Mãe, voltei!



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Mãe, Voltei! Osmar Barbosa
Eustaquio
No jardim de meu coração, onde você plantou amor, existem margaridas a
florir.
Osmar Barbosa




Mãe, voltei!
– Olha, lá está o Pedro – diz Débora apontando para uma mesa na praça
de alimentação do shopping.
–  Ande  mais  devagar,  não  aguento  andar  tão  rápido  com  essa  barriga
toda – diz Solange, se arrastando.
– Nossa, o Pedro está com uma cara horrível! Venha Solange.
– Estou indo.
Ao aproximar-se...
– Oi, amor! – diz Débora beijando Pedro.
– Oi, Pedro!
– Oi, Solange!
– O que houve, amor? Que cara é essa? – diz Débora.
Sente-se, amor, preciso lhe contar uma coisa.
– É o resultado do exame?
– Sente-se, Débora; sente-se, Solange, por favor.
– Pronto, nos sentamos. O que houve?
– Débora, infelizmente eu nunca poderei lhe dar um filho.
– Como assim?


– Meu exame apontou que tenho infertilidade.
Como assim, meu amor?
–  Eu  tenho  uma  produção  baixa  de  espermatozóides,  e  com  isso  não
posso engravidar ninguém.
– Mas existem tratamentos que podemos fazer, amor.
–  Não  adianta,  Débora,  além  de  ter  uma  baixíssima  produção  de
espermatozoides, eles são imperfeitos.
– Meu Deus! E agora? – diz Solange.
–  Podemos  fazer  inseminação  artificial.  Vou  procurar  um  médico
especialista. Não vamos nos desesperar com o primeiro resultado. Está bem,
amor?
– Está bem, Débora, se é assim que você quer, faço tudo pelo nosso amor
– diz Pedro.
– Como são as coisas, não é, Débora?!
Que coisas, Solange?
– Estamos procurando alguém para ficar com o meu bebê, e vocês não
podem ter um.
– Pare de falar bobagens, Solange. Uma coisa não tem nada a ver com
outra. Você acha mesmo que eu nunca pensei em ficar com o seu bebê? Você
acha mesmo que sou tão insensível assim? Imagina! Logo eu que perdi meu
filho  de  uma  forma  tão  cruel?  Além  de  tudo,  essa  criança  que  está  em  seu
ventre é meu sobrinho, querendo ou não, ele ou ela é meu parente.
– Não tinha pensado assim – diz Solange.
– Por que então não ficamos com essa criança? – diz Pedro.


– Porque eu quero que você tenha um filho seu e não dos outros. Aliás,
ficar com essa criança é suicídio. Papai e mamãe me deserdam. E isso já é
assunto encerrado nessa família.
– Vamos seguir o combinado. Confiemos em Deus. Tudo vai se ajeitar –
diz Débora.
– Sim, vamos confiar em Deus. Amanhã mesmo vou procurar um médico
especialista  em  reprodução  humana.  Vou  falar  com  alguns  médicos  lá  do
hospital. Se Deus quiser, isso vai ser resolvido – diz Pedro, mais animado.
– É assim que se fala, amor – diz Débora beijando a face de Pedro.
–  Agora  vamos  lanchar,  estou  morrendo  de  fome.  O  que  você  quer,
Débora?
– O de sempre.
– E você, Solange?
– Não quero nada, estou enjoada.
– Ih! Você sem fome...
Após o lanche todos voltam para casa.
Três horas da manhã de um novo dia...
– Débora, Débora, acorda!
– Oi, amor, o que houve?
– Vá até o quarto da sua irmã.
– O que houve?
–  Não  sei,  só  sei  que  ela  não  dormiu  ainda.  Não  para  de  zanzar  pela
casa. Vai lá ver o que está acontecendo.
– Está bem!


