Masarykova univerzita



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Esperança na mudança


Como já foi dito no segundo capítulo, a conquista e a formação da identidade e da liberdade santomense durante o período colonial exigiu a luta apoiada pela esperança no melhor futuro. Apesar de atingir a independência, o regime monopartidário da pós-independência santomense levou à consequente falta da liberdade e ao exercício de arbitrariedades. Esse período colonial descrevendo a luta e esperança na mudança é apresentado em Rosa do Riboque e outros contos, livro constituído por quatro contos, dos quais o primeiro aborda o tema da greve do povo/dos trabalhadores contra as condições de trabalho e os baixos salários, o povo que aspira por um tempo da mudança, pois apesar das prisões e das rusgas. Assim, como atalha Mé Léchi em « Rosa do Riboque »: « ninguém pode tirar ideia de exploração na cabeça de explorado » (Idem, p. 31). Esta esperança do povo oprimido no melhor futuro é expressa sobretudo neste primeiro conto. Durante a festa na taberna, introduzida pelo som dos « pito dóxi », « Os seus corpos libertavam-se por momentos, exalando a sofreguidão e a esperança pela hora da mudnaça, que pudesse trazer consigo os alvores de uma nova e verdadeira vida. » (Idem, p.31)

Após Rosa ter apontado para as más condições dos moradores marginalizados do bairro, Mé Léchi adopta uma opinião visionária, dizendo: « Um dia, querida, essa força que se perde hoje em intrigas e falatórios, nesse bairro que você está a ver aqui cheio de confusão, se organizará e levantará contra toda espécie de abusos e de injustiças. » (Idem, pp. 46-47). O povo riboquense não assiste passivamente aos acontecimentos, exprimindo a sua insatisfação, mas esforçam-se por lutar contra a injustiça e a opressão com « a esperança de que a luta agora esmagada constituísse apenas mais uma etapa dessa grande vaga de revolta, que um dia eles próprios e outros que a ela se juntarão iriam pôr decisivamente em marcha… » (Idem, pp. 54-55)



No final, Rosa Adriana, apenas da sua idade baixa, morre como uma heroína, torturada pela polícia, por salvar um dos seus companheiros, Chico de Monte Grande, que tenta fugir à polícia. Mesmo que possa parecer que a sua morte pode levar à mudança do rumo político do país, oito anos depois, no último capítulo, o narrador, amigo da protagonista, Beto Vicente, e os outros amigos continuam a esperar « na hora que haverá de chegar e que irá ser de efectivas trasformações. » (Idem, p. 58). No final do conto podemos mesmo observar outra esperança na mudança:

Continuamos a aguardar com ansiedade o alvorecer desse tempo que nada tem de mítico. Um tempo de libertação que vença a insatisfação e a desesperança. Por ele prosseguimos o combate surdo e milenário, pela liberdade., pelo pão e pelo respeito dos direitos espezinhados deste povo sem direitos. Luta em que tu participaste e que nós prometemos levar até às últimas consequências. (Idem, p. 58).

Entretanto, este tom panfletário é baldado pela morte que abre e fecha o livro. Esta concepção cíclica dos contos remete à desesperança diante do melhor futuro visto que o primeiro conto é aberto com cortejo fúnebre que se despede da protagonista Rosa Adriana que lutava por melhores amanhãs. A conseguinte esperança na mudança que nos acompanha durante toda a história é deludida pela morte de Mento Muala que termina o último conto decepcionando, assim, as expectativas dos leitores.




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