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Encontro17.03.2020
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A mão no ombro

  • A personagem percebe os sentidos se aguçarem, mergulhada nesse cenário esquisito, nesse jardim repleto de estranhas ervas perfumosas, com um silêncio cristalizado como num quadro, tudo muito estático, em meio a um torpor. O único movimento é o do inseto saindo da orelha – em um movimento semelhante ao dos insetos nos corpos dos mortos. Outra alusão à morte é o fato de ele seguir andando com as mãos nos bolsos e encontrar dois ciprestes, árvores típicas dos cemitérios, cujas fortes folhagens simbolizam a imortalidade. Uma curiosidade, nesse primeiro segmento, é que o sonhador faz uso de quase toda a sensorialidade, desenvolvendo quatro sentidos: visão, audição, olfato e tato, somente faltando alusão ao paladar que, em contrapartida, será resgatado no segundo segmento, na cena do café da manhã. Aliás, o fato do paladar não estar presente neste sonho corrobora seu sentido como experiência da morte: esta, ao invés de nutrir, retira a vida do corpo.

A mão no ombro

  • Apesar da aparência inocente, o jardim é tão inquietante quanto o jogo de quebra-cabeça de sua infância. Nesse, seu pai estimulava sua perspicácia em localizar rapidamente o caçador no bosque, sob pena de perder o jogo: vamos, filho, procura nas nuvens, na árvore, ele não está enfolhado naquele ramo? No chão, veja no chão, não forma um boné a curva ali do regato?. Ao final da narrativa, no detalhe desta lembrança, temos a situação inversa no plano da realidade, pois a personagem é caçada pelo caçador. Porém, desta vez a morte é o ônus: o homem fantasia a figura do caçador na escada como representação da morte.



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