Masarykova univerzita



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Identidade crioula


Nos inícios do século XX, por causa da sua capacidade produtiva económica que atraiu os imigrantes da Europa e da África engrossando a diversidade dos grupos sociais, as autoridades coloniais reduziram a assumpção das raízes culturais dos santomenses causando assim as contradições entre a elite santomense e determinados aspectos da sua cultura.

O encontro dos diversos grupos sociais exigiu a mesma via de comunicação que fortaleceu naturalmente o uso do crioulo forro, que, segundo Francisco Tenreiro, « esteve sempre presente nas relações económicas entre filhos da terra e europeus e foi ainda o veículo das relações de amorabilidade entre homens e mulheres de grupos sociais diferentes; linguagem de comércio, linguagem de amor e primeira língua que as crianças aprendiam com o leite » (TENREIRO, 1961, p. 91

Esta harmonização das gentes e das medidas legislativas foi fortaleceda também pela desmotivação a vinda das mulheres europeias devido às doenças palúdicas que atacou os estrangeiros deixando assim a via livre às mulatas e às negras.

No entanto, apesar de o crioulo permitir a comunicação entre os diversos grupos sociais, a necessidade de se adaptar aos valores dominantes da política e económica colonial impôs às elites letradas santomenses o banimento do crioulo forro no seu seio e a proibição do seu uso no ambiente doméstico. Esta marginalização das línguas nacionais, em maioria em relação ao português, pôs em risco de extinção os elementos linguísticos com as raízes ancestrais que constituem as marcas específicas da identidade crioula, revelando assim a riqueza histórica e semântica.

Quando Portugal foi proclamado república em 1910, as ideias republicanas que conduziram a esta proclamação, inspiravam os estudantes africanos para os movimentos protonacionalistas a favor dos negros, atingindo um grande movimento associativo em São Tomé. Essa prática associativa permitiu, no arquipélago, a fundação da „Caixa Económica de S.Tomé“ (1905), do Grémio de S.Tomé (1906), da „Liga dos Interesses Indígenas de S.Tomé“ (1910) e do Sporting Clube de S.Tomé (1927) que constituíram factor importante das primeiras afirmações identitárias dos santomenses. A partir disso, Augusto Nascimento diz que: « o associativismo santomense nos primeiros decénios de novecentos serviu de interface nos planos social, político e simbólico com os europeus e com o mundo [...] o lazer passou a ser elemento de estratégia da elite nativa de alargamento da influência de associações várias e, depois, de elemento identitário de contornos raciais e políticos ». (NASCIMENTO, 1998, p. 274).

Aliás, era a associação desportiva que desempenhou um papel de relevo do pensamento independentista santomense que os conduziria ao 12 de Julho de 1975.

Mesmo que haja muito anos que os santomenses adquiriam a independência, temos de constatar que as reminiscências da inferioridade e da opressão de uma certa raça é sempre presente nas ilhas. Por isso é preciso de continuar em luta para conservar e aperfeiçoar a nação e a mente santomense livre. A « sagrada missão » pelos santomenses é, agora, reapropriar-se da herança que vem dos fundos do tempo e acarinhar, promover e divulgar os valores que refelectem e ilustram as « fibras » mais íntimas do sentir colectivo, ou seja, da cultura santomense.





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