Mãe, voltei!


parte, só não entendi o porquê das crianças



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Mãe, Voltei! Osmar Barbosa
Eustaquio

parte, só não entendi o porquê das crianças.
–  Crianças  também  cometem  erros,  senhora.  Embora  elas  sejam
assistidas  por  iluminados,  muitas  vezes  optaram  por  estarem  juntas  desses
que  estão  aqui,  para  auxiliá-los  a  suportar  esse  lugar.  Lembre-se  sempre,
Débora,  Deus  é  amor  e  tudo  permite  a  Seus  filhos  para  que  se  tornem


espíritos melhores. O que achamos ou imaginamos ser dor, na verdade é uma
oportunidade  evolutiva,  já  que  somos  eternos  e  temos  uma  eternidade  pela
frente. Se imaginares que o que chamas de dor é passageiro e o sofrimento
não  é  eterno,  entenderás  que  é  por  meio  das  provas,  do  sofrimento  e  das
transformações que alcançamos nossa evolução pessoal. Ninguém evolui por
ninguém.  A  evolução  é  uma  condição  do  espírito.  As  encarnações  e
desencarnações  são  o  instrumento  mais  justo  para  aquele  que  busca
incansavelmente seu lugar no todo.
– Somos parte do todo – diz Felipe.
– Agora entendi, quer dizer que esses filhos optaram por ficar próximos
aos seus pais para auxiliá-los nessa caminhada evolutiva.
–  Sim,  são  espíritos  evoluídos  que  não  se  importam  em  que  lugar  vão
viver,  eles  simplesmente  se  importam  em  auxiliar  os  espíritos  que  eles
aprenderam a amar por meio das encarnações.
– Será isso o que acontece comigo e com o Allan?
– Só saberemos isso quando o encontrarmos. Ou se algum iluminado nos
revelar.
– Os iluminados sabem de tudo?
– Não, Débora, ninguém sabe de tudo – diz Nina.
– Só quem sabe de tudo é Ele, o Criador de todas as coisas, eu já lhe
expliquei isso – diz Felipe.
– Nossa, estou aprendendo tanto com vocês! – diz Débora.
– Nós também estamos aprendendo com você, Débora – diz Nina.
–  Quem  sou  eu,  Nina,  para  lhe  ensinar  alguma  coisa?!  –  diz  Débora,
envergonhada.
Estamos sempre aprendendo, Débora – diz Felipe.


– Eu já aprendi com você, Débora, que não devemos desistir nunca. Que
as  adversidades  que  se  apresentam  em  nossa  vida,  na  verdade,  são
oportunidades, e que quando desejamos, o Universo inteiro conspira a nosso
favor. Tenho certeza que vamos encontrar o Allan e descobriremos por que
estamos todos envolvidos uns com os outros – diz Nina.
– Eu não sei o que dizer, Nina, só quero agradecer a Deus por permitir
estar esse tempo ao lado de vocês. Obrigada a você, Nina, Felipe, ao amigo
Índio e a você também, Negro – diz Débora, emocionada.
– Obrigado – diz o Negro.
Todos se abraçam e decidem continuar a busca.
Após  caminharem  por  mais  um  dia,  finalmente  chegam  aos  portões  do
lado sul do Umbral.
–  Vamos  esperar  aqui.  Índio,  vá  à  frente  e  veja  se  podemos  nos
aproximar – diz Nina.
– Espere, eu já volto – diz o Índio.
– Nina, posso lhe perguntar uma coisa?
– Sim, Débora.
– Por que esse índio ainda vive vestido de índio? Desculpe-me, mas é
que já percebi que tenho minha forma, a mesma de quando eu vivia.
–  Aqui  no  mundo  espiritual  aproveita-se  o  que  há  de  melhor  nos
espíritos, Débora.
– Como assim?
– Débora, qual é a melhor parte de um dentista?
– A profissão de dentista, é claro!
– Qual é a melhor parte de um músico?


