  experiência  de  ler  uma  conclusão  de  uma  pesquisa, 

depois  de  já  ter  sido  feito  comentários  sobre  ela,  o  estudante  do  nono  ano  pode 

perceber as mudanças e as permanências de certas situações, do que ocorria certa 

de quatro décadas atrás e o que ainda hoje se desenrola no seu cotidiano. 

  



A despeito da existência, hoje, de outras mídias que permitem o acesso fácil 

às  informações  necessárias  para  o  viver  no  cotidiano,  a  escrita  ainda  se 

coloca como um meio mais eficaz e fundamental de acesso à informação, já 

que  oferece  a  possibilidade  de  escolha  e  de  liberdade  face  aos  caminhos 

apresentados.  Ao  ler,  o  indivíduo  constrói  os  seus  próprios  significados, 

elabora  suas  próprias  questões  e  rejeita,  confirma  e/ou  reelabora  as  suas 

próprias  respostas.  É  ele  quem  inscreve  ou  reinscreve  o  significado  do 

escrito a partir de sua própria história.” (Ferreira & Dias, 2002) 

 

 

O  ato  de  ler  é  imprescindível  durante  e  sempre  na  vida  de  um  estudante.  É 



oportuno,  neste  Projeto,  dedicar  um  tempo  para  esta  atividade.  Até  porque,  ler 

estimula  o  aprender  a  escrever.  Lendo  é  possível  sair  do  conforto  de  seu  próprio 

mundo e suas circunstâncias, e observar para entender outros novos conceitos.  

 

 



 


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