Débora  levanta  e  se  dirige  ao  quarto  de  Solange,  que  está  sentada  na
cama acariciando a enorme barriga e muito suada.
– Oi, Solange, com licença. Está tudo bem?
– Não, estou me sentindo muito mal.
– O que você está sentindo?
– Falta de ar e muita cólica.
– Espera aí, que vou chamar o Pedro.
– Por favor!
Débora volta ao quarto e chama Pedro para olhar Solange.
Após  examiná-la,  Pedro  decide  seguir  para  o  hospital  urgente,  ele
percebe que Solange não está bem, é chegada a hora do parto.
– Vamos, amor, vamos correndo para o hospital.
– O que houve?
– Não sei, sua irmã apresenta sinais de que chegou a hora do parto, mas
a bolsa ainda não estourou. Ela está começando a ter contrações. Vamos logo
para o hospital.
– Vamos. Venha, Solange, troque de roupa e vamos para o hospital – diz
Débora.
Apressadamente eles seguem para o hospital onde Pedro trabalha e logo
Solange é colocada sob os cuidados da doutora Tânia.
Pedro e Débora ficam na sala de espera aguardando por notícias.
– Amor, já são oito horas da manhã, e nada de notícias.
– Ela está no centro cirúrgico, parece que vão fazer uma cesárea.
– Vou ligar então para Vera para vir buscar a criança.


– A criança só recebe alta junto com a mãe. Ela não vai poder levar o
neném agora.
– Entendi, então vou ligar para avisar que a criança está nascendo.
– Sim, avise-a.
Pedro  se  dirige  ao  balcão  da  enfermaria  para  falar  com  Nádia,  sua
colega de trabalho.
– Oi, Nádia!
– Oi, Pedro!
– Você veio do centro cirúrgico?
– Sim.
– Como está a paciente Solange?
– Em estado grave.
– Como assim, em estado grave? O que houve? Meu Deus...
– Ela é sua cunhada, não é isso?
– Sim, ela é irmã de minha mulher.
– É melhor você esperar pela doutora e conversar com ela.
– Mas o que houve?
– Não sei lhe explicar, mas a menina não está nada bem.
– E o bebê?
– Foi salvo.
– Salvo, como assim?
–  A  criança  está  fora  de  perigo.  A  doutora  conseguiu  realizar  o  parto.
Tenha calma. Daqui a pouco ela vai descer para falar com vocês.


– Meu Deus! Obrigado, Nádia. Infelizmente eu não posso ir lá em cima.
Hoje não é meu plantão e as regras me impedem de ir até lá.
– Fique tranquilo, Pedro, a doutora já vai descer para falar com vocês.
– Obrigado, Nádia.
Pedro vai ao encontro de Débora.
– Oi, amor, como ela está?
– Não sei, Débora. Só sei que a criança nasceu.
– Menino ou menina?
– Não perguntei.
Poxa Pedro, você poderia ter perguntado, não é?
–  Desculpa,  amor,  mas  é  que  sua  irmã  não  está  bem.  Eu  não  sei  o  que
está  acontecendo,  pois  não  posso  entrar  lá.  Não  estou  vestido
apropriadamente e hoje não é dia do meu plantão.
– Mas o que está acontecendo?
– Eu não sei. Nádia, minha colega, disse que a doutora vai descer para
falar conosco.
– Meu Deus, olhe pela minha irmã.
– Liga para a sua mãe e explica a ela o que está acontecendo.
– Vou ligar.
– Você ligou para a Vera, sua amiga?
– Sim, ela já está a caminho.
– Vai ser bom ter sua amiga por aqui.
– Sim, com certeza, e além de tudo ela disse que quer acompanhar tudo
de perto.


–  Liga  para  a  sua  mãe  e  avisa  que  as  coisas  aqui  não  estão  dentro  do
esperado, por favor!
– Vou lá fora ligar.
Após algum tempo, Débora volta à sala de espera e encontra Pedro muito
nervoso e preocupado.
– Oi, amor!
– Oi, querida!
– E aí, tem notícias de Solange?
– Não, nada sei, mas pela minha experiência as coisas não estão bem lá
dentro.
– Como assim?
– Meus colegas estão me evitando – diz Pedro.
– Vá lá e pergunte então, amor.
–  Eu  não  posso,  as  regras  aqui  são  bem  chatas  e  os  donos  do  hospital
estão  presentes.  Por  isso  não  posso  nem  passar  da  porta  que  dá  acesso  às
alas do hospital.
– Que droga!
– Vamos esperar, a médica vai vir falar conosco.
– Estou começando a ficar nervosa.
– Não fique. Conseguiu falar com a sua mãe?
–  O  telefone  público  está  com  defeito,  e  com  o  meu  celular  eu  não
consigo fazer interurbano.
– Depois eu ligo para ela e explico tudo – diz Pedro se sentando.
– Sente-se aqui, amor – convida ele a Débora.


