Marta Sofia Matos da Encarnação Os Abre-te Sésamo da Imaginação


Figs. (2.2 e 2.3): Excerto da obra que não coincide com a ilustração (páginas 39 e 40)



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Figs. (2.2 e 2.3): Excerto da obra que não coincide com a ilustração (páginas 39 e 40) 

Considero condenável a inexistência duma perfeita articulação entre o que é narrado e o que é 

ilustrado  numa  obra  inserida  no  PNL  e  com  a  etiqueta  LER

+

.  Estamos  perante  um  livro 



direcionado  para  alunos  de  uma  faixa  etária  que  valoriza  essencialmente  a  conjugação 

estabelecida  entre  as  gravuras  apresentadas  e  o  texto  documentado  na  mancha  gráfica,  o 

desenho é algo que não lhes passa despercebido. O que acabei de referir comprova-se com a 

reação deles quando se depararam com as discordâncias entre narrativa e ilustrações presentes 

na  obra  estudada.  Foi  algo  que  os  perturbou,  não  os  tendo  deixado  indiferentes. Tiveram  a 

necessidade de comentar a irregularidade.  

A  palavra  «ilustração»,  que  significa,  de  acordo  com  o  Dicionário  Priberam  da  Língua 

Portuguesa  (DPLP)  [em  linha],  parte  artística  de  um  texto;  gravura  ou  desenho,  deriva  da 

palavra «ilustrar» que, nesse mesmo dicionário, tem um leque de definições que enfatizam a 

importância  dos  desenhos  nos  livros  direcionados  para  crianças:  «1.  Tornar  ilustre.  |  2. 

Esclarecer, elucidar. | 3. Instruir. | 4. Adornar com gravuras ou desenhos.». 

 

Se as ilustrações têm como objetivo esclarecer, elucidar e instruir, é necessário que o façam de 



forma correta. As histórias devem estar adornadas com gravuras que esclareçam o leitor e não 

o contrário, i.e., que lhe causem dúvida, incerteza e distração do mais importante, a história. As 

ilustrações devem funcionar como um aspeto visual atrativo para o público mais juvenil, servem 

para despertar a curiosidade e incentivar a  criança à leitura. Além  disso,  são um  auxiliar no 

reconto da história, por isso, os meadidores de histórias nunca as menosprezam. Numa obra, as 



 

 



gravuras  enriquecem  a  leitura  da  história  portanto  devem  estar  em  harmonia  com  o  código 

escrito,  nenhuma  se  deve  sobrepor  aos  caracteres  mas  sim  articular-se  de  forma  perfeita, 

facilitando ao leitor a compreensão total do texto.  

Como sugere Eduarda Coquet

Jean-Luc, um dia, definiu assim esta relação: “Palavras e imagem é como cadeira e 

mesa: para estar à mesa necessitamos das duas”. Esta analogia é particularmente 

perspicaz,  pois  reconhece  cada  uma  das  duas  coisas  –  mesa  e  cadeira  –  como 

distintas, autónomas, com finalidades diferentes, mas no entanto as duas necessárias 

quando da realização do acto de “estar à mesa”. (Coquet & et al, 2002: 179) 

Além disso, esta narrativa descreve punições físicas de uma barbaridade extrema. Este género 

de repreensões desvia-se muito do nosso padrão cultural atualmente vigente de justiça e sistema 

de penalizações considerados inadmissíveis, à luz da Declaração dos Direitos do Homem e do 



Cidadão. Neste documento, consultado na Biblioteca Virtual de Direitos Humanos (BVDH), é 

decretado, resumidamente, que todos temos o direito à vida e só os órgãos da lei podem julgar 

e penalizar. Na obra, a vida é retirada aos ladrões por Morjana (que não tem o direito de julgar 

nem penalizar) sem qualquer piedade, reflexão ou julgamento. Além disso, estão ali definidos 

os três artigos abaixo transcritos, que considero pertinentes para percebermos a injustiça que 

Morjana cometeria nos nossos dias: 






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