Masarykova univerzita



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O carácter dos contos

  1. Paisagem


A paisagem desempenha um papel considerável nas vidas dos africanos. Fauna e flora africana não serve só como um elemento existencial para as indígenas mas tem também a função social, emocional e ética. Além de ganha-pão, as indígenas coexistem com a natureza que faz parte da vida quotidiana deles. São assim assemelhados à natureza que exprime os sentimentos deles, que é um estado de alma. A literatura, como o meio capaz de captar a realidade intermedia-nos o contacto entre o homem e a paisagem. Nas obras literárias, a paisagem não é nunca construída à base da separação do homem e natureza porque « a geografia aqui comporta os corpos e o ser aqui implica a geografia » (CARVALHO, 2005b, p. 412).

Na literatura africana, o homem, como a parte integrante da natureza, é, o mais das vezes, afigurado na paisagem típica africana. Em Rosa do Riboque e outros contos, no conto « Reencontro », o autor dedica a descrição à paisagem da roça em Ocá Longo:

Árvores altaneiras e seculares cujos ramos se estiraçavam preguiçosamente sobre os cacaueiros, como que cansados da sua constante acção protectora; troços de água que desafiavam as fragas e selvgens e se projectavam no espaço, salpicando-o de infinitas gotas, as quais trasmitiam um tom de frascura à paisagem (BRAGANÇA, 1997, p. 61).

Porém, esta paisagem teve, para os trabalhadores, colectadores do fruto,no conto « Reencontro » um tom monocórdico « entrecortado aqui e ali por um ou outro queblancaná1 mais buliçoso, contrastava gritantemente com a azáfama que ali reinava. Ouviam-se gritos de estímulo e cada vez mais aquela gente se emaranhava à volta dos cacaueiros, como que disposta a despi-los por completo. » (Idem, p.61) O trabalho duro e infinito nos condições desfavoráveis é demonstrado por Albertino Bragança no conto « Reencontro »: « O sol empinava no firmamento e cada vez mais os trabalhadores se entregavam à faina com ardor. Vindo de não muito longe, o murmúrio da cascata era um desafio angustiante às suas gargantas ressequidas. » (Idem, p.62), não é de estranhar que esta paisagem dá-lhes uma sensação de uniformidade.



A paisagem é celebrada em « Reencontro » também de modo como se fosse capaz da vida. Significando uma pausa agradável no trabalho caseiro de Má Dêçu vendo-se da janela, a natureza fascina não só pela sua beleza mas também pela sua capacidade de causar impressão da viabilidade:

« Do lugar onde se encontrava, fronteiro à janela, destacava-se a abóbada das copas das árvores imponentes e o emaranhado da vegetação circundante misturando-se com as casas vizinhas, numa combinação de que só a natureza é capaz. Chegava até ela o canto lamuriento das águas da chuva e trazia-lhe, com veemência, o cheiro pungente da terra a ser desventrada. Só agora reparava na força que vinha do conjunto cerrado e silencioso do arvoredo, como se a mata se preparasse para se defender de um qualquer inimigo invisível. » (Idem, p.74)


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