A doutora Tânia se aproxima de Pedro e Débora para dar-lhes notícias
de Solange.
– Oi, Pedro!
–  Oi,  doutora  –  diz  Pedro  se  levantando.  Débora  segue  o  marido  e
também se levanta.
– A senhora é familiar de Solange?
– Sim, ela é minha irmã.
Por favor, venham até minha sala, preciso ter uma conversa com vocês.
– A coisa é grave, doutora?
– Sim, Pedro, vamos até a sala, por favor.
– Venha, Débora – diz Pedro pegando na mão direita de sua amada.
Após entrarem na sala e se sentarem a médica vai direto ao assunto.
– Pedro, infelizmente não tenho boas notícias para vocês.
– O que houve, doutora?
– Solange morreu. Ela não resistiu.
– Como assim? Meu Deus!
Débora desaba no colo de Pedro, em lágrimas.
– O que houve, doutora? – diz Pedro, abraçando Débora.
– Ela teve o que chamamos de Placenta Prévia ou PP.
– Meu Deus! – diz Pedro.
– O que é isso? – pergunta Débora.
– É quando a placenta encobre o orifício interno do útero, o buraco por
onde sai o bebê.


– Meu Deus, como é que eu vou explicar isso para a minha mãe?! Meu
Deus, minha irmã tão nova!
–  Mas  doutora,  explique-nos  um  pouco  mais.  Não  havia  nada  que
pudesse ser feito?
–  Quando  isso  acontece  a  mulher  sofre  uma  hemorragia  muito  forte,
Pedro, como você sabe. E foi isso que infelizmente aconteceu com Solange.
O que mais me surpreendeu é que ela é muito jovem para acontecer o que
aconteceu. Infelizmente, fizemos o que foi possível para salvá-la, mas sem
sucesso.
– Obrigado, doutora, perdoe-nos – diz Pedro.
Débora chora calada ao colo do marido. O momento é de muita dor.
Vera chega ao hospital e é levada à sala da médica onde Pedro e Débora
estão. E logo que Débora a vê, levanta, corre e joga-se nos braços da amiga.
– Que bom que você chegou, Vera! Minha irmã acaba de morrer.
– Mas como? O que houve?
– Ela teve uma forte hemorragia – diz Pedro se aproximando.
– Meu Deus! – diz Vera. – E a criança?
– A criança passa bem – diz a médica.
– Vera, me faz um favor, fique com Débora, que vou ver o que é preciso
para cuidar do funeral de Solange.
–  Pode  deixar.  Venha,  Débora,  vamos  para  sua  casa.  Não  adianta  nada
ficar aqui.
–  É,  amor,  vai  com  ela  para  casa.  Eu  vou  cuidar  de  tudo  aqui  –  diz
Pedro.
Débora é levada para casa. Seu estado é lastimável.


No dia seguinte todos choram a morte da menina e se despedem dela em
seu  enterro,  simples,  mas  coberto  de  amor.  Marilza  não  foi  ao  enterro  da
própria filha para que a criança não fosse descoberta e desonrasse a família
interiorana.
Débora e poucos amigos enterram Solange com as preces dos amigos da
humilde casa espírita que acompanharam todo o cortejo.
No dia seguinte...
O telefone de Débora não para de tocar.
– Pedro, atende o telefone para mim, por favor!
Pode deixar, amor, eu atendo.
Após atender, ele volta para falar com Débora.
– Amor, é do hospital. Você tem que ir lá para pegar a criança.
–  Diga-lhes  que  vou  na  parte  da  tarde.  Vou  ligar  para  Vera  e  combinar
com ela.
– Está bem.
Assim Pedro combina de retirar a criança na parte da tarde.
– Pedro, você pode ligar para a Vera e combinar com ela no hospital?
– Posso, amor. Pode deixar, vou ligar e combino tudo.
Três horas depois, Pedro, Débora e Vera chegam ao hospital para retirar
a criança.
– Boa tarde, Pedro!
– Oi, Nádia!
– Como foi o enterro de sua cunhada?