– Seu talento para a música, é claro!
– Aquilo que de melhor fazemos é o que trazemos para cá. Aqui existem
médicos,  enfermeiros,  engenheiros,  dentistas,  maquinistas,  músicos;  tudo
continua, de uma forma diferente, é claro. Mas Débora, aqui você vai usar o
que de melhor você tem para alcançar sua evolução, e além de tudo tem o
seu  livre-arbítrio  que  lhe  permite  ser  quem  você  é  ou  foi.  Você  pode
escolher, por exemplo, ser uma marquesa ou uma duquesa, se assim lhe foi
permitido ter sido em outra encarnação. Se nós não acharmos o Allan na ala
sul, provavelmente teremos que ir para as outras colônias, e lá você poderá
compreender  melhor  o  que  estou  tentando  lhe  explicar.  Você  vai
compreender por que o Índio ainda é o índio.
– Olha, posso parecer burra, mas estou começando a gostar muito disso
aqui. Imagina, se fui uma marquesa, posso viver como marquesa?
– Sim, se for útil para você e para todos aqueles que necessitam de você.
Embora pareça que podemos realizar todas as nossas vontades, não podemos
nos esquecer de que aqui no mundo espiritual, assim como na vida material,
existem regras, leis que precisam ser seguidas. Lembra das regras?
– Sim, claro que sim – diz Débora.
– Nunca se esqueça delas. Elas são muito importantes aqui.
– Entendi perfeitamente, Nina. Obrigada por sua explicação. Posso fazer
outro comentário?
– Sim, claro que sim, Débora.
– Eu não conheci outra forma do Índio, mas que ele é lindo como índio,
ah, isso é.
Todos riem de Débora.
– Olhem, falando nele, lá vem ele chegando.


O Índio se aproxima do grupo, montado em um lindo cavalo marrom.
Podemos ir, Índio?
– Sim, Nina, todos já estão a nos esperar.
– Venha, Débora, e pare de paquerar o Índio – diz Nina.
Todos riem. O Índio fica sem entender nada.
– Gente! Onde é que você arrumou esse cavalo, amigo Índio?
– Ele é meu companheiro aqui.
– Lindo o seu cavalo!
– Obrigado.
O muro que separa o lugar é alto, tem aproximadamente sete metros de
altura.  Há  um  grande  portão  de  madeira  negra.  Algumas  imagens  estão
entalhadas como obras de arte na parte principal do portão.
Débora  fica  impressionada  com  a  beleza  do  lugar.  Ao  passarem  pelo
portão uma linda mata se apresenta aos olhos de todos. Árvores gigantescas
cobertas de folhas verdes, riachos e uma pequena cachoeira se apresentam
ao olhar de todos.
Há  uma  aldeia  de  índios.  Crianças  correm  em  direção  a  Nina,  que  os
recebe com um grande e caloroso abraço.
O  Umbral  fica  para  trás.  Aquele  local  se  transforma  em  um  belo  e
refrescante  lugar.  Podem-se  ouvir  pássaros  a  cantar  e  animais  a  rosnar.
Ouvem-se  gritos  de  macacos,  e  borboletas  enfeitam  ainda  mais  a  visão  de
Débora.
– Venha, Débora! – convida Nina.
– Nina, que lugar lindo é esse?


–  Aqui  é  a  entrada  e  saída  sul  do  Umbral.  Esses  índios  vivem  aqui,
porque escolheram ser os guardiões do portão sul.
– Agora posso compreender por que o Índio continua sendo índio – diz
Débora.
– É verdade! Olha esse lugar, olha essa vida. Se a melhor parte deles foi
a  parte  de  índio,  por  que  desprezá-la?  Por  que  não  viverem  eternamente
auxiliando a todos aqui como guardiões dos portões do Umbral? – diz Nina.
– Compreendi agora perfeitamente o amor de Deus, Nina.
– Que bom, Débora! Que bom que você está compreendendo tudo – diz
Nina. – Venha, vamos até a oca central.
– Sim, vamos.
Débora, feliz e encantada, se mistura às índias e sorri como nunca. Feliz,
ela até esquece o porquê de estar ali.
Alguns  dias  se  passam.  Débora  toma  banho  de  rio  com  Nina  e  as
crianças.  Diverte-se  e  se  sente  como  uma  índia  feliz  e  radiante  com  as
descobertas que faz.
Nina e Felipe estão conversando, quando são interrompidos pelo Índio.
– Com licença, Nina.
– Sim, amigo, o que houve?
–  Precisamos  partir.  Daniel  nos  permitiu  visitar  outras  colônias  à
procura do menino Allan. E já é hora de partirmos.
–  Sim,  vou  avisar  Débora  –  diz  Nina.  –  Felipe,  apronte  tudo,  vamos
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