Masarykova univerzita



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Encontro17.03.2020
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Espaço e tempo


O espaço na obra de Albertino Bragança concentra-se na ilha de São Tomé. No primeiro conto a narrativa abre-se no Riboque, o palco principal do livro considerado como fortaleza dos colonos, começando com o enterro da protagonista - Rosa Adriana – numa cerimónia fúnebre na terra que passaria pertencer « a quem nunca em vida a tinha possuído ». Entertanto, o Riboque não é o palco único nos contos. O autor apresenta-nos também o lugar do Monte Grande no momento de uma greve e no segundo conto leva-nos ao Ocá Longo, o espaço que simboliza o tempo da Independência.

Quanto aos espaços físicos, no primeiro conto há dois espaços importantes. Primeiro é a tasca, o lugar onde se encontra o grande número das pessoas oferecendo ao autor a melhor possibilidade de descrever os caracteres das suas personagens e debuxar a situação necessária para outro fluxo da acção. As figuras na tasca falam entre si e contam as suas histórias individuais revelando, assim, as suas vidas quotidianas, os seus problemas e alegrias. De um lado, podemos, pois, reconhecer as identidades dos personagens, de outro lado, nas tascas têm lugar as festas mostrando o divertimento da sociedade riboquense, as danças, as canções – costumes típicos santomenses. O segundo lugar descrito no primeiro conto é a prisão onde a protagonista foi torturada pela polícia. Os muros altos e as celas obscuras acompanhados pelos gritos desconsolados dos prisioneiros suportam a mensagem da obra que Bragança antecipou – a injustiça cometida sobre as pessoas inocentes, apesar da audácia e da lealdade da Rosa Adriana para com os amigos, e, também, a desesperança do povo sem direitos após toda a crença e luta contra esta insatisfação.

Como no primeiro conto, também em « Reencontro » os leitores são familiarizados com o lugar comum destinado ao divertimento da vila de Santo Amaro. Esta sala de dança serve de relaxamento dos habitantes quem a visitam para « fazer esquecer os problemas quotidianos de cada um. » (Idem, p.65) A seguir, Bragança apresenta-nos os terrenos do trabalho que estão na iminência permanente de desabar e os luchans – vilas santomenses – aqui atacados por grande incêndio. No último conto voltamos às tabernas que significam as pausas da vida nómada do protagonista Mento Muala.

Além do espaço também o tempo é uma dimensão do mundo da história. O autor apresenta-nos um discurso provocativo sobretudo no primeiro conto « Rosa do Riboque » onde a classificação temporal é mais visível. A história desenrola-se durante o período colonial só no fim do conto o autor salta de oito anos à época provavelmente pós-independentista onde se espera sempre ao tempo da verdadeira liberdade. Nos outros contos o tempo não é determinado. Outro fenómeno interessante que diz respeito ao tempo no conto é o rompimento do fluxo da história que Gérard Genette, teórico literário francês, marca como prolepse. Trata-se do fúnebre da Rosa Adriana que começa o conto e depois o autor continua a recontar a história da protagonista antes a sua morte.




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