– Muito triste, os pais não quiseram saber dela, alguns poucos amigos,
mas tudo correu bem. Débora está bem conformada.
– Por que os pais dela não compareceram?
– Por causa de uma gravidez indesejada.
– Nossa, que horror! – diz Nádia.
– Viemos buscar a criança.
– A pessoa responsável da família está aí?
– Sim, minha mulher, ela é irmã da mãe da criança e vai retirar o bebê.
–  A  papelada  já  está  pronta  na  secretaria,  é  só  ela  ir  lá  e  assinar.  Eu
preciso do RG e CPF de sua mulher.
– Aqui está – diz Pedro, entregando-lhe os documentos.
– Posso pegar e levar para ela assinar? Pode ser?
– Sim, claro que sim, Pedro. Deixe-me preencher e já entrego.
– Obrigado, Nádia.
– De nada, amigo.
Após  assinar  todos  os  documentos  Débora,  Vera  e  Pedro  ficam
esperando a criança chegar.
Nádia aparece na recepção com um bebê enrolado em uma manta verde-
claro. Em sua cabeça há uma touca de crochê branca. Nádia então se dirige
até Débora e repousa em seus braços o lindo bebê recém-nascido.
Débora  sai  do  hospital,  aconchega  a  criança  em  seu  colo  e  lentamente
retira uma parte da manta que cobre o rosto do lindo menino. Débora então
cheira-lhe  a  face.  Ela  sente  algo  inexplicável  dentro  de  si.  Abraça  ainda
mais forte a criança. É um momento único quando algo muito forte lhe torce
o coração.


Pedro se aproxima, e ela então lhe diz:
– Amor, é um menino, um lindo menino.
Débora  tenta  controlar  suas  emoções.  Tomada  por  um  sentimento
inexplicável,  ela  se  afasta  de  todos  levando  em  seus  braços  o  menino  que
acaba de nascer. Ela se dirige a um jardim que existe na frente do hospital.
Nina  e  Felipe,  os  amigos  do  mundo  espiritual,  se  aproximam  e  se
colocam  ao  lado  de  Débora.  Ela  então  começa  a  soluçar  as  lágrimas  da
felicidade de um reencontro. E em seus pensamentos ela diz:
“Eu conheço esse cheiro, eu conheço esse menino.”
Seu rosto está banhado de lágrimas de amor e felicidade. Ela sente que
em seus braços quem está é o Allan.
– Meu filho... Você voltou...
Débora aproxima-se de um gramado e se ajoelha. Ela agradece a Deus
por  ter  em  seus  braços  o  seu  amado  filho  Allan.  Pedro  se  aproxima  e  se
ajoelha ao lado de sua amada. Agarrada ao menino junto ao seu coração, diz
para seu amado marido:
Ele voltou, meu filho voltou...
Emocionada,  Vera  assiste  a  tudo  calada  e  feliz,  com  o  reencontro  de
muitas vidas.
Felipe abraça Nina e todos ficam muito emocionados.
Daniel assiste a tudo da Colônia Espiritual Amor e Caridade.
Fim




T
Cartinhas
ermino aqui mais um livro, emocionado e feliz por poder ter sido
escolhido pelo mundo espiritual para tão nobre missão. No final
dele trago algumas cartinhas que me foram passadas por crianças
lindas da Colônia Amor e Caridade.
Obrigado, Nina Brestonini. Obrigado, Daniel. Obrigado, Felipe e todos
os amigos que tenho nessa linda e acolhedora colônia espiritual.
Estamos  juntos  nessa  missão  de  divulgar  essa  doutrina  que  transforma
vidas e, principalmente, que modifica corações. Obrigado por minha família
e  por  todos  aqueles  que  estão  direta  e  indiretamente  ligados  à  minha
mediunidade e carreira como escritor.
Quero registrar e deixar em minha biografia os ensinamentos que recebo
em  todas  as  psicografias.  Quero  espalhar  e  deixar  marcados  em  todos  os
corações  a  certeza  de  que  a  vida  não  se  resume  a  esta  vida,  como  me  diz
com carinho e amor minha querida Nina.
Obrigado  a  todas  as  mães  que  lerão  este  livro.  Saibam  que  seus  filhos
não morreram, ninguém morre. Essa é a grande verdade da vida. O que fica é
a dor da ausência. Os momentos, os abraços, a cumplicidade.
Em  outro  espaço,  em  outro  lugar,  em  outra  dimensão,  nossos  filhos
continuam vivos esperando sempre uma nova oportunidade para estarem de
novo ao nosso lado.


Confiem em Deus...
Acreditem em Deus...
Tudo o que nos acontece tem a permissão dEle. E se seu filho não está ao
seu lado neste momento, é porque Deus precisou dele para a mais nobre das
nobres missões.
O Amor.
Fiquem com Deus...
Osmar Barbosa



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